sexta-feira, outubro 31, 2008

Calor

Não sei se vocês têm acompanhado, mas aqui em Brasília o negócio anda feio. Não, não to falando de política e corrupção, não. To falando de clima. Ou melhor: de CALOR. Cara, cê não tem noção. Só estando aqui mesmo pra ter idéia do drama. Em Uberlândia faz calor. Aliás, faz calor pra cacete, mas é um calor diferente, porque lá existe uma coisa que aqui é raridade, chamada UMIDADE. Lá, nos piores dias, fica uma coisa abafada, em que você sua e o suor fica grudado na pele, dando uma sensação de que de repente você virou...sei lá, um sapo melado e gosmento, daqueles verdinhos com olhos vermelhos (nossa, tem hora que até eu me espanto comigo...que comparação é essa, senhor? misericórdia!).

Bom, aqui em Brasília isso geralmente não acontece. Ou não acontecia. O calor que faz aqui é uma coisa árida, muito parecida com deserto, que você sente que vai morrer afogado no seco. Tem horas que eu chego a sentir a areia escaldante sob os meus pés e o sol torrando a minha cabeça mal escondida por aqueles panos dos beduínos (...gente, a coisa hoje tá séria!) Enfim. Nos últimos dias temos enfrentado aqui temperatura de Rio-de-Janeiro-em-pleno-verão somada à umidade variando em torno de 13%. Ou seja: ta todo mundo desesperado. Só daria pra piorar se estivéssemos MESMO cercados por cariocas (embora aqui tenha mais dessa raça do que eu gostaria).
Mas mesmo tendo começado falando dessas alterações loucas do clima e do aperto que temos passado por isso, não pretendo agora falar do degelo das calotas, do Happy Feet, nem de nada politicamente correto assim. Quero mais é contar duas passagens ensejadas pela altíssima temperatura dos últimos dias.

cena 01

Domingo à tarde, um casal morto de calor e sem coragem pra fazer nada naquele sol de rachar, está deitado imóvel na frente do ventilador, rezando pra cair uma chuvinha e jogando conversa fora pra matar o tempo.

- Sabe, Morena...quando eu morrer eu quero ir pro inferno...
- É? E posso saber por que?
- Ah, é que lá está cheio de diabinhas de biquini com o fio dental enfiado na bunda...
- Humm, sei...mas não acho que seja uma boa idéia, sabe?
- E por que?
- Pensa bem: o inferno é quente, né?
- Aqui também é.
- Tá, mas lá é quente MESMO. E nem tem um ventinho pra aliviar, sabe? É quente E abafado.
- Que nem Belém?
- Muito pior. Lá nem chove, nem nada.
- Eita...
- Pois é. Aí, imagina só...a mulherada semi-nua em volta de você e você suaaaaando, a pulsação aumentando, todo pregando de suor, nojeeeento...
- Creeedo!
- Ta vendo, amor? Melhor ir pro céu...
- No céu tem ar condicionado?
- Não sei, mas deve ser bem fresquinho lá no meio das nuvenzinhas, né?
- Mas o céu é sem graça, vai estar todo mundo vestido!
- Ué, e o seu charme avassalador, fica onde? E a sua capacidade de convencimento, fica como?
- Ah, dá muito trabalho...
- Ih, você não gosta de desafios, não, é?
- To com muita preguiça pra isso...quer saber? Capaz de no purgatório eu achar gatinhas de biquini E bater um ventinho! Pronto, ta resolvido!
- ¬¬...

cena 02

Meio de semana, depois do almoço. A rua movimentadíssima e o calor absurdamente sem noção. Um casal está dentro do carro, no meio do trânsito. Ele de terno e gravata, suando e reclamando do calor, apesar do ar condicionado ligado, de repente se lembra de que tem que parar no banco pra tirar dinheiro. Encosta o carro na porta do Banco do Brasil e sai, deixando-a esperando no carro, com o motor e o ar condicionado ligados. Alguns minutos depois ele volta e coloca o carro em movimento.

