quarta-feira, abril 25, 2007

T....E...........M...............P...O

tempo
do Lat. tempus

s. m.,
duração limitada, por oposição à ideia de eternidade; período; época; sucessão de anos, dias, horas, momentos, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro; meio indefinido onde se desenrolam, irreversivelmente, as existências na sua mutação, os acontecimentos e os fenómenos na sua sucessão; certo período determinado em que decorre um facto ou vive uma personagem; oportunidade; ensejo; estação ou ocasião própria; prazo; duração; estado atmosférico;

O que mais se ouve dizer sobre tempo, é que cura todas as feridas. Isso porque ele provoca o ESQUECIMENTO. Mas e quando este não é o objetivo e sim o efeito colateral?

domingo, abril 22, 2007

As Relações Perigosas


Quando entrei em casa, ela estava caída no chão, gritando. Uivando seria o verbo mais adequado, acho. Ela se contorcia, como se dor lancinante lhe percorresse o corpo frágil sacudido pelos soluços desesperados. As lágrimas eram tão abundantes que lhe ensopavam o rosto, a blusa branca e começavam a pingar no chão, formando pequenas poças. Não sei por que entendi de pronto que fosse lá o que a estivesse machucando, não era físico. Era moral. Talvez fossem os olhos, que não estariam mais mortos se estivessem ali no chão aos pedaços. A agonia que emanava dela era profunda e comovente, como se a alma estivesse tentando fugir do corpo, como se tentasse apagar algo horrendo que ela parecia repassar repetidamente na mente enlouquecida de dor. Quis perguntar o que tinha havido, mas senti medo. Será que eu queria mesmo saber o que tinha sido tão terrível para transtorná-la daquela forma? Toquei-lhe a testa, tentando acalmá-la e ela se sacudiu com força, fazendo-me recuar. Ela dizia sem palavras que eu não a podia ajudar e, incapaz de sair dali e deixá-la daquele jeito, sentei-me contra a parede, abracei as pernas e esperei. Ela chorou e gemeu durante muito tempo, até que pareceu serenar e, com a expressão desolada, fitou o vazio por longos minutos. Achei que podia tentar me aproximar novamente e tomei-lhe a mão. Ela desviou os olhos alquebrados para mim, balbuciou: “Não posso mais” e antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, fechou as pálpebras e morreu.

quarta-feira, abril 18, 2007

Lívia no País dos Classificados de Emprego

No começo desse mês (em SP) eu comprei uma tonelada de jornais e saí caçando emprego. De qualquer coisa, só importava mesmo que pagasse uma graninha razoável, essa vontade de ir sem poder ir tá acabando com a minha vida. Anyway, da experiência eu pude constatar algumas coisas extremamente interessantes.

Primeira observação: eu nunca tinha reparado no TANTO que manusear jornal é nojento, a gente fica com as unhas pretas!!! A cada duas páginas que eu lia, subia a escada correndo pra lavar a mão com sabonete. Cheguei a pensar que tava desenvolvendo um TOC. Imagina só a quantidade de exercício que eu não fiz numa semana?

Segunda observação: o que não falta, pra todo lado naquela cidade, é emprego pra pagar quinhentos reais por mês. O que seria lindo se eu fosse mais nova e não estivesse procurando autonomia e independência.

Terceira observação: preciso urgentemente voltar pro inglês e FICAR lá até pegar o certificado. Talvez até uma terceira língua. Afinal, aparentemente não se valoriza muito no mercado atual se eu sei usar crase, se eu sei escrever exceção ou se eu sei falar sem comer os Rs e os Ss. O lance é segundo idioma, neguinha, trate de rebolar! (Se bem que se for pra rebolar não precisa nem de ensino fundamental concluído, minha linda, vide os ícones da música popular e até alguns escritores brasileiros atuais...oh, céus).

Quarta observação: os períodos de experiência exigidos pelos empregadores são, pra dizer o mínimo, ridículos. Como por exemplo um cargo de recepcionista que procurava alguém entre 17 e 30 anos que tivesse mais de três anos de experiência comprovada em carteira. Eles esperam o que? Que a mocinha contratada tenha como ambição de vida ser recepcionista eternamente? Ah, faça-me o favor.

Quinta observação: o que não falta em todos os jornais são anúncios de "Ganhe dinheiro sem sair de casa", o que constitui, sem dúvidas, um golpe baixo. Imagine se você tem síndrome do pânico ou é visceralmente anti social (como eu) e encontra um anúncio para trabalhar sem precisar calçar salto alto, escovar os dentes, nem pegar ônibus. Imaginou? Pois é, eu tive que me enfiar num chuveiro gelado diversas vezes pra me impedir de "mandar dois selos de um centavo" pruma caixa postal qualquer.

