sábado, agosto 18, 2007

Depois da loucura


Uuuufa!

Então, pessoas. Botei a revista no ar e agora respiro fundo durante um momento antes de começar a correr de novo. Querem saber da minha vida? Bem, mesmo que não queiram, o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser. :-P

Eu sarei da depressão. Sim, sarei mesmo. Depois de todos os estágios possíveis. Quis morrer, fiquei catatônica, chorei dias a fio, achei que eu não valia mais nada, me senti ridícula, um lixo, senti vergonha de tudo, lamentei a perda de tempo, senti raiva, fiquei amargurada, cínica, cética, insensível. Arrumei outra coisa pra fazer, porque eu precisava demais de algo que me fizesse sentir algum orgulho de mim. Precisava me sentir boa em alguma coisa, precisava criar. E foi aí que a revista entrou, ela foi meu instrumento de cura, de cauterização. Principalmente quando a terapeuta resolve sair de férias.

Agora já não me importa tanto. Eu continuo um pouco amarga e um tanto cética, mas esse é o meu normal, já há alguns anos. E eu to feliz com os desafios que me propus e também com as decisões que eu tomei nessas últimas duas semanas pra minha vida. Profissionais, acadêmicas e geográficas. Mas isso é só pra constar, deixa quieto. Conto quando estiver concretizado.

Eu tô legal. De verdade. Sinto saudades de algumas pessoas e de outras não. Penso mesmo que há pessoas que entram na vida da gente porque a gente procura encrenca de propósito. Sabe aquele tipo de coisa que se pensa assim, depois: "Eu precisava ter passado por isso?" e a resposta é um retumbante NÃO? Acho que é bem o caso. Mas, erros servem pra gente ir errar de outro jeito, né? Eu custo a tolerar figurinha repetida, que dirá erro repetido. Foi-se.

Agora eu quero no-vi-da-des. Que me agreguem algo em vez de me fazer buracos. Chega dessa coisa de ser queijo.

segunda-feira, agosto 13, 2007

terça-feira, julho 31, 2007

Satisfação

Queridos leitores,

o Bunda Furada está e estará em stand by pelos próximos dias.
Não, ninguém me convenceu a tirar nada do ar não...rs

É que eu to na maior pilha correndo com os ajustes finais do meu bebê:

WWW.LIVINROOOM.COM


O Livinrooom volta ao ar no dia 15 DE AGOSTO, depois de seis meses de seca.

Novos autores, novas colunas, novos ares, novas idéias.

Não percam!

terça-feira, julho 24, 2007

Uma história de amor


Roberta diz:
vou namorar uma mulher!

Lívia diz:
já escolheu qual?
se não, eu tô na fita

Roberta diz:
ainda não
ótimo, você é bonita e inteligente

Lívia diz:
e doida que nem você
credo
nós duas juntas é um negócio complicado
ahahahahah

Roberta diz:
é seria bem complicado...
mas ok, seria interessante
a gente namora, vc pega o primeiro vôo para cá e o avião cai quando chegar em congonhas. e eu penso: "mas que porra, até na única vez que dou sorte.. dou azar!"
hahahahahahahahahahahahahaha

Lívia diz:
kkkkkkkkkkkkk...e aí eu viro fantasma e vou assombrar o seu apartamento...uma linda história de amor mal resolvida.

segunda-feira, julho 23, 2007

A Rosa de Guardanapo

Há uns dez anos eu ganhei uma rosa de guardanapo. Uma coisa boba, prosaica, aparentemente sem valor. Mas que me foi dada por uma das pessoas mais especiais que eu já conheci. Hoje eu tô meio decepcionada com ele, mas não posso deixar de reconhecer o grande ser humano que sempre foi, o homem maravilhoso que costumava ser.

Era um homem que costumava fazer de tudo pra conseguir um sorriso ou um olhar de enlevo. Era expontâneo e nada do que fazia era estudado ou artificial. Um homem capaz de falar durante horas com paixão e entreter de maneira única. Uma grande companhia, um grande amigo, um grande amor.

Eu achei que esse homem era único, que as características que ele reunia eram intrínsecas apenas da sua personalidade, que o faziam um homem extremamente raro e distinto, de quem ninguém era sequer parecido.

No entanto, nesse final de semana, eu conheci outro. Totalmente diferente, mas exatamente assim, e me dei conta de que se trata de uma categoria, afinal. Um tipo de homem profundo, encantador e doce. Que usa camiseta larga com calça jeans, não se liga muito em fazer a barba e usa boné quando o cabelo tá precisando de corte. Um tipo de homem que oscila entre o menino e o adulto, que ri sem reservas, que é tão boa companhia que é capaz de fazer o dia voar sem que se veja.

