terça-feira, julho 15, 2008

Tempo de Crescer

Acredite se quiser, eu comecei esse post escrevendo a letra de "Vinte e Poucos Anos" do Fábio Jr. É mole ou quer mais? Mas nem foi por causa do "mimimi, quero saber mais do que meus vinte e poucos anos", não. Quando essa maldita tela branca olhou pra mim, eu comecei a pensar em tudo que tem acontecido nos últimos dias - que tem me impedido de atualizar o blog condignamente - e acabei na frase "tempo de crescer". Pronto, já viu, né? Pruma criatura que pensa no dedo do E.T. aceso quando mandam "imaginar uma luz", era inevitável associar a frase imediatamente com trilha sonora, não importa que seja velha e brega.

No último mês muita coisa aconteceu. Eu pedi demissão, meti o pé na estrada, procurei emprego no jornal, cogitei entre vestibular, especialização e mestrado, trabalhei numa campanha política, fiz entrevistas, estudei pra caramba e to me preparando pra mudanças bruscas na minha vida.

Emocionalmente, nunca estive mais feliz.
Financeiramente, já estive mais quebrada.
Profissionalmente, estou na expectativa.

As coisas têm caminhado, parece que vão finalmente pra algum lugar. Talvez seja o famigerado "primeiro passo" rompendo a inércia e coisa e tal. Não sei. Sei que tenho esperança, muita. E muita vontade de batalhar. Menino, to numa gana! Uma vontade de me colocar à prova, de meter a cara, sabe? Uma coisa que nem Leônidas na beira do penhasco gritando "Spartans! Tonight, we dine in heeeeeeeell!!!!!" E eles respondem com um brado de guerra, uma explosão de coragem, de fúria, de determinação. É meio assim que eu to me sentindo. Aliás, se estivesse podendo, ia até vestir uma roupa de Valkíria estilo "Charmed". Mas, como não é o caso, só posso pedir que acreditem na declaração solene de que o meu espírito está deveras guerreiro. Se bem que, considerando os lugares por onde eu tenho andado e as pessoas com que tenho convivido, receio que não me manterei nerd sedentária pura e intocada mais por muito tempo.

Pra vocês terem uma idéia da gravidade da coisa, sábado retrasado eu fui "dar apoio" prum atleta no Brasília Multi Sport. Minhas senhoras e meus senhores, aquilo não é coisa de Deus. E você aí, incauto que vê o mundo cor de rosa e pensa "ué, que mal tem dar um apoio pro cara? todo mundo precisa de apoio moral", não sei nem começar a te dizer O QUANTO você está enganado. Dar apoio, saibam vocês, pessoas que não "fazem pedal", nem trilha, nem corrida no mato ou no asfalto, ou remam no lago e corredeiras abaixo, é algo muuuuuuuuuuito mais complexo. Trata-se de acordar às cinco horas da manhã num frio do cacete, ir pro meio de um monte de gente revoltantemente malhada, queimada de sol e animadinha a uma hora obscena daquelas. Dada a largada, os atletas saem correndo feito doidos e você vai pra próxima parada da prova, onde tem mais uma porrada de gente malhadinha, queimada de sol, revoltantemente animadinha e que falam uma língua específica da tribo deles. Aí, depois de duas horas na beira de um lago esperando os coitados chegarem remando, você pega um caiaque imenso, amarra no carro e leva pro próximo ponto da prova, pra onde os atletas estão indo de bicicleta. Chegando lá, você coloca o caiaque de volta na água, dessa vez pro cara descer a corredeira. Aí pega a bicicleta, amarra no carro e leva pro próximo ponto da prova, onde você fica horas esperando o coitado chegar correndo do meio do mato, pra pegar a bicicleta de novo e pedalar de volta pro local da largada. Tem mais alguém aí disposto a defender o "apoio moral"?

Ok, eu estava na melhor companhia do mundo, com quem eu poderia ir até pro inferno, achando bom e dançando rumba. Mas que cansa, cansa. E dá uma sensação muito ruim ver todas aquelas mulherzinhas bronzeadas de pernas torneadas em shortinhos curtinhos e sentir na pele que você não é assim. Por outro lado, dá uma sensação muito boa ver que o cara que você gosta é capaz de ajudar não só os amigos dele, como também gente que ele não conhece, com a mesma simplicidade, com o mesmo sorriso. (...)

É, no balanço das coisas, acho que eu tenho tido mais sensações boas que ruins. Ou, se não, pelo menos eu só to conseguindo me lembrar das boas, agora. Será que crescer também significa fazer menos drama? (pensa)

Acho que não. Rá.

segunda-feira, junho 30, 2008

Fragmentos de Alcova

Recebi essa mensagem partida em fragmentos no dia 18 de março desse ano, escrita pelo homem mais incrível que eu conheço.

Lista de Exigências

Um beijo, um cheiro
uma lambida,
uma mordida,
uma assoprada,
um olhar, um sorriso
e uma piscada de olho.
Um pensamento lascivo
uma oração, uma bênção.
Um dia, uma noite, uma hora.
Um copo d'água,
uma gota no seu corpo,
seu gosto em minha boca.
Meu corpo cansado...
Um olhar de quero mais,
um pedido velado,
um gosto explícito,
um lugar sem sol.
Uma cama grande,
uma tarde chuvosa,
roupas íntimas sem fechos,
sutians sem botões,
vestidos amassados no chão.
Seu olhar me chamando pro quarto.
Acho que com isso, eu passo o feriado em paz.

quarta-feira, junho 25, 2008

AHAHAHAHAHA...



Life is Short
When it doesn't rain it snores
Yeah the cookie crumbles but in who's hand?
All things said and all things done
Life is short

Oh I am young but have aged
Waited long to seize the day
All things said and plenty done...life is short

Ooooh could this be....
Ooooh could this be the day I've waited for?

Another door to peek in through
The floor is filthy
But the couch is clean
At the end of the day
That's another day gone
Life is short....Ooo life is short

Ooooh Could this be....
Ooooh Could the be the day I've waited for?
Oh I am young but I have aged
Waited long to seize the day
All things said and plently done
Oh I am young but I have a past
Travelled for to find the start
Yes I am scared and I've been burnt
But life is to short

Ooooh Could this be...
Ooooh Could this be the day I've waited for?

quinta-feira, junho 19, 2008

Tempo

Ok, eu preciso atualizar o blog.

Mas sabe quando a sua cabeça está invadida demais pelas coisas dos outros e dos problemas dos outros, a ponto de você não ter mais paz nem pra lembrar de comprar absorvente, quanto mais pra contar histórias e ser espirituosa?

Pois é.

Me dá um tempinho pra me livrar dos grilhões e me desintoxicar. Vou ali e volto já.

quinta-feira, junho 12, 2008

Update

E o que eu queria dizer pro meu namorado hoje é:



You Raise Me Up
Josh Groban

When I am down and, oh my soul, so weary;
When troubles come and my heart burdened be;
Then, I am still and wait here in the silence,
Until you come and sit awhile with me.

