domingo, março 30, 2008
Tormenta
A tempestade começou na sexta feira à tardinha, antes mesmo do comércio baixar as portas. No início era apenas garoa mansa que foi cobrindo cada superfície exposta com gotículas de água gelada. No céu, viam-se nuvens cinzentas e opressivas, como se fossem uma preocupação instalada. Daquelas que latejam o dia inteiro no sombrolho franzido, que não são urgentes, mas que não desaparecem enquanto o problema não é solucionado. No máximo dão uma ou outra trégua.
Quando as piores tomentas se aproximam, pensa-se que o tempo não pode ficar pior do que aquele ar abafado comprimido sob o céu cinza-preocupação-instalada e aguçado pela brisa enregelante-de-arrepiar-a-espinha. Mas fica. A mudança acontece de um jeito lento, como caminhar dentro d'água, como a solução pra preocupação-instalada-opressiva apontando no horizonte, feito nuvem de poeira que os olhos céticos bombardeiam racional e metodicamente pra garantir que não se trata de miragem. E quando concluem que é real, a tormenta é iminente, e mal há tempo pra correr. Foi o que aconteceu daquela vez.
A água, precedida pelo vento, veio qual se fosse despejada sobre o solo para lavar alguma sujeira pegajosa ou matar afogado quem ou o que se encontrasse no caminho e não fosse rápido o suficiente na fuga. Certamente carregou com ela alguns pobres seres incautos, faça-se por eles um minuto de silêncio respeitoso-que-deus-os-tenha. Mas celebre-se, com igual deferência e ainda maior comoção, a notável força renovadora contida na enchente e na tempestade, que passam arrastando os cacos inúteis do passado e instilando vida às terras áridas como se jorrassem com poder curativo sobre feridas purulentas e mal cicatrizadas incrustadas no solo.
Açoitadas pela chuva e pelo vento, as noites foram árduas. Luzes cortavam o céu e estrondos reboavam incessantes, assustando até os mais destemidos e interrompendo o sono dos inocentes, que acordaram sobressaltados e fitaram o teto vazio por muito tempo, incapazes de conciliar novamente o sono, aterrados com os raios e com o furor da chuva.
Os dias, por sua vez, foram os mais longos possíveis. As crianças presas em casa, os cachorros amuados sob as camas, a antena da televisão produzindo apenas estática, os telefones mudos. Os pensamentos perderam-se entre rezas pra que o telhado aguentasse e a água não invadisse a sala, e a inquietação sobre a sorte daquele ente querido que a chuva surpreendera lá fora e ainda não tinha dado notícias.
Pensou-se que a chuva não pararia mais e que estava tudo perdido.
"Oh, senhor, não nos abandoneis neste momento!" - foi a litania repetida, incansavelmente.
E então, no terceiro dia, a chuva finalmente cessou. A ausência do ressoar dos pingos no telhado e a visão dos tímidos raios de sol que surgiam aquecendo e carregando consigo um facho de esperança causou emoção incontida. A casa tinha resistido, o filho estava a salvo, o sofá permanecia intocado pela água e até o lençol branco jazia no quintal, enxovalhado, mas nada que sabão e sol na dose certa não resolvessem. Até mesmo aquele exilado do outro lado da poça tinha dado notícias. Tinha passado as noites em claro, estava abatido e faminto, mas vivo e são.
E o sol, depois de se insinuar delicado por algumas horas, criou coragem e tomou tudo, se espalhando radiante sobre todas as coisas e em todas as frestas, como se comemorasse a chance de fazer o novo viscejar no lugar dos escombros que haviam sido arrastados pra longe. O calor reluzente em contato com a água empoçada, tornou o ar úmido e quente, daqueles que envolvem, fazem suar o couro cabeludo e os olhos embaçarem.
Neste momento, uma menina de tranças escuras está sentada ali adiante sob o sol, sorrindo enquanto contempla as nuvens que dançam balé, ora em forma de tigre, ora de dragão. E, embora ela saiba que a garoa deve voltar nos próximos dias, ouviu a previsão do tempo dizer: o próximo final de semana será quente e ensolarado. E essa certeza é suficiente pra deixá-la feliz.
sexta-feira, março 28, 2008
Lívia's Anatomy
Meu, eu trabalho desde os dezessete anos. Já fui vendedora de cosméticos, de roupas, de lingerie, já fui Oficial de Justiça, já fui estagiária, agora sou advogada. E quem me conhece e me lê há mais tempo, sabe que a minha peleja com o Direito é longa e que nunca achei que iria abraçar a coisa como de fato fiz.
Na verdade, eu já tinha desistido dessa coisa, quando me chamaram pra fazer entrevista nesse escritório. Fui aprovada, meti a cara e acabei descobrindo que eu sou boa nisso. Muito boa, aliás. Então as coisas têm caminhado muito bem, eu realmente gosto do trabalho e do pessoal daqui.
