segunda-feira, julho 16, 2007

Estamos de Volta!


Depois da "Hora da Depressão", que na minha opinião se estendeu DEMAIS, voltamos agora com a programação normal, prezadíssimos leitores!!

Eu tava com uma idéia fodástica (palavreado do Outsider) pra postar aqui, mas eu escrevi a primeira frase e quinhentas pessoas me chamaram no msn. Agora foi-se...rs

Bom, o importante é: acabou o jejum de risadas por aqui. Volto mais tarde com a pena afiada.

Preparem-se!

terça-feira, julho 10, 2007

Dever de Casa II

A Lívia me deu o dever de casa mais ingrato de todos: ler um livrinho de argh...auto-ajuda. Tem um mês que ela me deu o livro. Tem 94 páginas. E eu não consigo passar da página 25 nem na base da porrada.

Aí, ontem ela me pediu o livro de volta e eu fiquei sem graça pra caramba de dizer que não tinha terminado ainda de ler. Falei um "estou terminando" descarado e prometi devolver na segunda. Ou seja: toca a pegar a bomba e tentar pelo menos passar os olhos no restante pra poder falar do assunto sem passar mais vergonha.

O título: Faça Diferente, Faça a Diferença. Que fique registrado que eu amaldiçôo do âmago do meu ser o senhor Rodrigo Cardoso, um desses gurus proferidores de palestras milagrosas que teve a maldita idéia de começar a escrever livros - esse é o segundo!

Constatei que o livro, contando a singela e subestimadora de intelectos história de Pedro, um engraxate que vira fazendeiro, pai de família e avô de uma porrada de netos e morre pilotando um avião daqueles do Barão Vermelho, tem a pretensão de ensinar 16 coisas: três lições iniciais, dez princípios de vida e três mensagens finais, o santo graal da vida.

(pára e vomita)

Vou transcrever aqui as 16 coisas pra todo mundo poder sofrer comigo. E tecerei meus comentários respectivos:

Lições:

1. Não espere que a vida lhe dê "fogo" se não dá "lenha" a ela. Trace metas claras e as escreva num papel: estará um passo mais perto de realizá-las.


Ah, é. Escrever o que se quer tem tanta força que todos os blogueiros do mundo estão fadados a se transformarem em Guimarães Rosa, Bill Gates, Michael Jordan ou Al Pacino.

2. A felicidade não está nos sonhos realizados, mas no processo de realização dos sonhos. Quando alcançar suas primeiras metas, trace novas e maiores.

Ou seja: você nunca terá sossego na sua vida e trate de se conformar e ficar contente com isso. E não se acanhe em escrever no papel que quer se mudar pra Lua, namorar a Angelina Jolie, ser herdeiro do Sílvio Santos. Quanto mais improvável, melhor. Aí você fica a vida inteira sem se sentir insatisfeito, porque nunca vai alcançar nada disso mesmo, logo sempre estará feliz.

3. O elefante do circo tentou muito fugir da corrente e da estaca que o prendiam quando era filhotinho. Como nunca conseguiu, cresceu convencido de que não pode fugir, mesmo que agora seja imenso e forte. Não acredite que não pode sem tentar de novo.

Nesse aqui eu fiquei tentada a meramente mandar tomar no cu. Mas me parece pouco elaborado, então: ah, eu devo estar mesmo quase do tamanho de um elefante. ¬¬


Princípios:

1. Constitua uma família.


Ah, sim, é a coisa mais fácil do mundo encontrar alguém que seja honesto, constante, confiável e não seja filho da puta no final das contas pra se ter um filho. Nossa, fácil demais!

2. Ajude seu semelhante.

E ainda copia Jesus Cristo descaradamente. Até eu escrevo livro assim!

3. Trabalhe em equipe.

QUE EQUIPE, cara pálida????

4. Aprenda a ser forte na adversidade.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco - já que é pra partir pra frase feita.

5. Dê o melhor de si em tudo que faz.

Inclusive cortar os pulsos?

6. Não seja preguiçoso.

Agora sim: vai tomar no cu.

7. Tenha coragem e arrisque-se.

Tá bom, vou me "converter" ao lesbianismo, então.

8. Tenha fé.

¬¬

9. Não se preocupe.

Não posso, sou Drama Queen, né?

10. Aprenda a perdoar.

Eu até sei perdoar. Mas agora não tô conseguindo. E mesmo que conseguisse, não sei se estou querendo. Sabe vontade de quebrar o carro alheio com um taco de baseball?


O Santo Graal - as três mensagens finais.

1. Associe-se a pessoas positivas.


Pessoas positivas são as culpadas por eu ter sido obrigada a ler esse livro. Prefiro gente solidária do que gente poliana.

2. Aprenda a usar o poder da palavra.

Será que se eu aprender e disser um MORRA bem caprichado, vai funcionar?

3. Seja um eterno aprendiz.

Preciso mesmo aprender um monte de coisas. Como a deixar de confiar em gente.

segunda-feira, julho 09, 2007

Mudança de time

Nos últimos cinco anos minha vida amorosa foi um caos. Pulei da brasa pro espeto um monte de vezes. E o engraçado é que eu sempre acreditei, sempre mantive a esperança de que uma hora eu ia conhecer alguém que fosse realmente um companheiro, que tivesse prazer em estar comigo, que me visse como amiga e não como adversária. Acho que finalmente eu cansei de acreditar nisso. Cansei de me sentir sozinha o tempo todo, principalmente quando acompanhada.

Ontem à noite eu assisti pela enésima vez a Tomates Verdes Fritos. Mas dizem que cada vez que vemos um filme, enxergamos coisas diferentes, né? Pois então. Ontem eu percebi que talvez eu deva desistir dos homens, não do amor. Pensando a respeito, percebi que realmente amor de mulher é uma coisa diferente e que geralmente homem nenhum sabe valorizar e entender. Mas outra mulher talvez saiba.

Eu não estou falando de sexo, mas de vínculo. De carinho, cumplicidade, respeito. Coisa que geralmente homem não sabe dar.

A Andréa me disse outro dia que pra "deixar de gostar de homem" precisa um trauma muito forte. Talvez ela tenha razão. Mas qual a medida do trauma?

sábado, julho 07, 2007

Tea for Two

Esta tarde bateram à minha porta devagarinho. Um. Dois. Três. Era Tristeza, uma velha amiga. Talvez amiga seja a palavra errada, já que nem gosto muito dela. Mas quando alguém o conhece há tanto tempo e tão bem quanto ela, é difícil chamá-lo por outro nome que não amigo, ainda que impróprio. Acostumei-me à presença dela, é a verdade. Fica sendo amiga, pois. Bateu à porta e convidei-a a tomar chá. Sentamo-nos e houve um silêncio prolongado. Sem constrangimento, sem desconforto. Apenas intimidade, entendimento. Ela sabia que eu não queria falar. Somente fez-me companhia. A noite foi caindo e ela acendeu os abajoures. Sentia-se em casa, tão assídua era naquela sala. Escolheu um disco de blues azul e ofereceu-me o colo, sem dizer palavra. Deixei-a acariciar-me os cabelos por longas horas, até que bateram novamente à porta. Tristeza beijou-me em despedida e abriu a porta, dando passagem a Solidão, meu fiel companheiro noturno, com quem divido a minha insônia.


Lívia Santana.
julho/2005


Acho que a minha vida é cíclica.
Os meus acompanhantes de dois anos atrás estão novamente aqui.
Até que eu consiga sorrir de novo sem nenhum traço de amargura.
Aí estarei curada.

sexta-feira, julho 06, 2007

Não Pise nos Mumerats

A quem porventura tenha essa dúvida ou essa esperança: não, eu não vou deletar o blog. E nem vou fazer censura nenhuma ao que está escrito aqui, porque eu que adoro criar personagen e contar suas histórias, não estou disposta a vestir um deles e escrever coisas pensadas cuidadosamente para entreter leitores. Aqui não. Esse aqui é MEU blog, pode ser uma bunda furada - como aliás, é - mas é meu. E fala de mim. E eu não sei não ser eu, não supitar de sentimentos, não rir com o corpo todo, não uivar de dor. Eu sou assim.

E eu to saindo da merda, aos poucos. Chega uma hora que a gente cansa de quem não gosta da gente, né? Cansa de remoer o que deu errado, cansa de sentir saudade dos momentos de êxtase que contribuem ainda mais pra gente se sentir ridículo, cansa de ter esperança. Cansa.

Mas também percebe que há muitas coisas que poderiam significar alívio, alegria e até salvação, e na verdade não são nada disso. Ontem, por exemplo, eu fui prum coquetel de formatura de um amigo muito querido, onde reencontrei minha turma de faculdade. Todas aquelas lembranças, piadas internas, intimidades foram fantásticas durante duas horas e meia. Depois disso eu voltei a me sentir deslocada, desconfortável, melancólica e louca pra ir pra casa. E fui.

A saída não está lá. Assim como não está nos pretensos amigos que se oferecem pra ajudar a superar, esquecer. Não está naquele confidente de todas as horas que acaba por falhar num determinado momento. Não está nesta internet - que foi em grande parte a causadora dos meus tormentos. Não está em lugar nenhum. E este é o ponto do raciocínio em que eu deveria dizer que a resposta esta dentro de mim mesma, que eu preciso encontrá-la. Mas não tenho essa ilusão. Já vasculhei aqui e não achei nada, só teias de aranha e coisas quebradas.

Diane Lane diz isso em Sob o Sol da Toscana:

- Sabe o que é mais surpreendente no divórcio? Ele não mata como uma bala no coração ou um acidente de carro. Deveria. Quando alguém que lhe jura ser fiel até que a morte os separe diz: "eu nunca te amei", isso devia matar na hora. Você não devia acordar dia após dia depois disso tentando entender como você não percebeu. A ficha não caiu, entende? Eu devia ter visto. É claro, mas eu tinha medo de dizer a verdade. E o medo nos torna idiotas.


Ai ai.

Quanto será que está custando uma passagem de ida pra Toscana, hein?