Sexta observação: nesses jornais têm pelo menos uns dez advogados que deveriam sofrer alguma penalidade da OAB, cujo estatuto diz claramente que a atividade do advogado NÃO É MERCANTIL e, portanto, É VEDADO qualquer tipo de marketing ou autopromoção. Ouviram, doutores Osvaldo, Leopoldo, Batista, Rodrigo e tantos outros que têm a cara de pau de estampar "AOS DESEMPREGADOS - consiga suas verbas rescisórias com ou sem assinatura em carteira"??? Porra, seus clientes nem sabem o que são verbas rescisórias, lamentáveis colegas!

Sétima observação: pra ganhar um salário minimamente decente - entenda por minimamente decente um que pague pelo menos uns mil reais - os cargos são extremamente específicos e limitados: motorista, porteiro, auxiliar de cozinha, vendedor de peças automotivas, babá, empregada doméstica, costureira, cozinheira e prostituta. Vejamos os empecilhos...eu não tenho experiência nem com peças de automóveis, nem com cozinha industrial e nem com confecção de roupas (a menos que conte o vasto guarda roupas que eu fiz pra minha Barbie há anos-luz). Motorista ainda não dá, eu estou apenas na minha sexta aula de direção. Pra porteiro eu receio que, mesmo uns quilos acima do peso, a minha constituição seja delicada demais pro trabalho. O que nos deixa os trabalhos de babá, empregada doméstica e prostituta Você sabe o que os três têm em comum? Não? Nem eu sabia, mas depois da vasta pesquisa, ficou evidente: a maioria das vagas para os três tipos de profissionais requer que a candidata DURMA NO TRABALHO. Nem morta, santa.

Oitava observação: é impressionante a criatividade dos anúncios que envolvem sexo. São centenas deles, procurando "moças tipo modelo", "moças alto nível", "moças lindas", "moças ambiciosas", "moças desinibidas", "moças com boa aparência", "moças habilidosas", "moças motivadas", etc. E os cargos? Acompanhantes, dançarinas, massagistas. Para clínicas de massagem, clubs e casas noturnas, de alto nível, é claro. Sempre com oferecimento de casa e comida, como se não bastasse a garota fazer o programa e precisasse estar sob as vistas do empregador enquanto dormia seu justo sono reparador de beleza também. Que gente mais possessiva, credo.

Nona e última observação: o anúncio mais hilário de todos foi o de uma Clínica de Estética que contratava massagista do sexo feminino, com experiência em massagem terapêutica. E entre parênteses: NÃO É PROGRAMA. A que ponto nós chegamos, não, minha gente?

Dúvida Existencial II

O que é que a gente faz quando a vida não tem alegria?

quinta-feira, abril 12, 2007

Mulher Aranha


Senhoras e senhores: estou de volta. Até que me dê a louca e eu suma outra vez. Mas, por enquanto, algumas histórias pra contar do período de hibernação...

Semana passada estava eu em São Paulo muito feliz da minha vida. Feliz a ponto de encarar de novo um esporte radical que há muito eu tinha abandonado: a escalada de muros e saltos de janelas. Não entendeu nada? Ok, explico.

Há alguns anos eu fiquei trancada fora de casa e cometi a imprudência de bater na casa da vizinha e pedir pra pular pra dentro da minha casa pela área de serviço dela. Pois bem. Estava eu no alto do muro, tentando descer até o chão uma escadinha de alumínio que teimava em enganchar na bicicleta logo abaixo, quando a parte de cima do muro cedeu e veio abaixo - comigo junto. Levantei meio zonza e me arrastei alguns metros, até perceber que o rastro de sangue no chão se assemelhava a cenário de filme de massacre. A escada ficou retorcida, a bicicleta empenada e o meu pé todo estropiado, embora tenha se safado de quebrar por muito pouco.

Depois disso, jurei que nunca mais dava uma de Ethan Hunt. Até esta última quinta feira.

Ventava bastante e eu saí pra "laje" pra ver o lindo céu nublado paulistano (hahaha) e se a Dri já estava chegando. Andei uns poucos passos, me espreguicei e então ouvi o alarme dentro da minha cabeça disparar: putaquepariu! Eu tinha esquecido de travar a porta da sala com o saquinho de areia que ficava ao lado da mesma e tinha esta única função. Resultado: a porta bateu e euzinha me vi trancada do lado de fora.

Desatei a rir, né, fazer o que? E quanto mais eu imaginava a cara do Junior quando chegasse à noite e me visse sentada ali no relento esperando por ele, mais eu ria.

Mas, nem tudo são flores na vida de Joseph Climber. Eis que começa a chover no momento em que a Dri encosta o carro na frente da casa. Gargalhando eu expliquei o ocorrido e avisei que ia pular a janela do segundo andar, que felizmente estava aberta. Subi no muro da vizinha e de lá pra marquise, quando vi a mala da Dri saindo do carro com uma câmera fotográfica, rachando de rir da minha cara.

