quarta-feira, abril 29, 2009

Conversa super normal

Lá pelas sete e meia da noite, toca o telefone, é o Fabrício, que, diga-se de passagem, só vai chegar em casa às onze porque hoje é dia de vestir a pele do intrépido professor e fazer showzinho na faculdade. Sim, showzinho, porque em se tratando dele, meu amigo, isso sequer cai na corriqueira e recorrente classificação de exagero da Lívia. Acredite. Ô, homenzinho...

Bem, mas toca o telefone:

- Morena?
- Oi, meu amor.
- Por que você demorou a atender o telefone?
- Porque eu tava tentando tirá-lo de dentro da minha pasta...
- Humm...
- Colou?
- Não, mulher, vão ser 60 chibatadas quando eu chegar em casa!
- Humm...oba!
- Opa! Não desvirtua o assunto não!
- Tá, e o que é que você quer, então?
- Quero saber se você me ama... (imagine o tom de voz mais safado do mundo)
- Amo sim. E por isso eu tenho que fazer...
- Ô, mulherzinha esperta, me mata de orgulho!
- FALA LOGOOOOO!
- Ta bom, ta bom...Morena...será que você pode me alimentar quando eu chegar em casa?
- Te alimentar? ahahahahhaha...Depois não quer que eu te chame de Rex, né?
- Pô, mulher, eu to aqui, todo vulnerável, sendo sincero e você me sacaneia?
- Ok, ok...o que você quer?
- Eu tava pensando...você podia fazer um pãozinho pra mim...
- Sei...
- E aí eu podia pegar aquele franguinho que você fez no almoço...
- Ahã...sei...Ó, o pão pode até sair, mas o franguinho não tá fácil assim, não, viu?
- Ah, Morena, tá sim...Franguinho, galinha...Galinha é tudo fácil...
- FABRÍCIO!!!!
- Mas Morena...
- Vou fazer o pão. TCHAU!

Cinco segundos depois, o telefone toca de novo. Eu atendo rindo, já imaginando a merda que vem de lá.

- Oi, que foi agora?
- Morena, isso merecia ir pro blog, né não?

Gargalhadas. Desligamos sem dizer mais nada. Essa casa é um hospício, esse homem é um descompensado e eu fico na dúvida se estou internada aqui ou se estou tomando conta da porta pra ele não fugir...

domingo, abril 12, 2009

Cresça

Gostaria de saber se algum dia eu vou poder me livrar da fatídica pergunta "o que você quer ser quando crescer?" e suas várias variáveis. O que eu quero ser? Afinal, eu tenho que querer ser alguma outra coisa que não isso que eu sou agora. Do contrário, estou morta, não estou indo pra lugar nenhum e nem realizando nada novo ou digno de reconhecimento. Aliás, é engraçado: eu tenho que querer crescer e tenho que querer fazer alguma coisa quando estiver crescida. E se eu não quiser? Ou se não tiver a menor idéia do que poderia porventura fazer quando finalmente me tornasse uma mocinha crescida? Sabe, o que mais impressiona é que nunca nada é suficiente. Nenhum esforço, nenhuma quota de sacrifício, nada. Tudo não passa de contingências, de consequências necessárias que sequer merecem menção. Ora, não quis? Aguente! Ora, não escolheu? Lide com isso da melhor maneira que souber. E se não souber, invente. De qualquer forma, se vire. É isso que se espera, é isso que se deve fazer. E claro, não se esqueça de arrumar um rumo para onde ir enquanto isso. Um rumo respeitável, ressalte-se. Não pense que idéias e atitudes prosaicas serão toleradas ou aceitas - elas não serão. Vai, pense grande! Não importa se você não quer, se você não sente necessidade. Você tem que sentir, oras! É natural, é lógico, é inevitável! Anda, cresça. Está na hora. E não venha me dizer que isso violenta a sua natureza, isso não existe. Até criança responde isso, até criança é capaz de tecer um sonho pra perseguir. Mas que seja um sonho prático, castelos de areia também não serão tolerados. Aqui o negócio é duro, minha filha. Vai, se adapte, se esforce, corra atrás. Eu tenho certeza que você vai acabar gostando, que você, um dia, vai se descobrir querendo também. Só precisa começar. Vai.