- Sabe, querido? Eu cheguei à conclusão de que você é uma pessoa boa...
- É? E como você chegou a essa conclusão?
- Eu tava aqui distraída e percebi que você deixou o carro ligado quando saiu...
- Hum-hum...
- Aí eu pensei: será que é por que ele ia voltar rápido? Não, mesmo pruma parada rápida não seria razoável deixar o carro ligado...
- Hã-hã...
- Aí eu me dei conta de que o ar condicionado é que tinha ficado ligado...então percebi que você pensou "a Morena vai ficar com calor se eu deixá-la fechada aqui me esperando sem o ar"...
- Correção: eu pensei "a Morena vai derreter e vai estar mortinha da silva quando eu voltar se deixar ela esperando aqui no carro sem o ar".
- Então...aí eu pensei: "puxa, esse homem realmente me ama, se preocupa tanto comigo!"...
- Iiisso...muito bom, reconhecimento!
- Mas aí eu fui além!
- É?
- É! Eu me dei conta que, conhecendo você, se eu colocasse qualquer outra pessoa no meu lugar, seu impulso seria o mesmo: o de deixar o ar condicionado ligado pra que alguém te esperando no carro não morresse de calor. Então concluí que você é uma pessoa boa!
- ... Pô, eu gostei mais da conclusão que era porque eu te amava muito!
- Fabríciô...alô-ou...eu concluí que você me ama muito E é uma pessoa boa! É muito melhor, oras!
- Hum...sei não...mas ok, eu sou uma pessoa boa...
Ficam em silêncio durante dois minutos e ele começa a rir.
- Que foi?
- Na verdade...
- ...você deixou o ar condicionado ligado pro carro continuar geladinho pra quando você voltasse, né?
- É! Mas eu só pensei isso agora! - gargalhando.
- Acha que eu não pensei nisso, meu filho?
- Pensou, é?
- Claro! Mas eu prefiro achar que você me ama muito...
- E amo.
- E que é uma pessoa boa...
- Bom...
- Porque do contrário eu vou esconder os controles do Wii durante uma semana!!!!
- Ô, Morena...imagina...é CLARO que eu pensei no seu bem estar, meu amor! Aliás, eu penso no bem estar do mundo inteiro!...
(ele aproveita que parou no sinal vermelho e olha pra ela com o maior cinismo)
- Colou?

quinta-feira, outubro 16, 2008

Menos do que eu pensei, na verdade

Vi na Casa da Gabi e fiquei curiosa...




You Act Like You Are 29 Years Old



You are a twenty-something at heart. You feel like an adult, and you're optimistic about life.

You feel excited about what's to come... love, work, and new experiences.



You're still figuring out your place in the world and how you want your life to shape up.

The world is full of possibilities, and you can't wait to explore many of them.



Mas eu JURAVA que ia dar uns cinquenta!!!

quarta-feira, outubro 15, 2008

Rapidinhas

Eu fico CHOCADA com certas coisas indecorosas que eu recebo por email!!!! A Dona Dehynha me mandou isso, ó:

SUTILEZA MINEIRA

O cumpadi, há muito tempo de olho na cumadi, aproveitô a ausência do cumpadi e resolveu fazer uma visitinha para ver se ela não carecia dearguma coisa...Chegando lá, os dois meio sem jeito, não estavam acostumados a ficar a sós…falaram sobre o tempo…

- Será qui chove?
- Pois é…

Ficô um grande silêncio. Aí, o cumpadi se enche de corage e resorve quebrá o gelo:

- Cumadi….qui qui ocê acha: trepemo ou tomemo um café?
- Ah, cumpadi…cê mi pegô sem pó…

E como se não bastasse, arrematou:

CUNVERSA DE MINEIRIM

- Cumpadi, muié é bicho estranho, num é mêsss??? Num gosta di pescá….Num gosta di futebor… Num sabi contá piada… Num toma umas pinguinha…

- Óia, cumpadi…si num tivesse xoxota, eu nem cumprimentava.

Agora me diz: ELA TA PEDINDO, NÃO TA NÃO???????

quinta-feira, outubro 02, 2008

Superfície Líquida

Eu tenho problemas. É fato, não há o que se discutir. E um deles é o que eu costumo chamar de "mente literária", fato que me rende muitos desaforos do meu consorte, que me olha às vezes como se dissesse: "que diabo de mulher maluca é essa?". Não posso evitar, talvez seja uma deficiência. Uma espécie de autismo, quem sabe. O fato é que se me mandam pensar numa luz, eu penso no dedo do E.T. acendendo e ele dizendo "El...li...ot" ou em alguma outra coisa igualmente pouco razoável. Se conto que na minha sala de pós graduação tem um gordinho sabe-tudo de voz fina absolutamente irritante que sempre chega atrasado e já começa a dar palpite, aproveito pra descrever a tortura medieval a que eu submeteria o filisteu, pendurado pelos polegares em ganchos de açougue. Se paro por um momento observando alguém caminhando, falando, comendo, rindo, fumando, chorando ou sei lá o que, já imagino como seria a descrição daquele personagem, daquelas ações, daquela cena. Se encontro com dois tipos esquisitos que moram no meu condomínio (e SEMPRE que eu boto a cara pra fora lá estão aqueles dois...um deve ser excepcional e o outro, psicopata) está escrito na minha frente que eles seriam o protótipo de vilões assustadores...só não sei se do tipo que usa máscara e se esconde nas sombras, se do tipo que só ataca com facas e tem prazer em ver as vísceras da vítima saltarem, se do tipo que tortura e faz piadinhas irônicas revoltantes, do tipo que tem alguma tara repulsiva e inconfessável. E coisinhas inocentes do tipo.