Eu não sabia se ria ou se me segurava pra não cair. Nisso, veio vindo o carteiro, que estava apressado pra não pegar muita chuva. Viu a Dri rindo, olhou na direção que ela apontava e esqueceu a chuva, ficou por lá mesmo, aplaudindo. "Ótimo", pensei. "Daqui a pouco tenho platéia".

Mas como eu não tava podendo confiar na minha sorte, tratei de acabar com o show rapidinho, pulei a janela, me estabaquei no chão e fui recebida com miados da Ingrid, indignada porque eu quase caí em cima dela.

A Dri riu até dar dor na barriga...o Junior tirou o maior sarro da minha cara...e o carteiro voltou andando devagarinho dia seguinte pra ver se flagrava mais alguma cena...pitoresca. Só eu, mesmo.

Obs: clique na imagem pra dar risada.

quarta-feira, março 28, 2007

segunda-feira, março 26, 2007

Lógica II

Depois de comer um prato de azeitonas, chupei os dedos e pensei em voz alta:

- Hummm...será que o vidro já tá vazio?

Ao que uma prima responde, espantada:

- Por que, você quer beber o caldo também???

quarta-feira, março 21, 2007

Dúvida existencial

Alguém me diz, pelamordedeus, o que a gente faz com um vizinho maldito que tem a capacidade de passar dez horas seguidas ouvindo O MESMO cd da LAURA PAUSINI??????????????

segunda-feira, março 19, 2007

Estado de Espírito



Ok, o vídeo não é novo. Mas quem disse que o que a gente sente é original?

Aviso aos navegantes: se alguém vier me falar em limerência ou algo parecido dessa vez, eu vou perder a classe.

domingo, março 11, 2007

Loosing my Religion

Muito antes de ela chegar a esta Terra seu povo já adorava os deuses. Durante muitos sóis eles entoaram cânticos e realizaram rituais envolvendo banhos em água gelada, oferendas de rosas vermelhas, sacrifícios de lágrimas e suor em nome daqueles que adoravam. Os deuses ficavam felizes e falavam com eles através de seus oráculos. O povo ouvia os conselhos e os seguia sem hesitar. E, ao contrário de muitos outros deuses que os precederam, estes não foram esquecidos ou perderam influência. Não. Estes deuses se tornaram cada vez mais fortes, arrebanhando cada vez mais seguidores, seus mandamentos fazendo cada vez mais prosélitos. Havia rituais iniciados ainda no escuro, antes mesmo de o sol dourar o horizonte e outros que começavam quando o astro se punha, arrastando-se noite adentro. Nunca era demais, nem mesmo suficiente.

Cresceu em meio à adoração e aos oráculos. Sempre acreditou que ali estava a verdade e que eram abençoados em conhecê-la, desfrutar de seus privilégios. Sempre viveu de acordo com a sabedoria de seu povo, fiel aos seus ensinamentos e à sua fé.

Ironicamente, jamais conseguiu se interessar pelos guerreiros do próprio povo e sempre que se enamorava, era do filho de outra raça e outra crença. No entanto, o comportamento dos anciãos quanto a isso jamais era taxativo - preferiam deixar a cargo dos oráculos a tarefa de solapar qualquer sentimento desaconselhável. E eles sempre o faziam, eram invejáveis na tarefa.

Então um dia, ao acordar, sentiu o coração cheio de uma sensação morna. A voz que lhe desejara bons sonhos na noite anterior ainda ecoava em seus ouvidos e ela passou os dias que seguiram sorrindo pra si mesma e pra nada específico. A sensação cresceu e ela desejou dedicar-se por inteiro ao sentimento. Foi quando os oráculos entraram em ação.

Disseram-lhe que era um erro, pois aquele que era contemplado por seu amor não nutria os mesmos sentimentos. Que se tratava apenas de atração física, superficial e falsa. Que não unisse a vida ao guerreiro do outro povo, eis que seria irremediavelmente infeliz.

Durante muitos dias ela chorou, inconsolável, dividida entre suas crenças e algo que gritava que aquilo não podia ser falso. E durante todo este tempo, os anciãos tentaram consolá-la e convencê-la de que os oráculos sempre tinham tido razão e que o mais lógico seria acatar-lhes as orientações.

Então houve a mudança. O brilho ingênuo que antes iluminava os olhos pisados de chorar, deu lugar a fria determinação. Ela reuniu os anciãos e anunciou sua partida. Não acreditava mais nos oráculos e estava decidida a fazer seu próprio caminho.

Não haveria mais rituais pra ela.

quinta-feira, março 08, 2007

Rátománocu.

