sexta-feira, janeiro 25, 2008

Old Love


Para ouvir, clique em Play

I can feel your body
When I'm lying in my bed
There's too much confusion
Going around through my head

And it makes me so angry
To know that the flame still burns
Lord, why can't I get over?
Man when will I ever learn?

Old love, leave me alone
Old love, just go on home

I can see your face
But I know that it ain´t real
Just an illusion
Caused by how I used to feel

And it's making me so angry
I know that the flame will always burn (flame will always burn)
I ain't never gonna get over
I know now that I'll never learn (never learn)

Old love, leave me alone
Old love, just go on home

quarta-feira, janeiro 23, 2008

That's Death

Quando me conectei hoje cedo, levei um susto: o Ego, aquele site deprimente de fofocas, tinha me adicionado no Twitter. Eu, hein? Aí, quando fui lá conferir se era aquela merda mesmo, li que o Heath Ledger tinha morrido - susto parte II. Chocante, um cara tão novo, tão bonito, tão vivo. E nem se trata de comoção, nem é por ser ele, nem é aquela questão ridícula de "morreu e virou santo, vamos falar bem dele". Apenas acho triste tamanho desperdício de vida, seja dele ou de qualquer outro.

Aí, estávamos eu e a Jo falando sobre isso no msn, quando abri o email e li um texto do Zander que me doeu. Aliás, o Zander é mestre em me enfiar a faca com as coisas que ele escreve. E, na verdade, eu deveria falar um pouco sobre esses dois personagens, mesmo que o tema do post seja meio esquisito pra isso. Jo me chegou através de um cara que não vale absolutamente a pena, caiu de pára-quedas no meio da lona do meu circo se dizendo minha fã e o resultado é que hoje eu sou apaixonada por ela. Uma pessoa de sensibilidade, inteligência e senso de humor raros. Nem sei se ela se dá conta, mas o fato dela gostar do que eu escrevo é um elogio gigante que prescinde de palavras, porque eu a tenho na mais alta conta. Zander, por outro lado, é uma farsa. Ou isso é o que ele gostaria que as pessoas pensassem. Ele é meu Amigo e quem é fã nesse caso sou eu porque ele consegue dizer umas coisas fantásticas de um jeito todo particular. Mas isso só nas crônicas fodas que ele escreve que acabam com a minha vida, porque no msn ele é monossilábico, nos comentários dos blogs alheios é um chato de galocha, por email ele pede votos pro IBest e na mesa do bar diz coisas absurdas como, por exemplo, ter um "anjinho barroco". Anyway.

Voltando à vaca fria. Ou morta. Estava eu conversando com a Jo, mostrei pra ela o texto do Zander e ela me chamou a atenção sobre como ele também era sobre morte. Mortes estúpidas das pessoas que já fomos, de pedaços nossos que ficaram pra trás, de situações que mudaram, momentos que se perderam. E eu fiquei pensando nisso. Na verdade eu me conformo menos com situações que morrem do que com pessoas, as primeiras me deixam maior pesar e maior saudade que as segundas. Sei lá, morte em si é pra mim um negócio menos mau que pra maioria das pessoas, eu acho. Talvez porque não ache que é o fim de tudo e tals. Claro, ainda acho estranho quem tatua a imagem dela no braço, mas em se tratando de quem é, não poderia esperar nada mais...singular.

A Morte a la Sandman*

Eu tenho a maior pena de algumas coisas da minha vida que morreram. E também das coisas que estão morrendo agora, enquanto eu digito. Minhas esperanças e sonhos, meus amigos, minhas células e idéias, meu tempo. Este último morre o tempo todo, sem menções honrosas ou desonrosas, e muito me angustia que ele morra, porque a sensação de desperdício é ainda maior. Gigantesca na verdade, intolerável. E quando me ponho a refletir sobre a morte do tempo - ou da bezerra, como diria a minha mãe - é inevitável que eu lamente tudo o mais que foi junto com ele e que ainda vai. As Lívias que eu já fui, as risadas que elas deram, os abraços que receberam, as oportunidades que se foram. Morreram e agora só existem na memória - na minha e na das pessoas que estavam lá naquele momento.

Mas o papo com a Jo nunca é linear e nunca pára na superfície. Conversando, chegamos no ponto em que ambas admitimos já termos tido as idéias mórbidas que se têm quando pensamos: "e se eu morrer de repente?" Eu disse que vou elaborar uma lista das pessoas a serem avisadas, pra não serem pegas de surpresa "O QUE? A Lívia morreu?? Mas eu falei com ela ontem!". Ela disse que já escolheu a música do funeral dela - que, diga-se de passagem é um sarro e está no vídeo aí embaixo - e, portanto, pessoas, não copiem a idéia da Jo, escolham suas próprias músicas fúnebres.



That's Death - Letra AQUI

Eu não sei qual das duas é pior. Por via das dúvidas, internem ambas.

Em todo o caso, se você é meu amigo, eu morrer de repente e ninguém te avisar, tenha a certeza: a culpa é da minha mãe, ok? Porque EU certamente lembrei de colocar seu nome na lista.


*desenho de Fábio Yabu, emprestado do blog da Marisa Toma.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Altas Doses de Estrogênio

Esse fim de semana foi introspectivo e solitário. Não que isso seja novidade, mas é que a Nayra viajou na quinta feira e aí a coisa foi mais parada que de costume, um saco. Nem sei como eu vou me virar quando a bichinha mudar de vez pro Rio...Aliás, olha a ironia: eu nunca não quis tanto ir pro Rio como hoje e, no entanto, em breve, três das minhas melhores amigas estarão morando lá. Ainda bem que a ponte aérea só demora cinqüenta minutos!

Aí, aproveitando o excesso de ócio causado pela chuva - ah, tem mais essa! Em Uberlândia faz calor que nem o porão do inferno, com o agravante que é abafado, nem ventar nessa joça venta. Então, durante a semana cozinhamos, tentando não suar aos borbotões dentro de roupas sérias e escritórios fechados, e pensamos: oba, vou tomar um sol no fim de semana, porque bronzeada a gente parece mais magra e tal. Adivinha?

Na sexta à noite começa a ventania, folhas rodopiando pra todo lado e não se vê uma estrela no céu. De madrugada, a fulana acorda por cinco segundos e pensa ter ouvido chuva do lado de fora, mas nem dá tempo de processar a informação e já está capotada babando no travesseiro de novo. Abre os olhos no sábado de manhã e constata: é, choveu o dilúvio, tá tudo cinza e sol nem pensar. O mesmo no domingo, com a diferença que, no cúmulo do requinte de crueldade, o sol abre no finalzinho da tarde, esquentando pra caralho, sem no entanto servir pra nada, a menos que fosse pra subir no telhado pra pegar pelo menos um restinho. Sem chance, né? Meus dias de mulher aranha se foram.

Aí, durante o excesso de ócio, eu zerei um jogo (a coisa menos feminina e mais Lívia que eu fiz), li meio livro da Martha Medeiros e assisti a duas temporadas de Sex and The City. Tanto o livro quanto os dvds me foram emprestados por um amigo, que disse: aqui, ó, eu alimento meu lado gay com isso.

E bota lado gay nisso. Martha Medeiros é a mais mulherzinha de todas. Não que eu não tenha gostado, ao contrário. O livro, Montanha Russa, contém cem crônicas engraçadas, sensíveis e interessantes, me peguei rindo e pensando em muita coisa enquanto lia. Mas sei lá. Eu me sinto meio masculinóide mesmo, às vezes. Excessivamente crítica, desconfortável com romantismos e ingenuidades, sem paciência com otimismo ou simplismo. Fazer o que, né? Uma pessoa cuja opinião eu respeito muito me disse outro dia: "antes cínico que simplório" e eu tive que concordar. Se bem que também ficam me dizendo que eu não sou cínica, que isso é só uma fase, etc. Anyway.

Sex and The City é divertidinho. Porque tem sexo - o tempo todo, como trepam aquelas mulheres! Até parece que a vida é fácil desse jeito mesmo! - e muitas situações engraçadas. Fetiches, tabus, pau grande, pau pequeno, transar no primeiro encontro, sexo tântrico, com sentimento ou sem sentimento, relacionamentos, problemas com relacionamentos, fins de relacionamentos, corações partidos. Ok. Reconheço, mulher fala de tudo isso mesmo. Mas nem é só disso, sabe? E eu me senti meio banalizada por ser retratada daquela forma tão...mulherzinha.

Quem, eu?

Ta certo, eu tenho as minhas manias e tal. Bem sei que já aborreci muita gente com elas e até decepcionei uns e outros por ser capaz de agir assim ou assado. Coisa que eu lamento profundamente, não gosto de ser neurótica, pode acreditar. E, via de regra, tenho horror de mulherzinha. Elas concentram tudo aquilo que eu desprezo nas minhas companheiras de sexo. Frescura, chiliques, ataques de ciúmes, invasão do espaço alheio, manipulação, jogos em vez de relacionamentos, conversas sobre vida alheia ou novela, filmes e livros água com açúcar, revistas e programas de televisão "voltados para o público feminino", essas coisas. As mulherzinhas são o estereótipo negativo feminino, tudo o que torna as mulheres desinteressantes e irritantes. E muito me incomoda ser rotulada com elas, como se fôssemos uma coisa só.

Enfim, andei me expondo demais esse fim de semana a calcinhas e estrogênio. Tô abastecida por meses inteiros. Acho até que tô precisando de antídoto! O jeito é começar hoje à noite o quarto Mochileiro das Galáxias e chamar meu irmão pra jogar Guitar Hero no PS2. ¬¬

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Teresinha

Ontem foi um dia foda. Com um espaço de algumas horas encontrei dois amigos de dez anos. Um, sempre presente na minha vida, é o mesmo a que me referi no "meu, seu, nosso". O outro é um que vejo esporadicamente e a última vez em que nos tínhamos encontrado foi no final de 2006, quando eu tava radiante e cheia de planos pro futuro.

Ambos importantes, cada qual a sua maneira. Cada um remete a uma Lívia e isso é algo interessante de se fazer - ao menos pra mim.

O primeiro me chegou (como quem chega do florista - rá, não reclame, esse é um blog referencista!) no fim da tarde, mancando por causa do joelho, sorrindo, mas com um papo sério pra levar. Aliás, um dos papos mais sérios que já levamos. Muros de tensão, raciocínios graves, verdades duras, enxurradas de sentimento. Algo como um pacto, uma aliança. E a maior declaração de confiança ever. São poucas as vezes em que a gente se dá conta de que ama alguém pra caralho, e essa foi uma delas. Foda.