quarta-feira, abril 01, 2009

Primeiro de Abril

Hoje Fabrício e eu completamos um ano de relacionamento. Não de namoro, porque a gente já mora junto há oito meses, então meio que já transcendemos isso. Além disso, o Luís Fernando Veríssimo diz, com muita propriedade, que as pessoas passam de namorados a amantes quando fazem sexo um com o outro durante dois anos ou dezessete vezes consecutivas, o que vier primeiro...então... *assovia e faz cara de paisagem*...Por outro lado, minha chefe diz que quando a gente "come um pouquinho de sal juntos", ou seja, passa por problemas juntos, não é mais namorado, já está mesmo é casado. Bem, são muitas teorias, né? Em todo o caso, acho que em se tratando de nós, continuaremos namorados por muito tempo ainda. Nunca vi duas pessoas pra serem mais bestas do que a gente. Não sei se somos bestas mesmo, ou se isso é influência um do outro...o fato é que hoje completa um ano que essa conversa aconteceu, e eu tenho a sensação que temos piorado sensivelmente com o passar do tempo, sabe?

Hoje será um dia meio cheio, então resolvemos comemorar ontem mesmo. Ele saiu mais cedo do trabalho, foi me buscar no meu e viemos pra casa. Ficamos um tempo nos curtindo, coisa que o corre-corre cotidiano acaba dificultando, ou pelo menos diminuindo...aí fomos jantar. 

Cara, um parênteses: se você vier a Brasília e gostar de sushi, você TEM que ir ao Sumô, na 204 Sul...aquilo é o paraíso do peixe cru!...rs

Bom, mas voltando...jantamos muuuuito bem, ficamos no restaurante conversando um tempão depois, rindo, fazendo planos, trocando idéias...engraçado, com o Fabrício é sempre assim. Mesmo quando ele está agoniado com alguma coisa, preocupado com algum problema, ele nunca se cala e fica alheio...sempre dá um jeito de me incluir, de me trazer pra dentro do mundo dele, deixando claro que eu ocupo um lugar bem no meio dele - como ele ocupa no meu.

Saímos do restaurante e paramos no posto pra abastecer o carro. Enquanto ele cuidava de assuntos práticos do lado de fora, eu me senti daquele jeito meio "amo o mundo inteiro", sabe? Catei o telefone e mandei um "te amo" pra duas amigas queridas, pra minha mãe e pra ele. Ele voltou, deu partida e me olhou com estranheza enquanto dirigia:

- Hein?
- Hein o que?
- Por que você me mandou mensagem se podia ter me dado um beijo ao vivo?
- Ah, é que eu mandei essa mensagem pra Nayra, pra Déia, pra Mamis e aí resolvi mandar pra você também...

- O QUE? Quer dizer que nós estamos aqui, em plena comemoração do nosso aniversário, você resolve amar o mundo inteiro e ainda me joga no meio do bolo, como se eu fosse um qualquer???

Ele gesticula enquanto fala parecendo que não precisa das mãos pra dirigir.

- Mas...
- Nããão, eu tenho certeza que você nem ia mandar nada pra mim e resolveu incluir meu nome no final, assim, já que não tava fazendo nada e eu tava ali, dando bobeira...

Eu comecei a gargalhar, ele seguiu impávido no discurso:

- Aliás, essa comemoração de repente perdeu todo o significado! Esse jantar tá até me fazendo mal, me sinto conspurcado!

Eu rolava de rir. Ele arrematou:

- Eu vou vomitaaaaaaaaaaaaaaaaaaar! - e começou a rir também.

Depois de alguns minutos de riso, ele considerou:

- Pronto, agora você pode colocar esse diálogo no blog..."Aniversário de Namoro"...olha que romântico!
- Ah, querido, nem dá pra colocar isso lá...

Ele estaciona o carro e descemos.

- Por que?
- Porque, meu amor, mesmo que eu seja muito hábil na escrita, das duas uma: ou as pessoas vão achar que você é um monstro bruto sem romantismo e eu uma idiota por estar com você, ou vão achar que esse "vomitaaaaar" tem mais viadagem do que deveria e que eu continuo sendo uma idiota!

- Agora eu vou vomitar meeeeesmo! NO SEU PÉ!
- SAI PRA LÁ, FABRÍCIO!!!!
- Nãããão, vem aqui, vai ser um vomitado romântico!!!

quinta-feira, março 19, 2009

Lógica Irretorquível

Já reparou que quando a gente deita na cama à noite pra dormir, a conversa nunca presta? Pois aqui em casa a coisa é ainda pior que de costume.