Aí, como não podia deixar de ser, ontem eu tive um insight desses. Meu amigo RODRIGO NOVAES DE ALMEIDA, um dos brilhantes escritores da nova geração e integrante do Livinrooom (não, o site não morreu, só está de recesso!!!) me mandou um email anunciando a estréia do novo blog dele, o SUPERFÍCIE LÍQUIDA. Eu adorei o nome sem ver nada. Mas antes que eu pudesse me controlar, a mente literária ensandecida pôs-se a divagar. O que me lembra essa expressão, hein?

Superfície Líquida. Um copo de cerveja tombado sobre uma mesa de botequim, a pequena e rasa poça do líquido amarelado de cheiro pungente e enjoativo refletindo as luzes do poste e do par de faróis mais próximo, durante apenas cinco segundos antes de ser engolida pelo guardanapo retirado às pressas e lançado atabalhoadamente sobre o líquido que se espalhava. Superfície Líquida. A água de uma torneira aberta há tanto tempo que se derrama pia abaixo e vai avançando lentamente pelo piso branco do banheiro, alcançando o corpo atingido por algum mal súbito que jaz inerte ali ao lado, sem que ninguém saiba o que aconteceu até que a água ultrapasse a porta de entrada e comece a ser vista pelo corredor. Superfície Líquida. A água do Lago Sul refletindo o ceu absurdamente azul que se estende sobre o planalto central, turvada pelos barcos e lanchas que aceleram e rugem sob o sol de calor absurdo, esturricando até mesmo os jardins pujantes e verdes das imensas casas luxuosas que margeiam placidamente a movimentação do fim de semana. Superficie Líquida. A criança que acorda gritando no meio da noite, suando frio de medo e terror causados pela fera escura e sombria que a persegue no pesadelo, transtornando-a a ponto de perder o controle e se ver em meio a uma grande poça amarela que inunda lençol e colchão, denunciando-lhe a fraqueza e deixando uma marca indelével de vergonha e aviltamento. Superfície Líquida. É o que sente a mão trêmula que apalpa a testa suja de sangue depois do acidente que fez o carro sair da estrada e capotar duas vezes, minutos antes de perder a consciência, ser socorrido e morrer na ambulância a caminho do hospital.

Superfície Líquida. Eu podia continuar indefinidamente, a tarde toda, principalmente se eu soubesse que você, amado leitor, teria paciência de chegar até o fim do post gigante. Ontem, brincando, eu falei pro Rodrigo da história da cerveja e ele me disse que eu o deixei traumatizado, porque conspurquei algo que era uma metáfora pra vida.

Ah, escritores! Bando de malucos. Mas eu sou feliz, ta? Mais louco é quem me diz.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Esquentando a barriga no fogão

Nem todo mundo sabe, mas eu sou uma cozinheira de mão cheia. Ok, nem tudo fica perfeito (afinal eu não sou a Tia Nastácia), mas oitenta por cento do que cozinho fica muuito bom, sem falsa modéstia inútil. É assim porque eu GOSTO de cozinhar. Aprendi com a minha mãe, que aprendeu com a minha avó. Sou daquele tipo de cozinheira que mede as coisas no olho, sabe? Pitada de sal, fio de azeite, punhado de salsa, cebolinha e manjericão. Dá um prazer enorme aquela coisa de picar, dourar, misturar, mexer, criar. Sem falar no quanto é terapêutico. E no quanto dá gosto cozinhar pra quem gosta de comer e sabe apreciar.

Desde que essa etapa nova da minha vida começou, eu tenho cozinhado sempre e tem sido extremamente gratificante. O digníssimo consorte e eu temos gostos muito parecidos (não apenas no que se refere a comida) e isso torna divertida até a atividade normalmente enfadonha de fazer supermercado (não, não é paixão besta, é verdade).

Mas tudo tem seus poréns, né? Ainda mais quando o Fabrício mete o dedo torto dele no meio.