Hoje foi um senhor dia de bunda.
Eu quero dinheiro.
Eu quero um emprego.
Eu quero tirar carteira de motorista.
Eu quero sexo.
Eu quero colo.

Diabo. Mimimi dia das mulheres. Flor é o caraleo.

domingo, março 04, 2007

Relacionamento à distância

Junior diz: 10 desvantagens de um namoro a distância:

1) Vc não tem sexo na hora que quiser.
2) Sai caro (e vc não tem sexo na hora que quiser)
3) É cansativo (e vc não tem sexo na hora que quiser)
4) A logística é complicada (e vc não tem sexo na hora que quiser)
5) Casar as agendas é quase impossível (e vc não tem sexo na hora que quiser)

6) Vc passa a se comunicar melhor por telefone e teclas e acaba esquecendo como é o convívio humano (e vc não tem sexo na hora que quiser)

7) Vc vira uma mulherzinha porque passa a valorizar demais o diálogo (e vc não tem sexo na hora que quiser)

8) Fica muito mais difícil contornar as crises de ciúmes e, acredite, elas virão com o tempo (e vc não tem sexo na hora que quiser)

9) Discussões virtuais são chatas e as reconciliações bem menos intensas (e vc não tem sexo na hora que quiser)
10) Vc não tem sexo na hora que quiser (e vc não tem sexo na hora que quiser)

Junior diz: Como podemos ver, todas as desvantagens são pequenas e totalmente ultrapassáveis sem grandes obstáculos. Praticamente inócuas e simples, apesar de vc não ter sexo na hora que quiser.

quinta-feira, março 01, 2007

Lógica

Ele: - Você é carente.
Ela: - Você sempre soube disso.
Ele: - É.
Ela: - Você é ausente.
Ele: - Você também sempre soube disso.
Ela: - É.
(...)
Ela: - Será que a gente é masoquista?

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Desequilíbrio

- Alô?
- Oi!
- Oi... quem tá falando?
- Ah, você não me conhece, eu disquei esse número aleatoriamente!
- Então boa noite, eu tô desligando.
- Não, espera, por favor!
- Espera o que, cara, eu nem te conheço e...
- Eu preciso de ajuda!
- E eu com isso?
- Você não tem compaixão, caramba?
- Não muita. Qual o seu problema?
- Tem dois dias que o meu celular só apita e não acaba a bateria!
- Quê????
- Dois dias, cara! Sabe lá o que é jogar Snake durante dois dias????
- Você não tá falando sério...
- Tô sim! Conversa um pouco comigo, pelamordedeus!
- ...
- Alô?
- tutututu...
(...)
- CVV, boa noite...

domingo, fevereiro 25, 2007

Mesmo que lá esteja chovendo, é pra lá que eu quero ir.

EXÍLIO: O exílio é o estado de estar longe da própria casa e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. (Wikipédia)

CASA: Uma casa ou uma residência é, no seu sentido mais comum, uma estrutura artificial construída pelo ser humano cuja função é constituir-se de um espaço de moradia para um indivíduo ou conjunto de indivíduos, de tal forma que eles estejam protegidos dos fenômenos naturais exteriores (como a precipitação, o vento, o calor, o frio), além de servir de refúgio contra ataques de terceiros. Abrigo, refúgio, lar. (Wikipédia)

LAR: Ainda que possa ser considerado um sinônimo de casa, o termo lar apresenta uma conotação mais afectiva e pessoal. É a casa vista como o lugar próprio de um indivíduo, onde este tem a sua privacidade e onde a parte mais significativa da sua vida pessoal se desenrola. (wikipédia)


Estou longe do meu lar por tempo indefinido, a sensação é a pior possível. Inadequação, desconforto, angústia. Sinto falta das minhas gatas-enteadas, da cara-metade resmungando de manhã, do caminhão de gás com aquela musiquinha nojenta, do beijo de boa noite antes de dormir. Eu quero voltar. Mesmo que esteja chovendo, é lá que eu quero estar. Aqui não é mais meu lugar. Não tenho paz de espírito pra ler, nem televisão eu consigo assistir aqui. E tenho que me controlar pra não voltar correndo, agora mesmo.

Se alguém souber de um emprego, me coloca na fita.

sábado, fevereiro 24, 2007

Lalalalatuba

Eis que chega a minha vez de fazer o fatídico post de carnaval. Inevitável, mas nem por isso, simples. Seria muito mais fácil se tivessem me carregado prum lugar intragável e eu pudesse fazer um post inteiro reclamando contra a estupidez e o mau gosto da humanidade. Algo assim, hilariante. Mas, não. Fui parar numa casa com cinco outros blogueiros, num lugar que tinha mar, sol, camarão e quase nenhuma música característica de carnaval. Ou seja, pra virar o paraíso, só se tivesse ar condicionado na casa e a gente ainda estivesse lá. Por causa disso, terei que fazer esforço pra evitar o mimimi. Whatever.