- Você sabe quais os meses que dá caranguejo gordo?
- Hein?
- É...os meses em que o caranguejo é mais gordo...
- Ah, isso é cultura de paraense, Fabrício...
- Nem é.
- Claro que é. Vocês que gostam de caranguejo!
- Não somos só nós, oras.
- Ok, quais são os meses?
- Os meses com R...
- R? Tipo "-bro"?
- Meses com R. JaneiRo, feveReiRo, maRço...quase todos, menos maio, junho julho e agosto.
- Noooossa...
- O rei da cultura inútil!
- Nem era isso que eu ia dizer...mas já que você disse...onde foi que você aprendeu isso?
- Em lugar nenhum, eu inventei agora.
- Quê??
- É.
- Então você tá mentindo pra mim, seu porcaria??
- Claro que não, morena...eu só minto pra você quando chego tarde em casa...

Ela belisca ele.

- Você sabe que só não vai dormir do lado de fora, no corredor, porque eu já to deitada e to com preguiça de levantar daqui, né?

- Claro, meu amor...eu sou praticamente o Rex dessa casa...
- Isso, um homem consciente vale por dois...

Nisso ele começa a lamber o braço dela.

- Que que isso???
- Ué, o Rex dando lambidinhas...
- Ai, pode parar com isso que eu já tomei banho e você vai me deixar cheirando a saliva!
- Ô mulher, e aquela história de banho de língua super sexy que você me contava?
- Era mentira também, oras. Direitos iguais.

sexta-feira, março 13, 2009

Lívia motorista

Ao telefone:

- Fabrício, tirei porte de arma!
- Hein??
- É, passei na prova!! Agora eu tenho carteira!
- Oh, céus! Isso é muito preocupante!
- Diga parabéns, seu coisa ruim.
- Parabéns, Morena! Que maravilha, meu amor!...mas que é preocupante, ah, isso é!
- Affe! Pois saiba que o examinador disse que eu dirijo bem, ta?
- Um insano, isso sim. Exijo que seja examinado por uma junta de médicos competentes!
- Reconheça: eu sou foda!
- Claro que é, eu reconheço!...mas me fala uma coisa...
- O que?
- Você prefere que sabor de biscoito?
- Biscoito?
- É. Eu vou sair agora pra comprar uma lata...dou os biscoitos pra você e uso a lata pra esconder a chave do carro.

A resposta que foi berrada ao telefone não deve ser transcrita aqui, pois este é um sítio de respeito. Boa noite, Fátima, boa noite, William.

quarta-feira, março 04, 2009

Ah, tá explicado

CUIDADO COM MAL-ENTENDIDOS! A POLÊMICA ESTÁ NO AR!

Marte em quadratura com Mercúrio natal

DE: 24/02, 1h44
ATÉ: 10/03 , 3h23

Alerta vermelho, Lívia! Entre os dias 24/02 e 10/03, um choque entre o Marte do céu e o Mercúrio do seu mapa de nascimento pode indicar um período em que mal-entendidos podem ocorrer. Discussões desnecessárias podem ser iniciadas por conta de você dizer algo sem pensar. Vale aqui cultivar o máximo de bom senso, para saber quais discussões realmente valem a pena. (...) Por conta de uma possível impulsividade mental, convém evitar neste momento tomar decisões muito importantes, assim como evite assinar contratos ou fazer acordos. O risco é de você não ler direito as entrelinhas. Pequenas viagens também devem ser evitadas, mas se não tiver jeito, não é preciso ter medo, apenas um pouco de atenção, pois incidentes podem ocorrer, nada de grande monta, mas imprevistos que podem fazer você se chatear.

Há também uma predisposição de sua parte a "entortar" as coisas e fatos de acordo com uma visão excessivamente pessoal. Assuma um compromisso com a importância de atos justos, e você evitará a tendência a dizer coisas ou tomar atitudes que não são muito corretas.

Pequenos incidentes podem ocorrer no que diz respeito aos seus afazeres diários simples, mas tudo isso pode ser evitado se você tiver um pouco mais de atenção. De todo modo, evite se estressar por conta de situações corriqueiras: neste período, pequenas coisas poderão lhe parecer mais chatas do que nunca, e você estará com uma tendência maior a reclamar. Na verdade, Lívia, você está com uma predisposição maior a discutir. Mas, não há o que temer. É uma simples questão de tomar consciência do processo, cultivar o silêncio e evitar a todo custo julgamentos precipitados - que tendem a ser a marca registrada deste momento. Por sinal, em casos de testes, cursos e concursos, cuidado com uma tendência a dar respostas precipitadas. Você pode até ter certeza absoluta de alguma coisa, mas depois perceber que se equivocou, que se apressou demais.