Nesse fim de semana fomos visitar minha família em Uberlândia. Pais, irmãos, tios e tias, primos, avô, avó, bebês, cachorro, papagaio, uma zona, uma beleza. No domingo, churrascão no almoço. Minha mãe cobriu o sacripantas de mimos, fez a saladinha de batatas que ele gosta, comprou pãozinho especial pra ele, fez pudim de leite condensado, se preocupou que ele tava bebendo no copo de plástico e não de vidro como devia e blá blá blá. Acha que isso ela intuiu sozinha??? Se não fosse por MIM que reparo nos mínimos detalhes do que diz respeito a ele e dei TODAS AS COORDENADAS, ela teria feito farofa de abobrinha pro almoço com pavê de banana de sobremesa!! (detalhe: ele odeia ambas as coisas)

Mas adivinha se ele reconhece a minha dedicação irrestrita?? Claro que não! Depois de passar dois meses comendo da minha comida em casa, lambendo os beiços, elogiando, fazendo pedidos especiais pra "chef", quando finalmente minha tia se virou pra mim e perguntou: "E então, querida, tá cozinhando em casa?" e eu, ingenuamente disse que ele poderia responder melhor do que eu, o miserável solta essa: "Nossa, Dona Fafa, ela esquenta uma lasanha da Sadia no microondas como ninguém! E a pipoca, então? Ô, beleza!"

***Pausa pra dar um piti só de lembrar da cena. Eu maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaato!!!!***

Depois, quando eu jurei pra ele que a partir de agora ele ia passar a bolacha cream cracker e água, ainda fez a maior cara de inocente do mundo e disse: "Ué, o que eu fiz?"

EU POSSO COM ISSO??????????

Está de castigo. Nem miojo eu faço mais pra ele, palavra de honra. E sorte dele que não tenho mais firmeza pra fazer greves de outras naturezas. Humpf.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Bronqueie, se puder

Alguém aí já tentou passar bronca num namorado sem vergonha? Daqueles que faz cara do gatinho do Shrek e te deixa toda desconsertada no meio do caminho a ponto até de esquecer o que tava falando?? Pois eu descobri que tenho um exemplar dessa raça maldita dentro de casa.

Ontem, o safadinho entrou em casa esbaforido depois do trabalho. Tirou a camisa, me deu um beijo, lavou as mãos e foi passear na cozinha, daquele jeitinho que diz "to morto de fome".

- Ta com fome?
- Eu to, Morena! Morto!
- Ok, eu arrumo algo pra você comer. Mas quero dizer uma coisa muito séria pro senhor antes.

Coloquei a mão na cintura, muito severa. Ele fez aqueeeela carinha de inocente.

- Que foi, Morena?

Como se não bastasse a cara de filhote de cachorro, a voz cheia de dengo.

- Quero dizer que o senhor colocou a máquina de pão no chão...

(ele veio andando no meu rumo com aqueeeela cara)

- ...com a tampa suja de massa e ali, meu amor, ela não vai se limpar sozinha...

(e ele vindo)

- ...e se eu não pegasse e limpasse ela ia ficar lá, né?

- Ô, Morena, perdão...eu to tão arrependido... (digno de Oscar, só faltou bater os dedinhos um no outro) ...imagine se eu ia querer aborrecer a minha morena...eu só quis liberar espaço na pia, meu amor, a máquina estava atrapalhando você e...

Eu caí na gargalhada. Ele deu um sorrisinho safado antes de me estalar um beijo.

- Confessa, isso é estratégia, não é?

E com a cara mais lambida do mundo:

- A gente faz o que pode, né??

terça-feira, setembro 02, 2008

Constatação II - a missão

"Ex" boa, é "ex" morta.

domingo, agosto 31, 2008

Romantismo

Um casal recostado na cama, no domingo, conversando tranquilamente.
- A decoração da festa de ontem estava linda, né?
- É.
- Sabe, amor, eu tava pensando...
- Hum.
- Vou comprar um daqueles candelabros...
- Candelabros?
- É. Cheio de velinhas pequenininhas...
- Sei...e vai colocar isso aonde?
- Ali em cima da mesinha, ué. Imagina só...Todas as luzes apagadas, as velinhas acesas...umas músicas bem românticas tocando...
- Num é muita vela acesa, não?
- Concentra, amor!
- Tá, tá. Desculpa. As músicas românticas...e aí?
- Então...a música, uma venda, amarras...
- Amarras??
- É, oras...e óleo pra fazer massagem...
- Peraí, um pouquinho. Deixa ver se eu entendi: um monte de velas queimando enquanto eu to AMARRADO E VENDADO, é isso?? E ainda besuntado de óleo??? Cê ta me achando com cara de leitão à pururuca?????
- ...
¬¬
Eu mereço.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Rapidinha

Ok, então eu casei.

Calma, não é pra tanto. Respira no saco, vai. Um, dois. Pronto... Então, casei. Embora haja uns efeitos suspensivos e condições inerentes ao contrato intensamente discutido- piada interna mode on - e eu suspeite que a minha vida nunca vai ser muito convencional e certinha, ainda mais tendo em vista a minha cara metade politicamente incorreta até o último fio de cabelo.