Um homem que é inteligente, mas não arrogante. Que é crítico, mas não enjoado. Que é irreverente, mas não inconveniente. Que faz rir sem fazer força e ri de si mesmo com maestria, que não perde nenhum raciocínio e sempre dá um jeito de extrapolar com brilhantismo. Muito mais que completar: colorir.

Um cara que ficou comigo o dia todo no sábado e com quem poderia ficar horas mais. Que é um amigo fantástico e com quem eu pretendo contar daqui em diante. Que foi tirar o último dente do ciso hoje e diz que vai aproveitar pra perder o resto do juízo que ainda tem. Um cara que faz rosas de guardanapo. Essa da foto.

Menino, você é show. Valeu demais.

sábado, julho 21, 2007

Heavy Metal do Senhor na Via Láctea


Definitavamente eu não sou a pessoa mais indicada pra tentarem vender mapas astrais, sinastrias amorosas e notícias solares revolucionárias. Aliás, eu sou muito reservada sobre o que e em quem eu acredito. Mas um dia desses, sei lá por que eu me inscrevi no Personare. Achava uma graça as notícias de períodos astrais que eles me mandavam sempre. Claro, sempre tinham uma margem de acerto absurda e eu ficava admirada. Mas quando começam a repetir a mesma mensagem depois de um tempo, a gente cansa de brincar. E parei de ler os emails deles, até hoje, quando resolvi abrir e ler. Foi tão interessante o trânsito astral, que quis ler mais coisas...aí li um pedaço do meu mapa (porque o completo é pago), tirei uma "carta do dia" no tarot e só não fiz a sinastria amorosa porque não tem com quem fazer...rs

Saca só:

Inteligência emocional
21/07 (ontem) às 10h10 a 29/07 às 18h
Mercúrio em trigono com Lua natal


Nos próximos dias que vão de 21/07 (ontem) às 10h10 até 29/07 às 18h, o planeta Mercúrio estará se aspectando harmoniosamente com a Lua do seu mapa de nascimento, Lívia. Esta tende a ser uma fase bastante propícia para tomar decisões que se pautam tanto em processos racionais quanto em sua intuição. A sua percepção das coisas estará mais completa, e este aspecto favorece o entendimento, os estudos, os escritos e as trocas intelectuais.

Você perceberá que está mais eloqüente do que o usual, e neste momento podem ocorrer muitas conversas e notícias de pessoas que há muito tempo você não via. O estímulo positivo de Mercúrio lhe permitirá compreender coisas que você antes não entendia muito bem, sobretudo no que diz respeito a acontecimentos passados que você não processou legal. Esta é uma fase de insights e de esclarecimentos, Lívia.

Fala sério, né não? Horrorizei com o senso de oportunidade...rs
O PEDAÇO DO MAPA ASTRAL diz isso:


SOL EM GÊMEOS, ASCENDENTE EM CAPRICÓRNIO – A AUTORIDADE INTELECTUAL

Você, Lívia, nasceu no momento exato em que Capricórnio se levantava no horizonte, sendo portanto o seu signo ascendente que, combinado a Gêmeos, seu signo solar, cria uma personalidade rica, fascinante, ambivalente e misteriosa: à primeira vista, transmite a solidez e a força de alguém que tem muita idade, de alguém que já viu e viver muito, independentemente de sua idade física.

Sei lá se eu transmito solidez, mas as olheiras com certeza são de alguém que já viveu mais e dormiu menos!

Capricórnio é o ascendente das pessoas que se viram forçadas a um amadurecimento precoce, que perceberam que não tinham alternativa a não ser assumir a responsabilidade o mais rápido possível. Por outro lado, quem lhe conhece mais ao fundo percebe o quanto você tem um lado infantil e um tanto inseguro, que aprende a disfarçar como uma forma elaborada de sobrevivência.

hohoho...e tem gente que acha que não tem mais nada entre o céu e a terra do que poluição.

Mas uma coisa é certa, por detrás desta aparente contradição: as pessoas notam que você é uma pessoa que está perfeitamente atenta a tudo o que acontece em torno de si e que tem o poder de colocar na prática (ascendente Capricórnio) suas idéias brilhantes (ascendente em Gêmeos).

Espero que sim!...rs

E isso muitas vezes incomoda, pois nem sempre é confortável estar ao lado de alguém que aparentemente tem total consciência do que os outros estão pensando. As regras do jogo, quando expostas por você, deixam as pessoas nuas.

Você tende a acreditar que conhecimento é poder. De certa forma isso é verdade, pois de fato as pessoas que têm mais conhecimento são aquelas dotadas de maiores recursos para vencer na vida, e por isso mesmo você provavelmente será do tipo de pessoa que acumula saber e o guarda, querendo a todo custo desenvolver o máximo de know how possível dentro de sua área, e se tornando uma figura de alta competência em seu saber.