terça-feira, março 03, 2009

Um momento para as lágrimas

Às vezes me dá vontade de te escrever cartas. Cartas que talvez milagrosamente pudessem fazê-lo entender aquilo que eu sinto e não consigo expressar direito. Cartas que tivessem o condão de fazer com que você também sentisse aquela coisa besta e sem sentido que às vezes me faz ficar amuada e me impede de dormir quando as luzes se apagam. Cartas que explicassem o que me faz chorar - muitas vezes em silêncio - e que você não entende quase sempre (sim, eu percebo). Se cartas pudessem trazer algum bem, talvez eu as escrevesse. Mas quase sempre elas se mostram inócuas, talvez por deficiência daquela que as escreveu e não soube imprimir nelas nada de mágico e transformador. Muitas vezes cartas só servem mesmo para desabafar, pra dar um tempo determinado praquele choro acabar - o tempo da carta terminar, depois disso enxugue tudo e cale a boca, ao menos até a próxima vez. E você nem gosta de cartas, eu sei. Mas eu também sei, já aprendi, que muitas vezes você é o ensejo para que as cartas nasçam. Às vezes você me deixa sozinha, me diz de um jeito sutil que eu estou exagerando, ou me importando com besteiras ou que você não está mesmo entendendo nada do que eu estou falando e isso faz com que as cartas sejam necessárias. Para colocar as idéias em ordem, pra colocar pra fora o que ficou entalado na garganta e não deu tempo de sair porque o tempo pra falar acabou. Às vezes você não deixa. Às vezes eu queria sentir um pouco menos e pensar um pouco mais. Ou talvez parar de pensar tanto, também. Acho que eu sofreria menos. Mas será que um dia você vai entender finalmente que o meu jeito de me relacionar com as coisas é através de catarse? Que eu só entendo o mundo me colocando nas mais diversas situações, estimulando meus sentimentos pra ver o resultado? Dá pra entender que esse é o meu jeito de me conhecer e conhecer a vida? E que você podia responder na mesma medida só de vez em quando? É, talvez isso seja um saco e eu peço desculpas por isso. Eu garanto que também me canso de ficar sozinha no escuro açoitada por um monte de coisas ruins em vez de abraçar o travesseiro e dormir sossegada. E, mais que tudo, eu me canso de me sentir sozinha.

domingo, março 01, 2009

Check List

Ai, ai, miséria pouca é bobagem, né não?

12:45 e esta que vos fala está MORRENDO de sono. Escova os dentes, prepara a cama, tira as lentes de contato e se enfia embaixo das cobertas, chamando o digníssimo consorte pra cama do jeito mais doce do mundo.

- Fabríciô...vem dormir, vem, meu amor...
- Hum - ele, de olhos grudados num joguinho no notebook, GRUNHE em resposta.
- Fabríiiicio...
- Anh...
- Affe.

Ela desiste, vira pro lado e está resolvida a dormir. Mas a pobre não consegue dormir de luz acesa. E digamos que está mal acostumada a dormir com abraços e carinhos toda noite. De luz acesa e sem um chameguinho sequer, resolve apelar. Faz a voz docinha de novo e diz assim:

- Sabe, Fabrício, eu tenho um check list...

- Check list? - sem tirar os olhos do computador.

- É...um check list pra poder dormir...eu escovo os dentes, tiro as lentes de contato, tiro a roupa, apago a luz e me viro pra dar um beijo no mocinho deitado ao lado...

- E daí?

- Daí que o check list num tá completo e eu não consigo dormir! Olha isso! A luz tá acesa e a cama tá vaziiiiiiiia! Você não tem pena? Tô aqui tão sozinha, meu pé tá gelaaaado, vem deitar, vem...?

Sem tirar os olhos do maldito joguinho, ele arremata:

- Vem cá, tudo isso é pra me convencer a apagar a luz?

*toma calmante e morre*

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Esquizofrenia

Imagine um casal praticamente normal. Praticamente. Claro, ela tem medo de palhaço e ele acha que 69 é mais barato que 59 ou 49. Coisa pouca, sabe? Inofensivos, quase. Quase.

Deitados na cama...não é que eles só fiquem na cama, não, é que as melhores tiradas nascem dali. Sei lá, talvez a posição oxigene o cérebro, né? Bom, mas continuando. Deitados na cama, o clima é íntimo, eu diria quase romântico - se o romance nessa casa não fosse assassinado diariamente por sacanagens recíprocas. Eles se beijam, trocam carícias e a coisa esquenta. Aí a câmera pára de focalizar a cama e aponta pra janela, onde as árvores se balançam ao vento e os passarinhos cantam. Momentos depois, ela volta a enfocar a cama, onde os dois estão abraçados e meio suados. Um daqueles momentos deliciosos, que todo mundo quer pra si e que muita gente estraga virando pro lado e dormindo, sabe como é? Pois bem. Eles estão ali, abraçados, deixando a respiração normalizar, quando de repente ele se contrai todo e exclama:

- Ai, peraí, isso é putaria!