Outro dia, estava eu colocando em prática meus dotes culinários, enquanto meu consorte planejava uma aula de Direito Islâmico. De repente, ele começou:

- Caaaaralho, vou virar mulçumano!

- HEIN?

- O mulçumano pode ter quantas mulheres ele quiser!! Ora, Mohammed, o profeta, podia ter quantas esposas ele quisesse e aguentasse! Se Mohammed pode, eu também posso!

- Ah, sei...

- E olha que legal... - ele ia lendo os trechos - a mulher deve ser obediente, deve andar coberta, deve ficar sempre em casa e nunca sair sem a companhia do marido, deve cuidar da casa e servir o marido, que deve sustentá-la...

- Ué, por mim tá ótimo...eu páro HOJE de estudar pro concurso, coloco meu burro na sombra e fico só cuidando das suas coisas...tem algum botão aí pra pregar?

Ele continuava lendo e continuou:

- Ihh, mas eu não quero mais ter muitas mulheres não...aqui diz que eu tenho que sustentar TODAS igualmente! Aí eu vou à bancarrota!

Não aguentei, caí na gargalhada.

- Dou o maior apoio. Sustente só a mim e tá bom demais.

- Epa, achei a solução! Se não puder sustentar duas ou mais esposas igualmente, o mulçumano pode ter UMA esposa e tomar para si quantas ESCRAVAS ele quiser! Pra essas só precisa prover a alimentação!

- Aaaahhh, sei...perfeito, né? E o seu seguro de saúde cobre esse tipo de acidente que você está querendo sofrer?? - com a colher de pau na mão.

- Mas meu amor... eu só ia amar você, olha que beleza!

A cara mais cínica do mundo. Eu mereço. Minha mãe já dizia: olha aonde eu vim amarrar o meu burro.

Fazendo côro com o Hitler

Ok, eu juro que atualizo o blog ainda essa semana e não pretendo me eximir das minhas responsabilidades com um videozinho mixuruca à guiza de post. Não, eu tenho dignidade e vergonha na cara. Mas enquanto não sai o post, o vídeo é bom pra caralho e vale a pena.

terça-feira, julho 15, 2008

Tempo de Crescer

Acredite se quiser, eu comecei esse post escrevendo a letra de "Vinte e Poucos Anos" do Fábio Jr. É mole ou quer mais? Mas nem foi por causa do "mimimi, quero saber mais do que meus vinte e poucos anos", não. Quando essa maldita tela branca olhou pra mim, eu comecei a pensar em tudo que tem acontecido nos últimos dias - que tem me impedido de atualizar o blog condignamente - e acabei na frase "tempo de crescer". Pronto, já viu, né? Pruma criatura que pensa no dedo do E.T. aceso quando mandam "imaginar uma luz", era inevitável associar a frase imediatamente com trilha sonora, não importa que seja velha e brega.

No último mês muita coisa aconteceu. Eu pedi demissão, meti o pé na estrada, procurei emprego no jornal, cogitei entre vestibular, especialização e mestrado, trabalhei numa campanha política, fiz entrevistas, estudei pra caramba e to me preparando pra mudanças bruscas na minha vida.

Emocionalmente, nunca estive mais feliz.
Financeiramente, já estive mais quebrada.
Profissionalmente, estou na expectativa.

As coisas têm caminhado, parece que vão finalmente pra algum lugar. Talvez seja o famigerado "primeiro passo" rompendo a inércia e coisa e tal. Não sei. Sei que tenho esperança, muita. E muita vontade de batalhar. Menino, to numa gana! Uma vontade de me colocar à prova, de meter a cara, sabe? Uma coisa que nem Leônidas na beira do penhasco gritando "Spartans! Tonight, we dine in heeeeeeeell!!!!!" E eles respondem com um brado de guerra, uma explosão de coragem, de fúria, de determinação. É meio assim que eu to me sentindo. Aliás, se estivesse podendo, ia até vestir uma roupa de Valkíria estilo "Charmed". Mas, como não é o caso, só posso pedir que acreditem na declaração solene de que o meu espírito está deveras guerreiro. Se bem que, considerando os lugares por onde eu tenho andado e as pessoas com que tenho convivido, receio que não me manterei nerd sedentária pura e intocada mais por muito tempo.