Oh, yes...

Por outro lado, Lívia, você corre o risco de supervalorizar o lado prático da vida, e pode terminar abdicando de muitos ideais por não lhe parecerem muito "racionais". Muitas vezes é preciso ouvir a voz do coração, ouvir a intuição, acreditar na loucura interior e atirar-se no vazio do desconhecido, sem tanta prudência em relação à vida.

Vou imprimir isso em letras garrafais e colar nas paredes pra ver se eu me convenço!

SAIBA O QUE OS ASTROS DIZEM SOBRE O SEU JEITO DE AMAR:

Quando você nasceu, Lívia, o planeta Vênus estava no signo de Câncer, um signo de Elemento Água, que sente grande necessidade de aprofundamento emocional nas relações. O afeto de Vênus em Câncer passa pela identificação emocional, que nem sempre é racional, e não se liga ao corpo, nem necessariamente ao que é "conveniente". Câncer não está preocupado se a relação é "lógica" ou não. Este é um signo regido pela Lua, que aprecia dar vazão aos instintos e à voz que fala em seu coração.

Ah, sim, claro. Agora me falta achar um outro do mesmo signo regido pelas mesmas coisas, pra ver se relacionamento e frustração param de ser sinônimos!...rs

Você, Lívia, com Vênus em Câncer, é provavelmente uma pessoa muitíssimo carinhosa e que aprecia pessoas de natureza afetiva, onde um possa cuidar do outro.

Viu, nem é tão difícil perceber isso. Até o Personare percebeu! ahahahahah

O processo de sedução parte do indireto, do sutil, como um caranguejo que anda de lado para conseguir a isca: quando o outro percebe, já está completamente envolvido. Mas, em geral, Vênus em Câncer seduz o outro a seduzi-lo. Isso também porque há uma insegurança natural nesta posição venusiana, em que a pessoa corre o risco d...

Aí eles interrompem pra eu ficar babando de vontade de saber o resto e colocar o número do meu cartão de crédito lá. Na na ni na não. Eu sei como eu sou, obrigada...rs

A CARTA DO DIA DO TAROT diz isso:

3 de Copas
Abra-se ao prazer!

Que tal se permitir ter mais prazer neste momento, Lívia? Há quanto tempo você não faz coisas de que gosta? Que tal relaxar e curtir mais a vida? O 3 de Copas surge aqui como arcano conselheiro, pedindo-lhe que permita abrir-se ao prazer, para que ele flua na direção do mundo e este lhe atenda, possibilitando situações felizes, festas, namoros (ainda que não necessariamente sérios), em suma, coisas que lhe distraiam e lhe permitam ter dias agradáveis, ao redor de quem você ama. Saia com os amigos, conheça novas pessoas, permita-se rir, conversar, conhecer os outros... estar no mundo! Você sentirá sua alma mais leve e perceberá as coisas a partir de uma perspectiva mais ampla.

Conselho: Deixe o prazer fluir!

Show de bola, né não? Pois é. E o mais engraçado disso tudo é que todas essas previsões vieram num momento em que de fato eu decidi me abrir pro mundo de novo, pra gente nova, pra gente que eu gosto. Foi o que eu fiz hoje, sábado. Ok, já é domingo, mas eu ainda não dormi, então...mas a programação do dia vai ficar pro próximo post, porque merece essa ênfase.

Então eu encerro com as seguintes conclusões:

1. Não é difícil me entender, até um site que só sabe o dia e a hora que eu nasci consegue.

2. A partir de agora quando conhecer alguém vou perguntar de cara: vc é geminiano com ascendente em capricórnio e uma estreita relação com câncer e vênus? Se não for, nem adianta, porque não vai conseguir me dar o tanto de carinho que eu preciso, pode ir embora...rs

3. Vou me tornar mais amiga do prazer. Um filme, um livro, uma música, um papo legal, um jogo, sol, lua e sereno, gente que me ama, gente que me faz rir. E orgasmos, só com quem valha a pena no resto do tempo.

4. Vou procurar colocar em prática as minhas idéias brilhantes pra ver se elas iluminam tudo ao meu redor, ando precisando...rs

5. E, por fim: vou anotar todos os insights de agora em diante, por via das dúvidas. Vai que eu vou parar no Jô mais cedo, né?

quinta-feira, julho 19, 2007

Primeiro Encontro

Aconteceu uma que só rindo mesmo.

No terceiro ano de faculdade (nos idos de 2003) eu tinha uma confessa queda por um professor meu. Mas ele era comprometido e não me dava bola. Logo em seguida, fiquei eu comprometida e o moço solteiro. Depois, invertemos de novo. E de novo.