O complicado é que este não é um trabalho regular. Tem hora pra entrar, mas nunca pra sair. Não tem fim de semana - se o prazo vence na segunda, nega, o jeito é sair na sexta feira carregando trabalho pra fazer em casa sábado e domingo. Não tem sequer noite de sono tranquila. Cara, é sério. Quando eu era vendedora na Levi's, eu podia sair do Shopping pregada à noite de tanto ficar em pé, sorrir falso pra cliente e gastar meu latim à toa, mas pelo menos, não era um trabalho que absorvia o resto das minhas horas. Eu só lembrava dele durante as horas que eu ficava na loja. Aqui é oooutra história.
Dia desses eu sonhei que uma cliente daqui do escritório me ligava no meio da noite pra me perguntar quando é que a ação dela ia ser ajuizada. Outra vez acordei de madrugada dando um pulo na cama, tinha achado um argumento genial pra usar num processo. Depois, me peguei ligando pra estagiária tarde da noite pra lembrar uma coisa importante. Ou seja: não dá pra desligar, o cérebro roda nesse canal aqui o dia inteiro e às vezes até a noite inteira.
Claro, ainda não cheguei no ponto de ficar chata, mal humorada e imprestável assim que saio do trabalho. Afinal, isso equivale a morrer, porque significa abrir mão do resto da vida e se definir apenas pelo trabalho. Não, nem morta, santa. O dia todo eu dou um jeito de fazer o povo aqui rir (tanto que às vezes acho que eles desconfiam da minha sanidade. Ou acham que eu sou besta mesmo), tenho saído com os meus amigos, minha vida amorosa vai muito bem "e tals" (e dá-lhe piada interna!).
Enfim, eu to cansada. Hoje, só hoje, em particular hoje, eu to muito, muito cansada. Muita correria, muita pressão, muito raciocínio. E uma saudade que dói o dia inteiro sem parar, por mais que eu a ignore, ou a console dizendo que já vai passar. Tô no limite. Hoje. Amanhã eu tenho certeza que melhora. Aliás, eu tenho certeza que depois das 18:00 horas de hoje vai melhorar. Ainda mais que acabaram de me chamar pra tomar tequila hoje à noite.
Será que Meredith Grey ensinou, em algum momento, como curar esse tipo de ressaca?
*interfona e pergunta pra estagiária*
quinta-feira, março 27, 2008
Presença
domingo, março 23, 2008
O cara
Um sujeito que combina canalhice e sensibilidade em altas doses e consegue ser absurdamente transparente mesmo quando ostenta um sorriso cínico. Que não resiste a um desafio e se rasga de curiosidade com pequenas provocações. Que tem um bom humor fantástico e é mestre em rir de si mesmo. Que é racional, deliberado e metódico, o que não impede que seja impulsivo, passional e autêntico. Que liga no meio da tarde pra gritar comigo, docemente furioso.

Um homem que seduz e se deixa ser seduzido. Que é franco, divertido, companheiro. Que não é taxativo ou prepotente. Que só demonstra empáfia pra ser derrubada sob uma chuva de boas réplicas. Que sabe ser bobo como ninguém. Que tem a inteligência mais aguda que eu já conheci. Que é determinado e paciente. Que desperta orgulho e admiração. Que me faz querer ser melhor e realizar um monte de coisas.
Conheci um homem que se dedica, que não tem meios termos, que se entrega e se abre pra eu entrar. Um homem que baniu uma sombra e me mostrou que pouco não é pra mim. Que me fez rir de novo.
Um cara que foge à regra, que não gosta do comum. Que estimula, enriquece, emociona. Que inspira e fez com que eu conseguisse criar personagens de novo. Que aconchega e tem o melhor colo do mundo. Que é capaz de fazer rir enquanto as lágrimas correm. Que disse agora há pouco que vai me denunciar na delegacia de mulheres por maus tratos, porque não tenho deixado ele dormir.
Um homem que eu amo. E que, mesmo que não dê nada certo entre nós, já fez por mim a coisa mais importante que ele poderia ter feito: me devolveu a esperança e me mostrou que existe muito ainda pra eu viver, mesmo que o meu coração tenha se estilhaçado no passado.
Conheci um homem. A quem só tenho a agradecer.
quinta-feira, março 20, 2008
Câmbio e desligo
To indo amanhã cedinho pro meio do mato. Incomunicável.
Sem telefone.
Sem televisão.
Sem internet.
E sem certeza nenhuma.
Em tempo: tenho certeza sim.
E eu também vou sentir saudades.
quarta-feira, março 19, 2008
Alguém joga uma corda??
Numa tabela de prioridades eu preciso considerar o que é mais ímpar, mais precioso, mais importante. E, segundo a minha estagiária, parar de me desesperar com a segunda feira, se o fim de semana (prolongado) nem chegou ainda.
Conseqüências. Decisões. Medos.