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

There is no life - no life without its hunger;
Each restless heart beats so imperfectly;
But when you come and I am filled with wonder,
Sometimes, I think I glimpse eternity.

Dia dos Namorados. Mimimimi.

Saudade é uma palavra que, até onde eu sei, não tem correspondente em outro idioma. No máximo um "miss you", mas nunca saudade. Todo mundo já sentiu ou sente essa coisa que nos acostumamos a chamar de saudade. E tanta gente já falou sobre saudade em tantos textos, de tantos jeitos, que eu percebi ontem que o tema ficou banalizado. Mais até que isso, existe uma tendência a se subestimar essa coisa que chamamos de saudade, a ponto de dizermos que temos saudade de qualquer coisa e chegarmos à conclusão que, apesar disso, conseguimos viver muito bem sem aquela coisa de que temos saudade.

Então eu acho que deveria haver uma gradação pra palavra saudade. Que nem pra palavra amor. Ama-se de tantos jeitos possíveis! Um amigo, um irmão, um filho, um companheiro, uma história, um animal, um sabor. Amamos tudo isso e de diversos jeitos diferentes. Daí eu só posso concluir que também sentimos saudade de muitos e muitos jeitos e que esses jeitos devem ser diferenciados, reconhecidos, justiçados.

Eu tenho saudade da menina que um dia fui. Tenho saudade de alguns amigos que se perderam no meu caminho, de algumas situações que já vivi, de gente que não vejo há muito tempo, de sentimentos que um dia tive. Mas isso é apenas saudade. Do tipo convencional, aquele apertozinho láááá no fundo quando pensamos em algumas coisas. Mas um apertozinho com o qual podemos conviver e do qual muitas vezes nem tomamos conhecimento.

Mas tem um outro tipo de saudade e esse sim merece justiça. Aliás, mereceria um outro nome até, para ser realmente diferenciado. É aquele tipo de sentimento que dói. Dói a ponto de se sentir dor física. A ponto de não se conseguir respirar às vezes, a ponto do mundo inteiro rodar e ficar escuro, a ponto de sentir frio, por fora e por dentro. É uma falta absurda. Que dilacera, que desorienta. Que deixa a gente infeliz.

Sabe, às vezes temos total consciência de algumas coisas. Racionalmente. E aí fazemos listas de prioridades e tentamos nos convencer de conveniências e necessidades. E tentamos, de verdade, todo dia, a todo momento, ignorar o grito surdo que brota de cada inspiração, de cada piscar de olhos, de cada gesto. Tentamos tocar a vida. Mas às vezes acordamos no meio da noite com a certeza de que aquilo é impossível e que não dá mais pra fazer de conta que não dói, simplesmente não conseguimos lidar com aquilo de um jeito "racional" e "razoável".

E nessas horas, por mais que não dê pra apagar a tristeza dos olhos, tentamos sorrir e fazer de conta que estamos bem. E quando nos perguntam o que temos, respondemos modestamente: "ah, é saudade", daquele jeito prosaico. E temos vontade de morrer em seguida, porque calamos mais uma vez o que tinha que ser dito.

sábado, junho 07, 2008

Verborragia

Tem tanta coisa que eu queria dizer aqui, agora. Um monte de coisas que não deveriam ser misturadas no mesmo post, porque não têm nada a ver uma com a outra. Mas ao mesmo tempo em que eu reconheço isso, a minha cabeça está cheia, transbordando e girando vertiginosamente, misturando pedaços de diálogos, mesclando lágrimas com sorrisos e emendando uma história na outra. Me ocorre tanta bobagem pra dizer e tanta coisa séria! Tenho vontade de contar sobre a merda que foi essa semana, sobre como me doeu algumas injustiças e disparates que me aconteceram, o quanto me indignou certos desmandos, o quanto estou no limite com algumas situações, o quanto é questão de tempo pra eu gritar um sonoro FODA-SE, mandar todo mundo tomar no cu e sair batendo a porta. Tenho vontade também de contar sobre o aniversário na terça feira, o mais triste e solitário que eu já passei e seria o pior de todos não fosse a existência do Fabrício na minha vida. E falando no Fabrício me dá vontade de contar que ele é o cara mais foda do mundo, de dizer que me sinto privilegiada por conhecê-lo e mostrar o presente que eu ganhei. Dá vontade de contar que ontem eu conheci uma menininha no aeroporto que parecia um gnominho em miniatura, que ela não falava coisa com coisa, só pronunciava algumas palavras inteligivelmente (neném, avião, mamãe), e no mais ela grunhia que nem uma matraquinha e juraaaaava que eu tava entendendo tudo. Aí eu fazia de conta que entendia e toquei o terror com ela, faltei correr com ela na sala de embarque. A Luisinha. Me dá vontade de contar que se um dia eu tiver alguma, queria que fosse que nem ela. Danadinha, voluntariosa, simpática, linda e risonha. Acho que a mãe dela teve até medo que eu catasse a menina e saísse correndo. Tenho vontade de contar da saudade que eu to das minhas amigas mais queridas. Dehynha, Dri, Nayra, Gabi, Lilhá... E também das amigas queridas que eu não conheço pessoalmente ainda, que nem a Rocca e a Jo e que me fazem uma falta danada. Ainda mais que a Jo ta montando um grupo de RPG e eu não vou poder participar! aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, saco! Dá vontade de contar que eu to ficando mestre numa modalidade de esporte chamada "Cooper de Aeroporto" e que to pensando em organizar uma equipe fixa pra correr por Congonhas, nunca vi pista mais longa, mais cheia de obstáculos e cheia de possibilidades de trajetos. Dá vontade de contar que a GOL é a empresa aérea mais estúpida, desorganizada e mal qualificada que existe e que de repente me acontece algo que nunca aconteceu: toda vez que o avião sobe eu peço a Deus que ele não caia, porque eu ainda tenho muito que fazer, não posso morrer como uma advogadinha anônima e maltratada que não conquistou nada e não posso me conformar ainda que a última vez que eu segurei na mão do Fabrício tenha sido a última vez. Também não posso morrer sem bater o recorde de blogs criados do Júlio. Eu to ainda tô no nono, preciso de tempo pra chegar no vigésimo! Também não posso morrer sem tomar uma Devassa com a Nayra no Leblon, não posso morrer sem ver a sem vergonha da Carla de novo, não posso morrer sem levar a Dehynha pra fotografar cachoeiras na puta que pariu, nem sem ir com a Dri pra Europa. Também não posso morrer sem publicar meu livro. E não posso morrer com o coração cheio de buracos como está hoje. Mas sabe, eu to feliz. Hoje, aqui, sentada nesse apartamento, olhando pra minha vida, pros recados de aniversário que me deixaram no orkut, pensando nos meus amigos, sentindo o ventinho frio entrando pela porta da sacada aberta, sabendo que daqui a pouco a chave vai rodar na fechadura e sentindo que o dia vai ser muito, muito bom. Capaz até de compensar a semana e toda a saudade e todo o vilipêndio. Acho que vou fazer um café. E ligar pra minha mãe.

terça-feira, junho 03, 2008

Will I Ever Make It Home?