Na sexta-feira à meia noite, meus tios passaram pra me pegar. Como eu tô acostumada a ir pra SP de ônibus, mal acomodada, fazendo milagres pra dormir, meus olhos se encheram: um Corola novinho, com ar condicionado e bancos de couro com bastante espaço pra eu me esticar, sem ter que me preocupar se algum maníaco ia me apalpar no escuro ou roubar a minha bolsa. Acomodei a mala no porta malas e tomei o banco traseiro. Tirei os tênis, abracei o travesseiro, dei um sorrisinho e fechei os olhos, pronta pra dormir horrores. E de repente, um susto: assim que o carro começou a rodar, começou a tocar BRUNO E MARRONE no som, num volume que passava muito longe da decência.

Cara, fala sério, né? Quem em sã consciência e de cara limpa consegue dormir ao som de "eu vou fazer um leilão, quem dá mais pelo meu coração"? Ou "do jeito que você me olha, vai dar namoro"? Putaquemepariuderodinhas, viu. A minha noite de sono foi por água abaixo, já que a coisa tocou até às quatro e eu devo ter cochilado no máximo uma meia hora.

Cheguei em São Paulo meio catatônica, sensação que o Junior compartilhou, já que teve que levantar às seis da madrugada pra ir me buscar. Mas nem deu tempo de descansar, porque tinha um monte de coisas pra arrumar antes de pegar a estrada e não eram onze e meia, o Júlio apareceu porta adentro. Toca carregar o carro e bóra pro...EXTRA. Que foi até rápido, segundo o Junior porque eram DOIS homens e UMA mulher. Cretino.

Finalmente pegamos a estrada, ao som do celular do Júlio que apitava toda hora com mensagem da Mônica querendo saber aonde a gente tava. Pegamos a rodovia e surgiu a questão, suscitada pelo Junior: "Vocês querem ir pelo caminho mais longo que tem uma vista muuuuuito bonita ou pelo caminho mais curto, que não tem vista nenhuma"? Que pergunta, né? Eu e o Júlio respondemos em uníssono: O MAIS CURTO!!!! Ele fez uma cara de "como vocês são sem graça!" e acabou se confundindo - esta é a versão do réu - e pegando, adivinhem, o caminho mais longo.

O tal caminho longo tinha mesmo umas praias lindas pra ver do alto. E tantas curvas que eu lamentei não ter dado remédio anti-enjôo de cachorro pro Júlio, quase levei um "hugo" na nuca. Passamos por Caraguatatuba, Ubatuba, Paraty e, por fim, Tarituba. Pelo caminho, o axé e o forró dominavam, revoltantemente altos, com direito a mulherada seminua dançando em cima de mesas e carros e homens estranhos com bermudões imensos que cobriam o joelho e mostravam o cofrinho. Cruz credo.

O caminho foi proveitoso pra cunhar duas teorias brilhantes, as duas do Junior, é claro. A primeira, "dignidade está em conseguir limpar a própria bunda" - o Júlio foi ao delírio ao ouvir isso, até anotou, o Platãozinho. Não me perguntem o contexto, afinal de contas, já tomei muito sol na cabeça, umas doses de pinga, cerveja e até uma margarita depois disso. A segunda teoria, e essa sim eu lembro da onde saiu, é: "todo proprietário de Honda é um bosta". Explico: toda vez que tinha um maldito carro segurando o trânsito, não dando passagem e fazendo merda, dito e feito, era um Honda Civic. A regra admitiu as seguintes observações: "ah, que merda, o sonho do motorista daquele Tipo ali na frente é ter um Honda!!" e "o único carro da Honda que constitui exceção à regra é o FIT, que é carro de pobre".

A viagem transcorreu sem incidentes, afora o fato de o Júlio quase ter sido expulso do carro quando perguntou pro Junior se a gente tava andando em círculos porque a praia que ele tava vendo lá embaixo parecia a mesma vista por ângulos diferentes. Foi um custo defender o Cabeça. Finalmente (eu já me sentia desfalecer), chegamos. Vilarejo de pescadores com uns dois barezinhos, restaurante do Fran's, mercadinho, duas igrejas e nada mais. Casa pé na areia, finzinho de tarde, sem axé nem forró e uma ducha fresquinha me esperando. Quase chorei. A noite chegou rápida, eu bati na cama e só acordei às sete do dia seguinte. Passei pela sala tentando não fazer barulho, afinal a Gabi e o Eric tinham chegado às duas madrugada e estavam lá, estirados, babando. Ah, minto, o Eric tava babando, a doida da Gabi tava acordada, pulou do colchão e me deu um super abraço de Felícia. Tinha começado o carnaval.