Ele se foi e me deixou com os meus pensamentos, que me entretiveram até que tocou o telefone. Era o segundo, que (trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar) me chamou prum barzinho, onde sentamos e falamos da vida - desde quando não nos víamos e de tempos antes também. Boas risadas, histórias, impressões, lembranças, piadas. De todas as coisas interessantes que ouvi, destaco as seguintes:

"Todos precisamos de holofotes, mas é necessário discernir até que ponto é iluminação e a partir de onde é ofuscação".

"Não dá pra prescindir de um pouco de cinismo e ironia nessa vida".

"Eu não magôo pessoas, elas é que escolhem se sentir magoadas".

"Você faz parte do panteão feminino da minha vida" (Rá!)

Ah, como é bom conversar com gente que gosta de conversar e que tem coisa que preste pra dizer! :-P

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Conversas Insólitas II

- Tem noção que nos últimos minutos você gargalhou E amaldiçoou o mundo?
- É, né?
- Cara, você é bicúspide.
- Hein?? Seu cretinoooooo! Eu não sou um molusco!!
- MOLUSCO?
- Putz, eu entendi bivalvo!
- ahahahahaahah...
- E por que você me chamou de bicúspide?
- Eu quis dizer bipolar...
- ... ¬¬

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Catarse cinematográfica

Eu to com um pequeno problema. Descobri sexta feira à noite que não estou conseguindo mais assistir a qualquer filme.

Eu sempre gostei de comédia romântica, por mais descartáveis que elas fossem, porque depois de algumas risadas, acabava tudo bem e, afinal de contas, muitas vezes é pra isso que serve o cinema - pra saciar, pelo menos um pouco, a nossa sede por finais felizes. Por outro lado, assistir a filmes cheios de desgraças em que o mocinho só se fode também era bom, porque, além das diversas reflexões que pudessem suscitar, despertavam um sentimento de "ufa, eu tô até bem!" quando subiam os créditos.

Mas isso agora já era. Eu vejo um filme besta que nem é Must Love Dogs, por exemplo, e fico com uma sensação muito ruim, com um puta gosto amargo na boca. Porque por mais que eu ache divertida a parte em que dá tudo errado, aquela sutil transição que ocorre em todo filme desse tipo, quando as coisas começam a melhorar, em que a trilha sonora muda e em que o personagem começa a ficar mais feliz, não me carrega junto mais. Eu assisto totalmente alheia à vida do cara, que era toda ferrada, se ajeitar. Ele fica com a mocinha e vive feliz pra sempre, e eu sequer consigo reclamar. Não, não tem problema nenhum, o roteiro é bom, os atores também (Diane Lane e John Cusack, por exemplo), o filme ficou bem feitinho, mas... não me toca. Aliás, minto, toca sim. A felicidade alheia - mesmo que de mentirinha - me chateia. Eu penso: cara, acho melhor eu me preparar pra virar a bruxa do João e Maria, vivendo sozinha no meio da floresta numa casa de doces e aprisionando crianças na gaiola pra assar no forno e comer.

E isso também rola com um filme cheio de desgraça que nem o o Mrs. Harris (com a Annete Benning), que eu assisti ontem, por exemplo. Um filme em que a mulher se apaixona pelo cara - aliás, pelo careca, baixinho e narigudo do Ben Kingsley, cruz credo! - que não é muito afeito a intimidades, os dois namoram, ele a pede em casamento, muda de idéia e ela fica os próximos quinze anos namorando o cara "sem exclusividade" e vivendo com ele sem estar realmente com ele. Fica paranóica, deprimida, solitária, infeliz e mal amada. Por fim, quando ela resolve se matar, vai até a casa dele pra se despedir, o tiro acaba pegando nele e o cara morre. Resultado: ela é julgada, condenada e fica presa até os 69 anos. Aí você me pergunta: o que isso tem a ver com você, criatura??? Bom... nada, eu provavelmente direi. Mas não é a coisa específica que me atinge, é a desgraça genérica - eu me identifico! Basta o sofrimento. To na merda!


Aí fodeu, né? Porque de filme de guerra eu não gosto - um dos poucos de que eu gostei foi o Círculo de Fogo (Enemy at the Gates) - filme de terror eu não assisto, filme de artes marciais eu abomino...acabam restando:

1. as comédias respeitáveis;
2. os besteiróis
3. as ficções científicas levando em conta que eu não gosto de Star Wars;
4. as nerdices tipo filmes inspirados em heróis de quadrinhos;
5. os filmes tipo The Departed em que morre todo mundo mesmo e pronto, acabou;
6. os musicais em que a estrela é a música e os dramas não passam de pano de fundo;
7. os thrillers de serial killer com o Morgan Freeman;
8. os desenhos animados da Pixar.

Ah, claro, isso tudo sem mencionar que outro dia, num arroubo de boa vontade e reverência com o cinema brasileiro, eu me sentei cinco minutos diante da televisão pra assistir "Ó Paí ó". Meus amigos, o que é aquilo, pelamordedeus??? Não há Lázaro Ramos e Wagner Moura, nem ufanismo pelo cinema nacional que compense uma porcaria daquele tamanho, misericórdia!

Aliás, preciso analisar se aqueles minutos não me deixaram mais sequelada do que eu já era!...rs

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Epifania

O dia em que encontrei esse poema numa prova antiga da UFRJ, meu coração até bateu mais rápido. Parecia que ele dizia o que eu estava tentando desencavar de algum lugar. Algo que circulava com o meu sangue e eu ficava tentando transformar em palavras.

DE MANHÃ

O hábito de estar aqui agora
aos poucos substitui a compulsão
de ser o tempo todo alguém ou algo.

Um belo dia – por algum motivo
é sempre dia claro nesses casos –
você abre a janela, ou abre um pote

de pêssegos em calda, ou mesmo um livro
que nunca há de ser lido até o fim
e então a idéia irrompe, clara e nítida.

É necessário? Não. Será possível?
De modo algum. Ao menos dá prazer?
Será prazer essa existência cega
e latejar na mente o tempo todo?

Então por quê?
E neste exato instante
você por fim entende, e refestela-se
a valer nessa poltrona, a mais cômoda
da casa, e pensa sem rancor:
Perdi o dia, mas ganhei o mundo.

(Mesmo que seja por trinta segundos.)

Paulo Henriques de Brito - As Três Epifanias.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Teorias de boteco

Ontem eu ri como poucas vezes nos últimos tempos. Bons amigos numa mesa de boteco e bons amigos tocando música boa no palco. E aí rola muito papo furado, muita sacanagem, altas histórias cabeludas, algumas observações sérias e, principalmente, grandes teorias.

Uma das melhores seqüências da noite começou, como de costume, com um solo de guitarra excepcional. No palco, um dos meus amigos tocava meio em transe, de olhos fechados, o corpo acompanhando o movimento - frenético - dos dedos. Espectadores que éramos, fomos junto. Olhos, respiração, pulso. Acelerando. Até que ele tirou as mãos das cordas, agarrou o microfone e soltou um gemido rouco e sentido com a voz potente.

Um suspiro e minha amiga e eu trocamos olhares com a expressão em comum no rosto: Ai, caralho. E a declaração que deflagrou o papo:

- Ai, se ele fosse trinta centímetros mais alto!... - ela se abanou.
- TRINTA centímetros? PRA QUE você precisa disso tudo? - eu arregalei os olhos.
- Ah, cara, minha fase de baixinhos está encerrada oficialmente.
- Ai, senhor, dai-me forças...
- É verdade!... - voltou os olhos pro palco com uma expressão de "ai, que pena".

Os meninos entraram na conversa.

- Cara, isso é preconceito. - disse um.
- Eu não entendo essa onda! - atalhou o outro.
- Ah, mas isso é porque vocês dois são dois Oompa Loompas! - ela alfinetou.

Todo mundo caiu na risada, inclusive eles. Viraram a mira pro meu rumo:

- Ô Loka, diz aí...por onde passa esse negócio de mulher preferir homem alto?
- É, tem a ver com estética ou é aquele lance de se sentir protegida e etc...?

Pronto, sobrou pra mim. Até me endireitei na cadeira.

- Olha só... Só dá pra falar por mim, certo? - eles assentiram - Então. Eu já namorei homens altos e baixos, pra mim tanto faz isso. É fato que algumas observações podem ser feitas...cara, eu sou gordinha, ok? Eu luto com a balança e tenho consciência de que nunca vou ser miudinha...

- Ah, não! - eles tentaram interromper.

- Cala a boca, deixa eu falar, porra. - cortei. - Eu sou. E, por isso, sair com um cara alto, grande, é mais confortável porque faz eu me sentir menor, até mais magra.

- Poooorra!
- Espera, caralho, deixa eu falar!
- Ok, fala.
- Então. Por outro lado, não é todo cara baixo que faz a gente se sentir grande. Vocês dois, por exemplo, são baixos, mas...

- São dois Oompa Loompas! Dois mini-craques cabeçudos! - minha amiga provocou novas risadas e eles a mandaram prum lugar intranscritível. É incrível que a gente consiga levar qualquer conversa a cabo.

- MAS - olhei feio pra ela - o volume, a massa corporal de vocês faz parecerem maiores.
- Faz? - eles se surpreenderam. - Mas a gente é normal!
- Faz sim. Vocês não sabem como um homem da mesma altura de vocês, um pouco mais franzino, pode parecer menor... - fiz uma careta.

- Ah, mas aí também entra o espírito de Pincher! - ressaltou um.
- O QUE? - todo mundo caiu na risada de novo.
- É, ora. Se o cara SE SENTE pequeno, se fica intimidado com uma mulher de salto...
- É, todos os meus namorados baixinhos reclamaram dos saltos... - eu considerei.
- UNS BABACAS! - a indignação dos dois foi tanta que quase falaram em uníssono.
- ... e, principalmente, se o cara não tem postura de homem, claro que a garota vai olhar pra ele e ver um cachorro chato que late fininho pedindo colo! - meu amigo completou.

Depois das gargalhadas, meu outro amigo fez cara séria.

- Mas então, cara - olhando pra mim - isso de se sentir menor com um cara grande é neurose sua, né?

- Claro que é neurose minha. Assim como essa baboseira de "trinta centímetros mais alto" é neurose dela! - apontei pra minha amiga - Todo mundo tem as suas!

- Epa, epa, epa! Já viraram a metralhadora pra mim, é?
- Não, cala a boca, você é neurótica mesmo. - ele mostrou a língua tirando sarro dela e se virou pra mim de novo - Cara, eu vou te dizer, na boa, você me conhece, sabe que não tem nada a ver e tal. Mas não me conformo com essa conversa de gordinha. Eu sempre admirei a sua postura tranquila, sua segurança, seu charme. E nisso você deve concordar comigo - se virou pro outro, que assentiu com a cabeça - Você é bonita e consciente do seu corpo. Dá pra ver pelo jeito que você olha, que sorri, que se move e isso é muito sensual.