I woke up from my sleep to the sound of that voice
From the words that I heard I had no choice
They told me I had to turn around
My assurance slowly faded down
And I wonder

Will I ever make it home
Will I ever leave the ground
Leave this place so far behind

The plans that I had were quickly destroyed
The problem was one I couldn't avoid
They welcomed me to stay overnight
I'm too tired to complain so i just might
And I wonder

Will I ever make it home
To the place I recognize
Far from here and where I've been
And all the places that I've been shown
Will I ever make it home
Can they keep me here for good
Where I hardly know a soul
And my fear keeps going on

My weariness keeps growing inside
My patience is starting to subside
And I hope I'll be there soon
It can't be long or I'll fall through

Will I ever make it home
Will I ever leave the ground
Leave this place so far behind
Till there is no turning back
Will I ever make it home
Get to where I wanna be
Find the ones who wait for me
To the place where I belong
Will I ever make it home

Aviso aos navegantes

Aniversário é só um dia.
E não necessariamente um dia bom.
Mas agradeço a lembrança e os cumprimentos. Mesmo.

Abraços.

segunda-feira, junho 02, 2008

Contos da Carochinha Bêbada

Tudo começou com uma brincadeira. Sabe criança, quando diz: PORQUE SIM e toda a lógica que ela precisa no mundo está ali? Foi mais ou menos isso. O Fabrício me mandou um email, não lembro sobre o que agora, com uma lista enoooooorme de argumentos pra me convencer sei lá do que. No auge da empáfia que me é peculiar, respondi a ele dizendo que na Liviolândia, onde eu era Soberana Absoluta, as coisas não funcionavam daquele jeito não, e que ele podia tirar o cavalinho da chuva. Putz, pra que eu fui fazer isso? Ele me mandou um email maior ainda, execrando os déspotas esclarecidos, clamando por Justiça e falando mal da Liviolândia. Ê, mas aí eu parti pra ignorância. Onde já se viu falar mal da Liviolândia? E da Soberana Absoluta de lá??? Impensável!

(pausa pra risadas)

Bom, tirando a maluquice toda, o que sobra é o seguinte: ele me propôs um desafio. Eu aceitei. E de quebra ainda enfiei a Dehynha e o Eric no meio. E pretendo enfiar mais gente. O fato é que a brincadeira está lançada e promete ser divertidíssima. Criamos o CONTOS DA CAROCHINHA BÊBADA exclusivamente pra contar histórias tortas, mancas e caolhas. E, claro, pro mundo inteiro saber das pirações que acontecem em Liviolândia. Seja lá onde essa porra for.

sexta-feira, maio 30, 2008

Anywhere



Anywhere
Avantasia
Composição: Tobias Sammet


Gabriel:
I remember it was long ago
But when I think of her I fell it grow
Something begs me to come home again
Something I can hardly stand

But I'm to defy, I have to ignore her cry
I don't know what to do, I'm missing you so bad

Waiting for tomorrow, for a little ray of light
Waiting for tomorrow just to see your smile again
Take away my sorrow from a blistered heart of mine
Where are you now if you are there anywhere

Please forgive me for how I decide
But before I can come with rapid strides
Don't expect you'll have to understand
Jakob needs my helping hand

First I have to go one out of two ways
Which both are wrong and I'm to go
So afraid, so ashamed
So deranged - but I know...

Waiting for tomorrow, for a little ray of light
Waiting for tomorrow just to see your smile again
Take away my sorrow from a blistered heart of mine
Where are you now if you are there anywhere

Waiting for tomorrow, for a little ray of light...
I can't wait for you - Are you there - anywhere

quinta-feira, maio 29, 2008

O fato é que hiatos sempre vão existir, por menores que sejam, por ridículos que sejam, por sanáveis que sejam. E acho que um dos meus maiores problemas no fim das contas é tentar não encher o saco das pessoas mesmo quando sinto essa necessidade. Eu tenho essa mania besta de respeitar a vontade e o espaço dos outros e a falha grave de não saber reivindicar atenção quando ela não me é dada voluntariamente. Também não sei colocar em palavras com facilidade as coisas irracionais que eu sinto, pelo menos não de pronto. Eu sempre preciso de uns momentos pra mastigar. Mas às vezes não tenho esses minutos, o tempo acaba, o gongo soa e acabo tendo que dormir com um nó na garganta. Como agora.

segunda-feira, maio 26, 2008

O Mundo, o sábio e o leão.

Era uma vez uma menina que desejava abraçar o mundo com as pernas e por isso sonhava com pernas que fossem mais compridas. Tentou de muitos jeitos alongar as pernas pra conseguir abarcar o mundo. Perdeu a conta das tentativas frustradas e dos estiramentos musculares. E quando tinha começado a imaginar se o segredo não seria achar um mundo que lhe fosse mais proporcional, encontrou um sábio sentado sob uma árvore e ele lhe contou um grande segredo: o mundo não era pra ser abraçado. Era pra ser sorvido, em grandes goles e largos haustos. Mas, pra isso, ela precisava atravessar um deserto planáltico sob um sol efervescente e matar o leão mágico que morava numa caverna escura e que renascia todos os dias, espreitando à espera de uma brecha pra abocanhá-la pelo pescoço. O sábio falou demoradamente sobre o sol e as areias causticantes, as garras e presas do leão, pintou os perigos em cores fortes e vivas. Foi duro, cruel e por momentos pareceu seriamente decidido a dissuadir a menina da travessia. Mas se ela desistisse, não haveria mais pra onde caminhar nem o que buscar. Tudo perderia o sentido. E, apesar de apavorada com as palavras do sábio, ela proferiu uma prece muda pra que os deuses a amparassem e pra que fosse forte o suficiente. Olhou nos olhos do sábio e vaticiou: "Eu vou". E, pra seu espanto total, ele emitiu um suspiro, levantou-se do chão, pegou o cajado e retrucou: "Ta bom. Então eu vou com você. Mas não diga que eu não avisei".

sexta-feira, maio 23, 2008

Pavor

Odeio sentir isso que eu to sentindo agora. Ok, eu sei que esses posts "diário-de-menina-adulta" são um saco e peço que me perdoem. Mas às vezes escrever é a única coisa que me salva e só assim eu consigo colocar as idéias em ordem. Sabe quando você percebe que tá com uma merda de humor e não sabe direito o que foi que deflagrou aquele estado? Qual foi o gatilho pra espiral que culminou naquele desânimo, chateação, tristeza, angústia? Pois é exatamente onde eu me encontro: parada no meio dum caos, cofiando a cabeça e me perguntando como foi que cheguei aqui.

Acho que um pouco deve ter a ver com o meu medo recorrente e indelével de não ser boa o suficiente, em todos os sentidos.