Agora, pra não virar querido diário de carnaval, cito apenas os casos mais interessantes:

  1. Alguém já viu a Gabi acordando o Eric? (aqui uma pausa pela crise de riso que me deu só de lembrar da cena) Ela é uma pentelha de marca maior e ele é um comerciário preguiçoso de gabarito. Ou seja, o embate é feio, mas ela SEMPRE ganha, mesmo ele gritando, se debatendo, grunhindo ameaças, se fazendo de morto. Nada adianta. Aliás, eles são o casal perfeito: o Calvin e o Haroldo. Claro, ele é o Calvin, ela o Haroldo.
  2. Tentamos de todo jeito enterrar o Júlio na areia, eu e o Eric até cavamos o buraco, mas ele se recusou terminantemente a deitar dentro dele. Mesmo com ameaça da Gabi e do Junior, nada surtiu efeito. Mas ele nadou, minha gente. Eu juro. Em vez de ficar gritando que nem menininha na margem quando a água pegava no tornozelo dele, a Mônica foi levando o moço cada vez mais pra frente e, com beijinhos ele não se importou com a água pegando no peito. Incompreensível, né?
  3. Fomos pra Almada, a praia no fim da ladeira - em território paulista. Petiscos ótimos, borrachudos vorazes (ai) e obra da Odebrecht na areia. Eu e Eric cuidamos do fosso e dos dutos de escoamento de água, Gabi e Júlio construíram as torres. E o tempo todo tivemos que proteger o castelinho do Godzilla de Sunga que ameaçava pisar nele de dez em dez minutos.
  4. Um siri mordeu no pé da Gabi.
  5. A Mônica fez um jellyshot de pinga com gelatina de cereja que envenenou todo mundo.
  6. Tivemos menu caprichado do Chef e da Sous-Chef oficiais da Blogagi.
  7. Perdemos a Gabi em Paraty, porque a Porpeta foi servir de intérprete pruma turista numa loja de artesanato.
  8. Eu e o Ju comemos parrillada de frutos do mar...ai que lagosta boa!
  9. Comemos todos os porcaritos (ruffles, doritos, cheetos, etc) possíveis.
  10. Nadamos no escuro na última noite e os camarões ferroaram todo mundo.
  11. Acordamos na quarta feira de madrugada pra voltar antes da hora por causa do Júlio.

E o mimimi, pra encerrar: pessoal, amo vocês. Tô com saudades.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Progressão

15: sorriso fácil, sensação de invencibilidade e um metabolismo fantástico.

16: olhos tristes, confusão mental, medo e impulsos autodestrutivos.

17: expressão de deboche, baixa auto-estima, frustração e... vodca.

18: ausência de expressão, alienação, sensualidade e... cigarro.

19: olheiras, instabilidade, cansaço, desespero e... silêncio.

20: sorrisos fugidios, idéias mirabolantes, esperanças, ilusão e... vazio.

21: expressão radiante, criatividade, velocidade, imprudência e... angústia.

22: olhar sereno, autoconhecimento, trabalho, amizade e... resignação.

23: sobrancelhas franzidas, preocupação, esperança, apoio, luta e... bacharelado.

Hoje.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Enquete

Aconteceu há algum tempo já, acho que terceiro ou quarto ano de faculdade. Intervalo entre aulas, a turma reunida em torno do nosso sagrado banco de concreto em frente ao bloco do Direito. Mulherada aglomerada e alguns homens, os que permitíamos no nosso convívio. Mulher junta só sai besteira e da grossa, isso é fato sabido. Mas aqueles caras em particular conseguiam piorar a coisa toda, embora houvesse os que ficassem encabulados com a putaria.

Foi idéia do D2 a enquete que agitou o pessoal de um jeito sem precedentes. Com aquele jeito marrento e debochado característico dele, disparou à queima roupa: Engole, cospe ou esfrega na cara?

Primeiro o choque, ninguém acreditava que ele tinha dito aquilo. Depois as gargalhadas, inevitáveis. E por fim, as respostas insólitas.

- Cuspo.
- Engulo.
- Depende do dia.
- Nem um, nem outro: eu uso camisinha!

A esta última resposta a assistência foi ao delírio. Chegou mais gente, a pergunta foi repetida aos quatro cantos e de repente estávamos todas teorizando a respeito do assunto. Técnicas, preferências, práticas inaceitáveis, situações inusitadas, teorias mirabolantes.

Nesse dia descobrimos uma virgem que queria deixar de ser, outra que só dava casando, uma que colecionava desastres hilariantes, outra que pensava que sexo tinha que ser limpinho ou era pecado, uma que tinha mania de transar de meias e várias chegadas numa sacanagem. Os meninos mantinham os olhos arregalados, nunca tinham ouvido tanta confissão junta.