PS: alguém conhece a referência do título? Acho que vou fazer um concurso...rs

quarta-feira, julho 04, 2007

Tesoura do Desejo

Hoje eu to cortando tudo.

Cortei o cabelo - curto!
Cortei as cutículas mortas.
Cortei relações de dependência.
Cortei gente que se diz amiga e me sabota.
Cortei a preocupação com a opinião alheia.
Cortei a lamentação por gente que não me ama e não me quer.
Cortei a preguiça de ir ao médico.
Cortei a depressão.
Cortei a inércia.
Cortei o choro, as olheiras, a insônia, o mau humor, TUDO!

E engraçado é que comecei a cortar na sexta: O baralho! :-D

segunda-feira, julho 02, 2007

O que eu preciso

Hoje me disseram pra deletar este blog, porque é muita exposição e eu não preciso disso.

Engraçado é que todo mundo sempre entra numas de saber o que é bom pra mim, do que eu preciso, do que eu não preciso. Um monte de gente tenta me convencer que é melhor assim ou assado, que eu tenho que esquecer, que eu tenho que "dar a volta por cima" - como eu odeio clichês, puta que pariu - que me reinventar, que tocar a vida. Todo mundo é capaz de dizer pelo menos uma coisa de que eu preciso.

E o que eu acho que eu preciso?

Primeiro os razoáveis: Fazer de conta que estou bem, que estou me recuperando, que não penso nisso a cada cinco minutos. Fazer de conta que tenho motivo pra levantar da cama de manhã. Fazer esforço pra não me lamentar fora do consultório da psicóloga. Fazer esforço pra ir pro consultório da psicóloga, porque eu sei que ela vai me dizer que eu tenho um potencial enorme, que eu to melhor assim, que é pra esquecer, deixar pra trás, reconhecer que acabou há muito tempo e que eu tava me recusando a ver, etc. Fazer de conta que raciocínios lógicos fazem doer menos, fazer de conta que não sinto uma saudade dilacerante, que não abafo o choro no travesseiro.

E agora os fantasiosos: de uma máquina do tempo. De um tratamento de "apagamento" como o de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. De fugir pro Tibet que nem o Bruce Wayne no Batman Begins pra tomar porrada de um cara de barbicha e usar substâncias alucinógenas. De sossego. De outra chance.

Caramba, eu só queria outra chance.

quarta-feira, junho 27, 2007

Errata

Eu estava muito bem hoje. Mas nada que a minha terapeuta não consiga resolver. Sabe o que é uma mulher te destruir com a voz pausada e doce a ponto de você sair de dentro do consultório e sentar num meio fio no caminho pra casa pra evitar ser atropelada porque estava chorando demais? E chegar a pedir ajuda pra última pessoa que devia pedir, por uma mesagem no celular devidamente ignorada?

Ah, cara. Nessas horas é que Zeus devia existir. E me fulminar com raio pra acabar logo com isso.

Hoje

eu estou melhor. Acordei de bom humor. Passou a sensação de ultraje, de vergonha, de mágoa profunda. Hoje eu consigo sentir carinho de novo. E saudade.

segunda-feira, junho 25, 2007

Fantasia

Essa é uma história que poderia começar de diversas maneiras. Poderia mesmo ter diversos finais e até mesmo vários enredos diferentes. Mas, ao contrário dos contos de fadas, essa é uma história contemporânea e as boas hitórias contemporâneas têm finais tenebrosos, porque os finais felizes são exclusividade de comédias românticas.

VERSÃO I

Era uma vez uma menina que foi amaldiçoada quando nasceu. Uma bruxa, despeitada por não ter sido convidada a conhecer o bebê apareceu de surpresa e jogou-lhe um feitiço, asseverando que a menina nunca teria um relacionamento duradouro porque nunca seria capaz de se entregar inteiramente. Os pais, aflitos, chamaram a madrinha da menina, que pouco pôde fazer. Apenas lançou um outro encantamento pra que ela pudesse sim, amar intensamente, o que não adiantava muito. Os pais procuraram afastar da menina todo e qualquer moço dotado de qualidades que pudessem interessá-la. Trataram também de enchê-la de afazeres pra que não tivesse tempo de pensar em rapazes. Inglês, informática, natação, guitarra e teatro. Mas nem todos os esforços do mundo poderiam manter um coração fértil e ardente isolado das paixões, e a menina se encantou por um rapaz. Mas não deu certo, e conheceu outro. E outro, outro e mais outro. E nada dava certo. Os pais, então, fecharam-na dentro de casa e deram-lhe a internet pra se entreter. E foi quando o que era ruim ficou pior, a menina ficou tanto tempo sozinha que se esqueceu de como conversar e interagir com outras pessoas e virou uma samambaia. FIM.


VERSÃO II

Era uma vez uma menina que não gostava de ser menina. Ela queria ser adulta, queria ser dona do próprio nariz. Era caprichosa, intensa e segura de si e deixava-a mortificada ter que ser menina. Então, numa noite fria, uma fada atendeu-lhe o pedido repetido mudamente: a transformou numa mulher, com corpo e mente de adulta e alma de menina. A menina exultou e se lançou à vida com a sofreguidão que lhe era peculiar. Tudo era brinquedo novo, a excitação não tinha fim. Mas ela não conhecia o medo e a cautela, e acabou se ferindo gravemente num dos brinquedos, que a atirou de uma grande altura, matando-a antes que a fada pudesse salvá-la. FIM.


VERSÃO III

Era uma vez uma garota que pulava de cabeça em cada paixão, mas saía do encantamento muito antes do outro e sempre deixava corações partidos e amantes inconformados pra trás. A não ser por duas vezes, em que encontrou pela frente adversários mais duros que ela. Um que não se deixou envolver a despeito da paixão da garota e outro que se desencantava ainda mais rápido que ela mesma. Da primeira vez ela chorou muito. Da segunda, de um tanto que nem sabia que era possível. Aliás, chorou tanto que morreu derretida. FIM.


VERSÃO IV

Era uma vez uma mulher dramática que levou um fora e fez um boneco de vodu. (crise de riso) Não, essa história não dá pra terminar.


VERSÃO V

Era uma vez uma menina inteligente, que se tornou escritora, conheceu alguém capaz de enxergá-la de verdade que quis dividir a vida com ela, ganhou um gato e nunca mais se sentiu sozinha. FIM.

Ok, essa última pode ser uma comédia romântica. ¬¬

sexta-feira, junho 22, 2007

Esperança

É tão difícil desistir de planos e sonhos muito acalentados! Tão difícil reconhecer que as coisas não são como gostaríamos, reconhecer que deu tudo errado, perder a esperança de que as coisas se ajeitem! Eu não estou conseguindo fazer isso.

Engraçado, de repente me sinto capaz de novo. Capaz de trabalhar, de escrever, de fazer o que eu quiser profissionalmente falando. Mas devo reconhecer que a minha auto estima pessoal está se arrastando. Porque não importa o que eu faça, não parece ser interessante o suficiente.

A Lívia (minha terapeuta) me disse que a gente aprende que os planos muitas vezes precisam ser refeitos, porque mesmo que a casa idealizada seja linda, pode não ser possível construí-la num determinado terreno. Que o projeto precisa ser guardado, pois amanhã eu posso encontrar um outro terreno com solo mais sólido que me permita desarquivar o projeto.

O duro é que a esperança se recusa a morrer, é pior que o Jason. O meu medo é que eu morra antes dela...rs


Facho de Esperança - Mestre Marçal

terça-feira, junho 19, 2007

Projeto Novo

Vão me perguntar (como já perguntaram): você não cansa? E eu digo: o que me cansa, me mata na verdade, é não inventar coisas novas, é deixar as mil vozes que se agitam na minha cabeça se calarem, é deixar de lado as invencionices que me ocorrem. Portanto, sim, projeto novo. O que não significa que abandonarei nenhum outro.

Também poderão me perguntar: você não acabou de tirar carteira da OAB, criatura? Não tá ocupada, não tem nada melhor pra fazer? Bom, sim, eu acabei de passar na OAB. E, por incrível que pareça, isso me fez sentir muito bem. Porque daqui pra frente não tem nada NECESSÁRIO pra eu fazer. Só faço se eu quiser, se eu escolher. E eu já resolvi. Pô, é um alívio. Quanto a não ter nada MELHOR pra fazer, a resposta é: SIM. Embora advogar não seja nada melhor, tem OUTRO projeto rolando, mas desse não vou falar por enquanto. E ainda tem o Liviruim (ahahahahhahah) que está em reformulação pra voltar ao ar. Ou seja: ocupação pra minha cabeça não falta. E quem quiser ver o Livinrooom de volta, mande um email indignado pro zander porque é este cidadão que está me enrolando e atrasando o relançamento.

Bom, mas indo ao que interessa. Inaugurei hoje




Trata-se de um projeto conjunto com o amigo e parceiro de trabalho Conrad Rose. Partindo da seguinte preposição: Relacionamentos são coisa de gente louca. Só louco pra dividir a vida com um outro esquisito e querer que saia coisa boa. E insistir. E achar alguma graça em brigar. Em estar sozinho acompanhado. Em viver atormentado.

No Ringue a idéia é começar nas luvas de pelica e acabar nas de boxe - quiçá nos pedaços de pau, mordidas e delegacia (risos). Mas nunca na indiferença, porque isso sim é o fim.

É pra ser divertido. E talvez até terapêutico!

Espero que gostem.

Ah, eu quero manda um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

sexta-feira, junho 15, 2007

Música de hoje

DIGITAIS - Isabella Taviani



Imagem: Dri Polacco.


Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso
Mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido
E te liguei

Me encontro tão ferida
Mas te vejo aí também em carne viva
Será que não tem jeito
Esse amor ainda nem nasceu direito
Pra morrer assim

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo
Mas não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos seus dedos
Minhas digitais
Não vou voltar atrás
Apague da cabeça o meu nome
Telefone e endereço
Eu não vou
Não vou voltar atrás
Arranque do seu peito o meu amor
Cheio de defeitos

Me mata essa vontade
De querer tomar você num gole só
Me dói essa lembrança
Das suas mãos em minhas costas
Sob o sol da manhã
Você já me dizia:
Conheço bem as suas expressões
Você já me sorria ao final de todas as minhas canções

Então por quê?

quinta-feira, junho 14, 2007

Ídolos - versão bunda furada.