Eu sempre me envolvo com pessoas acima da média, com inteligências notáveis, extremamente competentes e capazes. Porque não dá pra se apaixonar por alguém que não se admire, esse é o pressuposto mais básico e imprescindível. E este fator cria alguns efeitos colaterais muito irritantes, como hesitar em ser expontânea e pensar duas vezes antes de dizer algo por medo de parecer boba. Ou como o medo de que aquela pessoa se dê conta de que você tem grandes limitações, se canse e vá embora. Ou o pânico de não conseguir alcançar o ritmo, de ficar pra trás, de falhar.

Por outro lado, eu fiz um curso superior que me trouxe muito sofrimento e do qual gostei muito poucas vezes. Assim, sempre tive consciência de que as minhas deficiências nesse campo eram grandes. Aí tentei rechaçar essa formação e começar de novo, mas percebi que as malhas jurídicas que me envolviam eram mais fortes do que eu tinha pensado e davam mostras de que não me deixariam em paz nunca, ou pelo menos não tão facilmente, não sem lutar. E foi então que em vez de lutar com essa coisa viscosa, eu resolvi abraçá-la, pra ver se eu me sentia melhor comigo mesma. Deu certo durante um tempinho bem curto, porque mediocridade me apavora, me sufoca, e o simples vislumbre dela me deixa desesperada. E é assim que eu tenho me sentido de uns tempos pra cá. Medíocre. Insuficiente.

As pessoas me dizem que eu preciso de tempo, que preciso caminhar e conseguir as coisas gradativamente. MAS EU NÃO SEI FAZER ISSO! Aí me rasgo procurando uma saída em vão, fico que nem naquelas noites em que a gente levanta da cama no escuro e fica tateando no quarto fechado, desorientada, procurando o interruptor de luz sem achar nada. E dá uma vontade doida de gritar pra alguém parar o mundo que a gente quer descer. E parece passar uma eternidade até que a gente consiga acender a luz.

Ultimamente o que mais tem me angustiado e me ferido é a necessidade de encontrar um rumo, um jeito de construir alguma coisa palpável. Eu preciso estudar, desesperadamente. Mas não sei direito o que, nem como. E quando me ponho a pensar ou discutir com alguém sobre isso, me vem de novo o pavor de não dar conta, de não ser boa o suficiente, de fracassar e ter que me conformar em ser uma "zinha" qualquer.

Ai, caceta, nessas horas nem respirar no saco adianta.

segunda-feira, maio 19, 2008

Dez Tiradas Muito Românticas

1. Não discuta comigo que sou homem.
2. Mulher é um bicho muito parecido com um ser humano.
3. Vai na frente, amor, gosto de te ver subir a escada.
4. Ô neguinha insolente! Madita Princesa Isabel!
5. Amor, tenho um vídeo ótimo pra te mostrar. Se chama "Pão cu Manteiga".
6. Livinrooom, a revista de literatura e opinião da mulherzinha moderna.
7. Ah, amor, só por que você é uma advogadazinha recém formada e inexperiente?
8. Puxa, preciso comprar açúcar. Vai que a vizinha vem pedir um pouco, né?
9. Na qualidade de macho dominante da relação eu digo: porque sim.
10. Não existe coisa melhor, guardadas as devidas proporções, que coçar a frieira dos dedos do pé esfregando no punho da rede.

Eu ouvi tudo isso, acredite. E tem gente que duvida quando eu falo da Caravana de Putas...

To pensando em inaugurar uma corrente nova. Queria ver uma lista dessas feita pela Gabi, pelo Luke, pela Jo, pela Rach e pelo Júlio...rs...tem dúvida que vai dar merda?

sexta-feira, maio 16, 2008

Paliativo

Já sabe, né? Post escrito perto da meia noite nunca é bom. É a hora em que todos os sons que agitam o dia silenciam. É quando você deveria ir dormir, mas não está com sono, embora esteja muito, muito cansada. Mas a sensação de quem tem algo faltando é palpável demais pra ignorar e fica latejando no escuro quando você apaga a luz e se deita, buscando, em vão, pelo bálsamo do sono com algumas horas de descanso e inconsciência.

Nada é mais cansativo do que a necessidade de fugir o dia todo de algo que te alcança quando você pára. E tudo o mais, qualquer coisa, é somente paliativo, serve apenas pra te manter em movimento, sem pensar, só agindo e reagindo. E nada faz mais barulho do que aquilo que deve ser calado e que às vezes precisa ser contido pelos dentes e olhos cerrados, bem apertados. Há coisas que não devem ser ditas. Há coisas que você não devia sentir.

O melhor é engolir ávida e alegremente junto com mais uma dose de paliativo o que veio na ponta da língua e das pupilas.

quinta-feira, maio 15, 2008

Sobre a Caravana de Putas...

Inauguro neste momento uma categoria que, suponho, se tornará a mais extensa de todas as presentes nesse blog, só rivalizando com uma outra, a chamada "mimimi". A categoria é "Sobre a Caravana de Putas". Por um simples motivo: eu TENHO CERTEZA que, há mais ou menos dois mil e oito anos eu devo ter organizado uma caravana de putas, vestido todas elas de vermelho cereja, passado perfume "Odara" (imagine aqui um trejeito a la pomba gira), pagado uma rodada de absinto e levado todas pra Santa Ceia, com direito a duas pra cada membro participante da fatídica reunião.

Só pode ter sido isso. Deve estar escrito na minha testa: PECADORA MALDITA - FAVOR TORTURAR. E enquanto eu não descubro como apagar o tal letreiro, vou me fodendo bonito.

Veja a de ontem à noite.

Estou eu no meu computador, assistindo a uma edificante aula de Direito Constitucional, quando o amado namorado chama no msn e pergunta se posso falar com ele um momento antes dele dormir. Óbvio que sim! Só precisava trocar de computador, porque o meu está com um probleminha de áudio - o microfone não funciona nem com reza braba. Assim, fui pro outro, liguei e tentei conectar. Nada, senha e/ou usuário inválido. Hein? Comassim? Fui até a sala de televisão.

- Irmão, qual a senha atual da internet?
- "morena34", Irmã.

Volto lá, testo essa senha e nada.

- Irmão, continua dando senha inválida.
- Tenta reiniciar.

Tento reiniciar. Nada.

- Irmão, essa senha tá expirada.
- Claro que não, eu troquei ela outro dia!
- Só pode estar.
- Que nada. Quer ver? Desconecta o outro computador da internet e vê se reconecta.

Por algum motivo, em vez de notar que era uma sugestão "estúpida+2", eu acatei, mais pra provar a ele que ele tava errado do que pra quaquer outra coisa. Só não pensei direito nas conseqüências: eu ficaria sem conexão nos dois computadores. Dito e feito, a senha estava expirada.