Eu estava desconsertada, mas ele continuava sério. Aliás, os dois estavam, parecia que meus amigos tinha tirado a noite pruma intervenção na minha auto-estima.

- E tudo isso combinado com a sua personalidade, faz com que você seja extremamente desejável pra qualquer homem. Então não se engane, cara, ao lado de qualquer um você vai parecer exatamente assim. Só precisa se cuidar pra fugir dos babacas...

- É, não perca tempo com espíritos de Pincher... - o outro riu.

Nesse momento a banda fez uma pausa e a minha amiga se levantou, sacudiu os cabelos e foi saindo.

- Ei, onde você vai? - eu quis saber.

Ela piscou pra mim:

- Vou ali descobrir de que cachorro é o espírito do guitarrista!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Hoje

Hoje é mais ou menos o primeiro dia útil do ano. O que não significa que esteja livre de preguiças e de gente dizendo que ainda falta o carnaval - né, Eric? - pro ano efetivamente começar. Hoje o Zoei Grandão voltou à ativa, porque o Cabeça voltou pra casa e por isso a Mônica deve estar morrendo de saudades dele. Hoje o dia foi puxado pra alguns no trabalho e tem gente que vai fazer serão. Hoje o Zander está de volta da terra de Catarina e Alê Félix está de volta ao Brasil. Hoje a Rach resolveu ser borboleta na próxima vida e a Jo me disse uma coisa que me fez rir muito sobre imbecis e tiros pela culatra. Hoje a Dri veio bater papo comigo lá de Roma pra matar a saudade e me deu uma super idéia. Conto depois.

Hoje é aniversário do Gilberto (parabéns, querido!), mas não posso ligar pra ele porque o danadinho ta em Israel (lindas as fotos, viu? Falamos quando você voltar, então!) Hoje a Gabi insinuou que eu não tenho jeito pra aprender a fazer "pole dance" - Ruiva, me dá um crédito, pô! Hoje o Reginaldo foi extremamente solidário com uma coisa nojenta que contei pra ele. Hoje a Lilhoca começou oficialmente a morar sozinha, acho que vou fazer uma serenata com "Mr. Lonely" do Akon pra ela (ok, ok, é brincadeira, não precisa desse boneco de vodu). Ela me chamou pra fazer uma pós graduação lindona e se eu tivesse qualquer emprego, topava no ato, mas do jeito que as coisas estão, só se eu aderir às "casas de massagem" com "altos ganhos". Foda.

Hoje a Andréa não deu as caras o dia inteiro, a Carla e eu tivemos uma conversa séria sobre um assunto indigesto e choveu às píncaras em Uberlândia, o que não impediu de o sol abrir com a corda toda agora à tarde e já estar quente pra caralho de novo. Hoje a Roberta teve que ir à delegacia e eu sinto muito por ela. Hoje a Nayra me disse que não conseguiu comentar o último post porque se embananou com as letras de verificação e que o Gui pergunta sempre pra ela se ela tem certeza de que foi alfabetizada. Eu até acreditaria nisso se a mente jurídica dessa senhorita não fosse tão ágil e se não fosse uma das pessoas mais geniais que eu conheço (serve de retratação, amiga?).

Hoje meu pai acordou doente, não se sabe o que ele tem. Gripe, dengue, indigestão, ziquizira, sei lá. E sempre que ele fica doente, aqui fica tudo bagunçado, o povo fica meio sem rumo. Minha mãe parece uma galinha acuada no ninho. Hoje eu passei a tarde fuçando na legislação federal e municipal, no INSS e na Receita Federal porque preciso que o meu pai seja reconhecido como deficiente físico. Ele ta detestando isso, mas reconhecer as nossas limitações também é parte da coisa toda, né?

Hoje eu teminei o dia pensando num monte de gente, sentindo saudade, relembrando tantas passagens, tantas particularidades. Certamente um monte de gente ficou de fora do post, eu falei com poucas pessoas hoje. Em todo o caso, o post que eu comecei a escrever mais cedo era sobre como eu não gosto de gente e como amo apaixonadamente os meus amigos. Acho, que no fim das contas, esse acabou ficando melhor.

É isso. Beijo pra quem é de beijo e nada pra quem é de nada.

domingo, janeiro 06, 2008

Conversas Insólitas I

Toca o telefone.

Eu: - Alô?
Ela: - Amiga, eu tô passada!
Eu: - Oi! O que foi?
Ela: - Cara, a Eliana só pode estar colocando botox com o mesmo médico da Hebe!
Eu: - Hein?
Ela: - Só pode! A cara dela já ta ficando meio quadradona daquele jeito!
Eu: Eliana? A dos dedinhos? Parecida com a Hebe Camargo?
Ela: É! Aí, até os olhos já tão ficando apertadinhos!
Eu: Ué, vai ver é fetiche.
Ela: Eu to horrorizada! Afinal, Ivo Pitanguy já disse: gente, pelo menos ALGUMA ruga um rosto tem que ter pra manter a dignidade!
Eu: (risos)
Ela: Se ela começar a dizer "grassssssinha" realmente vai ser o fim!
Eu: Aí você vai descobrir que além do médico, elas têm o mesmo dentista...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Meu, Seu, Nosso


Outro dia eu tava batendo papo com um amigo querido. Aliás, O amigo, O cara. O mais antigo, o mais amado, o que mais me conhece, o que mais tem liberdade comigo. Enfim, estávamos os dois afundados no sofá e falamos desde Harry Potter até planos de vida e neuroses (rá, eu devo ter muito a falar sobre isso, né??).

E saiu uma discussão interessante sobre namoros de longo prazo, objetivos em relacionamentos, divisão de espaço, medo de compromisso, essas coisas. Ele defendia que a idéia de um namoro precisar "evoluir", ter algum "objetivo" é uma idéia feminina. Note-se que EU não penso isso, mas como ele mesmo observou: "você tem o cérebro meio masculinóide, né?", então, não sirvo de base. Por minha vez, eu defendia que relacionamento é querer fazer planos juntos, mesmo que seja "vamos pedir uma pizza hoje à noite depois do trabalho?".

Ele argumentava que tecer relacionamentos que sejam estáveis, que envolvam planos e que impliquem em dividir as coisas é complicado porque é necessário o indivíduo abrir mão do SEU espaço em prol de um espaço compartilhado, em que tudo é NOSSO e nada é MEU. E que essa é uma concessão dolorosa.

Eu rebatia dizendo que isso não é absoluto e que decorre necessariamente da experiência pessoal e da maturidade de cada um. Ele, por exemplo, é um cara que teve seu espaço pessoal invadido pelos pais, irmãos, cachorro, vovó, titia e papagaio desde sempre, e que por isso anseia desesperadamente por construir um que seja APENAS seu e onde seja o senhor absoluto. Por outro lado, eu lhe disse, há pessoas (dei o meu exemplo concreto recorrente, ah, os parâmetros!) que conquistaram seu próprio espaço há muito tempo, já passaram por muitas coisas sozinhas, sabem se virar, sabem como se viram e logo não precisam mais se testar perante as coisas que acontecem. Essas pessoas já experimentaram o espaço individual, são senhores dele e da própria vida e concluíram que alguém pra compartilhar esse espaço é algo desejável e factível. Simples assim. E ele teve que concordar comigo.

Eu nunca tive um espaço meu, a não ser este virtual dentro do meu cérebro, onde as idéias se sucedem incessantemente sem censura e frequentemente sem interrupções. Uma pena que no meu espaço mental não dê pra andar só de calcinha, tomar água no gargalo da garrafa da geladeira se eu quiser, desligar o telefone se estiver sem saco pra atender, adotar um gato e convidar alguém pra passar a noite, se me der vontade.

Ok, aqui também não tenho que pagar contas (ao menos não as que se paga em dinheiro), fazer supermercado, lavar a louça, a roupa, o banheiro. Mas nada disso me incomoda. Ainda mais se a idéia for: se eu não fizer, ninguém vai fazer por mim, ao menos não sem eu pagar uma diária, uma vez por semana. Essa perspectiva é ótima, na verdade. Nesse caso, eu tenho o poder absoluto até de viver num chiqueiro, se me convier (BLARGH!).

Por outro lado, o fato de tem sempre tido meu espaço invadido não me torna radical a esse respeito, como quem sustenta discursos inflamados contra casamento, filhos, e etc. Na verdade, eu andava meio em pânico com essa conversa, porque meus relacionamentos andaram se rompendo muito facilmente nos últimos tempos. Então, eu morria de medo de me tornar uma Elizabeth Taylor, cheia de maridos descartáveis. Também ficava apavorada com a perspectiva de ter filhos e nem era pelo fato de que uma vez colocado no mundo, nunca mais aquele moleque me daria sossego. Não, nada disso. A minha parca maturidade só me permitia ir até a perspectiva do parto, da dor excruciante, do quão violento me parecia a idéia de passar uma melancia pelo buraco onde cabe uma laranja.

E dia desses isso mudou, a idéia me pareceu maravilhosa, tanto de dividir meu espaço e meus planos com alguém, como de formar o caráter de uma criança e vê-la crescer. Claro, a idéia me parece boa, mas remota, porque despertar confiança suficiente pra querer isso não é papel pra qualquer um. Não basta querer brincar de casinha. E o momento em que o pacote (casamento + filhos) mudou de figura se foi e não sei se voltará.

E por falar nisso, o meu amigo mencionou que mulheres são condicionadas a brincar de casinha desde cedo. Engraçado, eu brinquei de casinha, sim. Aí raspei a cabeça de todas as bonecas, amarrei um rabo de cavalo e fui correr na rua pra ralar o joelho...

Meu, Seu, Nosso. O que importa mesmo, acabamos concluindo na tal conversa, é que o imprescindível em qualquer relacionamento, da profundidade que for, é a emoção. A capacidade de olhar pro outro e sentir enternecimento, apesar de ele ter deixado a toalha molhada em cima da cama, apesar dela não tirar os cabelos do sabonete. O que conta mesmo, no fim das contas, é a intimidade, o carinho e a admiraçao. O resto é resto.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Virada

20:00 - tomo sorvete.
20:30 - chegam dois torpedos.
21:00 - Bruce All Might.
21:30 - troco pra Sex And The City.
23:55 - envio o único torpedo da noite.
00:00 - tomo um longo banho morno.
00:15 - chegam mais torpedos.
00:30 - Meu Vizinho Mafioso II.
02:30 - muitas risadas depois, vou pra cama.