Pra vocês terem uma idéia da gravidade da coisa, sábado retrasado eu fui "dar apoio" prum atleta no Brasília Multi Sport. Minhas senhoras e meus senhores, aquilo não é coisa de Deus. E você aí, incauto que vê o mundo cor de rosa e pensa "ué, que mal tem dar um apoio pro cara? todo mundo precisa de apoio moral", não sei nem começar a te dizer O QUANTO você está enganado. Dar apoio, saibam vocês, pessoas que não "fazem pedal", nem trilha, nem corrida no mato ou no asfalto, ou remam no lago e corredeiras abaixo, é algo muuuuuuuuuuito mais complexo. Trata-se de acordar às cinco horas da manhã num frio do cacete, ir pro meio de um monte de gente revoltantemente malhada, queimada de sol e animadinha a uma hora obscena daquelas. Dada a largada, os atletas saem correndo feito doidos e você vai pra próxima parada da prova, onde tem mais uma porrada de gente malhadinha, queimada de sol, revoltantemente animadinha e que falam uma língua específica da tribo deles. Aí, depois de duas horas na beira de um lago esperando os coitados chegarem remando, você pega um caiaque imenso, amarra no carro e leva pro próximo ponto da prova, pra onde os atletas estão indo de bicicleta. Chegando lá, você coloca o caiaque de volta na água, dessa vez pro cara descer a corredeira. Aí pega a bicicleta, amarra no carro e leva pro próximo ponto da prova, onde você fica horas esperando o coitado chegar correndo do meio do mato, pra pegar a bicicleta de novo e pedalar de volta pro local da largada. Tem mais alguém aí disposto a defender o "apoio moral"?

Ok, eu estava na melhor companhia do mundo, com quem eu poderia ir até pro inferno, achando bom e dançando rumba. Mas que cansa, cansa. E dá uma sensação muito ruim ver todas aquelas mulherzinhas bronzeadas de pernas torneadas em shortinhos curtinhos e sentir na pele que você não é assim. Por outro lado, dá uma sensação muito boa ver que o cara que você gosta é capaz de ajudar não só os amigos dele, como também gente que ele não conhece, com a mesma simplicidade, com o mesmo sorriso. (...)

É, no balanço das coisas, acho que eu tenho tido mais sensações boas que ruins. Ou, se não, pelo menos eu só to conseguindo me lembrar das boas, agora. Será que crescer também significa fazer menos drama? (pensa)

Acho que não. Rá.

segunda-feira, junho 30, 2008

Fragmentos de Alcova

Recebi essa mensagem partida em fragmentos no dia 18 de março desse ano, escrita pelo homem mais incrível que eu conheço.

Lista de Exigências

Um beijo, um cheiro
uma lambida,
uma mordida,
uma assoprada,
um olhar, um sorriso
e uma piscada de olho.
Um pensamento lascivo
uma oração, uma bênção.
Um dia, uma noite, uma hora.
Um copo d'água,
uma gota no seu corpo,
seu gosto em minha boca.
Meu corpo cansado...
Um olhar de quero mais,
um pedido velado,
um gosto explícito,
um lugar sem sol.
Uma cama grande,
uma tarde chuvosa,
roupas íntimas sem fechos,
sutians sem botões,
vestidos amassados no chão.
Seu olhar me chamando pro quarto.
Acho que com isso, eu passo o feriado em paz.

quarta-feira, junho 25, 2008

AHAHAHAHAHA...



Life is Short
When it doesn't rain it snores
Yeah the cookie crumbles but in who's hand?
All things said and all things done
Life is short

Oh I am young but have aged
Waited long to seize the day
All things said and plenty done...life is short

Ooooh could this be....
Ooooh could this be the day I've waited for?

Another door to peek in through
The floor is filthy
But the couch is clean
At the end of the day
That's another day gone
Life is short....Ooo life is short

Ooooh Could this be....
Ooooh Could the be the day I've waited for?
Oh I am young but I have aged
Waited long to seize the day
All things said and plently done
Oh I am young but I have a past
Travelled for to find the start
Yes I am scared and I've been burnt
But life is to short

Ooooh Could this be...
Ooooh Could this be the day I've waited for?

quinta-feira, junho 19, 2008

Tempo

Ok, eu preciso atualizar o blog.

Mas sabe quando a sua cabeça está invadida demais pelas coisas dos outros e dos problemas dos outros, a ponto de você não ter mais paz nem pra lembrar de comprar absorvente, quanto mais pra contar histórias e ser espirituosa?

Pois é.

Me dá um tempinho pra me livrar dos grilhões e me desintoxicar. Vou ali e volto já.

quinta-feira, junho 12, 2008

Update

E o que eu queria dizer pro meu namorado hoje é:



You Raise Me Up
Josh Groban

When I am down and, oh my soul, so weary;
When troubles come and my heart burdened be;
Then, I am still and wait here in the silence,
Until you come and sit awhile with me.

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

There is no life - no life without its hunger;
Each restless heart beats so imperfectly;
But when you come and I am filled with wonder,
Sometimes, I think I glimpse eternity.

Dia dos Namorados. Mimimimi.