- Isso não é possível, eu troquei essa senha outro dia!
- ...
- Bom, agora é ligar no help desk.
- Ta, e qual é o telefone de lá?
- Não sei.
- Como, não sabe, se você ta repetindo que nem uma coisa enguiçada que trocou a senha outro dia?
- Não sei, ué.
- ¬¬

Toca a procurar o telefone. Acho. A porra do número só dá ocupado. Ligo quatro vezes e só ocupado. Enquanto espero, ligo pro namorado explicando a idiotice e peço pra aguardar um pouco enquanto eu consigo outra senha. Ok, ele espera. Ligo de novo e finalmente, o telefone chama no Help Desk e a secretária eletrônica atende:

- Boa noite! Você ligou para o suporte técnico da "empresa Sbrubles"... Mas neste horário já encerramos nossas atividades hoje e nenhum dos atendentes se encontram disponíveis...Por favor, deixe seu nome e telefone que..

- O QUE??????????? COMO ASSIM ENCERRAMOS NOSSAS ATIVIDADES HOJE???? QUE PORCARIA DE SERVIÇO É ESSE?????????

Bati o telefone antes que ficasse uns palavrões gravados na porra da secretária eletrônica. Afinal, eu sou uma moça educada, apesar de tudo. Mas NÃO DAVA pra eu ficar MAIS PUTA, cara, NÃO DAVA. Como diz o outro, "não é que não dê, é QUE NÃO DÁ"!

Onde já se viu uma merda dessas??? Dá vontade de processar a porra da Empresa Sbrubles, porque eu sou uma consumidora ABSURDAMENTE frustrada!!! Eu contratei um serviço de suporte que NÃO ESTÁ FUNCIONANDO QUANDO EU PRECISO!!!! Será que na terra deles, lá, no planeta "Serviço Ruim", alguém já descobriu que serviços dessa natureza são VINTE E QUATRO HORAS???

PUTA QUE PARIU, QUE ÓDIO! Eu juro, que se eu tivesse tempo pra mais alguma coisa e estivesse precisando de mais algum aborrecimento, eu ia entrar com uma ação contra a Empresa Sbrubles. Mas como eu to atolada de coisa pra fazer e totalmente sem saco, fica mais um item no rol "Sobre a Caravana de Putas" mesmo, e chega. A próxima manifestação do carma ruim não vai demorar a acontecer mesmo, eu sei. Pelo menos posts não hão de me faltar. ¬¬

segunda-feira, maio 12, 2008

Dia 12 de maio

Olhando o calendário, vemos um monte de diazinhos marcados em vermelho além dos finais de semana. Os feriados. Dia da independência do Brasil. Corpus Christi. Natal. Tiradentes. Etc. E na verdade, esses dias, que viraram marquinhas vermelhas no calendário porque deviam significar alguma coisa, não passam de abençoados dias em que não se tem que ir trabalhar, pra maioria das pessoas. Os motivos, via de regra, são dois: festas religiosas católicas e um pretenso civismo decaído. Pra mim, que não sei nada de calendário nem de rituais católicos, nem estou afeta a nenhum órgão que desfile em paradas cívicas, não faz diferença.

Mas se pensarmos em dias com significado, quais seriam eles? O dia em que nascemos, o dia em que nos formamos, o dia em que nos casamos, em que nascem nossos filhos, em que conquistamos grandes sonhos? Claro. Todos esses são dias importantes. Mas, via de regra, esses dias passam anônimos, sem marquinhas no calendário. A não ser no nosso calendário pessoal e nas paredes da nossa memória, onde penduramos os quadros que assinalam as grandes coisas que nos acontecem.

O dia de hoje pra mim merece uma marca e um quadro na minha galeria de coisas importantes. Não que tenha me acontecido nada particularmente bom hoje. Ao contrário, como toda boa segunda feira, o dia está espinhoso e eu respirarei aliviada quando me sentar de novo diante desse computador lá pelas sete da noite. To torcendo pra ele acabar logo.

No entanto, o dia de hoje é um marco importantíssimo na minha vida, na minha história pessoal. Porque no dia de hoje, há 33 anos, nasceu um dos caras mais incríveis que eu já conheci. Uma pessoa cuja entrada na minha vida fez toda a diferença e, suspeito, dada a sua natureza, tenha feito a diferença pra muitas pessoas ao longo desses trinta e três anos. Um cara íntegro, inteligente e corajoso ao extremo. Capaz de arrancar um sorriso nos momentos mais difíceis e de resolver os problemas mais cascudos. Um cara de quem a mãe dele deve morrer de orgulho e de saudade todos os dias. Por minha vez, eu sei que morro.

Feliz aniversário, Fabrício.

sexta-feira, maio 09, 2008

Correndo riscos

Eu falei que ia parar de elogiá-lo aqui no blog, porque senão daqui a pouco vai ter boneco de vodu meu espalhado pra tudo quanto é lado, com a mulherada toda rezando pra eu morrer e ele ficar disponível de novo. Prometi inclusive que qualquer hora dessas solto um post sobre como ele tem chulé, usa um dente de ouro na frente, palita os dentes com a boca aberta e cantarola Reginaldo Rossi no chuveiro. Sei lá se as pessoas vão acreditar, mas vale a tentativa.

Só que hoje vou correr o risco. Tem dias que neguinho se supera e eu tenho que fazer justiça.

Sabe quando você percebe que a pessoa que está do seu lado é diferente dos outros, um homem admirável e um ser humano fantástico? Quando ele é capaz de secar as suas lágrimas pelo telefone, sem te adular, sem te dar sermão, só sendo ele mesmo. Só argumentando e sendo o cara mais amigo do mundo. E de repente, além das lágrimas terem secado, você se pega rindo, fazendo piada, baixando a guarda, confiando. Sentindo de novo uma coragem de viver imensa, se sentindo capaz de tudo. É quando você sabe porque tem medo, mas já retomou o controle. É quando a mão dele e o apoio que ele te dá te impedem de afundar na espiral de pânico. E quando ele tem o condão de te mostrar que nada é tão grave assim e que está do seu lado incondicionalmente. Que ele já sabe das suas neuroses e dos seus medos, mas que não se assusta com eles. Mais ainda, que te ama apesar das suas fraquezas e que faz questão de conhecer tudo a seu respeito, mesmo o que não é muito agradável.

É quando você percebe que acertou. E não se sente mais sozinha ou pequena diante dos desafios, porque quando você duvida de si mesma, ele ri e garante que assim que você superar o medo de dar o primeiro passo, "te segurar vai ser uma merda", e que ele vai ter que correr atrás pra poder te acompanhar.

E ainda é modesto, o miserável. ¬¬

terça-feira, maio 06, 2008

Mal Crônico

Sabe, é engraçado. Eu estou feliz. Mesmo, de verdade. Eu faço 25 anos no mês que vem, tenho profissão, amigos, um cara legal do meu lado e, o mais importante, METAS. Sim, você aí, não leu errado. Eu TENHO metas. De curto, médio e de longo prazo. Hã? Como assim, "quem é você e o que você fez com a Lívia?". Eu, hein? Minha avó diria pra você: "me mira, mas me erra". Rá, mineirices rules.