Há algum tempo eu costumava arrancar risadas das pessoas declarando que o meu sonho era ser a Sandy. Eu dizia isso não pra arrancar risadas (afinal não sou palhaça assumida assim), mas porque era muito ilustrativo e muito verdadeiro. Eu queria ser a Sandy. Ser magrinha, anã, virgem, delicada, ter a pele perfeita, uma sapatilha de plástico pontuda com o meu nome, todo mundo achar que eu canto bem, passar meus dias ensaiando coreografias, escolhendo roupas, posando pra fotos, dando entrevistas, fazendo aula de voz, shows no país inteiro, viajando de férias pra Nova York, aturando aquele irmão ambíguo e ganhando rios de dinheiro vendendo cds, produtos variados e fazendo campanhas do óleo de amêndoas Paixão.

Diz aí, você também não quereria ser a Sandy?

E olha que eu nem to questionando talento nem gosto de nada nem de ninguém. Deixa a Sandy quieta lá no canto dela, não discutamos o mérito da questão. Aliás, particularmente, se eu fosse escolher alguém que eu acho foda pra dizer "queria ser essa pessoa", provavelmente escolheria alguém fodido e não foda. Alguém doente, ranzinza, dono da verdade, mal humorado, cínico, depressivo, fumante, falido, que sofresse abuso, preconceito, angústia, crise existencial e etc. A Tina Turner, por exemplo. A mulher tem, ao mesmo tempo, a voz e o par de pernas mais fodas do mundo. E no entanto, ela tomou tanto na cara daquele Ike, que apesar de admirar pra caraleo, não dá pra dizer que eu quereria ser ela. Ou, mais perto de mim, eu admirava e gostava muito do pai de um amigo meu. Cheguei mesmo a dizer algumas vezes "O Jorge é foda". Extremamente inteligente, caramba. Mas tudo isso que eu listei ali em cima, ele é, e não dá pra dizer que haja alguém que deseje ser deprimido, frustrado, ranzinza. Na verdade, as pessoas que eu mais amo e mais admiro são nojentamente inteligentes. De dar raiva mesmo. E todas tomam no cu de um jeito ou de outro por causa disso.

Então eu queria ser a Sandy.

Vai dizer que você não? Vai dizer que nunca acordou sentindo que seria mais feliz se tivesse metade da sua capacidade cerebral? Se não tivesse que ter opinião política, não tivesse que provar nada pra ninguém, não tivesse que ter observações inteligentes, que entender trocadilhos, que arranjar soluções pra problemas seus e até pros alheios, se pudesse ser piegas sem perder a sua fama de mau, se fosse o intérprete responsável pela música do gambá na floresta e não precisasse se sentir acanhado por causa disso, se pudesse gravar uma música dizendo "esse turu-turu-turu aqui dentro/que faz turu-turu-turu não tem jeito" e ainda assim ter um monte de gente cantando e achando você o máximo.

Por que é que a maldita da qualidade ou o desgraçado do senso crítico têm que estragar tudo, tornar as coisas tão difíceis? Já é tão árduo fazer alguma coisa da vida, quanto mais fazer alguma coisa que preste! Isso é o que deixa uma pessoa saudável, de boa aparência, com pai e mãe vivos e presentes, que tem casa, comida, roupas quentes, ensino superior e alguns amigos, infeliz. Afinal, a sensação de que não está fazendo NADA da vida é estranguladora. E quem garante que esta criatura não vai passar o resto dos dias nesta Terra sem fazer nadinha? Sem construir nada que fique pra posteridade, sem ter um companheiro, filhos, sem fazer realmente a diferença pra ninguém? O que vai impedir que ela se torne uma velha criadora de gatos e regadora de samambaias, tão estéreis quanto ela própria foi em vida?

Entende? Eu queria ser a Sandy!!!!

Mas isso foi até outro dia, quando eu encontrei um ídolo novo. Uma meta nova. Alguém que expressa muito mais minha ambição de vida do que a Sandy. Ok, é feia, velha, inglesa, discriminada e sei lá como é que passa os dias dela. Mas uma coisa eu sei: ela é a segunda mulher mais rica do mundo, só perde pra Oprah. E mais: ela é escritora. E mais ainda: ela só precisou de UMA idéia genial pra se tornar uma bilionária em alguns anos. Esta é, nada mais, nada menos, meus amigos, que J. K. Rowling, a criadora do maior fenômeno da literatura infanto juvenil contemporâna - Harry Potter. Ainda que falem mal dela, que pichem a obra (as sete!!!) de subliteratura, que reneguem o valor do Universo criado por ela, não importa.

Por acaso algum desses críticos pseudo gênios, cheios de senso crítico e gosto refinado tem algum dos milhões que ela tem? Por acaso algum deles é conhecido por um décimo das pessoas que a conhecem? Por acaso as idéias deles já foram adaptadas para o cinema e foram assistidas por milhares de expectadores e fãs? A resposta a estas e outras questões é um retumbante NÃO. Eu me pergunto quanto de dor de cotovelo não terá nas críticas tecidas à autora e à obra.

Em todo o caso, não quero entrar também no mérito desta questão. Se é bom ou ruim, foda-se. A minha colocação é outra: basta UMA idéia genial, uma dose de talento e muita transpiração.

Porra, eu quero ser a J. K. Rowling!

quarta-feira, junho 13, 2007

Here Without You Babe



Adoro essa música. Sei lá por quê. Talvez porque seja emblemática, não só a respeito de sentir falta de alguém, mas também de mim mesma. Oh, Lívia, eu estou aqui sem você, mas você ainda está nos meus sonhos...Ah, Lívia, como eu sinto sua falta!

terça-feira, junho 12, 2007

Vale-Porquinho




Presente de dia dos namorados.

sexta-feira, junho 01, 2007

Corrente. Bando de fdp...

O féla do Zander (sem links, seu puto, essa corrente é quilométrica!) me passou uma corrente que é carma pra mais de duas encarnações. Só vou responder porque estou no msn com o Outsider e a Dehynha e não to com sono agora. Lá vai:

07 coisas que tenho que fazer antes de morrer:
1. montar uma biblioteca gigantesca na minha casa
2. assistir a um musical na Broadway
3. aprender a fazer strip tease
4. voltar a jogar RPG
5. escrever e produzir uma novela radiofônica
6. ter um gato
7. adotar uma criança.

07 coisas que mais gosto:
1. rir
2. namorar
3. ler
4. assistir filmes
5. comer sonhos
6. cozinhar
7. beber vinho espumante

07 prazeres fúteis:
1. assistir seriados antigos
2. comer a cutícula dos dedos das mãos
3. fazer listas
4. jogar The Sims
5. cantar no chuveiro
6. ler o que a Blogagi escreve
7. bater papo nonsense no msn

07 coisas que mais digo:
1. "vai pro diabo!"
2. "morra"
3. "devo ter organizado uma caravana de putas pra Santa Ceia, só pode"
4. "seje não existe: é SEJA!"
5. "você só não é mais (feio/chato/infame, etc) porque não é (dois, mais gordo, mais alto)
6. "você não vai estar fazendo nada, porra!"
7. "eu te amo".

07 coisas que faço bem:
1. falar bobagem
2. drama
3. escrever (segundo as más línguas)
4. ter idéias (o que não significa que eu as execute)
5. descobrir pessoas ímpares
6. fazer piadas com a minha própria cara
7. pudim de leite condensado

07 coisas que não faço:
1. dirigir (ainda)
2. me matar
3. tolerar gente chata
4. ser deliberadamente mal educada
5. assistir filmes como Velozes e Furiosos
6. ler livros de auto-ajuda
7. dormir cedo

07 coisas que me encantam:
1. gente inteligente
2. fazer rir gente que não ri
3. música (boa)
4. histórias bem contadas
5. gente culta
6. as gatas enteadas brincando e se esticando no tapete
7. o senso de humor dos meus amigos

07 coisas que odeio
1. falta de atenção
2. erros de português
3. gente que manda toneladas de emails sem significado
4. gente grossa
5. operador de telemarketing
6. donos da verdade
7. preconceito

UFA!!! Bom, eu acorrento nessa maldição a DEHYNHA, o OUTSIDER, o CARNÁ, o JORGE, a DRI, a ANJA e a LUNA ROSA. Virem-se!...rs

TIC TAC

Lívia diz: Contagem regressiva!
Junior diz: Pra ficar velha? :-P
Lívia diz: Não, pra te ver! *dança*
Junior diz: \o\

Aniversário, feriado, dia dos namorados. Vou comemorar tudo duma vez só! :-D

terça-feira, maio 29, 2007

Dever de casa I

Acho que eu vou deletar esse blog. Ou pelo menos abandoná-lo. Talvez pra sempre. Talvez até haver alguma mudança significativa na minha vida. Eu tô com o saco tão cheio que nem dá pra descrever, nem dá pra mensurar. Saco cheio de gente estéril, seca, sarcástica, amarga, rude.

Na última sessão da terapia eu levei dever de casa: montar uma balança de prioridades, pra ver se eu descubro um rumo. A próxima sessão é amanhã e eu acho que a Lívia não vai ficar muito satisfeita com o resultado. Eu não estou. Não tem nada aí que eu não saiba, mas nem por isso faz diferença.

O QUE EU QUERO

1. emagrecer
2. ser independente
3. ter alguém que queira realmente dividir a vida comigo
4. escrever
5. estudar literatura

O QUE EU PRECISO

1. fazer dieta/exercícios/massagem
2. arrumar uma fonte de renda suficiente
3. não sei.
4. transformar minhas dores de novo em passado
5. conseguir estabilidade

O QUE EU NÃO QUERO

1. me conformar com o meu peso.
2. ficar em Uberlândia para sempre.
3. passar o tempo sem construir nada.
4. desistir dos meus personagens.
5. ser advogada.