Sofreguidão. Ânsia. Agonia.
Porcaria. De santa essa porra dessa semana não tem NADA!!!!!
terça-feira, março 18, 2008
More Than a Feeling
Quando alguém escreve um roteiro - ao menos todos os cinco que eu já comecei são assim - pensa cuidadosamente na apresentação dos personagens e no que eles vão dizer. Cada fala é pensada muitas vezes, de um jeito que, ao final, a história está cheia de gente brilhante, espirituosa, cativante, trágica, densa, marcante. Até parece que as pessoas são mesmo assim.
Ali, na atmosfera da história, é perfeito. Mesmo nos momentos mais dramáticos, em que tudo caminha pra dar errado, o mocinho sempre cai em si e volta atrás a tempo. Richard Gere encostando a limusine e subindo pela escada de incêndio da Julia Roberts com ramalhete de flores. Meg Ryan e Tom Hanks se encontrando no alto do Empire States. Adam Sandler tendo a paciência de conquistar a Drew Barrymore desmemoriada todo santo dia.
Tanta coisa bonitinha, bem arrumadinha, que faz a gente dizer "óun..." quando assiste. Mas basta subirem os créditos, tocar a música final e pronto, acabou a viagem. O papel das duas horas de filme foi cumprido: entretenimento. E a gente perdoa as pieguices, a forçada de barra neste e naquele ponto, o diálogo inverossímil nalgum ponto, o final malfeito. Não, retiro o que eu disse. Final malfeito a gente não perdoa não, que o digam Cameron Diaz, Jude Law, Kate Winslet e Jack Black, porque eu joguei tanta praga neles depois daquela porra de "O Amor não Tira Férias", que pelo menos um tratamentozinho de canal ou uma queda acentuada de cabelo aquela turma deve ter sofrido.
Mas voltando. A gente perdoa o que rolou no filme que não foi muito legal, se o conjunto convence. Eu só fico pensando é: e quando isso acontece fora da tela?
Você conhece alguém que tem as falas certas na hora certa? Do tipo que você jura que vai começar a tocar trilha sonora enquanto vocês andam pela rua conversando de alguma coisa adoravelmente prosaica? Que faz você olhar em volta de vez em quando pra conferir se o Sérgio Malandro ou a Sabrina Sato não estão te seguindo, prontos pra anunciar a pegadinha?
É, isso existe. E acredite, é muito legal. Só que me surpreendi pensando: em que ponto do filme estamos agora? Será que eu aperto o pause agora pra não correr o risco de acabar enquanto eu vou ali estourar a pipoca? Será que tem continuação ad eternum que nem o Jaws do Spielberg ou pelo menos é uma trilogiazinha a la Lord of The Rings? Será que eu acho o DVD pra comprar?
E, o mais importante: será que o enredo convence no final, mesmo com as bolas-fora?
Ok, ok, eu mesma fiz um post ali embaixo sobre querer coisas possíveis. Mas o que tem de absurdo em preferir Maggie Gyllenhaal e James Spader em vez de Brittany Murphy e Ashton Kutcher?
Ah, me dá uma folga. E deixa o meu tema ser "More Than a Feeling", vai. Eu mereço.
segunda-feira, março 17, 2008
Pagando dívidas
Abrir na página 161 do livro mais próximo de você, e copiar a quinta frase.
"Foi o que Shadow fez" (livro "Deuses Americanos" do Neil Gaiman - que, a propósito, está esgotado pra todo lado que eu tento comprar. MERDA!)
Repasso para: nobody, people. Sou definitivamente uma pessoa magnânima. (isso sem falar que eu era a única loser que ninguém tinha indicado pra essa corrente ainda!...rs)
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Eric, agora nóis. Depois que você fez um post sobre um dinossauro de salgadinhos com cheiro de chulé, eu confesso que fiquei meio encabulada. Tipo, e se o meu dinossauro não feder? Serve? E se em vez de chulé ele feder formol que nem uns dinossauros do estilo da Dercy Gonçalves e do Sílvio Santos? Será que vale? Puxa vida, esse povo só me mete em encrenca.
Confesso que, a princípio, pensei em dizer que o meu dinossauro preferido era o Roy Hess, o melhor amigo do Dino (da Silva Sauro, capici?).
Roy Hess
Saca só. O cara era pobre, morava sozinho, namorava uma mulher pescoçuda (lembra da Mônica, a "separada" vizinha da Fran?) que era muita areia pro caminhãozinho dele, era derrubador de árvores, não tinha vida própria e ficava parasitando justo a do Dino que era um merda de camisa xadrez, tinha os bracinhos mais curtos que já se viu e nem punheta podia bater...E AINDA ASSIM ERA O CARA MAIS FELIZ DE TODOS OS TEMPOS! Um fulano que dizia bom dia efusivamente, mimava os filhos do amigo, babava pela namorada, era gentil e delicado com todo mundo e nem do Hitchfield, o chefe homicida, ele falava mal! Não é um fenômeno???