A essas alturas a queda não era mais segredo, era um fato tácito sobre o qual não falávamos. Um dia ele quase me matou de susto quando eu fui chegando numa roda em que estavam ele e uma amiga. Lascou essa:

- Lívia, você quer namorar comigo?

Eu, nem preciso dizer, quase engoli o nariz de tanto susto. Balbuciei um "hein???" e começamos todos a rir. Ele explicou que tinha terminado com mais uma namorada e que estava descrente.

- Ninguém me ama, ninguém me quer. Vou é ficar sozinho mesmo. Tá vendo, Letícia - a amiga - ela também não quer me namorar!

Eu engasguei. Claro, era brincadeira, mas como eu sei bem, toda brincadeira com esse tipo de mote tem seu fundo de verdade. Um homem lindo daqueles me dizendo que ninguém o queria. Era demais pra minha pobre cabecinha.

Mas, como eu disse, estava comprometida, e se tem uma coisa que eu aprendi foi a ser fidelíssima. Nem cogitei, dei sorriso amarelo e falei algo do tipo "ah, não me leva a mal, se fosse em outro momento, etc".

Ficamos nisso, sem novidades até um churrasco de "cem dias" da formatura da turma. Só quem já viu churrasco de quase formatura é que sabe como funciona o clima da coisa. Eu, solteiríssima, tinha parado de beber e mesmo sóbria fiquei contaminada pelo espírito de "vamo quebrá tudo" que impregnava todo mundo. Lá pelas tantas, conversando com o dito cujo, olhei bem na cara dele e ataquei:


- Essa nossa enrolação vai até quando, hein?

Aí quem engasgou foi ele. Vi que ia vir uma desculpinha amarela que nem a minha há tempos atrás, e não esperei. Tasquei um beijo de leve na boca do moço, que só conseguiu balbuciar, por sua vez:

- Pelo amor de Deus, todo mundo aqui ou é meu aluno ou meu colega, não faz isso comigo!

Eu dei risada, daquele jeito inconsequente que só damos quando ainda somos "ninfetas perigosas". (gargalhada) Debochei um pouquinho do pudor dele e me despedi - o que causou grande inconformação da outra parte. Mas eu tinha feito a minha jogada, agora era esperar o oponente mexer alguma peça.

Recentemente, estou eu Lìvia formada, apaixonada, jurando que tinha achado o homem da minha vida, toca o telefone e é o cara, me convidando pra sair num contexto nada aluna-professor. Dispensei, claro, não tinha nada a ver. O que é uma paixão-verdadeira-pra-toda-vida perto de um flerte de faculdade, não é? (bah, como a gente se engana!)

Então, isso tudo eu contei pra chegar no seguinte: ontem eu tava no msn e o moço veio bater um papo. Patati patata (como diria o Júlio), estamos solteiros, acabamos combinando de sair hoje.

Minha melhor-amiga-próxima-de-mim-geograficamente me disse, entre risos:

- Amiga, eu falei pra você dar a volta por cima, mas não precisava ser tanto assim, né?

Em todo o caso, acabamos não saindo porque eu to tossindo que nem motor de carro enguiçado. Liguei pra adiar o passeio e ouvi o seguinte:

- E aí, pensou em algo inusitado?

- Ué, tinha que ser inusitado?

- Bom, de uma pessoa como você, capaz de imaginar as coisas que imagina, de escrever como escreve, esperar menos que isso é te subestimar.

- (gargalhando) Bom, então me lasquei, porque sem querer acabei elevando o nível demais e agora qualquer coisa aquém de inusitado é decepcionante!

- Ah, é mesmo.


Agora eu to com o seguinte problema: o que é uma idéia inusitada prum casto primeiro encontro???? Socorro!!!

terça-feira, julho 17, 2007

FOTO EXCLUSIVA!!!



Senhoras e senhores, aí vocês vêem uma foto do ERIC quando criança, cedida a mim por sua pobre mãe que foi refém desse monstrinho por anos e anos.

É o Bunda Furada entrando no jornalismo verdade!!!
Se cuida, Márcia Golshmith (sei lá como escreve isso!).

segunda-feira, julho 16, 2007

Estamos de Volta!


Depois da "Hora da Depressão", que na minha opinião se estendeu DEMAIS, voltamos agora com a programação normal, prezadíssimos leitores!!

Eu tava com uma idéia fodástica (palavreado do Outsider) pra postar aqui, mas eu escrevi a primeira frase e quinhentas pessoas me chamaram no msn. Agora foi-se...rs

Bom, o importante é: acabou o jejum de risadas por aqui. Volto mais tarde com a pena afiada.

Preparem-se!

terça-feira, julho 10, 2007

Dever de Casa II

A Lívia me deu o dever de casa mais ingrato de todos: ler um livrinho de argh...auto-ajuda. Tem um mês que ela me deu o livro. Tem 94 páginas. E eu não consigo passar da página 25 nem na base da porrada.