O QUE EU NÃO PRECISO

1. descontar a ansiedade com comida.
2. ter medo de tentar o que quer que seja.
3. perder tempo com ilusões.
4. assistir televisão e jogar no computador.
5. entrar em pânico.

Sorte do Zander que eu não sou inventora de correntes. :-/

domingo, maio 20, 2007

Antes que Termine o Dia

Eu já escrevi sobre este filme AQUI.

Estou assistindo de novo neste momento e alguns diálogos estão acabando comigo:

Diálogo I

taxista: Você está com problemas na vida amorosa.
o cara: E como é que o senhor sabe disso?
taxista: Assim como os barmen, os taxistas sabem dos problemas das pessoas. Qual é o seu?
o cara: Ah, eu não tô a fim de falar disso.
taxista: É uma boa idéia. Talvez assim o problema se resolva sozinho.
Eles se entreolham e o cara muda de idéia.
o cara: Não consigo fazê-la feliz. Como é possível amar tanto alguém sem saber como...como se deve amar?
taxista: Então a ama?
o cara: Sim! Amo muito.
taxista: Esse é o problema?
o cara: Ela vai viajar amanhã. Por duas semanas. E quer me levar também.
taxista: E se ela não voltar?
o cara: O que você quer dizer com isso?
taxista: Vamos lá, imagine. Vocês se despedem, ela entra no avião e nunca mais a vê. Poderia viver assim?
o cara: Não... Não. Não mesmo.
taxista: Já sabe o que fazer. Aprecie o que tem. Apenas ame-a.


Diálogo II

o cara sabe que ela só tem mais aquele dia. e pergunta:

o cara: Se soubesse que não te resta muito tempo de vida, se só te restasse um dia, o que faria?
ela: Que pergunta estranha!
o cara: Eu só quero saber.
ela: Bom, deixa eu ver...meu último dia na Terra...Eu compraria sapatos! Tomaria dez sorvetes com calda quente e talvez conheceria o modelo das cuecas Calvin Klein pruma tórrida aventura...(risos)
Ele continua olhando em silêncio.
ela: É uma resposta fácil. E ridícula. Eu passaria com você.
o cara: Sério?
ela: Sério. Nós ficaríamos juntos, como agora, sem fazer nada.
o cara: Só isso? Quer dizer...mais nada?
ela: Proximidade. Uma proximidade intensa. A gente compartilhando coisas e bobagens...dificuldades...É o que eu sempre quis pra gente.
o cara: Eu te amo.

terça-feira, maio 08, 2007

Pautas da Terapia I

De acordo com a minha terapeuta, eu preciso tomar cuidado com as minhas relações. Porque existe em mim uma tendência a justificar erros e comportamentos alheios e a me contentar com muito pouco. Segundo ela, eu teria tendência a achar que a culpa é minha, que quem está fazendo errado sou eu e que isso influencia o outro de maneira negativa. E que isso não é verdade. Que eu preciso começar a pesar as coisas e perceber que algumas situações não valem a pena serem mantidas.

É estranho pensar nisso. Afinal, como decidir o que é aceitável e o que não é? E como saber se estou pedindo de alguém o que essa pessoa não pode dar? Até que ponto "fulano é assim mesmo e eu tenho que aprender a lidar com isso"?

Saí de lá ontem pensando nisso tudo e cheguei à conclusão que é assim que se comporta alguém que sofre abuso. É assim que pensa a esposa que toma uma bofetada do marido e justifica o ato, dizendo que provocou. É o pensamento que justifica um estupro com o fato da vítima estar usando minissaia. Impensável!

Preciso definir pra mim mesma o que é imprescindível e ter a firmeza de limar da minha vida qualquer um que não esteja de acordo. E eu sei que existem coisas que pra mim são importantíssimas. Como respeito, carinho, atenção, companheirismo e gentileza manifesta. Sim, disso eu não posso abrir mão. E nem sei porque aturo gente que não é assim.

Disse pra Lívia outro dia - a terapeuta - que embora eu ainda não saiba o que eu quero das pessoas, sei o que eu não quero e o que não aceito. Mas, que esta lista muda todos os dias, porque talvez seja meu primeiro contato com determinada característica ou talvez o que ontem não tenha me feito sofrer, hoje faça. Talvez por eliminação eu chegue a algum lugar definido, algum dia.

Por hora, eu to tentando descobrir do que são feitas as pessoas que me cercam e decidir quem é de verdade e quem não é. Ô, tarefinha árdua! Mas gratificante. :-)

quinta-feira, maio 03, 2007

Na onda de Minibolo e Gabiroba

Hoje: quinta, com preguiça digna de sexta feira à tarde.
Nos ouvidos: When the Heartache is Over - Tina Turner.
Na cabeça: um plano maquiavélico pra matar cursinho pra segunda fase da OAB.
Nos pés: nada, o chão frio.
No corpo: sutiã, calcinha e calça preta de ginástica.
Na boca: o dedão da mão direita, mordendo a pele.
Nas mãos: suor, vou lavar com sabonete - meu TOC novo.
Na manga: nada, não tô de blusa.
Na pauta: resgate de amigos afastados, quase perdidos.
Na ponta da língua: mudanças.
Na frente: meu monitor.
No icq: nunca tive.
No msn: 18 pessoas on line, uma delas bloqueada e umas duas que não adianta chamar.
Na hora: de assumir que não vou mesmo na aula.
Na noite: vamos ver no que dá.
No fundo, no fundo: estou em paz, mas querendo uma definição definitiva. :-)

segunda-feira, abril 30, 2007

Música, maestro!

Até hoje eu não tinha postado letra de música aqui. Mas hoje a letra está pedindo:

Vim, gastando meus sapatos,
Me livrando de alguns pesos
Perdoando meus enganos,
Desfazendo minhas malas
Talvez assim, chegar mais perto

Vim, achei que eu me acompanhava
E ficava confiante
Outra hora era o nada
A vida presa num barbante
E eu quem dava o nó

Eu lembrava de nós dois
Mas já cansava de esperar
E tão só eu me sentia
E seguia a procurar
Esse algo, alguma coisa, alguém
Que fosse me acompanhar

Se há alguém no ar
Responda se eu chamar
Alguém gritou meu nome?
Ou eu quis escutar?

Vem, eu sei que tá tão perto
E por que não me responde?
Se também suas esperas
Te levaram pra bem longe
É longe esse lugar

Vem nunca é tarde ou distante
Pra te contar os meus segredos
A vida solta num instante
Tenho coragem, tenho medo sim
Que se danem os nós!



*Lívia que nem uma boba. Feliz, leve, livre, solta. Incrível que depois de um tapa na cara se possa se sentir tão bem! Incrível que a gente tenha que passar por traumas pra se dar conta das coisas. Pra perceber que o nosso julgamento e o nosso bom senso estavam sendo toldados. Ah, agora eu poderia voar! E estou quase rindo sozinha, porque de repente, depois de muito tempo, eu me sinto viva de novo. Eu queria que ninguém estivesse na merda, mas se eu pude bater a cara no chão pra voltar a emergir, qualquer um pode. E agora eu percebi que só podemos fazer isso sozinhos, quem tenta ajudar acaba respingado com a lama. E não tem jeito de ninguém gostar de quem se esquece de si mesmo pra só pensar no outro. Ah, eu finalmente entendi! E me livrei daquela casca pesada e sem sentido!!! Cara, que alívio! Que euforia!

quinta-feira, abril 26, 2007

Trâmites Legais

Hoje, senhoras e senhores, eu acordei feliz. Não cantando, mas bem. NORMAL, como há muito não me sentia. E me deu vontade de trabalhar. Fui pro escritório, atendi clientes, aceitei casos novos, empilhei códigos abertos sobre a mesa para pesquisar e declarei imposto de renda. Parecendo gente grande, né não?

Mas o motivo do post é contar um acontecimento inusitado. Estava eu aqui me deliciando com a preliminar de inépcia que eu ia tacar num advogado burro que escreve AUTOS com L, quando bateram na porta. Fui atender e encontrei uma menina baixinha, com vários furos nas orelhas e uma carinha infantil. Devia estar vendendo bombons ou algo assim.

- Oi - fiz eu.
- Oi - fez ela. E emendou - Eu quero casar.

Hein??? Eu quase perguntei horrorizada: COMIGO? Mas me contive e pedi que ela entrasse e se sentasse. Outra coisa que parecia insólita: casar? Pra mim ela tinha cara de quinta série e vinha me falar em casar? O mundo tava perdido mesmo.

A despeito das intensas considerações íntimas, sorri e pedi que ela me explicasse melhor, afinal de contas, ela tinha batido na porta de um escritório de advocacia e não de um cartório pra se casar. Ou seja, tinha caroço nesse angu.

Aí ela explicou:

- Eu tenho quinze anos e meu noivo tem dezessete. A gente quer casar.
Eu: Sua mãe sabe?
Ela: Sabe.
Eu: Ela concorda?
Ela: Concorda.
Eu: Quanto tempo de relacionamento? - confesso que isso foi apenas curiosidade, nada interessava no processo.

Ela: Sete meses. - com cara de quem acha sete meses uma eternidade.

Ai, Deus. Mas ok, é a vontade do freguês, né?

Nesse ponto eu quase abri a minha bocona pra dizer que era fácil, era só fazer uma autorização judicial. E felizmente eu lembrei a tempo de que o Direito de Família estabelece como idade mínima pra casar os dezesseis anos, mesmo com autorização dos pais. Droga.

- Falta muito pra você fazer dezesseis? - eu tive esperança.
- Falta. Um ano, eu faço quinze agora dia 30 de abril.

Qua diabo!!! Com certeza aquela tampinha com sorriso de menina não fazia idéia do que era casar. A maluquinha tinha CATORZE anos! E tinha achado um outro louquinho com DEZESSETE pra casar com ela! Ah, ainda existe romantismo no mundo! E impulsividade! E pais permissivos!! E tá cheio de mulher por aí que passa a vida in-tei-ri-nha sem achar uma alma que queira dormir junto e acordar junto todo dia! Minha santa periquita do bigode loiro!