Acordei sem ressaca, de bom humor (APOCALIPSE!), cheia de planos e já fiz meu ano andar hoje. :-)

2008 que me aguarde.

sábado, dezembro 29, 2007

Que venha 2008.

E quem diria que o último post do ano seria letra de música?
Credo, que prognóstico daqui pra diante!...(risada)
Boa festa pra todo mundo, que a ressaca do dia primeiro seja leve.
E cheers!


WASTED TIME
Eagles

Well baby, there you stand
With your little head, down in your hand
Oh, my God, you can't believe it's happening again
Your baby's gone, and you're all alone
and it looks like the end.

And you're back out on the street.
And you're tryin' to remember.
How will you start it over?
You don't know what became.
You don't care much for a stranger's touch,
But you can't hold your man.

You never thought you'd be alone this far down the line
And I know what's been on your mind
You're afraid it's all been wasted time

The autumn leaves have got you thinking
about the first time that you fell
You didn't love the boy too much, no, no
you just loved the boy to well, Farewell
So you live from day to day,
and you dream about tomorrow, oh.
And the hours go by like minutes
and the shadows come to stay
So you take a little something to make them go away
And I could have done so many things, baby
If I could only stop my mind from wondrin' what
I left behind and from worrying 'bout this wasted time

Ooh, another love has come and gone
Ooh, and the years keep rushing on
I remember what you told me before you went out on your own:
"Sometimes to keep it together, we got to leave it alone."
So you can get on with your search, baby, and I can get on with mine
And maybe someday we will find, that it wasn't really
wasted time

domingo, dezembro 23, 2007

2007

Este foi, sem sombra de dúvidas, o pior ano da minha vida. Ganhou de quando os meus pais se divorciaram (11), ganhou de quando meu namorado cometeu suicídio (18), ganhou dos meus anos de angústia surda e muda dentro do Direito (17-24).

Apesar de sempre ter sido uma criança e uma adolescente calada, na minha, mais adepta de livros que da companhia de pessoas, melancólica, eu nunca tinha entrado de fato em depressão, o que aconteceu. Eu quis morrer tantas vezes esse ano que até me assusto olhando em retrospecto. Tomei remédio, entrei na terapia, me afastei das pessoas, infernizei a vida de quem eu mais amava. E perdi. Muita coisa.

Outro dia, na terapia, eu me peguei dizendo que se eu pudesse escolher um ponto dessa trajetória pra voltar, eu escolheria - olha a ironia - o dia em que eu cortei o pé, no Natal do ano passado, e que foi justamente quando eu decidi começar esse blog. Pudesse eu voltar àquele dia e talvez nada do que está escrito aqui hoje, fosse o mesmo. Talvez eu fizesse diferente, talvez conseguisse até fazer mais coisas certas. Por mais patético que pareça.

Engraçado...o ano passado terminou de um jeito tão promissor! E acabou dando tudo tão errado... Eu sinto como se naquele ponto eu estivesse começando uma fase nova do jogo, que tinha muito pra aprender sobre os segredos da história e muito a ganhar pras próximas fases. Mas eu não dei conta de jogar, morri e agora não tem mais botão de continue. Agora o jeito é arrumar outro jogo e tentar esquecer como aquele era bom e como eu gostava de jogar aquele. E talvez por isso eu esteja meio cética com o próximo ano...acho que eu desaprendi a jogar e me preocupo com quantas vezes ainda vou morrer por absoluta falta de habilidade. Acho que finalmente me vi que nem o Sr. Burns descobrindo que durante a vida dele toda era o Smithers o responsável pelo seu sucesso no golfe.

(...)

Na verdade, 2007 foi um ano recheado de incongruências. Cometi erros, magoei gente, perdi e reencontrei amigos, conheci alguns novos, fui acolhida por quem eu não esperava, passei alguns momentos muito felizes. Tomei algumas boas decisões, também. Mas sem promessa de ano novo, melhor deixar em off.

O que eu tiro desse ano?

A noção de que esperança morre, ressuscita e morre de novo. E ressuscita. E morre.
A consciência de que um parâmetro pode ser a essência de toda a infelicidade.
A certeza de que não terei saudades dos meus 24 anos.
E a vontade de aprender a jogar direito qualquer dia desses.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Tô bege

Eu nunca postei duas coisas num dia só. Mas hoje eu PRECISO. Tô passaaaaaaaaaaaaada!

Como homens e mulheres são diferentes, puta que pariu! Mais que isso, como homens e mulheres FERIDOS e PRETERIDOS são diferentes! Enquanto umas choram, se descabelam, querem morrer e escrevem páginas e páginas de textos depressivos, lamentando o fim e desejando que pudesse ter sido diferente, outros ODEIAM. Apenas isso. Escrevem quilômetros de textos ofensivos, ultrajantes, venenosos, perversos e lascivos, o que é pior. Vão além! Criam blogs pretos escritos em dourado dedicados a amaldiçoar o que acabou e quem se foi.

Engraçado, fiquei muito tempo sem visitar um determinado lugar da minha lista de blogs e quando finalmente caí lá, fiquei abismada com a produção furiosa com que o tal blog tem sido alimentado. E fiquei ainda mais abismada com o ódio, entremeado de mortes, putas, sangue, rabos e coisas do tipo. Choque.

Eu fico pensando: como nos enganamos! E continuo chocada.

Bom humor nojento e intolerável


Hoje quando acordei estava chovendo, daquelas chuvas que murmuram: fique aí entre as cobertas mais um pouco, pode deixar que estou mantendo o mundo aqui fora bem parado enquanto você dorme...

Quando finalmente levantei, eu ainda tava no ritmo da chuva caindo...meio lânguida. Andei pela casa de cabelos desalinhados, envolta num roupão amarelo, arrastando meus chinelos. E tinha algo de estranho no ar, parecia mesmo que o mundo estava em suspensão enquanto eu dormia. E foi aí que eu lembrei: o fórum entrou de férias HOJE. Oh, dia glorioso!

Escritório fechado, pai de bermuda andando de um lado pro outro, irmão jogando video game...que beleza. Aí lembrei do aniversário de um amigo querido e liguei pra desejar felicidades e dizer bom dia. Pena que era pro Rio e consumiu boa parte dos meus créditos, mas ok, valeu a pena.

Hoje eu acordei foi com vontade de abraçar as pessoas que eu amo e estão longe. Já que não dava, pelo menos chamei no msn, disse bom dia e desejei bom trabalho, dei um beijo. Essas coisas paliativas que só dão mais vontade de estar junto, mas que pelo menos servem pra dizer: eu pensei em você, me importo e sinto sua falta. Mesmo que não seja recíproco, não importa. Na verdade, eu não ando muito preocupada com o que os outros sentem a meu respeito, estou mais absorta em mim mesma, no que eu tenho, sinto e tenho pra dar. E isso tem me feito bem.

O humor tá tão bom hoje, que até criar uma cidadezinha num emulador on line eu criei...mas agora preciso de acessos pra aumentar a minha população e pra isso eu preciso que cliquem no link dela. Cara, é muito mico, né não? Mas clica aí, vai, num custa nada! Sem atingir a população necessária eu não posso jogar! http://livilandia.myminicity.com/ Mas vê se depois não tira onda da minha cara, porque eu apelo. :-P

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Um dia produtivo

Não, eu não fiquei à toa o dia inteiro, eu TRABALHEI de verdade - ô! E como tem advogado burro nesse mundo meu santo Deus. Como sai filho-de-vó-que-dorme-de-meia dessas faculdades de Direito, cruz credo!

Bom, e quando o trabalho acabou, eu resolvi fazer mensagens de natal...ho ho ho.

Fiz quatro vídeos. Aí embaixo tem dois, os outros dois estão na BLOGAGI.

Estrelando: Dehynha, Lívia, Rodrigo, Carla e Outsider. Feliz Natal!

Don't send a lame Starring You! eCard. Try JibJab Sendables!


Estrelando: Júlio, Gabi, Junior, Lílian e Eric. Feliz Natal!

Comentários ofensivos, por favor, por email. :-P

Don't send a lame Starring You! eCard. Try JibJab Sendables!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Caminho e Destino


Dia desses, aqui mesmo nesse blog, alguém condescendentemente chamou minha depressão de limerência. Noutra ocasião, me disseram impiedosamente que sou instável porque eu não encontrei ainda uma meta específica. Ontem me disseram que eu não sei o que eu quero da vida porque vivo mudando de idéia. (suspiro)

Eu fico abismada com a capacidade das pessoas me dizerem essas coisas. Talvez a errada seja mesmo eu que procuro um jeito delicado de dizer as coisas aos outros e que procuro me calar quando não tenho nada de bom pra dizer, afinal, estou longe de deter a sabedoria absoluta que me permita dizer qualquer merda que me venha à cabeça. Talvez seja esse mais um reflexo da deficiência que citei dois posts abaixo, essa maldita necessidade de aprovação, essa dificuldade de dizer não apenas não, dizer: "você é chato(a)", "dá pra calar a boca?" ou simplesmente, "vai tomar no cu".

Cara, eu não sou instável. Eu mudo muito de humor? Sem dúvidas, porque sou receptiva e sensível ao que me rodeia. Mas isso não significa que as coisas que eu quero, que eu acredito e que preciso mudem. Eu sei muito bem o que eu não quero, já é algo muito gratificante, poder dizer: "opa, pode parar, isso aí nem fudendo!". Já é um passo pra se saber o que se quer. Aliás, eu sei o que eu quero, porra! Só preciso encontrar qual será a MINHA forma de chegar lá, que não terá a ver com nenhuma fórmula milagrosa que alguém possa tentar me dar. Eu odeio oráculos, donos da verdade e gente que quer me ensinar a viver! Eu lá sou convencional??? Eu tenho que abrir o meu caminho sozinha, mesmo que isso envolva grandes cabeçadas, caramba!

Afinal, já diria o grande sábio Paulo Coelho em seu maravilhoso Diário de Um Mago (ahahahahahaahahahahahahahahahaha...cof cof...gasp...ahahahahahaahhaahahhhahahahaha), o caminho é mais importante do que o destino, porque é no processo que se aprende as coisas. Profundo, né? (CATAPLOFT)

Deixando a imitação de escritor de lado e falando sério, realmente o caminho vai fazer diferença, porque as variáveis que envolvem as minhas metas serão determinadas pelas pequenas curvas que eu fizer. E as pessoas que estarão ao meu lado quando eu chegar lá, também serão definidas enquanto eu caminho. Eu gostaria de encontrar algum SamWise Gamgee pra me acompanhar. E, quem sabe, sendo muito otimista, podia encontrar um Gregory House que me chamasse de Wilson. :-P

Em suma, me dá um tempo. Eu já tô vendo a luz no fim do túnel. Quem puder ter um pouco de paciência pode achar que valeu a pena.