Mas aí eu resolvi que seria uma resposta muito poliana pro meu gosto. E me ocorreu a verdadeira eleita dessa corrente seríssima.
Uma mulher que dá duro, pega no pesado, faz parte da cultura pop brasileira, é um ícone da indústria fonográfica e do cinema nacional, é uma coroa (gasp) enxuta, que faz de tudo pra se manter na mídia, até protagonizar uma cena batizada pela Gabi de "penheta". Senhoras e senhores, meu dinossauro preferido é A GRETCHEN!
Se você ainda não viu o filme pornô-romântico-erótico-educativo que ela lançou no final de 2006...não veja. Se já ficou ileso até agora, umas risadas NÃO VALEM o trauma, vai por mim. É o tipo do filme que só dá pra assistir numa sala cheia de membros da Blogagi, porque as piadas neutralizam um pouco o sofrimento.
Ficadica.
sábado, março 15, 2008
Reconsideração
Depois do meu último post, recebi um torpedo discordando da minha constatação e dizendo que as razões de inconformidade seriam protocoladas no prazo legal. Ok, você não entendeu nada? Normal. Ultimamente o que me faz rir se divide em duas coisas: piadas internas interníssimas e humor de advogado.
Certo, eu devo ter batido a cabeça.
Ainda assim, reformularei a minha última declaração, dando provimento parcial ao recurso de apelação. Eu não sou idiota. EU ESTOU. Idiota, encantada, deliciada.
Engraçado. Num momento assim me ocorrem tantas considerações. Sobre como eu odeio ser relegada a segundo plano. Sobre como as pessoas dão quase nada de si e esperam satisfazer assim mesmo. Sobre como abrir a porta quando batem nela pode fazer a diferença. Sobre como o conceito de certo e errado parece mutável e secundário em alguns momentos. Sobre como o que mais queremos surge dos lugares mais improváveis.
Ah, caramba. Que sopre a tempestade.
quarta-feira, março 12, 2008
Memes
O motivo deste post é dizer: senhores, devo, não nego, pago quando puder!!!
Não, mentira, pago hoje ainda, mais tarde, quando voltar pra casa, ok? O dia tá punk aqui no escritório, não dá tempo de nada.
Ah, e por falar em dívidas: Lilhoca, sua camiseta está saindo da prensa, ok? Não me execute!!!
Beijo na bunda, pessoas!!
sexta-feira, março 07, 2008
Análise de Curriculo
Ouvindo o dueto final, eu fico pensando... a coisa não é fácil mesmo, né? A gente quer muita coisa mesmo. As exigências da garota na análise de currículo do feioso são interessantes, pra dizer o mínimo. Ok, ok, o cara é a fera. Se é feio que nem o cão (nem é, já vi piores) precisa compensar de alguma forma. Eu até entendo esse raciocínio, mas as coisas que ela diz estão meio fora da realidade:
Você vai me elevar (ou animar)? Me ajudar a descer (ou me animar quando eu estiver pra baixo)? Me tirar dessa cidade esquecida de Deus? (opa, isso é perseguição, né?) Vai me aquecer (ou fazer as coisas um pouco menos frias)? Vai suprir cada fantasia que eu tiver? (HEIN?? Isso é coisa que se peça?) Apagaria meu fogo com água benta (tá bom, vampira) se eu ficasse quente demais? Me levaria a lugares que eu não conheço? Me tornaria sagrada? Me abraçaria apertado? Coloriria minha vida? Faria as coisas parecerem menos envelhecidas? Faria mágica com as próprias mãos? Construiria uma cidade de esmeralda com grãos de areia? Me daria algo que eu pudesse tomar como lar? E, por fim, você não estragaria tudo?
Percebe o que eu quero dizer? Todos temos necessidades, é claro. Eu preciso de carinho, você precisa de espaço, ambos precisamos de respeito. Mas daí a pretender preencher a vaga com requisitos absurdos? Amiga, peralá, é a FERA e não o SUPER-HOMEM. Ligou o nome à pessoa? É conto de fadas, benhê, não é história em quadrinhos, não!
Ok, ser exigente é uma coisa. Ser maluca é outra. Que tal desejar umas coisas mais possíveis? De preferência coisas que você esteja disposta a oferecer em troca também? Sabe, coisas como carinho, companheirismo, estímulo mental e quem sabe, um pouco de paixão? Algum tesão, também, cairia bem, eu acho. E que tal senso de humor? Ou confiança e consistência? Não parece uma boa?
Eu só preciso disso. Ah, e de umas coisinhas mais...onde eu coloquei aqueles classificados, hein?
Homenagem pra Batatinha, que ontem tava sendo vítima do Randon...ahahahah...Confira abaixo o clipe, e veja a letra AQUI.
quarta-feira, março 05, 2008
Vontade de mostrar a bunda
Alguém me seguuuuuuuura!!!!