Mas como era meu retorno à labuta causídica, não podia perder a cliente sem insistir mais um pouco. Catei o Código Civil comentado e fui à caça de alguma exceção. E achei: o casamento com menos de dezesseis anos é permitido em caso de gravidez e em caso de SALVAGUARDA DA HONRA, quando o casamento era melhor que cumprir pena.

Eu não aguentei e desatei a rir. A menina arregalou os olhos. Acho que ela nunca pensou em achar uma advogada que usasse vestidão tomara-que-caia com sandália rasteira e desse gargalhada na frente dela. Expliquei:

- Você tem três opções. Ou você espera um ano pra casar, ou você providencia uma gravidez hoje ainda ou...

E dei mais risada. A expressão da menina já era de curiosidade mórbida. Segurei o riso e terminei:

- Ou então a sua mãe vai no Ministério Público e faz uma denúncia pro promotor, dizendo que o seu namorado abusou de você e manchou a sua honra. Aí abre um processo criminal contra ele por sedução de menor e, pra não ser condenado e cumprir pena, ele se propõe a casar com você pra "salvar a sua honra".

Aí ela entendeu o motivo da risada e me acompanhou dessa vez.

- Então eu tenho que falar que ele... - interrompe a gargalhada.

- É. - risada - E melhor que seja verdade, já que corre o risco de fazerem um teste... (aqui novamente a curiosidade. Será que aquela menininha já tinha vida sexual? Bom, devia ter, e das boas, ou do contrário não estaria tão empenhada em botar aliança no dedo do namorado).

- É verdade? - pelo menos eu tive a decência de fazer uma cara bem encabulada. Ela riu e confirmou, sim, o namorado tinha "manchado a honra dela", sim.

Misericórdia. Peguei os dados do casalzinho e me dei uma semana de prazo pra bater um papo com um promotor amigo e ver se o caso era viável. Ela foi embora alegre e saltitante, pelo jeito já imaginando como contaria pro namorado que ele seria processado criminalmente para poderem casar. Um sedutor de menores. Ui, que medo. Capaz de virar até brincadeira de alcova na lua de mel.

E viva a lei, que faz todo o sentido do mundo e não submete ninguém a situações escabrosas!!!!

quarta-feira, abril 25, 2007

T....E...........M...............P...O

tempo
do Lat. tempus

s. m.,
duração limitada, por oposição à ideia de eternidade; período; época; sucessão de anos, dias, horas, momentos, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro; meio indefinido onde se desenrolam, irreversivelmente, as existências na sua mutação, os acontecimentos e os fenómenos na sua sucessão; certo período determinado em que decorre um facto ou vive uma personagem; oportunidade; ensejo; estação ou ocasião própria; prazo; duração; estado atmosférico;

O que mais se ouve dizer sobre tempo, é que cura todas as feridas. Isso porque ele provoca o ESQUECIMENTO. Mas e quando este não é o objetivo e sim o efeito colateral?

domingo, abril 22, 2007

As Relações Perigosas


Quando entrei em casa, ela estava caída no chão, gritando. Uivando seria o verbo mais adequado, acho. Ela se contorcia, como se dor lancinante lhe percorresse o corpo frágil sacudido pelos soluços desesperados. As lágrimas eram tão abundantes que lhe ensopavam o rosto, a blusa branca e começavam a pingar no chão, formando pequenas poças. Não sei por que entendi de pronto que fosse lá o que a estivesse machucando, não era físico. Era moral. Talvez fossem os olhos, que não estariam mais mortos se estivessem ali no chão aos pedaços. A agonia que emanava dela era profunda e comovente, como se a alma estivesse tentando fugir do corpo, como se tentasse apagar algo horrendo que ela parecia repassar repetidamente na mente enlouquecida de dor. Quis perguntar o que tinha havido, mas senti medo. Será que eu queria mesmo saber o que tinha sido tão terrível para transtorná-la daquela forma? Toquei-lhe a testa, tentando acalmá-la e ela se sacudiu com força, fazendo-me recuar. Ela dizia sem palavras que eu não a podia ajudar e, incapaz de sair dali e deixá-la daquele jeito, sentei-me contra a parede, abracei as pernas e esperei. Ela chorou e gemeu durante muito tempo, até que pareceu serenar e, com a expressão desolada, fitou o vazio por longos minutos. Achei que podia tentar me aproximar novamente e tomei-lhe a mão. Ela desviou os olhos alquebrados para mim, balbuciou: “Não posso mais” e antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, fechou as pálpebras e morreu.

quarta-feira, abril 18, 2007

Lívia no País dos Classificados de Emprego

No começo desse mês (em SP) eu comprei uma tonelada de jornais e saí caçando emprego. De qualquer coisa, só importava mesmo que pagasse uma graninha razoável, essa vontade de ir sem poder ir tá acabando com a minha vida. Anyway, da experiência eu pude constatar algumas coisas extremamente interessantes.

Primeira observação: eu nunca tinha reparado no TANTO que manusear jornal é nojento, a gente fica com as unhas pretas!!! A cada duas páginas que eu lia, subia a escada correndo pra lavar a mão com sabonete. Cheguei a pensar que tava desenvolvendo um TOC. Imagina só a quantidade de exercício que eu não fiz numa semana?

Segunda observação: o que não falta, pra todo lado naquela cidade, é emprego pra pagar quinhentos reais por mês. O que seria lindo se eu fosse mais nova e não estivesse procurando autonomia e independência.

Terceira observação: preciso urgentemente voltar pro inglês e FICAR lá até pegar o certificado. Talvez até uma terceira língua. Afinal, aparentemente não se valoriza muito no mercado atual se eu sei usar crase, se eu sei escrever exceção ou se eu sei falar sem comer os Rs e os Ss. O lance é segundo idioma, neguinha, trate de rebolar! (Se bem que se for pra rebolar não precisa nem de ensino fundamental concluído, minha linda, vide os ícones da música popular e até alguns escritores brasileiros atuais...oh, céus).

Quarta observação: os períodos de experiência exigidos pelos empregadores são, pra dizer o mínimo, ridículos. Como por exemplo um cargo de recepcionista que procurava alguém entre 17 e 30 anos que tivesse mais de três anos de experiência comprovada em carteira. Eles esperam o que? Que a mocinha contratada tenha como ambição de vida ser recepcionista eternamente? Ah, faça-me o favor.

Quinta observação: o que não falta em todos os jornais são anúncios de "Ganhe dinheiro sem sair de casa", o que constitui, sem dúvidas, um golpe baixo. Imagine se você tem síndrome do pânico ou é visceralmente anti social (como eu) e encontra um anúncio para trabalhar sem precisar calçar salto alto, escovar os dentes, nem pegar ônibus. Imaginou? Pois é, eu tive que me enfiar num chuveiro gelado diversas vezes pra me impedir de "mandar dois selos de um centavo" pruma caixa postal qualquer.

Sexta observação: nesses jornais têm pelo menos uns dez advogados que deveriam sofrer alguma penalidade da OAB, cujo estatuto diz claramente que a atividade do advogado NÃO É MERCANTIL e, portanto, É VEDADO qualquer tipo de marketing ou autopromoção. Ouviram, doutores Osvaldo, Leopoldo, Batista, Rodrigo e tantos outros que têm a cara de pau de estampar "AOS DESEMPREGADOS - consiga suas verbas rescisórias com ou sem assinatura em carteira"??? Porra, seus clientes nem sabem o que são verbas rescisórias, lamentáveis colegas!

Sétima observação: pra ganhar um salário minimamente decente - entenda por minimamente decente um que pague pelo menos uns mil reais - os cargos são extremamente específicos e limitados: motorista, porteiro, auxiliar de cozinha, vendedor de peças automotivas, babá, empregada doméstica, costureira, cozinheira e prostituta. Vejamos os empecilhos...eu não tenho experiência nem com peças de automóveis, nem com cozinha industrial e nem com confecção de roupas (a menos que conte o vasto guarda roupas que eu fiz pra minha Barbie há anos-luz). Motorista ainda não dá, eu estou apenas na minha sexta aula de direção. Pra porteiro eu receio que, mesmo uns quilos acima do peso, a minha constituição seja delicada demais pro trabalho. O que nos deixa os trabalhos de babá, empregada doméstica e prostituta Você sabe o que os três têm em comum? Não? Nem eu sabia, mas depois da vasta pesquisa, ficou evidente: a maioria das vagas para os três tipos de profissionais requer que a candidata DURMA NO TRABALHO. Nem morta, santa.

Oitava observação: é impressionante a criatividade dos anúncios que envolvem sexo. São centenas deles, procurando "moças tipo modelo", "moças alto nível", "moças lindas", "moças ambiciosas", "moças desinibidas", "moças com boa aparência", "moças habilidosas", "moças motivadas", etc. E os cargos? Acompanhantes, dançarinas, massagistas. Para clínicas de massagem, clubs e casas noturnas, de alto nível, é claro. Sempre com oferecimento de casa e comida, como se não bastasse a garota fazer o programa e precisasse estar sob as vistas do empregador enquanto dormia seu justo sono reparador de beleza também. Que gente mais possessiva, credo.

Nona e última observação: o anúncio mais hilário de todos foi o de uma Clínica de Estética que contratava massagista do sexo feminino, com experiência em massagem terapêutica. E entre parênteses: NÃO É PROGRAMA. A que ponto nós chegamos, não, minha gente?

Dúvida Existencial II

O que é que a gente faz quando a vida não tem alegria?

quinta-feira, abril 12, 2007

Mulher Aranha


Senhoras e senhores: estou de volta. Até que me dê a louca e eu suma outra vez. Mas, por enquanto, algumas histórias pra contar do período de hibernação...