Sei lá por que a mulherada resolveu abrir o jogo nesse dia. E sei lá por que TODAS entraram na brincadeira, tinha algo perverso no ar que estimulava as confidências. E eu lembro que poucas vezes ri tanto durante os meus anos de faculdade.

Taí. Responda à enquete você também: engole, cospe ou esfrega na cara?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Feliz

Tô aqui às voltas com livros, apostilas, papéis, provas, uma garrafinha de Ninho Soleil de banana e maçã, duas gatas - uma dela é gorda e quer comer minha sandália novinha, já tirei a fofa de cima delas três vezes! - e uma ruazinha fora de mão ENGARRAFADA (é o Apocalipse!) com um monte de gente doida e mal educada BUZINANDO como se disso dependesse a paz no Oriente Médio ou como se fosse adiantar alguma coisa pra desintegrar o caminhão que tá prensado ali no meio da rua, atravancando o fluxo.

Então, pessoas. Estou em São Paulo desde o dia 03 de fevereiro. Desde então eu já tomei sol de biquini na laje - pasmem, apesar da chuva vou voltar pra casa mais preta do que cheguei! - já joguei RPG com o Eric, a Gabi, o Zé e o Zander (sem links, estou sem saco agora), já assisti ao filme pornô da Gretchen com uma turma imensa, todo mundo dividido entre o riso e o nojo, assisti House pela primeira vez, comi uma tonelada de sushi de uma só vez e fiquei perdida na volta pra casa com Júlio e Alê no carro debaixo de chuva, conheci a Lelê e o Santini, dormi no cinema também pela primeira vez "assistindo" Flag of Your Fathers, que o amado namorado queria MUUUITO ver, mas que acabou decepcionando um pouco. Fui num restaurante Vegan com a Gabi, que me deixou uma hora plantada esperando por ela no Pão de Açúcar e fiz as unhas num salão que parecia casa de bonecas. E o que mais?... Ah, comi Confit de Frango com Chutney de manga (chique demais, né não?) que o Ju fez pra mim...Fala sério, aquele homem na cozinha é um charme só, ele nem sabe o tanto e ficava fazendo caretas pra mim porque eu o estava observando.

Estudei também. Menos do que eu devia e mais do que eu queria. Essa rua tá batendo recorde de barulho essa semana, puta que pariu. Depois de quebrarem a rua inteira com britadeiras pra arrumar o esgoto durante a semana, agora as buzinas. E a Cida tá passando o aspirador de pó. Deixa ver do que mais eu posso reclamar...ah, o sol ainda não saiu pra eu dar um up no bronzeado. Mas só de não chover eu tô descendo a escada de joelhos em agradecimento.

Mas, falando sério, tem nada do que reclamar não. Eu tô feliz pra caramba de estar aqui. E não estar de férias. Porque mesmo que fosse maravilhoso estar de férias e dominar o "love is in the air" ou "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim", também é bom conhecer a realidade além do encantamento. Serve pra saber que não é só encantamento, porque quando há alguém do seu lado que é capaz de provocar tristeza e irritação profundas e ainda assim despertar amor e enternecimento, sabe-se que aquilo é de verdade. E é isso o que eu mais quero: ser capaz de sobreviver aos estremecimentos diários sem deixar nada quebrar.

PS: este post era só pra dizer porque eu fiquei um tempo sem atualizar e porque vou continuar mais um tempo sem atualizar. Sim, porque voltando pra casa dia 12 de fevereiro, começa a contagem regressiva pra formatura com mil coisas pra fazer, e depois o carnaval e...sabe como é. Até lá, então.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Exame Ginecológico

Pessoas, hoje eu cheguei a uma conclusão tenebrosa: felizes eram as mulheres de antigamente.

Não, calma, isto não é um manifesto nem machista e nem feminista. Eu odeio feminismo (aliás, odeio quase toda manifestação de radicalismo - o que não deixa de ser a minha própria maneira de ser radical) e também odeio machismo, embora tenha uma leve tendência pra este último - tem piada melhor do que as que satirizam o universo feminino, principalmente carregada de maldade, de chauvinismo? Sei lá se tem, sei que essa é uma maneira garantida de me fazer rir, a menos que eu esteja puta com algum ente do sexo masculino. Aí...

Anyway. Este não é uma defesa a nenhum direito, dever, garantia e o caraleo que se possa pensar pela introdução. Não. Isto é apenas uma coisa: uma expressão da meu mais novo hobby: RECLAMAR. Não dizer: oh, vida, oh azar. Não, isso não é comigo, reclamação é uma coisa, lamúria é outra. O que eu gosto é de elaborar construções mentais baseadas em argumentos mirabolantes por causa de...nada.