Aí, ontem ela me pediu o livro de volta e eu fiquei sem graça pra caramba de dizer que não tinha terminado ainda de ler. Falei um "estou terminando" descarado e prometi devolver na segunda. Ou seja: toca a pegar a bomba e tentar pelo menos passar os olhos no restante pra poder falar do assunto sem passar mais vergonha.

O título: Faça Diferente, Faça a Diferença. Que fique registrado que eu amaldiçôo do âmago do meu ser o senhor Rodrigo Cardoso, um desses gurus proferidores de palestras milagrosas que teve a maldita idéia de começar a escrever livros - esse é o segundo!

Constatei que o livro, contando a singela e subestimadora de intelectos história de Pedro, um engraxate que vira fazendeiro, pai de família e avô de uma porrada de netos e morre pilotando um avião daqueles do Barão Vermelho, tem a pretensão de ensinar 16 coisas: três lições iniciais, dez princípios de vida e três mensagens finais, o santo graal da vida.

(pára e vomita)

Vou transcrever aqui as 16 coisas pra todo mundo poder sofrer comigo. E tecerei meus comentários respectivos:

Lições:

1. Não espere que a vida lhe dê "fogo" se não dá "lenha" a ela. Trace metas claras e as escreva num papel: estará um passo mais perto de realizá-las.


Ah, é. Escrever o que se quer tem tanta força que todos os blogueiros do mundo estão fadados a se transformarem em Guimarães Rosa, Bill Gates, Michael Jordan ou Al Pacino.

2. A felicidade não está nos sonhos realizados, mas no processo de realização dos sonhos. Quando alcançar suas primeiras metas, trace novas e maiores.

Ou seja: você nunca terá sossego na sua vida e trate de se conformar e ficar contente com isso. E não se acanhe em escrever no papel que quer se mudar pra Lua, namorar a Angelina Jolie, ser herdeiro do Sílvio Santos. Quanto mais improvável, melhor. Aí você fica a vida inteira sem se sentir insatisfeito, porque nunca vai alcançar nada disso mesmo, logo sempre estará feliz.

3. O elefante do circo tentou muito fugir da corrente e da estaca que o prendiam quando era filhotinho. Como nunca conseguiu, cresceu convencido de que não pode fugir, mesmo que agora seja imenso e forte. Não acredite que não pode sem tentar de novo.

Nesse aqui eu fiquei tentada a meramente mandar tomar no cu. Mas me parece pouco elaborado, então: ah, eu devo estar mesmo quase do tamanho de um elefante. ¬¬


Princípios:

1. Constitua uma família.


Ah, sim, é a coisa mais fácil do mundo encontrar alguém que seja honesto, constante, confiável e não seja filho da puta no final das contas pra se ter um filho. Nossa, fácil demais!

2. Ajude seu semelhante.

E ainda copia Jesus Cristo descaradamente. Até eu escrevo livro assim!

3. Trabalhe em equipe.

QUE EQUIPE, cara pálida????

4. Aprenda a ser forte na adversidade.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco - já que é pra partir pra frase feita.

5. Dê o melhor de si em tudo que faz.

Inclusive cortar os pulsos?

6. Não seja preguiçoso.

Agora sim: vai tomar no cu.

7. Tenha coragem e arrisque-se.

Tá bom, vou me "converter" ao lesbianismo, então.

8. Tenha fé.

¬¬

9. Não se preocupe.

Não posso, sou Drama Queen, né?

10. Aprenda a perdoar.

Eu até sei perdoar. Mas agora não tô conseguindo. E mesmo que conseguisse, não sei se estou querendo. Sabe vontade de quebrar o carro alheio com um taco de baseball?


O Santo Graal - as três mensagens finais.

1. Associe-se a pessoas positivas.


Pessoas positivas são as culpadas por eu ter sido obrigada a ler esse livro. Prefiro gente solidária do que gente poliana.

2. Aprenda a usar o poder da palavra.

Será que se eu aprender e disser um MORRA bem caprichado, vai funcionar?

3. Seja um eterno aprendiz.

Preciso mesmo aprender um monte de coisas. Como a deixar de confiar em gente.

segunda-feira, julho 09, 2007

Mudança de time

Nos últimos cinco anos minha vida amorosa foi um caos. Pulei da brasa pro espeto um monte de vezes. E o engraçado é que eu sempre acreditei, sempre mantive a esperança de que uma hora eu ia conhecer alguém que fosse realmente um companheiro, que tivesse prazer em estar comigo, que me visse como amiga e não como adversária. Acho que finalmente eu cansei de acreditar nisso. Cansei de me sentir sozinha o tempo todo, principalmente quando acompanhada.