Semana passada estava eu em São Paulo muito feliz da minha vida. Feliz a ponto de encarar de novo um esporte radical que há muito eu tinha abandonado: a escalada de muros e saltos de janelas. Não entendeu nada? Ok, explico.

Há alguns anos eu fiquei trancada fora de casa e cometi a imprudência de bater na casa da vizinha e pedir pra pular pra dentro da minha casa pela área de serviço dela. Pois bem. Estava eu no alto do muro, tentando descer até o chão uma escadinha de alumínio que teimava em enganchar na bicicleta logo abaixo, quando a parte de cima do muro cedeu e veio abaixo - comigo junto. Levantei meio zonza e me arrastei alguns metros, até perceber que o rastro de sangue no chão se assemelhava a cenário de filme de massacre. A escada ficou retorcida, a bicicleta empenada e o meu pé todo estropiado, embora tenha se safado de quebrar por muito pouco.

Depois disso, jurei que nunca mais dava uma de Ethan Hunt. Até esta última quinta feira.

Ventava bastante e eu saí pra "laje" pra ver o lindo céu nublado paulistano (hahaha) e se a Dri já estava chegando. Andei uns poucos passos, me espreguicei e então ouvi o alarme dentro da minha cabeça disparar: putaquepariu! Eu tinha esquecido de travar a porta da sala com o saquinho de areia que ficava ao lado da mesma e tinha esta única função. Resultado: a porta bateu e euzinha me vi trancada do lado de fora.

Desatei a rir, né, fazer o que? E quanto mais eu imaginava a cara do Junior quando chegasse à noite e me visse sentada ali no relento esperando por ele, mais eu ria.

Mas, nem tudo são flores na vida de Joseph Climber. Eis que começa a chover no momento em que a Dri encosta o carro na frente da casa. Gargalhando eu expliquei o ocorrido e avisei que ia pular a janela do segundo andar, que felizmente estava aberta. Subi no muro da vizinha e de lá pra marquise, quando vi a mala da Dri saindo do carro com uma câmera fotográfica, rachando de rir da minha cara.

Eu não sabia se ria ou se me segurava pra não cair. Nisso, veio vindo o carteiro, que estava apressado pra não pegar muita chuva. Viu a Dri rindo, olhou na direção que ela apontava e esqueceu a chuva, ficou por lá mesmo, aplaudindo. "Ótimo", pensei. "Daqui a pouco tenho platéia".

Mas como eu não tava podendo confiar na minha sorte, tratei de acabar com o show rapidinho, pulei a janela, me estabaquei no chão e fui recebida com miados da Ingrid, indignada porque eu quase caí em cima dela.

A Dri riu até dar dor na barriga...o Junior tirou o maior sarro da minha cara...e o carteiro voltou andando devagarinho dia seguinte pra ver se flagrava mais alguma cena...pitoresca. Só eu, mesmo.

Obs: clique na imagem pra dar risada.

quarta-feira, março 28, 2007

segunda-feira, março 26, 2007

Lógica II

Depois de comer um prato de azeitonas, chupei os dedos e pensei em voz alta:

- Hummm...será que o vidro já tá vazio?

Ao que uma prima responde, espantada:

- Por que, você quer beber o caldo também???

quarta-feira, março 21, 2007

Dúvida existencial

Alguém me diz, pelamordedeus, o que a gente faz com um vizinho maldito que tem a capacidade de passar dez horas seguidas ouvindo O MESMO cd da LAURA PAUSINI??????????????

segunda-feira, março 19, 2007

Estado de Espírito



Ok, o vídeo não é novo. Mas quem disse que o que a gente sente é original?

Aviso aos navegantes: se alguém vier me falar em limerência ou algo parecido dessa vez, eu vou perder a classe.

domingo, março 11, 2007

Loosing my Religion

Muito antes de ela chegar a esta Terra seu povo já adorava os deuses. Durante muitos sóis eles entoaram cânticos e realizaram rituais envolvendo banhos em água gelada, oferendas de rosas vermelhas, sacrifícios de lágrimas e suor em nome daqueles que adoravam. Os deuses ficavam felizes e falavam com eles através de seus oráculos. O povo ouvia os conselhos e os seguia sem hesitar. E, ao contrário de muitos outros deuses que os precederam, estes não foram esquecidos ou perderam influência. Não. Estes deuses se tornaram cada vez mais fortes, arrebanhando cada vez mais seguidores, seus mandamentos fazendo cada vez mais prosélitos. Havia rituais iniciados ainda no escuro, antes mesmo de o sol dourar o horizonte e outros que começavam quando o astro se punha, arrastando-se noite adentro. Nunca era demais, nem mesmo suficiente.

Cresceu em meio à adoração e aos oráculos. Sempre acreditou que ali estava a verdade e que eram abençoados em conhecê-la, desfrutar de seus privilégios. Sempre viveu de acordo com a sabedoria de seu povo, fiel aos seus ensinamentos e à sua fé.

Ironicamente, jamais conseguiu se interessar pelos guerreiros do próprio povo e sempre que se enamorava, era do filho de outra raça e outra crença. No entanto, o comportamento dos anciãos quanto a isso jamais era taxativo - preferiam deixar a cargo dos oráculos a tarefa de solapar qualquer sentimento desaconselhável. E eles sempre o faziam, eram invejáveis na tarefa.

Então um dia, ao acordar, sentiu o coração cheio de uma sensação morna. A voz que lhe desejara bons sonhos na noite anterior ainda ecoava em seus ouvidos e ela passou os dias que seguiram sorrindo pra si mesma e pra nada específico. A sensação cresceu e ela desejou dedicar-se por inteiro ao sentimento. Foi quando os oráculos entraram em ação.

Disseram-lhe que era um erro, pois aquele que era contemplado por seu amor não nutria os mesmos sentimentos. Que se tratava apenas de atração física, superficial e falsa. Que não unisse a vida ao guerreiro do outro povo, eis que seria irremediavelmente infeliz.

Durante muitos dias ela chorou, inconsolável, dividida entre suas crenças e algo que gritava que aquilo não podia ser falso. E durante todo este tempo, os anciãos tentaram consolá-la e convencê-la de que os oráculos sempre tinham tido razão e que o mais lógico seria acatar-lhes as orientações.

Então houve a mudança. O brilho ingênuo que antes iluminava os olhos pisados de chorar, deu lugar a fria determinação. Ela reuniu os anciãos e anunciou sua partida. Não acreditava mais nos oráculos e estava decidida a fazer seu próprio caminho.

Não haveria mais rituais pra ela.

quinta-feira, março 08, 2007

Rátománocu.

Hoje foi um senhor dia de bunda.
Eu quero dinheiro.
Eu quero um emprego.
Eu quero tirar carteira de motorista.
Eu quero sexo.
Eu quero colo.

Diabo. Mimimi dia das mulheres. Flor é o caraleo.

domingo, março 04, 2007

Relacionamento à distância

Junior diz: 10 desvantagens de um namoro a distância:

1) Vc não tem sexo na hora que quiser.
2) Sai caro (e vc não tem sexo na hora que quiser)
3) É cansativo (e vc não tem sexo na hora que quiser)
4) A logística é complicada (e vc não tem sexo na hora que quiser)
5) Casar as agendas é quase impossível (e vc não tem sexo na hora que quiser)

6) Vc passa a se comunicar melhor por telefone e teclas e acaba esquecendo como é o convívio humano (e vc não tem sexo na hora que quiser)

7) Vc vira uma mulherzinha porque passa a valorizar demais o diálogo (e vc não tem sexo na hora que quiser)

8) Fica muito mais difícil contornar as crises de ciúmes e, acredite, elas virão com o tempo (e vc não tem sexo na hora que quiser)

9) Discussões virtuais são chatas e as reconciliações bem menos intensas (e vc não tem sexo na hora que quiser)
10) Vc não tem sexo na hora que quiser (e vc não tem sexo na hora que quiser)

Junior diz: Como podemos ver, todas as desvantagens são pequenas e totalmente ultrapassáveis sem grandes obstáculos. Praticamente inócuas e simples, apesar de vc não ter sexo na hora que quiser.

quinta-feira, março 01, 2007

Lógica

Ele: - Você é carente.
Ela: - Você sempre soube disso.
Ele: - É.
Ela: - Você é ausente.
Ele: - Você também sempre soube disso.
Ela: - É.
(...)
Ela: - Será que a gente é masoquista?

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Desequilíbrio

- Alô?
- Oi!
- Oi... quem tá falando?
- Ah, você não me conhece, eu disquei esse número aleatoriamente!
- Então boa noite, eu tô desligando.
- Não, espera, por favor!
- Espera o que, cara, eu nem te conheço e...
- Eu preciso de ajuda!
- E eu com isso?
- Você não tem compaixão, caramba?
- Não muita. Qual o seu problema?
- Tem dois dias que o meu celular só apita e não acaba a bateria!
- Quê????
- Dois dias, cara! Sabe lá o que é jogar Snake durante dois dias????
- Você não tá falando sério...
- Tô sim! Conversa um pouco comigo, pelamordedeus!
- ...
- Alô?
- tutututu...
(...)
- CVV, boa noite...

domingo, fevereiro 25, 2007

Mesmo que lá esteja chovendo, é pra lá que eu quero ir.

EXÍLIO: O exílio é o estado de estar longe da própria casa e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. (Wikipédia)

CASA: Uma casa ou uma residência é, no seu sentido mais comum, uma estrutura artificial construída pelo ser humano cuja função é constituir-se de um espaço de moradia para um indivíduo ou conjunto de indivíduos, de tal forma que eles estejam protegidos dos fenômenos naturais exteriores (como a precipitação, o vento, o calor, o frio), além de servir de refúgio contra ataques de terceiros. Abrigo, refúgio, lar. (Wikipédia)

LAR: Ainda que possa ser considerado um sinônimo de casa, o termo lar apresenta uma conotação mais afectiva e pessoal. É a casa vista como o lugar próprio de um indivíduo, onde este tem a sua privacidade e onde a parte mais significativa da sua vida pessoal se desenrola. (wikipédia)


Estou longe do meu lar por tempo indefinido, a sensação é a pior possível. Inadequação, desconforto, angústia. Sinto falta das minhas gatas-enteadas, da cara-metade resmungando de manhã, do caminhão de gás com aquela musiquinha nojenta, do beijo de boa noite antes de dormir. Eu quero voltar. Mesmo que esteja chovendo, é lá que eu quero estar. Aqui não é mais meu lugar. Não tenho paz de espírito pra ler, nem televisão eu consigo assistir aqui. E tenho que me controlar pra não voltar correndo, agora mesmo.