Saudade é uma palavra que, até onde eu sei, não tem correspondente em outro idioma. No máximo um "miss you", mas nunca saudade. Todo mundo já sentiu ou sente essa coisa que nos acostumamos a chamar de saudade. E tanta gente já falou sobre saudade em tantos textos, de tantos jeitos, que eu percebi ontem que o tema ficou banalizado. Mais até que isso, existe uma tendência a se subestimar essa coisa que chamamos de saudade, a ponto de dizermos que temos saudade de qualquer coisa e chegarmos à conclusão que, apesar disso, conseguimos viver muito bem sem aquela coisa de que temos saudade.

Então eu acho que deveria haver uma gradação pra palavra saudade. Que nem pra palavra amor. Ama-se de tantos jeitos possíveis! Um amigo, um irmão, um filho, um companheiro, uma história, um animal, um sabor. Amamos tudo isso e de diversos jeitos diferentes. Daí eu só posso concluir que também sentimos saudade de muitos e muitos jeitos e que esses jeitos devem ser diferenciados, reconhecidos, justiçados.

Eu tenho saudade da menina que um dia fui. Tenho saudade de alguns amigos que se perderam no meu caminho, de algumas situações que já vivi, de gente que não vejo há muito tempo, de sentimentos que um dia tive. Mas isso é apenas saudade. Do tipo convencional, aquele apertozinho láááá no fundo quando pensamos em algumas coisas. Mas um apertozinho com o qual podemos conviver e do qual muitas vezes nem tomamos conhecimento.

Mas tem um outro tipo de saudade e esse sim merece justiça. Aliás, mereceria um outro nome até, para ser realmente diferenciado. É aquele tipo de sentimento que dói. Dói a ponto de se sentir dor física. A ponto de não se conseguir respirar às vezes, a ponto do mundo inteiro rodar e ficar escuro, a ponto de sentir frio, por fora e por dentro. É uma falta absurda. Que dilacera, que desorienta. Que deixa a gente infeliz.

Sabe, às vezes temos total consciência de algumas coisas. Racionalmente. E aí fazemos listas de prioridades e tentamos nos convencer de conveniências e necessidades. E tentamos, de verdade, todo dia, a todo momento, ignorar o grito surdo que brota de cada inspiração, de cada piscar de olhos, de cada gesto. Tentamos tocar a vida. Mas às vezes acordamos no meio da noite com a certeza de que aquilo é impossível e que não dá mais pra fazer de conta que não dói, simplesmente não conseguimos lidar com aquilo de um jeito "racional" e "razoável".

E nessas horas, por mais que não dê pra apagar a tristeza dos olhos, tentamos sorrir e fazer de conta que estamos bem. E quando nos perguntam o que temos, respondemos modestamente: "ah, é saudade", daquele jeito prosaico. E temos vontade de morrer em seguida, porque calamos mais uma vez o que tinha que ser dito.