Retomando minha tese: mulheres felizes eram as de antigamente. Provavelmente você já está imaginando que é porque não trabalhavam fora, não tinham que pagar as contas, não tinham que ser auto-suficientes, tinham cintura e curvas em vez de barriga reta e quadril esquelético e mais uma penca dos motivos tão alardeados todos os dias por aí. Mas não, não se trata de nada disso. Não estou com o menor saco de elaborar nada tão complexo como a situação da mulher no mercado de trabalho, a solidão de ter que se virar antes de ter sossego pra constituir uma família, a frustração com o próprio corpo, e etc. Aliás, o motivo da minha constatação é muito simples: antigamente, as únicas coisas que passavam pelas vaginas das mulheres eram pênis e filhos. E nada mais.

Não, eu não fiquei louca. Ou pelo menos não piorei. Explico o porquê dessa declaração bombástica: hoje eu fui ao ginecologista.

Desde os doze anos eu vou ao ginecologista. O primeiro era um médico muito bonito, de voz agradável, olhos azuis e grandes mãos brancas manicuradas. Falávamos horas, sobre tudo, era quase uma espécie de terapeuta, aliás, ele sacava tudo de universo feminino e falava com toda a propriedade. Totalmente gay, é claro. Ele preferia plantar bananeira no chão do que fazer exame de lâmina, o que era muito compreensível e desejável. Fiquei com ele durante muito tempo e acabei mudando pro pior tipo de médico do mundo: aquele que é seu parente. Uma prima, uma tosca. Mas parecia competente, daquela que falava tudo olhando na sua cara, sem metáforas, sem delicadeza, sem pudores. Acabou sendo uma intervenção muito positiva na minha vida, mas eu não reclamarei se nunca mais tiver que ver a megera.

Hoje fui na minha nova médica. Oi, tudo bem, como é que vai, histórico de doenças, remédios que toma, dores, intestino, anticoncepcional, ok, vai no banheiro, tira toda a roupa e veste o avental.

Senhores, o avental. O que é aquela coisa, eu pergunto. O de hoje tinha listras azuis, totalmente adorável. Imagina só, entrar num banheiro estranho, tirar toda a roupa, vestir um pedacinho de algodão frágil aberto nas costas e se encaminhar pra outra sala do consultório, onde fica uma cadeira que mais parece instrumento de tortura. Ah, mas antes da cadeira, a balança, o temido ser que sempre nos dá más notícias e suga a nossa auto estima. Maldita.

Depois da balança, não tem mais o que escapar, o jeito é subir na cadeira mesmo. Mas antes de deitar - todos os requintes de crueldade - ela manda você tirar a parte de cima do avental pra examinar os seios. A mão fria, pega daqui, apalpa dali, cutuca, aperta e anuncia que tá tudo bem com "eles". Aí é chegado o momento tenebroso. A cadeira. Reclinada que nem cama, com dois estribos altos pra colocar as pernas. Você dá um jeito de subir naquilo, coloca as pernas no lugar indicado e olha pro teto. Mas não é suficiente a humilhação até ali, você tem que escutar isso: "chega o bumbum mais pra frente, pra abrir mais, senão eu não enxergo". Você contém um suspiro e obedece. Aí ela volta à carga: "não faça movimentos de fechar as pernas nem contraia o bumbum, senão fecha a parede da vagina e vamos ser duas forças opostas brigando uma contra a outra". Oh, céus, eu mereço.

Até ali está bem ruim e você pensa que não pode piorar. Mas piora. Ela enfia um espéculo de metal frio lá embaixo e você tem que lutar firmemente pra não contrair TUDO. E segue piorando. Ela liga um monitorzinho e anuncia que vai fazer um exame chamado colposcopia, que nada mais é que enfiar uma mini câmera dentro da vagina pra examinar o colo do útero de perto. Que prosaico, não? E como se não bastasse ela ficar vendo o cólo do útero pela camerazinha, ainda te coloca pra ver também e vai explicando cada bolinha vermelha que aparece.

PORRA, SE EU QUISESSE SABER QUE CARA TINHA UM COLO DE ÚTERO, EU TINHA FEITO MEDICINA, CARALEO!!!!

Depois daquilo tudo, descer da cadeira, voltar pro banheiro, se vestir, encerrar a consulta. E sai de lá sentindo ainda o ressentimento por causa do espéculo de metal e da camerazinha. Pô, será que é pedir demais querer que apenas CARNE passe por ali, seja saindo ou seja entrando? Ok, alguém vai me dizer que é importante, que previne o câncer, cuida de doenças, se vive mais tempo. E eu respondo: antigamente, as mulheres morriam quando tinham que morrer depois de ter sentido ao longo da vida entre as pernas apenas pênis e filhos, que são as coisas naturais. O resto é invenção humana moderna. E eu não gosto nada nada de objetos não identificados e muito menos não queridos se esgueirando pra dentro de mim, ora bolas. Dá pra entender?