Se alguém souber de um emprego, me coloca na fita.

sábado, fevereiro 24, 2007

Lalalalatuba

Eis que chega a minha vez de fazer o fatídico post de carnaval. Inevitável, mas nem por isso, simples. Seria muito mais fácil se tivessem me carregado prum lugar intragável e eu pudesse fazer um post inteiro reclamando contra a estupidez e o mau gosto da humanidade. Algo assim, hilariante. Mas, não. Fui parar numa casa com cinco outros blogueiros, num lugar que tinha mar, sol, camarão e quase nenhuma música característica de carnaval. Ou seja, pra virar o paraíso, só se tivesse ar condicionado na casa e a gente ainda estivesse lá. Por causa disso, terei que fazer esforço pra evitar o mimimi. Whatever.

Na sexta-feira à meia noite, meus tios passaram pra me pegar. Como eu tô acostumada a ir pra SP de ônibus, mal acomodada, fazendo milagres pra dormir, meus olhos se encheram: um Corola novinho, com ar condicionado e bancos de couro com bastante espaço pra eu me esticar, sem ter que me preocupar se algum maníaco ia me apalpar no escuro ou roubar a minha bolsa. Acomodei a mala no porta malas e tomei o banco traseiro. Tirei os tênis, abracei o travesseiro, dei um sorrisinho e fechei os olhos, pronta pra dormir horrores. E de repente, um susto: assim que o carro começou a rodar, começou a tocar BRUNO E MARRONE no som, num volume que passava muito longe da decência.

Cara, fala sério, né? Quem em sã consciência e de cara limpa consegue dormir ao som de "eu vou fazer um leilão, quem dá mais pelo meu coração"? Ou "do jeito que você me olha, vai dar namoro"? Putaquemepariuderodinhas, viu. A minha noite de sono foi por água abaixo, já que a coisa tocou até às quatro e eu devo ter cochilado no máximo uma meia hora.

Cheguei em São Paulo meio catatônica, sensação que o Junior compartilhou, já que teve que levantar às seis da madrugada pra ir me buscar. Mas nem deu tempo de descansar, porque tinha um monte de coisas pra arrumar antes de pegar a estrada e não eram onze e meia, o Júlio apareceu porta adentro. Toca carregar o carro e bóra pro...EXTRA. Que foi até rápido, segundo o Junior porque eram DOIS homens e UMA mulher. Cretino.

Finalmente pegamos a estrada, ao som do celular do Júlio que apitava toda hora com mensagem da Mônica querendo saber aonde a gente tava. Pegamos a rodovia e surgiu a questão, suscitada pelo Junior: "Vocês querem ir pelo caminho mais longo que tem uma vista muuuuuito bonita ou pelo caminho mais curto, que não tem vista nenhuma"? Que pergunta, né? Eu e o Júlio respondemos em uníssono: O MAIS CURTO!!!! Ele fez uma cara de "como vocês são sem graça!" e acabou se confundindo - esta é a versão do réu - e pegando, adivinhem, o caminho mais longo.

O tal caminho longo tinha mesmo umas praias lindas pra ver do alto. E tantas curvas que eu lamentei não ter dado remédio anti-enjôo de cachorro pro Júlio, quase levei um "hugo" na nuca. Passamos por Caraguatatuba, Ubatuba, Paraty e, por fim, Tarituba. Pelo caminho, o axé e o forró dominavam, revoltantemente altos, com direito a mulherada seminua dançando em cima de mesas e carros e homens estranhos com bermudões imensos que cobriam o joelho e mostravam o cofrinho. Cruz credo.

O caminho foi proveitoso pra cunhar duas teorias brilhantes, as duas do Junior, é claro. A primeira, "dignidade está em conseguir limpar a própria bunda" - o Júlio foi ao delírio ao ouvir isso, até anotou, o Platãozinho. Não me perguntem o contexto, afinal de contas, já tomei muito sol na cabeça, umas doses de pinga, cerveja e até uma margarita depois disso. A segunda teoria, e essa sim eu lembro da onde saiu, é: "todo proprietário de Honda é um bosta". Explico: toda vez que tinha um maldito carro segurando o trânsito, não dando passagem e fazendo merda, dito e feito, era um Honda Civic. A regra admitiu as seguintes observações: "ah, que merda, o sonho do motorista daquele Tipo ali na frente é ter um Honda!!" e "o único carro da Honda que constitui exceção à regra é o FIT, que é carro de pobre".

A viagem transcorreu sem incidentes, afora o fato de o Júlio quase ter sido expulso do carro quando perguntou pro Junior se a gente tava andando em círculos porque a praia que ele tava vendo lá embaixo parecia a mesma vista por ângulos diferentes. Foi um custo defender o Cabeça. Finalmente (eu já me sentia desfalecer), chegamos. Vilarejo de pescadores com uns dois barezinhos, restaurante do Fran's, mercadinho, duas igrejas e nada mais. Casa pé na areia, finzinho de tarde, sem axé nem forró e uma ducha fresquinha me esperando. Quase chorei. A noite chegou rápida, eu bati na cama e só acordei às sete do dia seguinte. Passei pela sala tentando não fazer barulho, afinal a Gabi e o Eric tinham chegado às duas madrugada e estavam lá, estirados, babando. Ah, minto, o Eric tava babando, a doida da Gabi tava acordada, pulou do colchão e me deu um super abraço de Felícia. Tinha começado o carnaval.

Agora, pra não virar querido diário de carnaval, cito apenas os casos mais interessantes:

  1. Alguém já viu a Gabi acordando o Eric? (aqui uma pausa pela crise de riso que me deu só de lembrar da cena) Ela é uma pentelha de marca maior e ele é um comerciário preguiçoso de gabarito. Ou seja, o embate é feio, mas ela SEMPRE ganha, mesmo ele gritando, se debatendo, grunhindo ameaças, se fazendo de morto. Nada adianta. Aliás, eles são o casal perfeito: o Calvin e o Haroldo. Claro, ele é o Calvin, ela o Haroldo.
  2. Tentamos de todo jeito enterrar o Júlio na areia, eu e o Eric até cavamos o buraco, mas ele se recusou terminantemente a deitar dentro dele. Mesmo com ameaça da Gabi e do Junior, nada surtiu efeito. Mas ele nadou, minha gente. Eu juro. Em vez de ficar gritando que nem menininha na margem quando a água pegava no tornozelo dele, a Mônica foi levando o moço cada vez mais pra frente e, com beijinhos ele não se importou com a água pegando no peito. Incompreensível, né?
  3. Fomos pra Almada, a praia no fim da ladeira - em território paulista. Petiscos ótimos, borrachudos vorazes (ai) e obra da Odebrecht na areia. Eu e Eric cuidamos do fosso e dos dutos de escoamento de água, Gabi e Júlio construíram as torres. E o tempo todo tivemos que proteger o castelinho do Godzilla de Sunga que ameaçava pisar nele de dez em dez minutos.
  4. Um siri mordeu no pé da Gabi.
  5. A Mônica fez um jellyshot de pinga com gelatina de cereja que envenenou todo mundo.
  6. Tivemos menu caprichado do Chef e da Sous-Chef oficiais da Blogagi.
  7. Perdemos a Gabi em Paraty, porque a Porpeta foi servir de intérprete pruma turista numa loja de artesanato.
  8. Eu e o Ju comemos parrillada de frutos do mar...ai que lagosta boa!
  9. Comemos todos os porcaritos (ruffles, doritos, cheetos, etc) possíveis.
  10. Nadamos no escuro na última noite e os camarões ferroaram todo mundo.
  11. Acordamos na quarta feira de madrugada pra voltar antes da hora por causa do Júlio.

E o mimimi, pra encerrar: pessoal, amo vocês. Tô com saudades.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Progressão

15: sorriso fácil, sensação de invencibilidade e um metabolismo fantástico.

16: olhos tristes, confusão mental, medo e impulsos autodestrutivos.

17: expressão de deboche, baixa auto-estima, frustração e... vodca.

18: ausência de expressão, alienação, sensualidade e... cigarro.

19: olheiras, instabilidade, cansaço, desespero e... silêncio.

20: sorrisos fugidios, idéias mirabolantes, esperanças, ilusão e... vazio.

21: expressão radiante, criatividade, velocidade, imprudência e... angústia.

22: olhar sereno, autoconhecimento, trabalho, amizade e... resignação.

23: sobrancelhas franzidas, preocupação, esperança, apoio, luta e... bacharelado.

Hoje.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Enquete

Aconteceu há algum tempo já, acho que terceiro ou quarto ano de faculdade. Intervalo entre aulas, a turma reunida em torno do nosso sagrado banco de concreto em frente ao bloco do Direito. Mulherada aglomerada e alguns homens, os que permitíamos no nosso convívio. Mulher junta só sai besteira e da grossa, isso é fato sabido. Mas aqueles caras em particular conseguiam piorar a coisa toda, embora houvesse os que ficassem encabulados com a putaria.

Foi idéia do D2 a enquete que agitou o pessoal de um jeito sem precedentes. Com aquele jeito marrento e debochado característico dele, disparou à queima roupa: Engole, cospe ou esfrega na cara?

Primeiro o choque, ninguém acreditava que ele tinha dito aquilo. Depois as gargalhadas, inevitáveis. E por fim, as respostas insólitas.

- Cuspo.
- Engulo.
- Depende do dia.
- Nem um, nem outro: eu uso camisinha!