Mas, voltando ao assunto. Eu TO feliz. Mas tem uma coisa que some por algum tempo de vez em quando, mas nunca vai embora de vez. Como se dentro de mim houvesse um bicho. Não, não estou grávida, não me refiro ao Alien e nem a uma tênia solitária (ugh! nojento!). Estou falando de uma coisa que ciclicamente vem à tona, não importa qual seja a minha realidade, não importa que eu esteja realmente feliz no resto do tempo.

É, é isso. Dentro de mim mora um bicho. Que vira-e-mexe estraga minhas coisas, me faz desapaixonar das minhas empreitadas - e não das pessoas, não confunda essa declaração com uma possível mudança na perfeição irritante da minha vida amorosa neste momento - perder a paciência com as pessoas e ficar ainda mais introspectiva durante algum tempo. Também faz as noites ficarem mais frias e mais vazias do que são de verdade, e faz a vidraça embaçar com um misto de respiração e tristeza. Uma tristeza fininha, sem motivo definido, mas que não deixa de colocar um travo na garganta e um suspiro fundo e intermitente grudado no peito que nem catarro (é, hoje estou dada a nojeiras).

Quem me conhece sabe que sou capaz de ficar eufórica e deslumbrada que nem criança. E também sabe que eu vou da crista da onda ao fundo do vale num piscar de olhos. O negócio é que eu preciso constantemente de desafios novos, ou perco o interesse. Se bem que eu acabei de me dar conta de uma coisa: não bastam os desafios, eu preciso é de estímulos, que me instiguem a fazer algo, mas que me proporcionem recompensas, também.

Às vezes dá uma vontade danada de parar de brincar. Sabe, que nem criança? Apelar, pegar a bola, colocar de baixo do braço, chamar todo mundo de "feio, bobo, chato e fedido" e ir embora pra minha casa, com a certeza de que eu estraguei a brincadeira de todo mundo, ou pelo menos, criei um impasse grande o bastante até arrumarem alguém que tenha uma bola pra emprestar e colocarem no meu lugar.

Puxa, vida, tem horas que eu só quero ir pra casa. Onde eu posso chutar longe aqueles sapatos doloridos que fizeram uma bolha no meu pé, tomar um banho quente e me esticar na cama, sem precisar acertar relógio nenhum pra tocar amanhã cedo. Mas isso nem existe, eu não mereço tanto. Ou talvez isso fique em Pasárgada, o que é bom, porque na cama onde eu vou me esticar estará o homem que escolhi, lendo um livro cheio de cientistas e canibais e dando risada de vez em quando.

O mais chato de tudo isso é que quando o bicho se manifesta, trazendo consigo essa sensação de saco-cheio, frustração, solidão, tristeza e saudade, tudo junto e misturado, eu me conheço: não tem nada que dê jeito. A não ser os braços do ogro amado, é claro. Mas como não dá, melhor eu ir pra cama. Porque nesses dias eu fico chata pra caralho.

sábado, maio 03, 2008

Demarcando o território

E então é isso aí...Você está lá, felizinha da vida, achando tudo lindo, vendo elefantes cor-de-rosa dançando rumba em fila indiana no ar... O caso é tão grave que você é capaz de achar a coisa mais linda quando ele recita o Wando... "você é luz...é raio, estrela e...luar...manhã de sol...meu iaiá, meu ioiô...você é sim...e nunca meu não...quando tão louca, me beija na boca, me ama no chão..." Vocês são aquele tipo de casal irritante que está sempre com um sorrisinho no rosto porque certamente sabem de alguma piada que os outros ignoram... vivem de mãos dadas, se procuram com os olhos o tempo todo, compartilham aqueles brownies com sorvete de creme gigantes no mesmo prato com duas colheres, incomodam os vizinhos com gemidos e sussurros. Só uma palavra define isso: perfeição.

E vocês vão sair pra jantar. Tomam um belo banho morno enquanto um samba toca no som, se vestem e se penteiam entre risadas e carinhos. Você abre a porta e sai para o corredor, esperando por ele, que se demora fechando a janela. É então que ela aparece.

Você observa-a se aproximando em câmara lenta. Cabelos longos e loiros a la Gisele Bünchen, nenhuma mancha ou espinha que seja sobre a pele dourada de sol, olhos grandes, boca carnuda, pernas longas e esguias saindo de uma minissaia jeans que vai daquele gordinho da bunda logo acima da coxa até pouco acima dos pêlos púbicos, deixando ver a barriga lisa semi oculta por um top que não dispõe de muito pano. Ela bamboleia em cima de saltos não muito altos e carrega uma sacola cheia de garrafas de vinho que tilintam no ritmo dos quadris dela.

Quando passa por você, ela abre um sorriso largo de orelha a orelha e cumprimenta, toda alegrinha: "boa noite!". Você, algo entre surpresa, fulminada e despeitada se esforça para sorrir de volta com a mesma desenvoltura e simpatia, mas tem sérias dúvidas se consegue esboçar mais que um esgar assassino. A garota tilinta em frente pelo corredor, saca um chaveiro cor de rosa e enfia a chave na fechadura da porta que fica a uma distância intoleravelmente curta de onde você se encontra, grudada no chão invocando mentalmente todas as pragas do Egito.

COMO ASSIM???? AQUELA era a vizinha do seu namorado??? Com QUE direito??? QUEM tinha dado ordem?? Alguém pare o mundo que você quer descer!!!!

Nesse segundo ele sai para o corredor sorrindo e arregala os olhos ao se deparar com a sua expressão:

- Que foi que aconteceu?

Você se arrepia toda, que nem galinha se preparando pra briga:

- A-d-i-v-i-n-h-a. - e indica com a cabeça a porta da loira, que ainda se atrapalha pra abrir a porta segurano a sacola com as garrafas de vinho. Ele, com a cara mais inocente do mundo olha na direção da loira e torna a olhar pra você, perplexo:
- Hein?

- ISSO é sua vizinha? - você coloca as mãos na cintura. Ele arqueia a sobrancelha, subitamente entendendo tudo. Declara solenemente:

- Ah, é...eu também acho isso um absurdo.

- Ah, acha? - é a sua vez de arquear a sobrancelha.

Ele sorri, malicioso:

- Acho sim. Pra que serve ter uma vizinha dessas se ela nunca vem pedir uma xícara de açúcar?

Como mulher esclarecida e confiante que é, você ri da piadinha e desce as escadas junto com ele, em direção ao carro. Mas lá no fundo o instinto continua berrando e você quase dá meia volta pra fazer xixi na porta do apartamento dele. Ou pra bater na porta da loira, arrancar cada fio daquele lindo cabelo e quem sabe, quebrar os dois dentes da frente. Ô, mas foi quase.

sexta-feira, abril 25, 2008

Juízo nenhum

Juízo definitivamente nunca foi o meu forte. Aliás, sempre me faltaram também uns parafusos e eu sempre tive consciência disso. Acho que foi um pouco por isso que sempre pelejei pra manter os meus dentes do ciso. Sabe como é, né? Eu sou uma garota prudente e...