Ontem à noite eu assisti pela enésima vez a Tomates Verdes Fritos. Mas dizem que cada vez que vemos um filme, enxergamos coisas diferentes, né? Pois então. Ontem eu percebi que talvez eu deva desistir dos homens, não do amor. Pensando a respeito, percebi que realmente amor de mulher é uma coisa diferente e que geralmente homem nenhum sabe valorizar e entender. Mas outra mulher talvez saiba.

Eu não estou falando de sexo, mas de vínculo. De carinho, cumplicidade, respeito. Coisa que geralmente homem não sabe dar.

A Andréa me disse outro dia que pra "deixar de gostar de homem" precisa um trauma muito forte. Talvez ela tenha razão. Mas qual a medida do trauma?

sábado, julho 07, 2007

Tea for Two

Esta tarde bateram à minha porta devagarinho. Um. Dois. Três. Era Tristeza, uma velha amiga. Talvez amiga seja a palavra errada, já que nem gosto muito dela. Mas quando alguém o conhece há tanto tempo e tão bem quanto ela, é difícil chamá-lo por outro nome que não amigo, ainda que impróprio. Acostumei-me à presença dela, é a verdade. Fica sendo amiga, pois. Bateu à porta e convidei-a a tomar chá. Sentamo-nos e houve um silêncio prolongado. Sem constrangimento, sem desconforto. Apenas intimidade, entendimento. Ela sabia que eu não queria falar. Somente fez-me companhia. A noite foi caindo e ela acendeu os abajoures. Sentia-se em casa, tão assídua era naquela sala. Escolheu um disco de blues azul e ofereceu-me o colo, sem dizer palavra. Deixei-a acariciar-me os cabelos por longas horas, até que bateram novamente à porta. Tristeza beijou-me em despedida e abriu a porta, dando passagem a Solidão, meu fiel companheiro noturno, com quem divido a minha insônia.


Lívia Santana.
julho/2005


Acho que a minha vida é cíclica.
Os meus acompanhantes de dois anos atrás estão novamente aqui.
Até que eu consiga sorrir de novo sem nenhum traço de amargura.
Aí estarei curada.

sexta-feira, julho 06, 2007

Não Pise nos Mumerats

A quem porventura tenha essa dúvida ou essa esperança: não, eu não vou deletar o blog. E nem vou fazer censura nenhuma ao que está escrito aqui, porque eu que adoro criar personagen e contar suas histórias, não estou disposta a vestir um deles e escrever coisas pensadas cuidadosamente para entreter leitores. Aqui não. Esse aqui é MEU blog, pode ser uma bunda furada - como aliás, é - mas é meu. E fala de mim. E eu não sei não ser eu, não supitar de sentimentos, não rir com o corpo todo, não uivar de dor. Eu sou assim.

E eu to saindo da merda, aos poucos. Chega uma hora que a gente cansa de quem não gosta da gente, né? Cansa de remoer o que deu errado, cansa de sentir saudade dos momentos de êxtase que contribuem ainda mais pra gente se sentir ridículo, cansa de ter esperança. Cansa.

Mas também percebe que há muitas coisas que poderiam significar alívio, alegria e até salvação, e na verdade não são nada disso. Ontem, por exemplo, eu fui prum coquetel de formatura de um amigo muito querido, onde reencontrei minha turma de faculdade. Todas aquelas lembranças, piadas internas, intimidades foram fantásticas durante duas horas e meia. Depois disso eu voltei a me sentir deslocada, desconfortável, melancólica e louca pra ir pra casa. E fui.

A saída não está lá. Assim como não está nos pretensos amigos que se oferecem pra ajudar a superar, esquecer. Não está naquele confidente de todas as horas que acaba por falhar num determinado momento. Não está nesta internet - que foi em grande parte a causadora dos meus tormentos. Não está em lugar nenhum. E este é o ponto do raciocínio em que eu deveria dizer que a resposta esta dentro de mim mesma, que eu preciso encontrá-la. Mas não tenho essa ilusão. Já vasculhei aqui e não achei nada, só teias de aranha e coisas quebradas.

Diane Lane diz isso em Sob o Sol da Toscana:

- Sabe o que é mais surpreendente no divórcio? Ele não mata como uma bala no coração ou um acidente de carro. Deveria. Quando alguém que lhe jura ser fiel até que a morte os separe diz: "eu nunca te amei", isso devia matar na hora. Você não devia acordar dia após dia depois disso tentando entender como você não percebeu. A ficha não caiu, entende? Eu devia ter visto. É claro, mas eu tinha medo de dizer a verdade. E o medo nos torna idiotas.


Ai ai.

Quanto será que está custando uma passagem de ida pra Toscana, hein?