A esta última resposta a assistência foi ao delírio. Chegou mais gente, a pergunta foi repetida aos quatro cantos e de repente estávamos todas teorizando a respeito do assunto. Técnicas, preferências, práticas inaceitáveis, situações inusitadas, teorias mirabolantes.

Nesse dia descobrimos uma virgem que queria deixar de ser, outra que só dava casando, uma que colecionava desastres hilariantes, outra que pensava que sexo tinha que ser limpinho ou era pecado, uma que tinha mania de transar de meias e várias chegadas numa sacanagem. Os meninos mantinham os olhos arregalados, nunca tinham ouvido tanta confissão junta.

Sei lá por que a mulherada resolveu abrir o jogo nesse dia. E sei lá por que TODAS entraram na brincadeira, tinha algo perverso no ar que estimulava as confidências. E eu lembro que poucas vezes ri tanto durante os meus anos de faculdade.

Taí. Responda à enquete você também: engole, cospe ou esfrega na cara?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Feliz

Tô aqui às voltas com livros, apostilas, papéis, provas, uma garrafinha de Ninho Soleil de banana e maçã, duas gatas - uma dela é gorda e quer comer minha sandália novinha, já tirei a fofa de cima delas três vezes! - e uma ruazinha fora de mão ENGARRAFADA (é o Apocalipse!) com um monte de gente doida e mal educada BUZINANDO como se disso dependesse a paz no Oriente Médio ou como se fosse adiantar alguma coisa pra desintegrar o caminhão que tá prensado ali no meio da rua, atravancando o fluxo.

Então, pessoas. Estou em São Paulo desde o dia 03 de fevereiro. Desde então eu já tomei sol de biquini na laje - pasmem, apesar da chuva vou voltar pra casa mais preta do que cheguei! - já joguei RPG com o Eric, a Gabi, o Zé e o Zander (sem links, estou sem saco agora), já assisti ao filme pornô da Gretchen com uma turma imensa, todo mundo dividido entre o riso e o nojo, assisti House pela primeira vez, comi uma tonelada de sushi de uma só vez e fiquei perdida na volta pra casa com Júlio e Alê no carro debaixo de chuva, conheci a Lelê e o Santini, dormi no cinema também pela primeira vez "assistindo" Flag of Your Fathers, que o amado namorado queria MUUUITO ver, mas que acabou decepcionando um pouco. Fui num restaurante Vegan com a Gabi, que me deixou uma hora plantada esperando por ela no Pão de Açúcar e fiz as unhas num salão que parecia casa de bonecas. E o que mais?... Ah, comi Confit de Frango com Chutney de manga (chique demais, né não?) que o Ju fez pra mim...Fala sério, aquele homem na cozinha é um charme só, ele nem sabe o tanto e ficava fazendo caretas pra mim porque eu o estava observando.

Estudei também. Menos do que eu devia e mais do que eu queria. Essa rua tá batendo recorde de barulho essa semana, puta que pariu. Depois de quebrarem a rua inteira com britadeiras pra arrumar o esgoto durante a semana, agora as buzinas. E a Cida tá passando o aspirador de pó. Deixa ver do que mais eu posso reclamar...ah, o sol ainda não saiu pra eu dar um up no bronzeado. Mas só de não chover eu tô descendo a escada de joelhos em agradecimento.

Mas, falando sério, tem nada do que reclamar não. Eu tô feliz pra caramba de estar aqui. E não estar de férias. Porque mesmo que fosse maravilhoso estar de férias e dominar o "love is in the air" ou "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim", também é bom conhecer a realidade além do encantamento. Serve pra saber que não é só encantamento, porque quando há alguém do seu lado que é capaz de provocar tristeza e irritação profundas e ainda assim despertar amor e enternecimento, sabe-se que aquilo é de verdade. E é isso o que eu mais quero: ser capaz de sobreviver aos estremecimentos diários sem deixar nada quebrar.

PS: este post era só pra dizer porque eu fiquei um tempo sem atualizar e porque vou continuar mais um tempo sem atualizar. Sim, porque voltando pra casa dia 12 de fevereiro, começa a contagem regressiva pra formatura com mil coisas pra fazer, e depois o carnaval e...sabe como é. Até lá, então.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Exame Ginecológico

Pessoas, hoje eu cheguei a uma conclusão tenebrosa: felizes eram as mulheres de antigamente.

Não, calma, isto não é um manifesto nem machista e nem feminista. Eu odeio feminismo (aliás, odeio quase toda manifestação de radicalismo - o que não deixa de ser a minha própria maneira de ser radical) e também odeio machismo, embora tenha uma leve tendência pra este último - tem piada melhor do que as que satirizam o universo feminino, principalmente carregada de maldade, de chauvinismo? Sei lá se tem, sei que essa é uma maneira garantida de me fazer rir, a menos que eu esteja puta com algum ente do sexo masculino. Aí...

Anyway. Este não é uma defesa a nenhum direito, dever, garantia e o caraleo que se possa pensar pela introdução. Não. Isto é apenas uma coisa: uma expressão da meu mais novo hobby: RECLAMAR. Não dizer: oh, vida, oh azar. Não, isso não é comigo, reclamação é uma coisa, lamúria é outra. O que eu gosto é de elaborar construções mentais baseadas em argumentos mirabolantes por causa de...nada.

Retomando minha tese: mulheres felizes eram as de antigamente. Provavelmente você já está imaginando que é porque não trabalhavam fora, não tinham que pagar as contas, não tinham que ser auto-suficientes, tinham cintura e curvas em vez de barriga reta e quadril esquelético e mais uma penca dos motivos tão alardeados todos os dias por aí. Mas não, não se trata de nada disso. Não estou com o menor saco de elaborar nada tão complexo como a situação da mulher no mercado de trabalho, a solidão de ter que se virar antes de ter sossego pra constituir uma família, a frustração com o próprio corpo, e etc. Aliás, o motivo da minha constatação é muito simples: antigamente, as únicas coisas que passavam pelas vaginas das mulheres eram pênis e filhos. E nada mais.

Não, eu não fiquei louca. Ou pelo menos não piorei. Explico o porquê dessa declaração bombástica: hoje eu fui ao ginecologista.

Desde os doze anos eu vou ao ginecologista. O primeiro era um médico muito bonito, de voz agradável, olhos azuis e grandes mãos brancas manicuradas. Falávamos horas, sobre tudo, era quase uma espécie de terapeuta, aliás, ele sacava tudo de universo feminino e falava com toda a propriedade. Totalmente gay, é claro. Ele preferia plantar bananeira no chão do que fazer exame de lâmina, o que era muito compreensível e desejável. Fiquei com ele durante muito tempo e acabei mudando pro pior tipo de médico do mundo: aquele que é seu parente. Uma prima, uma tosca. Mas parecia competente, daquela que falava tudo olhando na sua cara, sem metáforas, sem delicadeza, sem pudores. Acabou sendo uma intervenção muito positiva na minha vida, mas eu não reclamarei se nunca mais tiver que ver a megera.

Hoje fui na minha nova médica. Oi, tudo bem, como é que vai, histórico de doenças, remédios que toma, dores, intestino, anticoncepcional, ok, vai no banheiro, tira toda a roupa e veste o avental.

Senhores, o avental. O que é aquela coisa, eu pergunto. O de hoje tinha listras azuis, totalmente adorável. Imagina só, entrar num banheiro estranho, tirar toda a roupa, vestir um pedacinho de algodão frágil aberto nas costas e se encaminhar pra outra sala do consultório, onde fica uma cadeira que mais parece instrumento de tortura. Ah, mas antes da cadeira, a balança, o temido ser que sempre nos dá más notícias e suga a nossa auto estima. Maldita.

Depois da balança, não tem mais o que escapar, o jeito é subir na cadeira mesmo. Mas antes de deitar - todos os requintes de crueldade - ela manda você tirar a parte de cima do avental pra examinar os seios. A mão fria, pega daqui, apalpa dali, cutuca, aperta e anuncia que tá tudo bem com "eles". Aí é chegado o momento tenebroso. A cadeira. Reclinada que nem cama, com dois estribos altos pra colocar as pernas. Você dá um jeito de subir naquilo, coloca as pernas no lugar indicado e olha pro teto. Mas não é suficiente a humilhação até ali, você tem que escutar isso: "chega o bumbum mais pra frente, pra abrir mais, senão eu não enxergo". Você contém um suspiro e obedece. Aí ela volta à carga: "não faça movimentos de fechar as pernas nem contraia o bumbum, senão fecha a parede da vagina e vamos ser duas forças opostas brigando uma contra a outra". Oh, céus, eu mereço.

Até ali está bem ruim e você pensa que não pode piorar. Mas piora. Ela enfia um espéculo de metal frio lá embaixo e você tem que lutar firmemente pra não contrair TUDO. E segue piorando. Ela liga um monitorzinho e anuncia que vai fazer um exame chamado colposcopia, que nada mais é que enfiar uma mini câmera dentro da vagina pra examinar o colo do útero de perto. Que prosaico, não? E como se não bastasse ela ficar vendo o cólo do útero pela camerazinha, ainda te coloca pra ver também e vai explicando cada bolinha vermelha que aparece.

PORRA, SE EU QUISESSE SABER QUE CARA TINHA UM COLO DE ÚTERO, EU TINHA FEITO MEDICINA, CARALEO!!!!

Depois daquilo tudo, descer da cadeira, voltar pro banheiro, se vestir, encerrar a consulta. E sai de lá sentindo ainda o ressentimento por causa do espéculo de metal e da camerazinha. Pô, será que é pedir demais querer que apenas CARNE passe por ali, seja saindo ou seja entrando? Ok, alguém vai me dizer que é importante, que previne o câncer, cuida de doenças, se vive mais tempo. E eu respondo: antigamente, as mulheres morriam quando tinham que morrer depois de ter sentido ao longo da vida entre as pernas apenas pênis e filhos, que são as coisas naturais. O resto é invenção humana moderna. E eu não gosto nada nada de objetos não identificados e muito menos não queridos se esgueirando pra dentro de mim, ora bolas. Dá pra entender?