Sabe do que mais? To pensando em abolir a discrição e publicar aqui os emails desses mentecaptos que me escrevem, pra ver se alguma alma caridosa enche a caixa deles de lixo. Alguém aventou a hipótese de que esses emails sejam gozação com a minha cara pra suscitar posts furiosos. Pode até ser, porque não dá pra acreditar que tenha tanta gente assim no mundo que não saiba escrever e que olhe pra minha cara e tenha a certeza de que eu estou louca pra mandar fotos da minha bunda pro primeiro otário que me escreva. É, tem razão, só pode ser piada mesmo.

Nossa, o que esse povo não sabe é que eles estão quase conseguindo me convencer!!! Mais um pouquinho eu saio mesmo, pelada na rua gritando e mandando foto sem "ropa" pra quem quiser ver. Não é a minha cara???
*sobe na mesa e dança cara-caramba-cara-caraô de tanga*
terça-feira, março 04, 2008
Tsc.
domingo, março 02, 2008
Abandono não tem desculpa
Um cara que larga a namorada plantada em casa pra fazer QUALQUER OUTRA COISA NO MUNDO, é um cretino filho da puta. E não se trata de enganar a garota pra cair na esbórnia, se fosse isso ainda era menos pior, porque aí ele simplesmente seria um galinha idiota sem caráter que chifra a namorada. Mas não, não é isso que ele faz. Ele simplesmente prefere fazer qualquer coisa a ficar com ela. Um cara que se transfigura quando toca o telefone. Num minuto está rindo e no seguinte, basta ouvir a campainha do aparelho, está cansado, com preguiça, mau humorado, sem dinheiro. E está ocupado. Vendo o jogo do Palmeiras, um filme, jogando no computador, qualquer coisa. Só não está disponível pra ela.
Quando eu pergunto, ele diz que ainda gosta dela. Mas só sabe maltratar e abandonar a garota. Gosta uma porra, eu já vi esse filme antes.
Ela sabe que esse namoro é um atraso de vida. E sabe que deveria terminar com ele. Mas não é capaz de fazer isso, gosta demais dele pra desistir. E continua insistindo, que nem uma louca que bate a cabeça na parede.
Por que fazemos isso?????
Por que insistimos em ficar com quem não nos quer e nos faz sentir pequenos e cansativos? Por que continuamos tentando dar amor a quem não faz a menor questão de nada que venha de nós?
Por que aqueles que amamos se tornam enfadonhos de uma hora pra outra? Pior, por que abandonamos aqueles que dizemos que amamamos de uma hora pra outra?
E por que demora tanto pra terminar se simplesmente enjoou da cara da garota, cacete??
Merda de vida. Eu tento ficar neutra, mas às vezes não dá, fico puta demais. E despejo tudo, mesmo que isso só aumente o choro dela. Ela precisa ouvir, ela precisa ver! A auto estima dela ta indo pro buraco e ela não reage!! Se tem alguém que sabe disso sou eu, porra!
Mas ela não ouve. E me rasga atender o telefone e dizer pra ela que ele saiu. Só isso, não levou celular, não avisou, não nada. E foda-se ela e o mundo inteiro, ele não está ligando. Lá no sistema solar que roda em volta do umbigo dele não existe espaço pra mais ninguém a não ser ele mesmo.
Abandono é crueldade. Se o bicho é seu, você não larga sem água e comida, pouco se fodendo pro que vai acontecer com ele vagando pela rua. Ou você cuida ou dá pra alguém que vá cuidar. A mesma coisa com um filho, se você não quer, dá pra alguém que queira. Aliás, se você tem um bebê e larga na lata do lixo ou larga seu filho te esperando cinco horas dentro do carro estacionado no sol, é crime.
Abandono emocional é a mesma coisa que jogar na lata do lixo alguém que confia e ama você. Se você não quer mais, converse, esclareça e ponha um ponto final. Não deixe o outro se fodendo do outro lado pensando o que quiser, que você está pouco ligando, droga. Dá pra se colocar no lugar do outro um pouquinho que seja????
PS: não confundir abandono emocional com surto desarrazoado, que é quando eu não te dou motivos, mas você acha pêlo em ovo assim mesmo.
sábado, março 01, 2008
Anybody?
Somebody To Love
Queen
Composição: Freddie Mercury
Can anybody find me somebody to love?
Each morning I get up I die a little
Can barely stand on my feet (Take a look at yourself)
Take a look in the mirror and cry
Lord what you're doing to me?
I have to spend all my years in believing you
But I just can't get no relief Lord
Somebody (somebody) ooh somebody (somebody)
Can anybody find me somebody to love?
I work hard (she works hard) everyday of my life
I work till I ache my bones
At the end (at the end of the day)
I take home my hard earned pay all on my own
I get down (down) on my knees (knees)
And I start to pray (praise the Lord)
'Til the tears run down from my eyes Lord
somebody (somebody) ooh somebody (please)
Can anybody find me somebody to love?