Ok, ok, é mentira, tá? Eu confesso, é mentira! Pronto, satisfeitos? Droga, não posso mentir mais nem no meu próprio blog! Por que vocês não me deixam em paz, hein? Ficam aí, nesse silêncio acusador, como se dissessem "tá, conta outra" com a cara mais cínica do mundo. Seus...seus... malditos leitores!

(inspira...expira...inspiiiiira...expiiiiira...)

Certo, passou o surto. Desculpem o ataque, deve ser a medicação... Hein? Qual medicação? Ah, é, eu ainda não contei.

No sábado passado meu dente do ciso do lado esquerdo superior começou a doer. Ta, isso é normal, eu nem me alarmei. Afinal, venho tolerando a dorzinha deles nascendo não é de hoje, com toda paciência do mundo. Até conversar com eles eu conversava, pra aliviar a dor. O lance é que de jeito nenhum eu ia me submeter à violência de me arrancarem dentes da boca que não davam mostras de quererem sair de livre e expontânea vontade. Aliás, eu já me sentia vilipendiada quando os meus dentes amoleciam e eu era obrigada a arrancá-los, mesmo a contragosto.

Aí o dente começou a doer. Eu ignorei, pensando: "logo isso passa". Ah, quem dera. Ele se revoltou, dessa vez. Foi ficando inflamado, a dor se alastrou para o céu e os cantos da boca, logo eu já nem podia sorrir direito sem fazer careta. Amanheci na segunda feira enlouquecida, corri pra farmácia e pedi um antiinflamatório e um analgésico poderosos. Na saída do caixa - ah, essa eu tenho que contar - quando eu me apresentei pra pagar, o rapazinho se virou pra mim, muuuito educado:

- Olá, bom dia, tudo bom com você?
- Sim, tudo bem. - meio segundo depois comecei a rir e emendei - Se bem que é meio estranho você perguntar a alguém na fila da farmácia carregando remédios pra dor se está tudo bem!

O mocinho corou, gaguejou e acabou rindo junto comigo.

- Desculpe.
- Ah, que nada, eu to só brincando... - Tadinho dele, tão educadinho! Aliás, como todos naquela cidade, ainda escrevo sobre isso outra hora.

De posse dos remédios, me entupi com eles e me senti melhor. Deu pra segurar a onda até o dia seguinte, quando até parecia que a inflamação ia mesmo embora e eu estaria salva pelo gongo. Rá. Ledo engano. Cheguei em casa na quarta à tarde abatida de tanta dor. Na quinta, acordei e liguei no trabalho, avisando que não ia dar pra aparecer. Marquei com o dentista e lá fui eu.

Ele chegou, fuçou na minha boca com aquelas mãozonas cheias de dedos dele - porque essa raça maldita tem dedos tão grandes, hein??? - e disse que o jeito era arrancar. Assim, na lata, sem nem pedir meu telefone ou convidar pra jantar antes. E pra piorar, ele não queria arrancar só o inflamado, queria tirar tudo. Como se pelo fato de eu ter deitado inocentemente na cadeira dele, ele pudesse abusar de mim daquele jeito! Humpf.

Mas o dentista era bom no quesito convencimento. Pintou de tal forma a coisa, que eu quase mandei começar ali mesmo. No entanto, tinha aquela questão, né? Um? Dois? Quatro? Pessoas, o dilema foi grande. Eu nunca tinha ouvido ninguém contar que tinha tirado os quatro dentes de uma vez, eram sempre dois e dois, em duas prestações. Mas também já tinha ouvido gente dizer que tinha tirado um ou dois e nunca mais tinha criado coragem de voltar pra arrancar o resto.

Além disso, eu sou fraca pra dor, gente. Isso é fato, pode colocar nas "coisas sobre a Lívia que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem de perguntar". Tenho medo de agulha - por isso nunca fiz minha tatuagem, tenho medo de faca, tenho medo de parto - cesariana, lógico, parto normal é inconcebível, nunca, nem fodendo. E tenho medo de dentista. Merda.

De repente eu me dei conta que ou era ali, naquela hora, ou era nunca mais. Eu me conheço. NUNCA voltaria pra fazer os outros dois dentes de arrancasse só dois ontem. Mas antes de eu me pronunciar quanto à dura decisão, o dentista argumentou:

- Imagine que você quebrou os quatro dedos da mão. Estão quebrados, não tem nada pra ser feito quanto a isso, a não ser consertar. Você por acaso vai endireitar dois, passar pelo pós operatório desses dois, pra depois arrumar os outros dois e passar DE NOVO pelo pós operatório?

Ok, doutor, eu me rendo. Vamos lá, se é pra consentir no estupro, por que não incluir um pouco de areia, né?

Ele me deu uma lista enorme de remédios pra comprar. Antiinflamatório, antibiótico, analgésico, antiséptico bucal. Marcamos pra depois do almoço. Ele disse que era melhor eu comer antes da cirurgia. E confesso, pessoas, na hora não entendi bem por que. Pensei que podia ser por causa da anestesia, da medicação. Vim descobrir hoje, do jeito mais duro possível, que era pra eu ME DESPEDIR DE COMIDA SÓLIDA, QUENTINHA E CHEIROSA, porque agora sei lá quando eu vou ver isso de novo. Aliás, to enojada de sorvete já. E de vitamina. E de suco. (aqui eu poderia dar um grito, não fosse a impossibilidade de abrir a boca).

Cheguei pra cirurgia, meia hora antes como recomendado. A assistente do dentista me deu um "remedinho pra ansiedade". Olhei dentro do copinho e tinha um comprimido branco redondo e um outro, verde, partido ao meio. Com certeza aquele ali era o melhor, que mulher mais muquirana. Deu vontade de dizer: "dá a outra metade do meu comprimido, aí, faz favor?". Ora bolas. Bem, tomei o que ela me deu e mais um de cada caixa que o dentista mandou eu comprar. Sentei e esperei aquele coquetel fazer efeito.

O dentista apareceu e aí foi tudo muito rápido. De repente eu tava deitada na cadeira sob uma luz obscena me cegando com os cabelos dentro de uma touquinha. A assistente me deu uma toalha de papel que, ingenuamente, eu pensei que seria pra enxugar alguma baba. Mas eles forraram em cima de mim um tecido azul, que deixou só o meu rosto de fora. Ali eu comecei a sentir a claustrofobia dando sinal. "Calma, Lívia", pensei. Pra me distrair, voltei a pensar no lencinho. Se não era pra baba, era pro que, então? Pra ter o que segurar e apertar na hora do sufoco? Acho que um pouco era por isso sim. Mas eu achei uma utilidade pra ele mais tarde - enxugar as lágrimas.

Eles começaram. Veio a seringa, imeeensa. (Aqui, pausa: adicionem ali na lista de coisas das quais eu tenho medo as injeções e seringas de todos os tipos. Mesmo a que tava cheia de soro, só pra lavar o sangue do dente, me apavorava). Cara, eu ODEIO anestesia na gengiva. ODEIO. Aquilo dá uma vontade de morrer, é a mesma coisa da piada: "qual o cúmulo da agonia? - uma velha desdentada mastigando uma gilete". NÃO DÁ. E o que mais me mata de ódio é o tom que o feladaputa fala com a gente naquela hora. "É só uma picadinha, não vai doer nada..." PICADINHA INDOLOR SÓ SE FOR NO CU DELE!!!!!