***A música "I'll Cover You" é da trilha sonora da ópera-rock "RENT" e na minha opinião é uma das declarações de amor mais bonitas que eu já ouvi. Pelo menos é a que eu gostaria de ouvir. Veja AQUI a letra e AQUI o vídeo da versão que eu mais gosto.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Férias


Eu descobri que mesmo os maiores amigos, as pessoas que se amam mais, precisam de férias uns dos outros. Que passar muito tempo junto faz as pessoas se cansarem umas das outras. E é então que a delicadeza se converte em grosseria.

Ô, vida bandida.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Amargo


Existe um tipo de deficiência que afeta a muitos, é encarada com desdém por quem não sofre dela e causa grande mal estar aos portadores. É a incapacidade de dizer não. Essa maldita necessidade de aprovação que faz com que você sempre tente dar um jeito, independente de a situação ser legítima ou de não ter salvação. Assim, se torna vítima dos que pedem mil e um favores, dos que abusam da boa vontade alheia, dos que cometem sempre o mesmo erro, juram que não vai mais acontecer e pedem outra chance.

E, nas vezes em que, cansados de apanhar e orientados pelo senso de auto-preservação, este ente desprezado, você reúne forças e pronuncia a fatídica palavra - NÃO - o gosto amargo que se instala na boca faz o fel parecer doce. A razão, o bom senso e a lucidez dizem que a decisão foi acertada, mas ainda aí a deficiência continua a agir. O desconforto por ter causado decepção, ainda que justificada, aguilhoa feito ferrão venenoso.

Arrependimento? Não. Você sabe que faria outra vez caso a ocasião se apresentasse. Ainda mais considerando a reação daquele que foi rechaçado, sempre a pior possível. É até um motivo a mais. Mas não deixa de doer. Amargo e latejante.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Ih, só pedindo pra sair!

No Blog do Capitão Nascimento tem um teste pra saber "Quem é você na guerra?"...



E eu me fodi literalmente no resultado, porque até se num tivesse tomado um teco de doze na cara, o tal do Baiano ia ficar com o cadáver feio, fala sério!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Relatividade

Impressionante como as pessoas enxergam o mundo de formas particulares e peculiares. Incrível como os parâmetros do que é razoável, aceitável, desejável e inadmissível variam de um pra outro. Abismante é a falta de noção de uns e outros.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Salve-se quem puder!

E o ZOEI GRANDÃO virou jornal...tremei mundo!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Sistema operacional

Coração, memória, imaginação, raciocínio, pensamento. Sinônimos de uma coisa só, ou melhor, partes de uma coisa só. Aquela coisa que realiza sinapses e dá piruetas, nuns mais, noutros menos. E que em mim, descobri, é extremamente fértil, sem excesso algum.

O (meu) coração é um mundo. Frenético, pulsante, quente. Capaz de se expandir e se retrair quilômetros em meros segundos, capaz de cultivar e matar com a mesma predisposição, bastando para isso a semente ou as primeiras horas de sol causticante. Capaz também de se recuperar de hecatombes com uma firmeza insuspeita, por se mostrar tão frágil em alguns momentos. Capaz de amar com loucura e de se declarar exausto com a mesma intensidade. Capaz de guardar em si uma tonelada de momentos e sensações.

A memória é autista. Guarda momentos inusitados, bons e ruins. Em determinadas situações, apenas o bons - com uma dose extra de saudade - e noutras, apenas os ruins - com um gosto amargo que não sai nem esfregando. Lembra o nome do personagem coadjuvante daquele filme que estava passando naquele dia com aquela fala daquele momento, mas esquece o cardápio do almoço de hoje. E funciona com conectivos insuspeitos, faz as ligações mais improváveis, associa as coisas mais díspares. E quando repassa alguns momentos, provoca ora suspiros e estremecimentos, ora caretas e alívio por aquilo não existir mais a não ser em seus próprios arquivos.

A imaginação é gigantesca e poderosa a ponto de plasmar concretamente criações nascidas do raciocínio, do pensamento e do coração. Capaz de criar mundos inteiros e personagens detalhados, até mesmo pra substituir os reais. Capaz de, partindo de uma palavra ou um som, produzir um show pirotécnico.

O raciocínio é rápido pra algumas coisas. Pra piadas infames e teorias mirabolantes, na maioria das vezes. (rá rá rá) E isso se explica pela sobrecarga provocada pelo coraçao e pela imaginação no sistema. Dois programinhas meio pesados, quando um está funcionando, o outro fica meio atordoado.

Por fim, o pensamento. Um vadio, que às vezes é acometido por idéias fixas.

(...)

To aqui imaginando uma cpu que caiba tudo isso. (hum)

terça-feira, outubro 16, 2007

Ingrid

Morrer um filho deve ser uma coisa absurda.
Morreu minha enteada felina e meu coração ta partido.


:-(

segunda-feira, outubro 15, 2007

Notícias do Front

Eu tô com o saco TÃO cheio que tô quase acreditando que tenho um!

*atira em alguém*


Aí abri o email agora e dei de cara com o trânsito astral do Personare pra mim:

Com problemas de ordem fútil!
15/10 (hoje) às 15h12 a 31/10 às 9h13
Vênus em oposição à Lua natal

Entre os dias 15/10 (hoje) às 15h12 e 31/10 às 9h13, uma desarmonia entre o planeta Vênus no céu e a Lua do seu mapa de nascimento poderão sinalizar um período de prejuízos sociais, Lívia. A tendência é que ocorram brigas e conflitos por motivos absolutamente fúteis, discussões com pessoas queridas por questões que não exigiriam tamanho exagero, e até mesmo uma tendência a fazer gastos tolos e excessivos, comprando futilidades. Obviamente, a idéia aqui é a de que você possa transformar este período, tomando consciência dele antes. Sabendo que existem estas tendências, elas não precisam ocorrer, mas você precisará ter uma atenção redobrada no que diz respeito a esta predisposição a conflitos por razões tolas. O presságio de impopularidade associado a este período de conflitos entre Vênus e a Lua pode revelar você "queimando seu filme" por alguma bobagem. No final das contas, é tudo uma questão de você ter o máximo de atenção e evitar dizer e fazer bobagens neste período, Lívia. Auto-observação aqui é tudo, sobretudo porque os seres humanos costumam se observar muito pouco...

Emocionante, né? Será que isso significa que se eu tocar fogo em alguém nesse período serei acusada de homicídio qualificado por motivo FÚTIL??? ¬¬

sexta-feira, outubro 05, 2007

Pouso


POUSO

Tornou-se recorrente
pousar os olhos em lugar nenhum
pra ver a imagem do seu rosto
que emana de não sei onde.
Talvez esteja gravada no fundo
da minha retina.
Ou quem sabe
meus olhos tenham aprendido a
desprezar espaço e tempo
à procura do seu sorriso.
O fato é que agora,
em todo lugar que eu olhe
existe um halo que não sei explicar,
embora reconheça muito bem:
é a mesma luz que vejo quando vejo
o seu olhar pousar em mim.

Lívia Santana.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Observações vestibulísticas

Hey, pessoas!

Primeiramente, pra quem andou perguntando, eu to prestando Comunicação Social (com habilitação em editoria), que já ta mais que na hora de eu mudar oficialmente de área e não ficar apenas suspirando pela mudança.

Segundamente, tenho alguns comentários a fazer:

1. Minhas antipatias germânica e norte americana aumentaram 500% depois dos últimos dias de estudo.

2. Incrível como estudar história é algo cinematográfico - ta bom, eu não sirvo de base, quando me mandam "pensar numa luz" nalgum exercício de meditação, eu imagino a luz sim, na ponta do dedo do ET. Mas, tirando o meu semi-autismo, impresionante como eu vou lendo, lendo e vão se sucedendo na minha cabeça o Rambo amarrando a faixa vermelha (ridícula) na cabeça, o Jude Law atirando na cabeça do Ed Harris (soviético X alemão) em Círculo de Fogo, o George Berger marchando com o exército americano rumo ao Vietnã e Let The Sunshine In em Hair, o Indiana Jones vestido de explorador com aquela roupinha tão ridícula quanto a faixa do Rambo, coordenando os trabalhadores hindus. Caaaaaaaara, a minha vida sempre esteve lotada de referências históricas e eu nunca me dei conta! Até o abominável Pearl Harbor das Neves, que eu FIZ QUESTÃO de nunca ver, me veio na cabeça, com as parcas chamadas que eu assisti!

3. Sabiam que os grandes nomes da literatura lusitana e brasileira eram todos bacharéis em Direito??? ahahahahahaha...que horror! Aliás, pasme: até o GANDHI ERA ADVOGADO!!! Affe, carambolas atômicas, esse mundo é torto demais!

4. Em 1956 Guimarães Rosa lançou o Grande Sertão Veredas, certo? Certo. Uma grande obra prima, inovações linguísticas, etc etc etc. O que eu não sabia e me pergunto se alguém já reparou nisso, é que no mesmo ano de 1956, Albert Camus publicou A QUEDA, um livro em que o interlocutor narra a história de sua vida e suas idéias em primeira pessoa, entabulando um diálogo com um interlocutor oculto, que não participa da história - só sabemos dele pelas referências que o narrador faz à ele e pelas perguntas subentendidas no texto. E o que tem isso? Tem que o Grande Sertão Veredas emprega EXATAMENTE o mesmo sistema narrativo, que até então era inédito. Explicação? Ah, o anjo da guarda do Camus e o do Guimarães Rosa deviam ser "mó trutas" e frequentar as mesmas festas, daí acabaram inspirando nos caras, na mesma época, a mesma idéia genial. (...) De quem será que o meu anjo da guarda é "mano", hein? (surta e toma remédio)

5. Acabou o intervalo de cinco minutos, volto agora para o meu quarto e os meus livros...ah, tem mais uma piada boa. Já viram um episódio de Seinfeld (referências, referências!!) em que o Geroge leva um livro gigante de arte pro banheiro numa livraria pra dar uma cagada, e na volta o livro ta marcado como "livro da bunda" pelos funcionários e ele tem que comprar o livro, caríssimo?? Alguém quer comprar as minhas 214.256 apostilas? Eu vendo baratinho. (heh)

6. Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra um alguém, e esse alguém sabe quem... (não, não fiquei doida, vai ouvir Pedra Letícia, vai... O Meu Sangue Ferve Por Vocêeee!...Olé!)