(she wants help)
Every day - I try and I try and I try -
But everybody wants to put me down
They say I'm goin' crazy
They say I got a lot of water in my brain
Got no common sense
I got nobody left to believe
Yeah - yeah yeah yeah
Ooh Somebody (somebody)
Can anybody find me somebody to love?
(Anybody find me someone to love)
Got no feel I got no rhythm
I just keep losing my beat (you just keep losing and losing)
I'm OK I'm alright (she's alright)
I ain't gonna face no defeat
I just gotta get out of this prison cell
Some day I'm gonna be free Lord
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Somebody somebody somebody somebody somebody
Find me somebody find me somebody to love
Can anybody find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me find me find me
Find me somebody to love
Somebody to love
Find me somebody to love...
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Programa de Índio
Por exemplo. Existe pouca coisa pior pra se fazer do que comparecer a chás de panela e de bebê. Caso você não esteja ligando o nome à ocasião, chás de panela são aquelas festas tenebrosas em que uma feliz infeliz prestes a se casar reúne as amigas e as parentes - por que mulher se fode até nessas horas, hein? - em meio a utensilhos domésticos e vasilhas tuppeware embrulhados pra presente. A finalidade é ganhar de presente aquela miuçalha que quem vai se casar precisa pra montar uma casa e, eu suspeito fortemente, ver até que ponto as pessoas resistem sem morrer de tédio e de nojo. Sim, porque eu ainda não falei das brincadeiras idiotas, dos trotes, da gritaria feminina, da comilança, das sacanagens pronunciadas por matronas estranhas que aproveitam a ocasião pra soltar a franga e abanar a saia, aparentemente antegozando a lua de mel da futura noiva. Ou isso, ou já morrendo de rir da pegadinha: "Rá! Ninguém te avisou? Se fodeeeeeeu!".
Sacou a visão do inferno? Tenha a decência de se apiedar da próxima vez em que ouvir alguém querido do sexo feminino comentar que recebeu um convitinho colorido dizendo pra comprar uma bacia. Por mais que a vontade de rir seja maior, tenha pena. Afinal, você pode precisar de alguma coisa algum um dia, né? Sei lá, um rim ou um pedaço de um fígado. Essas coisas acontecem.
Os chás de bebê, por outro lado, são um pouco piores. Ah, duvida? Tsc. Ser incrédulo. Depois não diga que não avisei.
Chás de bebê têm tudo o que têm chás de panela, com a diferença que em vez de utensilhos domésticos, o que se empilha por todo lado são fraldas descartáveis. Centenas delas! Noturnas, com gel, sem gel, da Turma da Mônica, do Pernalonga, da Barbie. Barbie? Ok, exagerei, mas você entendeu. E se você acha que mulheres são barulhentas, some um trilhão de crianças em idades diversas a essas mulheres barulhentas. Imaginou? Não, acho que não vai dar nem pra chegar perto do horror da realidade.
Pensa assim, ó. Cada mulher adulta que chega na porra do chá de bebê está carregando um bebê a tiracolo, ou trazendo pela mão uma criança naquela idade de correr, gritar e rabiscar a parede. É impressionante! E um indício claro de que pessoas normais, com interesses variados NÃO VÃO a uma merda de ritual insano desses! E você também não iria, não fosse a possibilidade de banimento da manada que lhe ronda insistentemente. Um passo em falso e as feras cairão sobre você, arrancando a carne dos ossos antes mesmo do sangue esfriar. Então, fazer o que, né? Atarraxar um sorriso e tocar pra "festa" (cof cof).
Aí pronto, você está lá. De um lado, a grávida. Do outro, a que vai casar dali nove meses. E por todo lado, as crianças. Você se vê acossada contra uma parede e sente chegou o seu fim. Olha à sua volta e descobre que mais alguém está ali, pensando em cavar um túnel com a colher do bolo. A namorada magrela do seu primo. Droga, aquilo mal serve de consolo, uma pessoa com aquela circunferência - de esqueleto de laboratório - sequer vive no mesmo mundo que você, o que pode saber de compartilhar sofrimentos? Mas, espantosamente, ela geme uma imprecação parecida com as suas próprias e, com a chegada de uma prima dissidente ao bunker, vocês se tornam um trio acuado.