Atônita, ela pergunta:

- Do que você tá falando?
- Você passou a mão no meu saco!
- EU? Eu não!
- Claro que passou, EU SENTI!
- Ah, meu filho, então você tá com problemas, porque EU não passei a mão no seu saco!
- Então pára tudo! ALGUÉM PASSOU A MÃO NO MEU SACO!!!!

As gargalhadas dela foram tão altas que chegaram a abafar os protestos dele. Com as lágrimas rolando, ela conseguiu dizer:

- Quer dizer agora que o seu saco tá que nem antena, pegando sinal cruzado? Vixi! AM e FM?

Foi o tempo dela pular da cama e se trancar no banheiro, senão tinha acontecido uma tragédia. Incrível que mesmo sem virar pro lado e dormir os homens estragam o momento mágico do "depois", né??

;-)

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Gente normal é assim

Eu não lembro mais que carro era, se era o novo Civic, se era o Corolla. Sei que custava R$ 69.000,00 e que o Fabrício estava lá, escovando os dentes, com meio corpo fora do banheiro assistindo ao comercial do carro na televisão. Voltou pro banheiro, terminou a escovação e saiu pensativo.

- Sabe, Morena, eu tenho problemas...
- É? Me conta uma coisa que eu não sei...
- Bom, você sabia que era assim quando comprou...
- É, tá certo, eu sabia. Mas por que essa conclusão agora?
- Você viu o anúncio do carro?
- Vi.
- Engraçado, sempre que anunciam algo por 49.000 ou 59.000 eu acho caro. Mas quando o preço é 69.000 eu não acho...
- Hein?
- É, 69 me soa mais barato.
- É, de fato você tem problemas...isso é coisa de numerologia?
- Não, eu não sei nada disso...
- Bom, menos mal...se soubesse eu ia seriamente começar a desconfiar da sua masculinidade!
- Ô, mulher! Cadê o respeito?
- Uai, você também sabia que era assim quando comprou...
- Negrinha insolente...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Mais rapidinhas

Ela está sentada ao computador, quando ele se aproxima, traçando um potinho de granola com iogurte - dieta, babe!!! Ela se vira e o abraça pela barriga.

- Posso abraçar você?
- Uai, você abraça e depois pergunta?
- Ah, é só pra legitimar um estado...que nem casar grávida!

Ele cai na gargalhada, engasga e declara do jeito que dá:

- Ponto pra você. Essa eu queria ter dito.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Impotência

Tem coisa pior que não ver nada do que você faz surtir efeito?

Qualquer um que já tentou durante horas cancelar um cartão de crédito ou uma conta de telefone, sabe o que eu estou sentindo agora. Qualquer um que já tenha sido jogado de setor em setor numa repartição pública, sabe a merda que tá entalada na minha garganta agora. Qualquer um que já tenha se visto atolado em desordem e coisas para fazer, já sentiu o que escorre pelos meus olhos nesse momento. Qualquer um que já tenha sentido uma enorme vontade de gritar e quebrar coisas, sabe o que eu queria demais estar fazendo agora.

Mas, impotente que estou (sou?), nem chorar direito posso. Quanto mais gritar e quebrar. Então me sento aqui que nem uma idiota e saio digitando verborragicamente palavras inúteis. Tão inúteis quanto todo o resto. Quanto eu mesma.

Porra, que merda.

sábado, janeiro 17, 2009

A morte total e definitiva do Romantismo

Sete e meia da noite, vamos receber uns amigos pra jantar às oito. Esta que vos fala anda de um lado para o outro na casa, ajeitando a bagunça do "filho" de barba que ela arrumou. Eita homem bagunceiro do inferno!!! Eis que de repente, ela entra no banheiro para pendurar uma toalha - que o dito cujo deixou largada em qualquer lugar, por suposto - e o filustreco está lá se perfumando, recém saído do banho.

- Hum, que cheiroso...
- Gostou? É pra minha namorada.
- É? Uma nojentinha, que sente cheiro de tudo e reclama pra caramba?
- É, eu tenho que ficar cheiroso, senão ela me larga...