PS: alguém conhece a referência do título? Acho que vou fazer um concurso...rs

quarta-feira, julho 04, 2007

Tesoura do Desejo

Hoje eu to cortando tudo.

Cortei o cabelo - curto!
Cortei as cutículas mortas.
Cortei relações de dependência.
Cortei gente que se diz amiga e me sabota.
Cortei a preocupação com a opinião alheia.
Cortei a lamentação por gente que não me ama e não me quer.
Cortei a preguiça de ir ao médico.
Cortei a depressão.
Cortei a inércia.
Cortei o choro, as olheiras, a insônia, o mau humor, TUDO!

E engraçado é que comecei a cortar na sexta: O baralho! :-D

segunda-feira, julho 02, 2007

O que eu preciso

Hoje me disseram pra deletar este blog, porque é muita exposição e eu não preciso disso.

Engraçado é que todo mundo sempre entra numas de saber o que é bom pra mim, do que eu preciso, do que eu não preciso. Um monte de gente tenta me convencer que é melhor assim ou assado, que eu tenho que esquecer, que eu tenho que "dar a volta por cima" - como eu odeio clichês, puta que pariu - que me reinventar, que tocar a vida. Todo mundo é capaz de dizer pelo menos uma coisa de que eu preciso.

E o que eu acho que eu preciso?

Primeiro os razoáveis: Fazer de conta que estou bem, que estou me recuperando, que não penso nisso a cada cinco minutos. Fazer de conta que tenho motivo pra levantar da cama de manhã. Fazer esforço pra não me lamentar fora do consultório da psicóloga. Fazer esforço pra ir pro consultório da psicóloga, porque eu sei que ela vai me dizer que eu tenho um potencial enorme, que eu to melhor assim, que é pra esquecer, deixar pra trás, reconhecer que acabou há muito tempo e que eu tava me recusando a ver, etc. Fazer de conta que raciocínios lógicos fazem doer menos, fazer de conta que não sinto uma saudade dilacerante, que não abafo o choro no travesseiro.

E agora os fantasiosos: de uma máquina do tempo. De um tratamento de "apagamento" como o de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. De fugir pro Tibet que nem o Bruce Wayne no Batman Begins pra tomar porrada de um cara de barbicha e usar substâncias alucinógenas. De sossego. De outra chance.

Caramba, eu só queria outra chance.

quarta-feira, junho 27, 2007

Errata

Eu estava muito bem hoje. Mas nada que a minha terapeuta não consiga resolver. Sabe o que é uma mulher te destruir com a voz pausada e doce a ponto de você sair de dentro do consultório e sentar num meio fio no caminho pra casa pra evitar ser atropelada porque estava chorando demais? E chegar a pedir ajuda pra última pessoa que devia pedir, por uma mesagem no celular devidamente ignorada?

Ah, cara. Nessas horas é que Zeus devia existir. E me fulminar com raio pra acabar logo com isso.

Hoje

eu estou melhor. Acordei de bom humor. Passou a sensação de ultraje, de vergonha, de mágoa profunda. Hoje eu consigo sentir carinho de novo. E saudade.

segunda-feira, junho 25, 2007

Fantasia

Essa é uma história que poderia começar de diversas maneiras. Poderia mesmo ter diversos finais e até mesmo vários enredos diferentes. Mas, ao contrário dos contos de fadas, essa é uma história contemporânea e as boas hitórias contemporâneas têm finais tenebrosos, porque os finais felizes são exclusividade de comédias românticas.

VERSÃO I

Era uma vez uma menina que foi amaldiçoada quando nasceu. Uma bruxa, despeitada por não ter sido convidada a conhecer o bebê apareceu de surpresa e jogou-lhe um feitiço, asseverando que a menina nunca teria um relacionamento duradouro porque nunca seria capaz de se entregar inteiramente. Os pais, aflitos, chamaram a madrinha da menina, que pouco pôde fazer. Apenas lançou um outro encantamento pra que ela pudesse sim, amar intensamente, o que não adiantava muito. Os pais procuraram afastar da menina todo e qualquer moço dotado de qualidades que pudessem interessá-la. Trataram também de enchê-la de afazeres pra que não tivesse tempo de pensar em rapazes. Inglês, informática, natação, guitarra e teatro. Mas nem todos os esforços do mundo poderiam manter um coração fértil e ardente isolado das paixões, e a menina se encantou por um rapaz. Mas não deu certo, e conheceu outro. E outro, outro e mais outro. E nada dava certo. Os pais, então, fecharam-na dentro de casa e deram-lhe a internet pra se entreter. E foi quando o que era ruim ficou pior, a menina ficou tanto tempo sozinha que se esqueceu de como conversar e interagir com outras pessoas e virou uma samambaia. FIM.