Logo vocês chegam à conclusão de que no convite de todas elas, menos no de vocês, estava escrito que só entrava quem trouxesse uma criança junto e que quanto mais barulho a criança fizesse, maior o pedaço de bolo que a convidada levaria pra casa. Controlando a custo a vontade de chutar criancinha mal educada, descobrem que a crueldade do evento supera todas as expectativas. Sua mãe, olhando meigamente pra dois bebês apostando corrida de gatinhas no chão, lhe diz: "Ah, Lívia! Tá passando da hora de você ter um nenenzinho também! Se esperar muito eu nem vou ter forças no braço pra tomar conta de neto!". Isso porque a desgraçada acabou de completar 45 anos, você pensa que devia pessoalmente cortar os braços dela fora. E sem falar no desânimo que dá ouvir uma coisa dessas e pensar: "Se eu nem consigo arrumar um namorado que não me largue seis meses depois ou que me faça ter vontade de matá-lo, COMO DIABOS eu deveria ter um filho, porra????". E imediatamente você começa a se imaginar entrando num banco de esperma aos quarenta anos e pedindo "um com QI alto pra viagem", antes que você morra sozinha sem ninguém que te ame, seja comida pelos cachorros e encontrada semi apodrecida no seu apartamento uma semana depois de ter sofrido um derrame no tapete da sala.
Mas a coisa é ainda pior. EU DISSE QUE SEMPRE PIORA! Sua prima dissidente conta que a mãe dela alegremente lascou essa há poucos minutos: "Ah, a Juliana não tá grávida não, tá gorda mesmo!". Você arregala os olhos, horrorizada: "O queeeeeeeeee???" É, tem mais essa. Cada filha de Deus do sexo feminino que tava ali, com exceção da namorada magrela do seu primo, estava gorda. Mas, como elas tinham parido, era como se merecessem o indulto automático. Vocês, as estéreis, é que tinham a obrigação de emagrecer ou, pelo menos, de suportar os comentários sobre o peso que não podiam ser feitos quanto às sagradas genitoras espalhadas placidamente entre as fraldas descartáveis.
Prestes a enlouquecer, você tira do bolso o celular, aperta uns botões aleatórios e acaba descobrindo - oh, glória!!! soem as trombetas! - que ele tem Texas Hold'em nos aplicativos!!!!!! E se deixa mergulhar de mansinho no seguro e confortável universo virtual, onde permanece durante umas duas horas, até notar que a bateria está acabando.
Ah, não, aí já é demais. Alucinada, você segura forte no braço da sua mãe e anuncia em tom de ameaça: NÓS...VAMOS...EMBORA...A G O R A. E olhando nos seus olhos, ela parece entender a gravidade da situação, porque passa a mão na bolsa rapidinho e vai saindo à francesa em direção ao carro.
Alguns quarteirões em silêncio e ela murmura timidamente: "Filha...eu tava brincando..."
E é quando você finalmente perde a fleuma de vez e pronuncia algo semelhante a "vá tomar naquele monossílabo tônico do corpo humano que raramente é exposto à luz do sol!".
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Manual para homens perdidos
Definitivamente, tem muito homem perdido no mundo. E não estou falando dos desaparecidos procurados pela família, nem dos fugitivos da polícia, nem de pretensos príncipes encantados que não aparecem nunca (estão em coma, certeza!) e nem do bando do Peter Pan. Não.
De acordo com o dicionário, perdido significa: disperso; sumido; extraviado; naufragado; apaixonado em extremo; devasso; louco; corrupto; gasto em vão; esquecido; condenado (por uma doença); coisa que se perdeu; pessoa corrompida, desgraçada.
Bem, eu ia usar um sentido mais coloquial, o popular "sem-noção", mas suponho que "desgraçado condenado" possa servir.
A coisa é a seguinte: outro dia eu falei aqui sobre o email "oi, quer tc?" que eu recebi. E acho que todo mundo concorda que esse tipo de mensagem só serve pra rir ou pra sentir dó. É ruim? Certamente. Mas não é nem de longe o pior tipo de mensagem que se pode receber. Quer um exemplo?
Ontem me chegou um email dizendo que eu esqueci de mencionar na descrição do meu perfil - advogada, blogueira compulsiva e mal humorada crônica - a palavra "gostosa". É, isso mesmo. Alguém chegou a essa conclusão olhando pruma foto de resolução ruim. E, como se não bastasse, completou: "adoro mulher chata, mal educada e compulsiva, geralmente é falta de um bom trato, aí é que eu chego junto pra da um geito, estou aqui? bjommmmmmmmm..........."
Eu já li isso algumas vezes, porque primeiro eu tava tentando entender e depois acreditar no que eu tava lendo. E mesmo assim, ainda consegue me chocar quando colo a mensagem aqui e formato. Não que eu seja extremamente sensível e tenha me ofendido com algo que o cara tenha dito, longe disso. O que me choca é ele achar que ISSO é uma aproximação aceitável e talvez desejável.
E calma, dá pra piorar. Eu nem tinha me refeito do susto, quando o remetente resolveu complementar a mensagem inicial.