Imagine o indivíduo com a maior cara de cinismo do mundo.
Ela, querendo fazer um agrado, replica:

- Imagine, meu amor, a nojentinha não te larga nem se você estiver suado e coberto de penas...
- Coberto de penas?
- É, ora. Imagine, você todo preguento de suor e ainda cheio de penas por cima...nem assim eu te largava!

Ele pensa por um momento e dá a tacada de misericórdia:

- Morena, isso não precisa ser recíproco não, né?
- HEIN?
- Anda, passa logo pro chuveiro, mulher!

***AQUI JAZ O ROMANTISMO***

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Dieta

Ano novo, vida nova, né? Aqui tem uma lista de resoluções de ano novo para serem cumpridas. Afinal, de acordo com a minha sogra, 2009 é ano 2 na numerologia e que por isso é ano de realizações. Deixa eu ir ali ver o que isso significa, pera. É, segundo esse cara aqui, é um ano pra encarnar a Shenna (ou seja lá como se escreve isso) e matar um leão. Ou algo que o valha.

Eu não dou muita bola pra essas coisas, mas mesmo assim, esse ano será significativamente diferente. E pra começar, estamos de dieta aqui em casa. Aquela dos pontos, sabe? E como seria de se esperar, o diário de comida ingerida e as contas ficaram por minha conta, mas tem um fulaninho aqui que mal começou a dieta e já jura que eu o estou sabotando. A figura come o que quer e quando eu vou lá, na maior boa vontade anotar o que ele comeu e contabilizar quantos pontos foram, ele me acusa de estar SUPERFATURANDO a refeição dele! E ainda emenda, cheio de razão, que eu estou roubando na minha contagem, porque NÃO É POSSÍVEL que os meus pontos sejam tão menos que os dele!!! 

Ora bolas! Se eu não estivesse tão tonta de fome e se aqueles benditos chocolates ali não estivessem cheirando tão forte, eu juro que tomaria uma providência séria contra este infame. Ai, que fome. Caramba. Olha, tem duas latas de leite condensado ali, ó... Humm...capuccino...sorvete de creme...mousse de chocolate...AI, MEU DEUS, SOCOOOOOOOORRO!

*pula da sacada*


terça-feira, dezembro 16, 2008

Sonho

De acordo com o dicionário, a palavra "estranho" significa desconhecido, que não é usual, curioso, singular, extraordinário, anormal, descomunal, admirável, censurável, repreensível, impróprio, livre, isento, arredio, esquivo. E o sonho que eu tive essa semana foi exatamente assim.

Não me lembro mais dos detalhes da atmosfera nem o que eu estava fazendo, mas sei que a minha mãe estava comigo. E ela me dizia com toda a convicção do mundo, que na minha encarnação anterior - lá pelo século dezoito ou dezenove, pelas roupas - eu tinha tido hanseníase. Quando ela me dizia isso, ela sumia e eu sentia nitidamente a minha pele descamando e caindo, que nem cobra trocando de pele. Aí eu me lembro que pensei: "eu? mas como assim, logo eu?" E bastava eu pensar isso, e eu via meu nariz caindo. Caindo mesmo, que nem um pedaço de massinha que estivesse grudado no meu rosto. Fiquei a cara da esfinge! E aí a minha mãe aparecia do meu lado de novo, eu olhava assombrada pra ela e pegava no meu nariz, como pra conferir que ele estava lá. E então acordei.

Fiquei impressionada com o sonho, confesso. Sentei na cama e vi o Fabrício escovando os dentes. Ele olhou pra mim e disse "ooomm iiiaaa", com a boca cheia de espuma. Eu esfreguei o rosto e falei:

- Bom dia. Nossa, eu sonhei que na encarnação passada eu tive hanseníase e meu nariz caiu.

Ele arregalou os olhos.

- "Q-êêê???"

- É, meu nariz caiu...acho que deve ser por isso que agora ele é tão lindinho, pra compensar...

Aí ele não aguentou. Cuspiu e me olhou indignado:

- Ah, é? Então eu caí inteiro dentro do poço, né, santa?

- Caiu no poço? Uai, por que?

- Porque eu sou lindo inteiro, ora bolas!

Gargalhamos, claro. Aqui em casa quase todas as conversas descambam nisso: em besteira. Eu gosto do malfeito, ele é especialista em piorar todos. E ninguém perde a chance de cutucar o outro.

Mais tarde, falando ao telefone com a própria interlocutora do sonho, contei a ela o lance do nariz caído. Liguei o viva-voz pro Fabrício poder ouvir.

- Hein?

- É, mãe, você me dizia que eu tive hanseníase...aí o meu nariz caiu e eu acordei.