PS acrescentado depois de uma leitura do acima redigido: nossa, alguém me interne e me esterilize pra num passar pra frente essa desgraça. ¬¬

quarta-feira, setembro 12, 2007

Vestibular

Cara, nem acredito que sou eu. Se me contassem há algum tempo que aos vinte e quatro anos e o saco cheio de uma faculdade eu estaria ralando a bunda na cadeira pra prestar vestibular de novo, eu juraria que era piada.

Mas é fato. Eu, que até poucos dias estava às voltas com impostos e licitações, cá estou lendo sobre Revolução Francesa, Reino Monera, operações com potências, movimento circular, ligações covalentes, Romantismo, bacias hidrográficas, etc e tal.

Se por um lado biologia me dá sono e matemática me dá uma surra - afinal, advogado só sabe calcular 10% e 20%, que é o honorário, ora bolas! - estou amando estudar História e Literatura. Interessante como faz diferença o olhar do adolescente pro olhar do adulto quando se trata de aprender as coisas...naquela época - 15, 16, 17 - as coisas nos eram impingidas, por mais senso crítico que lutássemos pra desenvolver. E agora, tendo contato de novo com coisas deixadas há muito tempo, os pensamentos que me vêm à mente são cheios de contexto, claros, lógicos.

Engraçado, hoje eu até mesmo ouvi a voz de um professor de História que eu tive no colegial, perdida nos recônditos bifurcados (aqui uma expressão pra não aparecer nunca em nenhuma busca do google!...ahahahaha) da minha memória, recitando os filósofos do Iluminismo...nossa, que coisa espantosa, a nitidez com que ouvi. Acho que isso é sinal de que eu to ficando velha...os fantasmas já estão me visitando de corpo presente!! ahahahahahaha

Então até logo. No próximo post eu já estarei neurótica. Aqui jaz, etc etc etc.

sábado, agosto 18, 2007

Depois da loucura


Uuuufa!

Então, pessoas. Botei a revista no ar e agora respiro fundo durante um momento antes de começar a correr de novo. Querem saber da minha vida? Bem, mesmo que não queiram, o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser. :-P

Eu sarei da depressão. Sim, sarei mesmo. Depois de todos os estágios possíveis. Quis morrer, fiquei catatônica, chorei dias a fio, achei que eu não valia mais nada, me senti ridícula, um lixo, senti vergonha de tudo, lamentei a perda de tempo, senti raiva, fiquei amargurada, cínica, cética, insensível. Arrumei outra coisa pra fazer, porque eu precisava demais de algo que me fizesse sentir algum orgulho de mim. Precisava me sentir boa em alguma coisa, precisava criar. E foi aí que a revista entrou, ela foi meu instrumento de cura, de cauterização. Principalmente quando a terapeuta resolve sair de férias.

Agora já não me importa tanto. Eu continuo um pouco amarga e um tanto cética, mas esse é o meu normal, já há alguns anos. E eu to feliz com os desafios que me propus e também com as decisões que eu tomei nessas últimas duas semanas pra minha vida. Profissionais, acadêmicas e geográficas. Mas isso é só pra constar, deixa quieto. Conto quando estiver concretizado.

Eu tô legal. De verdade. Sinto saudades de algumas pessoas e de outras não. Penso mesmo que há pessoas que entram na vida da gente porque a gente procura encrenca de propósito. Sabe aquele tipo de coisa que se pensa assim, depois: "Eu precisava ter passado por isso?" e a resposta é um retumbante NÃO? Acho que é bem o caso. Mas, erros servem pra gente ir errar de outro jeito, né? Eu custo a tolerar figurinha repetida, que dirá erro repetido. Foi-se.

Agora eu quero no-vi-da-des. Que me agreguem algo em vez de me fazer buracos. Chega dessa coisa de ser queijo.

segunda-feira, agosto 13, 2007

terça-feira, julho 31, 2007

Satisfação

Queridos leitores,

o Bunda Furada está e estará em stand by pelos próximos dias.
Não, ninguém me convenceu a tirar nada do ar não...rs

É que eu to na maior pilha correndo com os ajustes finais do meu bebê:

WWW.LIVINROOOM.COM


O Livinrooom volta ao ar no dia 15 DE AGOSTO, depois de seis meses de seca.

Novos autores, novas colunas, novos ares, novas idéias.

Não percam!

terça-feira, julho 24, 2007

Uma história de amor


Roberta diz:
vou namorar uma mulher!

Lívia diz:
já escolheu qual?
se não, eu tô na fita

Roberta diz:
ainda não
ótimo, você é bonita e inteligente

Lívia diz:
e doida que nem você
credo
nós duas juntas é um negócio complicado
ahahahahah

Roberta diz:
é seria bem complicado...
mas ok, seria interessante
a gente namora, vc pega o primeiro vôo para cá e o avião cai quando chegar em congonhas. e eu penso: "mas que porra, até na única vez que dou sorte.. dou azar!"
hahahahahahahahahahahahahaha

Lívia diz:
kkkkkkkkkkkkk...e aí eu viro fantasma e vou assombrar o seu apartamento...uma linda história de amor mal resolvida.

segunda-feira, julho 23, 2007

A Rosa de Guardanapo

Há uns dez anos eu ganhei uma rosa de guardanapo. Uma coisa boba, prosaica, aparentemente sem valor. Mas que me foi dada por uma das pessoas mais especiais que eu já conheci. Hoje eu tô meio decepcionada com ele, mas não posso deixar de reconhecer o grande ser humano que sempre foi, o homem maravilhoso que costumava ser.

Era um homem que costumava fazer de tudo pra conseguir um sorriso ou um olhar de enlevo. Era expontâneo e nada do que fazia era estudado ou artificial. Um homem capaz de falar durante horas com paixão e entreter de maneira única. Uma grande companhia, um grande amigo, um grande amor.

Eu achei que esse homem era único, que as características que ele reunia eram intrínsecas apenas da sua personalidade, que o faziam um homem extremamente raro e distinto, de quem ninguém era sequer parecido.

No entanto, nesse final de semana, eu conheci outro. Totalmente diferente, mas exatamente assim, e me dei conta de que se trata de uma categoria, afinal. Um tipo de homem profundo, encantador e doce. Que usa camiseta larga com calça jeans, não se liga muito em fazer a barba e usa boné quando o cabelo tá precisando de corte. Um tipo de homem que oscila entre o menino e o adulto, que ri sem reservas, que é tão boa companhia que é capaz de fazer o dia voar sem que se veja.

Um homem que é inteligente, mas não arrogante. Que é crítico, mas não enjoado. Que é irreverente, mas não inconveniente. Que faz rir sem fazer força e ri de si mesmo com maestria, que não perde nenhum raciocínio e sempre dá um jeito de extrapolar com brilhantismo. Muito mais que completar: colorir.

Um cara que ficou comigo o dia todo no sábado e com quem poderia ficar horas mais. Que é um amigo fantástico e com quem eu pretendo contar daqui em diante. Que foi tirar o último dente do ciso hoje e diz que vai aproveitar pra perder o resto do juízo que ainda tem. Um cara que faz rosas de guardanapo. Essa da foto.

Menino, você é show. Valeu demais.

sábado, julho 21, 2007

Heavy Metal do Senhor na Via Láctea


Definitavamente eu não sou a pessoa mais indicada pra tentarem vender mapas astrais, sinastrias amorosas e notícias solares revolucionárias. Aliás, eu sou muito reservada sobre o que e em quem eu acredito. Mas um dia desses, sei lá por que eu me inscrevi no Personare. Achava uma graça as notícias de períodos astrais que eles me mandavam sempre. Claro, sempre tinham uma margem de acerto absurda e eu ficava admirada. Mas quando começam a repetir a mesma mensagem depois de um tempo, a gente cansa de brincar. E parei de ler os emails deles, até hoje, quando resolvi abrir e ler. Foi tão interessante o trânsito astral, que quis ler mais coisas...aí li um pedaço do meu mapa (porque o completo é pago), tirei uma "carta do dia" no tarot e só não fiz a sinastria amorosa porque não tem com quem fazer...rs

Saca só:

Inteligência emocional
21/07 (ontem) às 10h10 a 29/07 às 18h
Mercúrio em trigono com Lua natal


Nos próximos dias que vão de 21/07 (ontem) às 10h10 até 29/07 às 18h, o planeta Mercúrio estará se aspectando harmoniosamente com a Lua do seu mapa de nascimento, Lívia. Esta tende a ser uma fase bastante propícia para tomar decisões que se pautam tanto em processos racionais quanto em sua intuição. A sua percepção das coisas estará mais completa, e este aspecto favorece o entendimento, os estudos, os escritos e as trocas intelectuais.

Você perceberá que está mais eloqüente do que o usual, e neste momento podem ocorrer muitas conversas e notícias de pessoas que há muito tempo você não via. O estímulo positivo de Mercúrio lhe permitirá compreender coisas que você antes não entendia muito bem, sobretudo no que diz respeito a acontecimentos passados que você não processou legal. Esta é uma fase de insights e de esclarecimentos, Lívia.

Fala sério, né não? Horrorizei com o senso de oportunidade...rs
O PEDAÇO DO MAPA ASTRAL diz isso:


SOL EM GÊMEOS, ASCENDENTE EM CAPRICÓRNIO – A AUTORIDADE INTELECTUAL

Você, Lívia, nasceu no momento exato em que Capricórnio se levantava no horizonte, sendo portanto o seu signo ascendente que, combinado a Gêmeos, seu signo solar, cria uma personalidade rica, fascinante, ambivalente e misteriosa: à primeira vista, transmite a solidez e a força de alguém que tem muita idade, de alguém que já viu e viver muito, independentemente de sua idade física.

Sei lá se eu transmito solidez, mas as olheiras com certeza são de alguém que já viveu mais e dormiu menos!

Capricórnio é o ascendente das pessoas que se viram forçadas a um amadurecimento precoce, que perceberam que não tinham alternativa a não ser assumir a responsabilidade o mais rápido possível. Por outro lado, quem lhe conhece mais ao fundo percebe o quanto você tem um lado infantil e um tanto inseguro, que aprende a disfarçar como uma forma elaborada de sobrevivência.

hohoho...e tem gente que acha que não tem mais nada entre o céu e a terra do que poluição.

Mas uma coisa é certa, por detrás desta aparente contradição: as pessoas notam que você é uma pessoa que está perfeitamente atenta a tudo o que acontece em torno de si e que tem o poder de colocar na prática (ascendente Capricórnio) suas idéias brilhantes (ascendente em Gêmeos).

Espero que sim!...rs

E isso muitas vezes incomoda, pois nem sempre é confortável estar ao lado de alguém que aparentemente tem total consciência do que os outros estão pensando. As regras do jogo, quando expostas por você, deixam as pessoas nuas.