"Só não me peça danos morais, sou sincero e direto, e pode me chamar do vc quiser, mas não tome nenhuma conclusão antes de me conhecer na alma, na cama e no trabalho, sou chato para ser livre e encontrar assim o ponto mais alto do prazer onde ninguém mais alcança comigo, talvez só vc, mas precisaria saber, hoje estou completamente louco, amanhã quero estar mais ainda, me deixem viver no meu lixo, nas minhas ruas escuras, mas não me tirem a liberdade, por isso não me prendo nem mesmo aos meus desejos, como estou sentindo agora por vc só te digo TE DESEJO, o resto não sei.............................."
(suspiro) Parece muito estranho eu dizer que isso me entristece? Claro, como alguns gênios provavelmente dirão, se eu disponibilizo meu email no perfil, estou sujeita a esse tipo de coisa. Ou, que se eu não quisesse receber esse tipo de coisa, não devia publicar na internet, porque fazendo isso eu me exponho automaticamente. E por favor, se puderem me poupar desses lugares comuns, eu agradeço.
O que realmente me entristece é saber o quanto expressões como "bom gosto", "sutileza" e "respeito" passam longe do vocabulário de algumas pessoas. Veja bem, eu aposto que ALGUMA mulher adoraria receber esse tipo de mensagem "direta", "urgente", "virulenta", "impetuosa". Alguma, com certeza gostaria. Mas não eu. E o que me deixa perplexa é que, como um leitor me disse essa semana, do jeito mais delicado, sutil e agradável possível, ler as coisas que eu escrevo dá uma sensação de intimidade e dá perfeitamente pra saber como eu sou e como eu penso.
Mas pelo visto, não são todos que conseguem ver, ou eu receberia mais mensagem inteligentes, estimulantes, sutis, engraçadas e elogiosas, e menos manifestações de truculência e mediocridade. E perceba que o cara não quer me agredir, ele pretende posar de grande sedutor com o que disse. Um ser livre, intenso, às vezes sórdido e que poderia representar pra mim um acontecimento em termos de prazer. Uau, como eu posso deixar de me deixar envolver por um furacão desses? ¬¬
Olha, eu não estou procurando por nada disso. Ao contrário. Obrigada por tentar, mas acredite: você precisa de umas dicas pra dosar melhor essa sua "liberdade".
E é exatamente por essas e outras que eu to pensando em escrever um manual. Só não sei ainda se será "Coisas que uma mulher não espera ouvir de maneira nenhuma e que só vão queimar o seu filme" ou "Como abrir a boca e dizer coisas que poderão agradar a uma mulher que seja no mínimo inteligente".
Talvez eu deva fazer uma enquete. Qual das duas abordagens seria mais proveitosa, hein?
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Caso Verídico
- Doutor Fulano, seu cliente, Zaphod Beeblebrox* está aqui pra falar com o senhor.
O Doutor Fulano responde, espantado:
- O QUÊ?
A secretária reafirma:
- É. Seu cliente, Zaphod Beeblebrox, está aqui.
O Doutor Fulano retruca, em tom de brincadeira:
- Uai, então pode começar a rezar...
A secretária fica confusa:
- Hein? Por quê?
O Doutor Fulano afirma:
- Esse homem morreu, Dona Secretária!
A secretária arregala os olhos, espia por cima do balcão, analisa o cliente, um velhinho todo enrugado e sussurra no telefone:
- Ai, Doutor, como assim? O homem tá aqui na minha frente, falando e andando!
O Doutor Fulano parece intrigado:
- É um velhinho?
A secretária, já encolhida na cadeira, responde:
- É!
O Doutor Fulano coça a cabeça:
- Esse mesmo. Mortinho da silva.
A secretária, quase chorosa:
- E o quê que eu faço???
O Doutor Fulano, muito sério:
- Bom, dizem que quando os fantasmas aparecem assim, a melhor coisa a fazer é saber o que eles querem.
A secretária, perdendo a fleuma:
- Mas ele já disse o que ele quer! Falar com o senhor!
O Doutor Fulano não parece muito animado com a idéia:
- Ahnn...tem certeza?
A secretária, irredutível:
- Absoluta.
O Doutor Fulano, procurando uma saída pela tangente:
- Ah, fala que eu não to aqui agora...
A secretária, com cara de poucos amigos:
- Ele está me vendo conversar com o senhor esse tempão todo, Doutor.
O Doutor Fulano, se dando por vencido:
- Ah, ta bom. Mas pergunta aí pra ele que assunto é, eu não tô lembrando se eu fiz algo pra ele querer se vingar de mim agora.
A secretária, muito profissional:
- Sim, só um minuto.
(...)
- Doutor, ele disse que ficou faltando fazer um pagamento de honorários...
O Doutor Fulano, se animando:
- Opa! Então por que não falou logo? Pode mandar entrar!
A secretária, aliviada:
- Sim, senhor.
O Doutor Fulano se lembra a tempo:
- Ah, Dona Secretária! Aproveita e pergunta pra ele se fantasma toma café. Se tomar, manda a Maria passar um quentinho.
* nome fictício para preservar o real, que é feio e único, mas que a discrição da dona do blog não permite divulgar.