Ela deu risada.

- Deve ser por isso que ele é tão bonitinho agora, né? Pra compensar!

Olhei pra ele e caí na gargalhada.

- Mas mãe, foi EXATAMENTE isso que eu falei pro Fabrício!

- É, mas tem outra interpretação também...

Ele levantou a sobrancelha e ficou prestando atenção, interessado. Eu quis saber:

- É? Qual?

- Que não importa o quanto o nariz seja bonitinho, ele cai um dia!

Fabrício quase caiu da cadeira de tanto rir. E eu tive que dar a mão à palmatória. Do mesmo jeito que declaração de mãe em sonho causa a maior impressão, a interpretação da diaba é que acaba prevalecendo. Depois do telefone desligado, Fabrício vaticinou:

- Rá! Isso é que é sogra!

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Moderação

Pessoas, quem lê o blog já há algum tempo, deve ter notado que ele passou por uma fase de comentários moderados. Foi uma fase chata, mas necessária, quando eu precisei restringir determinados comentários que não deveriam ser lidos por todo mundo, para me preservar e preservar também o autor dos comentários. Creio que hoje ele até concorda comigo e está tudo certo.

Passada essa fase, reabri os comentários, inclusive para os anônimos, uma vez que tinha amigos - e inclusive o meu amado namorado - que não conseguiam logar, fosse por causa de erro do sistema ou de bloqueio da conexão. E, além disso, eu sou uma pessoa, em princípio, muito democrática. Desde então eu tenho lido com paciência a spams e comentários de gente sem graça que não entendia a piada, repetindo para mim mesmo que fazia parte, que este era o ônus da democracia e da imparcialidade e que toda unanimidade é burra, e tal.

Entretando, noutro dia, um post da Gabi me fez pensar. Querer ouvir todos os comentários não significa que eu tenho que aturar gente desagradável que não gosta do que eu escrevo e se acha no direito de vir despejar suas suscetibilidades e grosserias nos comentários. Ora, meu amigo, se manque! Este é um blog PESSOAL que reflete as MINHAS opiniões. Não estou pedindo pra você ser meu amigo nem endossar tudo o que eu digo. Mas pelo menos RESPEITO pelo outro você deveria ter. Não gostou, clica ali no X, ó. Não precisa continuar lendo e sequer voltar aqui, será que você consegue entender isso? E HOMBRIDADE você também deveria ter, para não comentar sob a alcunha cômoda de "Anônimo" e assumir em público a sua pequena opiniãozinha. Afinal, quem comenta sempre gosta de jogar tomates, mas raramente quer colocar a bunda na janela pra passarem a mão, né? 

Ufa, chega. Então, pessoas, o lance é o seguinte: a moderação está de volta. Isso não significa que a censura será instaurada, afinal, eu posso muito bem conviver com críticas. Só não posso conviver com desrespeito e engolir gente desagradável e covarde. E tenho dito.

Um beijo pra minha mãe, pro meu pai, pra você leitor identificável e respeitoso e pro meu Anônimo querido, que sempre diz coisas dignas de serem lidas.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Meta-se

Metas não são o meu forte. Não, não confunda metas com sonhos, sonhos eu tenho de sobra. Quando me refiro a metas, estou falando da parte pragmática do sonho - o "como" alcançar o sonho. E quanto mais o tempo passa, mais me convenço de que tem gente que já nasce programado pra traçar metas e ir seguindo, paulatinamente, na direção de alguma coisa, enquanto outras conseguem vislumbrar o final da estrada, mas se atrapalham todas com as pedras do caminho. Meu maior problema, eu já descobri, é que penso em tanta coisa ao mesmo tempo, que às vezes não me envolvo tempo suficiente com as coisas pra conseguir realizá-las - e já estou pensando na próxima coisa. Ironicamente, odeio marasmo e repetições automáticas, mas de tanto equilibrar um monte de bolas no ar ao mesmo tempo, acabo ficando estática, de tão absorta nos meus pensamentos e não realizo nem uma, nem outra.