Você tende a acreditar que conhecimento é poder. De certa forma isso é verdade, pois de fato as pessoas que têm mais conhecimento são aquelas dotadas de maiores recursos para vencer na vida, e por isso mesmo você provavelmente será do tipo de pessoa que acumula saber e o guarda, querendo a todo custo desenvolver o máximo de know how possível dentro de sua área, e se tornando uma figura de alta competência em seu saber.

Oh, yes...

Por outro lado, Lívia, você corre o risco de supervalorizar o lado prático da vida, e pode terminar abdicando de muitos ideais por não lhe parecerem muito "racionais". Muitas vezes é preciso ouvir a voz do coração, ouvir a intuição, acreditar na loucura interior e atirar-se no vazio do desconhecido, sem tanta prudência em relação à vida.

Vou imprimir isso em letras garrafais e colar nas paredes pra ver se eu me convenço!

SAIBA O QUE OS ASTROS DIZEM SOBRE O SEU JEITO DE AMAR:

Quando você nasceu, Lívia, o planeta Vênus estava no signo de Câncer, um signo de Elemento Água, que sente grande necessidade de aprofundamento emocional nas relações. O afeto de Vênus em Câncer passa pela identificação emocional, que nem sempre é racional, e não se liga ao corpo, nem necessariamente ao que é "conveniente". Câncer não está preocupado se a relação é "lógica" ou não. Este é um signo regido pela Lua, que aprecia dar vazão aos instintos e à voz que fala em seu coração.

Ah, sim, claro. Agora me falta achar um outro do mesmo signo regido pelas mesmas coisas, pra ver se relacionamento e frustração param de ser sinônimos!...rs

Você, Lívia, com Vênus em Câncer, é provavelmente uma pessoa muitíssimo carinhosa e que aprecia pessoas de natureza afetiva, onde um possa cuidar do outro.

Viu, nem é tão difícil perceber isso. Até o Personare percebeu! ahahahahah

O processo de sedução parte do indireto, do sutil, como um caranguejo que anda de lado para conseguir a isca: quando o outro percebe, já está completamente envolvido. Mas, em geral, Vênus em Câncer seduz o outro a seduzi-lo. Isso também porque há uma insegurança natural nesta posição venusiana, em que a pessoa corre o risco d...

Aí eles interrompem pra eu ficar babando de vontade de saber o resto e colocar o número do meu cartão de crédito lá. Na na ni na não. Eu sei como eu sou, obrigada...rs

A CARTA DO DIA DO TAROT diz isso:

3 de Copas
Abra-se ao prazer!

Que tal se permitir ter mais prazer neste momento, Lívia? Há quanto tempo você não faz coisas de que gosta? Que tal relaxar e curtir mais a vida? O 3 de Copas surge aqui como arcano conselheiro, pedindo-lhe que permita abrir-se ao prazer, para que ele flua na direção do mundo e este lhe atenda, possibilitando situações felizes, festas, namoros (ainda que não necessariamente sérios), em suma, coisas que lhe distraiam e lhe permitam ter dias agradáveis, ao redor de quem você ama. Saia com os amigos, conheça novas pessoas, permita-se rir, conversar, conhecer os outros... estar no mundo! Você sentirá sua alma mais leve e perceberá as coisas a partir de uma perspectiva mais ampla.

Conselho: Deixe o prazer fluir!

Show de bola, né não? Pois é. E o mais engraçado disso tudo é que todas essas previsões vieram num momento em que de fato eu decidi me abrir pro mundo de novo, pra gente nova, pra gente que eu gosto. Foi o que eu fiz hoje, sábado. Ok, já é domingo, mas eu ainda não dormi, então...mas a programação do dia vai ficar pro próximo post, porque merece essa ênfase.

Então eu encerro com as seguintes conclusões:

1. Não é difícil me entender, até um site que só sabe o dia e a hora que eu nasci consegue.

2. A partir de agora quando conhecer alguém vou perguntar de cara: vc é geminiano com ascendente em capricórnio e uma estreita relação com câncer e vênus? Se não for, nem adianta, porque não vai conseguir me dar o tanto de carinho que eu preciso, pode ir embora...rs

3. Vou me tornar mais amiga do prazer. Um filme, um livro, uma música, um papo legal, um jogo, sol, lua e sereno, gente que me ama, gente que me faz rir. E orgasmos, só com quem valha a pena no resto do tempo.

4. Vou procurar colocar em prática as minhas idéias brilhantes pra ver se elas iluminam tudo ao meu redor, ando precisando...rs

5. E, por fim: vou anotar todos os insights de agora em diante, por via das dúvidas. Vai que eu vou parar no Jô mais cedo, né?

quinta-feira, julho 19, 2007

Primeiro Encontro

Aconteceu uma que só rindo mesmo.

No terceiro ano de faculdade (nos idos de 2003) eu tinha uma confessa queda por um professor meu. Mas ele era comprometido e não me dava bola. Logo em seguida, fiquei eu comprometida e o moço solteiro. Depois, invertemos de novo. E de novo.

A essas alturas a queda não era mais segredo, era um fato tácito sobre o qual não falávamos. Um dia ele quase me matou de susto quando eu fui chegando numa roda em que estavam ele e uma amiga. Lascou essa:

- Lívia, você quer namorar comigo?

Eu, nem preciso dizer, quase engoli o nariz de tanto susto. Balbuciei um "hein???" e começamos todos a rir. Ele explicou que tinha terminado com mais uma namorada e que estava descrente.

- Ninguém me ama, ninguém me quer. Vou é ficar sozinho mesmo. Tá vendo, Letícia - a amiga - ela também não quer me namorar!

Eu engasguei. Claro, era brincadeira, mas como eu sei bem, toda brincadeira com esse tipo de mote tem seu fundo de verdade. Um homem lindo daqueles me dizendo que ninguém o queria. Era demais pra minha pobre cabecinha.

Mas, como eu disse, estava comprometida, e se tem uma coisa que eu aprendi foi a ser fidelíssima. Nem cogitei, dei sorriso amarelo e falei algo do tipo "ah, não me leva a mal, se fosse em outro momento, etc".

Ficamos nisso, sem novidades até um churrasco de "cem dias" da formatura da turma. Só quem já viu churrasco de quase formatura é que sabe como funciona o clima da coisa. Eu, solteiríssima, tinha parado de beber e mesmo sóbria fiquei contaminada pelo espírito de "vamo quebrá tudo" que impregnava todo mundo. Lá pelas tantas, conversando com o dito cujo, olhei bem na cara dele e ataquei:


- Essa nossa enrolação vai até quando, hein?

Aí quem engasgou foi ele. Vi que ia vir uma desculpinha amarela que nem a minha há tempos atrás, e não esperei. Tasquei um beijo de leve na boca do moço, que só conseguiu balbuciar, por sua vez:

- Pelo amor de Deus, todo mundo aqui ou é meu aluno ou meu colega, não faz isso comigo!

Eu dei risada, daquele jeito inconsequente que só damos quando ainda somos "ninfetas perigosas". (gargalhada) Debochei um pouquinho do pudor dele e me despedi - o que causou grande inconformação da outra parte. Mas eu tinha feito a minha jogada, agora era esperar o oponente mexer alguma peça.

Recentemente, estou eu Lìvia formada, apaixonada, jurando que tinha achado o homem da minha vida, toca o telefone e é o cara, me convidando pra sair num contexto nada aluna-professor. Dispensei, claro, não tinha nada a ver. O que é uma paixão-verdadeira-pra-toda-vida perto de um flerte de faculdade, não é? (bah, como a gente se engana!)

Então, isso tudo eu contei pra chegar no seguinte: ontem eu tava no msn e o moço veio bater um papo. Patati patata (como diria o Júlio), estamos solteiros, acabamos combinando de sair hoje.

Minha melhor-amiga-próxima-de-mim-geograficamente me disse, entre risos:

- Amiga, eu falei pra você dar a volta por cima, mas não precisava ser tanto assim, né?

Em todo o caso, acabamos não saindo porque eu to tossindo que nem motor de carro enguiçado. Liguei pra adiar o passeio e ouvi o seguinte:

- E aí, pensou em algo inusitado?

- Ué, tinha que ser inusitado?

- Bom, de uma pessoa como você, capaz de imaginar as coisas que imagina, de escrever como escreve, esperar menos que isso é te subestimar.

- (gargalhando) Bom, então me lasquei, porque sem querer acabei elevando o nível demais e agora qualquer coisa aquém de inusitado é decepcionante!

- Ah, é mesmo.


Agora eu to com o seguinte problema: o que é uma idéia inusitada prum casto primeiro encontro???? Socorro!!!

terça-feira, julho 17, 2007

FOTO EXCLUSIVA!!!



Senhoras e senhores, aí vocês vêem uma foto do ERIC quando criança, cedida a mim por sua pobre mãe que foi refém desse monstrinho por anos e anos.

É o Bunda Furada entrando no jornalismo verdade!!!
Se cuida, Márcia Golshmith (sei lá como escreve isso!).

segunda-feira, julho 16, 2007

Estamos de Volta!


Depois da "Hora da Depressão", que na minha opinião se estendeu DEMAIS, voltamos agora com a programação normal, prezadíssimos leitores!!

Eu tava com uma idéia fodástica (palavreado do Outsider) pra postar aqui, mas eu escrevi a primeira frase e quinhentas pessoas me chamaram no msn. Agora foi-se...rs

Bom, o importante é: acabou o jejum de risadas por aqui. Volto mais tarde com a pena afiada.

Preparem-se!

terça-feira, julho 10, 2007

Dever de Casa II

A Lívia me deu o dever de casa mais ingrato de todos: ler um livrinho de argh...auto-ajuda. Tem um mês que ela me deu o livro. Tem 94 páginas. E eu não consigo passar da página 25 nem na base da porrada.

Aí, ontem ela me pediu o livro de volta e eu fiquei sem graça pra caramba de dizer que não tinha terminado ainda de ler. Falei um "estou terminando" descarado e prometi devolver na segunda. Ou seja: toca a pegar a bomba e tentar pelo menos passar os olhos no restante pra poder falar do assunto sem passar mais vergonha.

O título: Faça Diferente, Faça a Diferença. Que fique registrado que eu amaldiçôo do âmago do meu ser o senhor Rodrigo Cardoso, um desses gurus proferidores de palestras milagrosas que teve a maldita idéia de começar a escrever livros - esse é o segundo!

Constatei que o livro, contando a singela e subestimadora de intelectos história de Pedro, um engraxate que vira fazendeiro, pai de família e avô de uma porrada de netos e morre pilotando um avião daqueles do Barão Vermelho, tem a pretensão de ensinar 16 coisas: três lições iniciais, dez princípios de vida e três mensagens finais, o santo graal da vida.