VERSÃO II

Era uma vez uma menina que não gostava de ser menina. Ela queria ser adulta, queria ser dona do próprio nariz. Era caprichosa, intensa e segura de si e deixava-a mortificada ter que ser menina. Então, numa noite fria, uma fada atendeu-lhe o pedido repetido mudamente: a transformou numa mulher, com corpo e mente de adulta e alma de menina. A menina exultou e se lançou à vida com a sofreguidão que lhe era peculiar. Tudo era brinquedo novo, a excitação não tinha fim. Mas ela não conhecia o medo e a cautela, e acabou se ferindo gravemente num dos brinquedos, que a atirou de uma grande altura, matando-a antes que a fada pudesse salvá-la. FIM.


VERSÃO III

Era uma vez uma garota que pulava de cabeça em cada paixão, mas saía do encantamento muito antes do outro e sempre deixava corações partidos e amantes inconformados pra trás. A não ser por duas vezes, em que encontrou pela frente adversários mais duros que ela. Um que não se deixou envolver a despeito da paixão da garota e outro que se desencantava ainda mais rápido que ela mesma. Da primeira vez ela chorou muito. Da segunda, de um tanto que nem sabia que era possível. Aliás, chorou tanto que morreu derretida. FIM.


VERSÃO IV

Era uma vez uma mulher dramática que levou um fora e fez um boneco de vodu. (crise de riso) Não, essa história não dá pra terminar.


VERSÃO V

Era uma vez uma menina inteligente, que se tornou escritora, conheceu alguém capaz de enxergá-la de verdade que quis dividir a vida com ela, ganhou um gato e nunca mais se sentiu sozinha. FIM.

Ok, essa última pode ser uma comédia romântica. ¬¬

sexta-feira, junho 22, 2007

Esperança

É tão difícil desistir de planos e sonhos muito acalentados! Tão difícil reconhecer que as coisas não são como gostaríamos, reconhecer que deu tudo errado, perder a esperança de que as coisas se ajeitem! Eu não estou conseguindo fazer isso.

Engraçado, de repente me sinto capaz de novo. Capaz de trabalhar, de escrever, de fazer o que eu quiser profissionalmente falando. Mas devo reconhecer que a minha auto estima pessoal está se arrastando. Porque não importa o que eu faça, não parece ser interessante o suficiente.

A Lívia (minha terapeuta) me disse que a gente aprende que os planos muitas vezes precisam ser refeitos, porque mesmo que a casa idealizada seja linda, pode não ser possível construí-la num determinado terreno. Que o projeto precisa ser guardado, pois amanhã eu posso encontrar um outro terreno com solo mais sólido que me permita desarquivar o projeto.

O duro é que a esperança se recusa a morrer, é pior que o Jason. O meu medo é que eu morra antes dela...rs


Facho de Esperança - Mestre Marçal

terça-feira, junho 19, 2007

Projeto Novo

Vão me perguntar (como já perguntaram): você não cansa? E eu digo: o que me cansa, me mata na verdade, é não inventar coisas novas, é deixar as mil vozes que se agitam na minha cabeça se calarem, é deixar de lado as invencionices que me ocorrem. Portanto, sim, projeto novo. O que não significa que abandonarei nenhum outro.

Também poderão me perguntar: você não acabou de tirar carteira da OAB, criatura? Não tá ocupada, não tem nada melhor pra fazer? Bom, sim, eu acabei de passar na OAB. E, por incrível que pareça, isso me fez sentir muito bem. Porque daqui pra frente não tem nada NECESSÁRIO pra eu fazer. Só faço se eu quiser, se eu escolher. E eu já resolvi. Pô, é um alívio. Quanto a não ter nada MELHOR pra fazer, a resposta é: SIM. Embora advogar não seja nada melhor, tem OUTRO projeto rolando, mas desse não vou falar por enquanto. E ainda tem o Liviruim (ahahahahhahah) que está em reformulação pra voltar ao ar. Ou seja: ocupação pra minha cabeça não falta. E quem quiser ver o Livinrooom de volta, mande um email indignado pro zander porque é este cidadão que está me enrolando e atrasando o relançamento.

Bom, mas indo ao que interessa. Inaugurei hoje




Trata-se de um projeto conjunto com o amigo e parceiro de trabalho Conrad Rose. Partindo da seguinte preposição: Relacionamentos são coisa de gente louca. Só louco pra dividir a vida com um outro esquisito e querer que saia coisa boa. E insistir. E achar alguma graça em brigar. Em estar sozinho acompanhado. Em viver atormentado.

No Ringue a idéia é começar nas luvas de pelica e acabar nas de boxe - quiçá nos pedaços de pau, mordidas e delegacia (risos). Mas nunca na indiferença, porque isso sim é o fim.

É pra ser divertido. E talvez até terapêutico!

Espero que gostem.

Ah, eu quero manda um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.