sábado, junho 07, 2008

Verborragia

Tem tanta coisa que eu queria dizer aqui, agora. Um monte de coisas que não deveriam ser misturadas no mesmo post, porque não têm nada a ver uma com a outra. Mas ao mesmo tempo em que eu reconheço isso, a minha cabeça está cheia, transbordando e girando vertiginosamente, misturando pedaços de diálogos, mesclando lágrimas com sorrisos e emendando uma história na outra. Me ocorre tanta bobagem pra dizer e tanta coisa séria! Tenho vontade de contar sobre a merda que foi essa semana, sobre como me doeu algumas injustiças e disparates que me aconteceram, o quanto me indignou certos desmandos, o quanto estou no limite com algumas situações, o quanto é questão de tempo pra eu gritar um sonoro FODA-SE, mandar todo mundo tomar no cu e sair batendo a porta. Tenho vontade também de contar sobre o aniversário na terça feira, o mais triste e solitário que eu já passei e seria o pior de todos não fosse a existência do Fabrício na minha vida. E falando no Fabrício me dá vontade de contar que ele é o cara mais foda do mundo, de dizer que me sinto privilegiada por conhecê-lo e mostrar o presente que eu ganhei. Dá vontade de contar que ontem eu conheci uma menininha no aeroporto que parecia um gnominho em miniatura, que ela não falava coisa com coisa, só pronunciava algumas palavras inteligivelmente (neném, avião, mamãe), e no mais ela grunhia que nem uma matraquinha e juraaaaava que eu tava entendendo tudo. Aí eu fazia de conta que entendia e toquei o terror com ela, faltei correr com ela na sala de embarque. A Luisinha. Me dá vontade de contar que se um dia eu tiver alguma, queria que fosse que nem ela. Danadinha, voluntariosa, simpática, linda e risonha. Acho que a mãe dela teve até medo que eu catasse a menina e saísse correndo. Tenho vontade de contar da saudade que eu to das minhas amigas mais queridas. Dehynha, Dri, Nayra, Gabi, Lilhá... E também das amigas queridas que eu não conheço pessoalmente ainda, que nem a Rocca e a Jo e que me fazem uma falta danada. Ainda mais que a Jo ta montando um grupo de RPG e eu não vou poder participar! aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, saco! Dá vontade de contar que eu to ficando mestre numa modalidade de esporte chamada "Cooper de Aeroporto" e que to pensando em organizar uma equipe fixa pra correr por Congonhas, nunca vi pista mais longa, mais cheia de obstáculos e cheia de possibilidades de trajetos. Dá vontade de contar que a GOL é a empresa aérea mais estúpida, desorganizada e mal qualificada que existe e que de repente me acontece algo que nunca aconteceu: toda vez que o avião sobe eu peço a Deus que ele não caia, porque eu ainda tenho muito que fazer, não posso morrer como uma advogadinha anônima e maltratada que não conquistou nada e não posso me conformar ainda que a última vez que eu segurei na mão do Fabrício tenha sido a última vez. Também não posso morrer sem bater o recorde de blogs criados do Júlio. Eu to ainda tô no nono, preciso de tempo pra chegar no vigésimo! Também não posso morrer sem tomar uma Devassa com a Nayra no Leblon, não posso morrer sem ver a sem vergonha da Carla de novo, não posso morrer sem levar a Dehynha pra fotografar cachoeiras na puta que pariu, nem sem ir com a Dri pra Europa. Também não posso morrer sem publicar meu livro. E não posso morrer com o coração cheio de buracos como está hoje. Mas sabe, eu to feliz. Hoje, aqui, sentada nesse apartamento, olhando pra minha vida, pros recados de aniversário que me deixaram no orkut, pensando nos meus amigos, sentindo o ventinho frio entrando pela porta da sacada aberta, sabendo que daqui a pouco a chave vai rodar na fechadura e sentindo que o dia vai ser muito, muito bom. Capaz até de compensar a semana e toda a saudade e todo o vilipêndio. Acho que vou fazer um café. E ligar pra minha mãe.

terça-feira, junho 03, 2008

Will I Ever Make It Home?

I woke up from my sleep to the sound of that voice
From the words that I heard I had no choice
They told me I had to turn around
My assurance slowly faded down
And I wonder

Will I ever make it home
Will I ever leave the ground
Leave this place so far behind

The plans that I had were quickly destroyed
The problem was one I couldn't avoid
They welcomed me to stay overnight
I'm too tired to complain so i just might
And I wonder

Will I ever make it home
To the place I recognize
Far from here and where I've been
And all the places that I've been shown
Will I ever make it home
Can they keep me here for good
Where I hardly know a soul
And my fear keeps going on

My weariness keeps growing inside
My patience is starting to subside
And I hope I'll be there soon
It can't be long or I'll fall through

Will I ever make it home
Will I ever leave the ground
Leave this place so far behind
Till there is no turning back
Will I ever make it home
Get to where I wanna be
Find the ones who wait for me
To the place where I belong
Will I ever make it home

Aviso aos navegantes

Aniversário é só um dia.
E não necessariamente um dia bom.
Mas agradeço a lembrança e os cumprimentos. Mesmo.

Abraços.

segunda-feira, junho 02, 2008

Contos da Carochinha Bêbada

Tudo começou com uma brincadeira. Sabe criança, quando diz: PORQUE SIM e toda a lógica que ela precisa no mundo está ali? Foi mais ou menos isso. O Fabrício me mandou um email, não lembro sobre o que agora, com uma lista enoooooorme de argumentos pra me convencer sei lá do que. No auge da empáfia que me é peculiar, respondi a ele dizendo que na Liviolândia, onde eu era Soberana Absoluta, as coisas não funcionavam daquele jeito não, e que ele podia tirar o cavalinho da chuva. Putz, pra que eu fui fazer isso? Ele me mandou um email maior ainda, execrando os déspotas esclarecidos, clamando por Justiça e falando mal da Liviolândia. Ê, mas aí eu parti pra ignorância. Onde já se viu falar mal da Liviolândia? E da Soberana Absoluta de lá??? Impensável!

(pausa pra risadas)

Bom, tirando a maluquice toda, o que sobra é o seguinte: ele me propôs um desafio. Eu aceitei. E de quebra ainda enfiei a Dehynha e o Eric no meio. E pretendo enfiar mais gente. O fato é que a brincadeira está lançada e promete ser divertidíssima. Criamos o CONTOS DA CAROCHINHA BÊBADA exclusivamente pra contar histórias tortas, mancas e caolhas. E, claro, pro mundo inteiro saber das pirações que acontecem em Liviolândia. Seja lá onde essa porra for.