(pára e vomita)

Vou transcrever aqui as 16 coisas pra todo mundo poder sofrer comigo. E tecerei meus comentários respectivos:

Lições:

1. Não espere que a vida lhe dê "fogo" se não dá "lenha" a ela. Trace metas claras e as escreva num papel: estará um passo mais perto de realizá-las.


Ah, é. Escrever o que se quer tem tanta força que todos os blogueiros do mundo estão fadados a se transformarem em Guimarães Rosa, Bill Gates, Michael Jordan ou Al Pacino.

2. A felicidade não está nos sonhos realizados, mas no processo de realização dos sonhos. Quando alcançar suas primeiras metas, trace novas e maiores.

Ou seja: você nunca terá sossego na sua vida e trate de se conformar e ficar contente com isso. E não se acanhe em escrever no papel que quer se mudar pra Lua, namorar a Angelina Jolie, ser herdeiro do Sílvio Santos. Quanto mais improvável, melhor. Aí você fica a vida inteira sem se sentir insatisfeito, porque nunca vai alcançar nada disso mesmo, logo sempre estará feliz.

3. O elefante do circo tentou muito fugir da corrente e da estaca que o prendiam quando era filhotinho. Como nunca conseguiu, cresceu convencido de que não pode fugir, mesmo que agora seja imenso e forte. Não acredite que não pode sem tentar de novo.

Nesse aqui eu fiquei tentada a meramente mandar tomar no cu. Mas me parece pouco elaborado, então: ah, eu devo estar mesmo quase do tamanho de um elefante. ¬¬


Princípios:

1. Constitua uma família.


Ah, sim, é a coisa mais fácil do mundo encontrar alguém que seja honesto, constante, confiável e não seja filho da puta no final das contas pra se ter um filho. Nossa, fácil demais!

2. Ajude seu semelhante.

E ainda copia Jesus Cristo descaradamente. Até eu escrevo livro assim!

3. Trabalhe em equipe.

QUE EQUIPE, cara pálida????

4. Aprenda a ser forte na adversidade.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco - já que é pra partir pra frase feita.

5. Dê o melhor de si em tudo que faz.

Inclusive cortar os pulsos?

6. Não seja preguiçoso.

Agora sim: vai tomar no cu.

7. Tenha coragem e arrisque-se.

Tá bom, vou me "converter" ao lesbianismo, então.

8. Tenha fé.

¬¬

9. Não se preocupe.

Não posso, sou Drama Queen, né?

10. Aprenda a perdoar.

Eu até sei perdoar. Mas agora não tô conseguindo. E mesmo que conseguisse, não sei se estou querendo. Sabe vontade de quebrar o carro alheio com um taco de baseball?


O Santo Graal - as três mensagens finais.

1. Associe-se a pessoas positivas.


Pessoas positivas são as culpadas por eu ter sido obrigada a ler esse livro. Prefiro gente solidária do que gente poliana.

2. Aprenda a usar o poder da palavra.

Será que se eu aprender e disser um MORRA bem caprichado, vai funcionar?

3. Seja um eterno aprendiz.

Preciso mesmo aprender um monte de coisas. Como a deixar de confiar em gente.

segunda-feira, julho 09, 2007

Mudança de time

Nos últimos cinco anos minha vida amorosa foi um caos. Pulei da brasa pro espeto um monte de vezes. E o engraçado é que eu sempre acreditei, sempre mantive a esperança de que uma hora eu ia conhecer alguém que fosse realmente um companheiro, que tivesse prazer em estar comigo, que me visse como amiga e não como adversária. Acho que finalmente eu cansei de acreditar nisso. Cansei de me sentir sozinha o tempo todo, principalmente quando acompanhada.

Ontem à noite eu assisti pela enésima vez a Tomates Verdes Fritos. Mas dizem que cada vez que vemos um filme, enxergamos coisas diferentes, né? Pois então. Ontem eu percebi que talvez eu deva desistir dos homens, não do amor. Pensando a respeito, percebi que realmente amor de mulher é uma coisa diferente e que geralmente homem nenhum sabe valorizar e entender. Mas outra mulher talvez saiba.

Eu não estou falando de sexo, mas de vínculo. De carinho, cumplicidade, respeito. Coisa que geralmente homem não sabe dar.

A Andréa me disse outro dia que pra "deixar de gostar de homem" precisa um trauma muito forte. Talvez ela tenha razão. Mas qual a medida do trauma?

sábado, julho 07, 2007

Tea for Two

Esta tarde bateram à minha porta devagarinho. Um. Dois. Três. Era Tristeza, uma velha amiga. Talvez amiga seja a palavra errada, já que nem gosto muito dela. Mas quando alguém o conhece há tanto tempo e tão bem quanto ela, é difícil chamá-lo por outro nome que não amigo, ainda que impróprio. Acostumei-me à presença dela, é a verdade. Fica sendo amiga, pois. Bateu à porta e convidei-a a tomar chá. Sentamo-nos e houve um silêncio prolongado. Sem constrangimento, sem desconforto. Apenas intimidade, entendimento. Ela sabia que eu não queria falar. Somente fez-me companhia. A noite foi caindo e ela acendeu os abajoures. Sentia-se em casa, tão assídua era naquela sala. Escolheu um disco de blues azul e ofereceu-me o colo, sem dizer palavra. Deixei-a acariciar-me os cabelos por longas horas, até que bateram novamente à porta. Tristeza beijou-me em despedida e abriu a porta, dando passagem a Solidão, meu fiel companheiro noturno, com quem divido a minha insônia.


Lívia Santana.
julho/2005


Acho que a minha vida é cíclica.
Os meus acompanhantes de dois anos atrás estão novamente aqui.
Até que eu consiga sorrir de novo sem nenhum traço de amargura.
Aí estarei curada.

sexta-feira, julho 06, 2007

Não Pise nos Mumerats

A quem porventura tenha essa dúvida ou essa esperança: não, eu não vou deletar o blog. E nem vou fazer censura nenhuma ao que está escrito aqui, porque eu que adoro criar personagen e contar suas histórias, não estou disposta a vestir um deles e escrever coisas pensadas cuidadosamente para entreter leitores. Aqui não. Esse aqui é MEU blog, pode ser uma bunda furada - como aliás, é - mas é meu. E fala de mim. E eu não sei não ser eu, não supitar de sentimentos, não rir com o corpo todo, não uivar de dor. Eu sou assim.

E eu to saindo da merda, aos poucos. Chega uma hora que a gente cansa de quem não gosta da gente, né? Cansa de remoer o que deu errado, cansa de sentir saudade dos momentos de êxtase que contribuem ainda mais pra gente se sentir ridículo, cansa de ter esperança. Cansa.

Mas também percebe que há muitas coisas que poderiam significar alívio, alegria e até salvação, e na verdade não são nada disso. Ontem, por exemplo, eu fui prum coquetel de formatura de um amigo muito querido, onde reencontrei minha turma de faculdade. Todas aquelas lembranças, piadas internas, intimidades foram fantásticas durante duas horas e meia. Depois disso eu voltei a me sentir deslocada, desconfortável, melancólica e louca pra ir pra casa. E fui.

A saída não está lá. Assim como não está nos pretensos amigos que se oferecem pra ajudar a superar, esquecer. Não está naquele confidente de todas as horas que acaba por falhar num determinado momento. Não está nesta internet - que foi em grande parte a causadora dos meus tormentos. Não está em lugar nenhum. E este é o ponto do raciocínio em que eu deveria dizer que a resposta esta dentro de mim mesma, que eu preciso encontrá-la. Mas não tenho essa ilusão. Já vasculhei aqui e não achei nada, só teias de aranha e coisas quebradas.

Diane Lane diz isso em Sob o Sol da Toscana:

- Sabe o que é mais surpreendente no divórcio? Ele não mata como uma bala no coração ou um acidente de carro. Deveria. Quando alguém que lhe jura ser fiel até que a morte os separe diz: "eu nunca te amei", isso devia matar na hora. Você não devia acordar dia após dia depois disso tentando entender como você não percebeu. A ficha não caiu, entende? Eu devia ter visto. É claro, mas eu tinha medo de dizer a verdade. E o medo nos torna idiotas.


Ai ai.

Quanto será que está custando uma passagem de ida pra Toscana, hein?


PS: alguém conhece a referência do título? Acho que vou fazer um concurso...rs

quarta-feira, julho 04, 2007

Tesoura do Desejo

Hoje eu to cortando tudo.

Cortei o cabelo - curto!
Cortei as cutículas mortas.
Cortei relações de dependência.
Cortei gente que se diz amiga e me sabota.
Cortei a preocupação com a opinião alheia.
Cortei a lamentação por gente que não me ama e não me quer.
Cortei a preguiça de ir ao médico.
Cortei a depressão.
Cortei a inércia.
Cortei o choro, as olheiras, a insônia, o mau humor, TUDO!

E engraçado é que comecei a cortar na sexta: O baralho! :-D

segunda-feira, julho 02, 2007

O que eu preciso

Hoje me disseram pra deletar este blog, porque é muita exposição e eu não preciso disso.

Engraçado é que todo mundo sempre entra numas de saber o que é bom pra mim, do que eu preciso, do que eu não preciso. Um monte de gente tenta me convencer que é melhor assim ou assado, que eu tenho que esquecer, que eu tenho que "dar a volta por cima" - como eu odeio clichês, puta que pariu - que me reinventar, que tocar a vida. Todo mundo é capaz de dizer pelo menos uma coisa de que eu preciso.

E o que eu acho que eu preciso?

Primeiro os razoáveis: Fazer de conta que estou bem, que estou me recuperando, que não penso nisso a cada cinco minutos. Fazer de conta que tenho motivo pra levantar da cama de manhã. Fazer esforço pra não me lamentar fora do consultório da psicóloga. Fazer esforço pra ir pro consultório da psicóloga, porque eu sei que ela vai me dizer que eu tenho um potencial enorme, que eu to melhor assim, que é pra esquecer, deixar pra trás, reconhecer que acabou há muito tempo e que eu tava me recusando a ver, etc. Fazer de conta que raciocínios lógicos fazem doer menos, fazer de conta que não sinto uma saudade dilacerante, que não abafo o choro no travesseiro.

E agora os fantasiosos: de uma máquina do tempo. De um tratamento de "apagamento" como o de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. De fugir pro Tibet que nem o Bruce Wayne no Batman Begins pra tomar porrada de um cara de barbicha e usar substâncias alucinógenas. De sossego. De outra chance.

Caramba, eu só queria outra chance.