Para algumas pessoas, metas são algo muito complexo. Além do raciocínio específico e metódico - que eu não tenho - também não ajuda muito o fato de que a maior parte dos atos para se atingir metas acabam sendo justamente os automáticos, os repetitivos, os cansativos e os aborrecidos. Por exemplo, se eu quero comprar um carro, eu tenho que juntar dinheiro. E pra juntar dinheiro, preciso de um emprego. Mas, a maioria dos empregos acaba sendo uma repetição de ações sem fim que, em vez de estimular a criatividade e o intelecto do trabalhador, estimulam a obediência e o conformismo. Ou seja: a ação de comprar um carro se torna necessariamente um sacrifício. Quer outra? Um filho. Pra se ter um filho hoje, começamos com a contabilidade, em vez do sentimento puro e simples. Quanto custa ter um filho? Pré-natal, roupas que me caibam durante a gravidez, enxoval do bebê, o parto, fraldas, fraldas, fraldas, remédios, brinquedos, cadeirinha, um carro maior pra caber a cadeirinha, andador, carrinho, babá ou hotelzinho, escola, roupas, calçados, remédios, video-game, livros, viagens, combustível, comida, porcaritos, sorvete, cinema, jogos, televisão a cabo, internet, cursinho pré-vestibular, faculdade, etc. Aí você conclui que infelizmente não dá pra ter filho enquanto não arrumar um emprego e juntar muito mais dinheiro do que seria necessário pra ter o carro.

Entende o que eu quero dizer? É coisa demais, não cabe na minha cabeça esse tipo de raciocínio. Aí eu fico meio agoniada, porque está justamente na minha hora de encontrar caminhos pra fazer as coisas que eu quero fazer antes que o meu tempo acabe. Já reparou que desde que esse blog existe esse é um assunto recorrente? Droga, virei uma daquelas pessoas que só falam da mesma coisa... Acho que preciso de assessoria especializada (procura no guia médico: psiquiatra).

segunda-feira, novembro 24, 2008

Um blog de utilidade pública

Domingo estava eu na casa de amigos, com uma pilha de filmes na minha frente pra decidir qual assistiríamos. Sabe quando você pega a caixa do dvd, olha e os atores não te dizem nada? Aí você vira a caixa e lê a sinopse e ela continua não te dizendo nada? O que é que a gente faz nessas horas, hein? Corre pro google. MAS E QUANDO NENHUM FILHO DE DEUS SE PRESTOU A RESENHAR DECENTEMENTE A PORRA DO FILME PRA TE DAR UMA LUZ???? 

Assim nasceu o CINEMA LATO (ou CINE MALATO, nunca consigo resolver). Um blog de utilidade pública, um banco de resenhas de todos os tipos de filme. Dos mais podres aos mais iluminados. E, como não podia deixar de ser já que quem escreve o blog sou eu, as opiniões mais tortas e as comparações mais estapafúrdias possíveis.

Já tenho duas bombas pra começar, estou fazendo as resenhas. Estou aceitando sugestões, ok?

Abraços.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Abri u olhu amigaaaaa!

Olha só que lindos os DOIS emails SEGUIDOS que eu acabei de receber:

data19 de novembro de 2008 14:22 (50 minutos atrás)
assunto leia com atenção
enviado por erde.ibone.ch

Olá, Desculpe-me pela minha fraqueza! Sinto muito em não poder te falar pessoalmente, fico até meia constrangida em te falar por e-mail, mais me sinto na obrigação de te avisar, abra os olhos, estão traindo você. Eu sei que é difícil de acreditar mais como as imagens valem mais do que as palavras, estou te enviando essas fotos para que você veja com seus próprios olhos. Se cuida... um grande abraço. --> De um amiga que te quer bem!.Ver Aqui as fotos !!!

de queria ter te contado antes...
amigosecreto@email.com para livia.santana@gmail.com
data 19 de novembro de 2008 14:21 (53 minutos atrás)
assunto queria ter te contado antes...
enviado porerde.ibone.ch

Olá, Desculpe-me pela minha fraqueza! Sinto muito em não poder te falar pessoalmente, fico até meia constrangida em te falar por e-mail, mais me sinto na obrigação de te avisar, abra os olhos, estão traindo você. Eu sei que é difícil de acreditar mais como as imagens valem mais do que as palavras, estou te enviando essas fotos para que você veja com seus próprios olhos. Se cuida... um grande abraço. --> De um amiga que te quer bem!.Ver Aqui as fotos !!!


Uuuui...tenebroso, né? Principalmente o português da amiga que me quer bem...como se eu tivesse amigas desse naipe! Mas o que eu achei mais engraçado foi que ao mesmo tempo em que eu abria esses dois disparates, a televisão que eu deixo ligada à tarde pra fazer barulho tava passando uma cena lastimável da Giulia Gam e do Marcelo Anthony na reprise de Mulheres Apaixonadas. Geeente, eu tive que rir. Imaginei o tanto de vírus que não pega no computador das "Heloísas" que existem por aí afora!!!

E cá entre nós: eu confio no meu taco, benhê!