Dada a injeção, ele ACHOU que podia começar a carnificina. Bem que ele queria. Precisei de QUATRO injeções EM CADA DENTE pra ele poder mexer. E o desgraçado perguntava: "tem certeza que ta doendo mesmo? você não tá só sentindo eu mexer no dente?". Ah, não, cara. Teve uma hora que eu perdi a fleuma com ele. Quando ele perguntou essa pela terceira vez, eu fiz um sinal pra assistente tirar aquela porra daquele sugador da minha boca e falei, do jeito que dava: "EU DISSE QUE ESTÁ DOENDO. O senhor me desculpe, mas mesmo deitada aqui eu ainda sei diferenciar DOR de SENSIBILIDADE".

Ele ficou meio desconsertado e se empertigou todo. A assistente, talvez vindo em socorro do dentista, tacou a porra do sugador de novo na minha boca. Cara, devia ter teste de habilidade específica pra assistentes de dentista. Depois da seleção elas até poderiam não ser tão boas, mas pelo menos não manejariam os instrumentos como se tivessem Parkinson, esbarrando nos dentes que não tinham nada a ver com a coisa e grudando o sugador na pele da minha boca. Ai, que ódio.

Eu chorei, cara. Confesso. "Ah, mas não doeu, você estava anestesiada". Ah, é? Pra ficar anestesiada foram 16 agulhadas de injeção na gengiva. Isso porque eu ainda não falei da broca. Velho, na boa. Quando o miserável do dentista enfiava aquela merda zunindo dentro da minha boca, era como se ele estivesse polindo a minha cabeça com um esmeril. Ressoava. Não dá pra descrever o desespero. Muitas vezes eu tremi, tive taquicardia, o choro anuviou minhas vias respiratórias e me deu falta de ar. Perdi as contas de quantas vezes eu implorei pra Deus praquilo acabar logo e teve uma hora que segurei a custo o impulso de começar a gritar com aqueles dois, empurrar tudo longe e sair correndo.

Fiquei ali deitada pensando que aquilo era mesmo um estupro. Invasivo, violento, aviltante. Minhas forças foram acabando. As lágrimas escorriam já sem provocar nenhum soluço, os olhos semi-cerrados, incapaz de manter as pálbebras totalmente abertas. A boca ia se fechando sem eu ver, mesmo com o retrator de metal escancarando a pele, machucando ainda mais. Eu tava louca pra urinar, ia explodir a qualquer minuto. E pra piorar, eu tinha que ouvir coisas como:

- Abre grandão agora, Lívia! - a idiota da assistente.
- Abre a boca. Abre mais. Mais um pouco. Parece que você ta meio cansada aí, né? - o imbecil do dentista.

Acabou. Ele me fez recomendações que estão meio nebulosas agora. Gelo. Gaze. Líquido. Sólido. Quente. Repouso. Atestado. Remédio.

Quando a minha mãe chegou pra me pegar, ela comentou sobre o pós operatório do meu irmão, que rolou hemorragia. O dentista parou, pensou um segundo e pediu pra assistente olhar no carro dele se tinha um remédio Y lá. Ela foi e não achou nada. Ele mesmo foi olhar e demorou um pouco. Tinha ido na farmácia. Me deu o comprimido e mandou eu tomar ali, naquela hora. A língua, semi morta pela anestesia, não colaborava, eu quase sufoquei duas vezes e me afoguei com a água. Mas acabou descendo. Mamis me levou pra casa, eu deitei no sofá e apaguei. Acordei meia hora antes de vencer o efeito do analgésico, uivando de dor.

Agora, eu to aqui com a cara do Kiko do Chaves misturado com o Quasímodo. De molho, mas já tive que trabalhar. Descobri que esse negócio de sorvete é superestimado, que a minha avó faz doce de leite de pedaço nos momentos mais impróprios, que a comida da minha mãe é intoleravelmente cheirosa. Mas pelo menos o sangue ta estancado e eu to levando mais ou menos com o analgésico, meu melhor amigo.

Mas o pior é: eu to mais manhosa que homem gripado. Pode isso?

quarta-feira, abril 23, 2008

Noventa e cinco horas

Então é aquela história: duas pessoas um dia se encontram sem querer, conversam muito mesmo pra tentar se conhecer, e vai vindo de repente uma vontade de se ver. E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração e bla bla bla. Ok, Eduardo e Mônica é brabo, eu sei. Mas me dá um desconto, hoje eu mereço. Afinal, podia ser pior...eu também lembrei da Sandra de Sá, bem trash cantando "de repente me deu uma louca vontade de estar com você..." e do Fábio Jr. entoando a bendita "Felicidaaaaade" que brilha no ar. Então não reclama, tá?

Um dia, do nada, você conhece alguém que parece nada demais e nem há motivos pra pensar que alguma coisa possa acontecer apenas pelo fato de ter conhecido esta pessoa. Você não pensa muito nisso, tem coisas mais absorventes pra se preocupar. E é quando o tal cidadão que você conheceu daquele jeito despretensioso começa a se mostrar, colocando alegre e inocentemente as asinhas de fora. Você se surpreende, se pega pensando nisso mais vezes do que gostaria e se sentindo mais atraída do que poderia esperar. E então você pára, coça a cabeça e diz a si mesma que não é uma boa idéia, que é melhor deixar isso pra lá. Mas a importância daquilo cresce, diretamente proporcional à inconveniência da situação. E você se dá conta de que está apaixonada.

Até aí, nada muito inédito. Afinal, a maioria das paixões é mesmo uma idéia muito ruim a princípio e poucas batem no primeiro contato. Via de regra, elas chegam de repente, se instalam devagarinho e puxam o seu tapete, acredite.

Mas a partir daí é que a coisa começa a se individualizar. Algumas paixões se mantém platônicas, outras não são correspondidas e redundam num "você está confundindo as coisas", noutras você se joga de cabeça e vive momentos realmente únicos. Aí, nova ramificação. Umas ficam nesse encanto inicial por um tempo, perdem a graça e morrem. Outras evoluem e se transformam em algo maior.

Os primeiros dias são aquela coisa, né? Suspiros, olhos brilhando, sorrisos incontidos, dedos entrelaçados, palavras doces, tesão incontrolável, sacanagem e romantismo mesclados em proporções perfeitas, brincadeiras, enlevo, descobertas. Aí, quando finalmente você consegue desgrudar um pouco, apresenta pros amigos. Nesse ponto, algumas paixões acabam, porque você descobre que ele é chato ou que não entende a piada e banca o bobo ou que é rude e te passa vergonha. Mas nem todos. Alguns se mostram brilhantes e adoráveis e te fazem pensar que você ta coberta de razão em gostar daquele homem.

Aí, por um acidente - afinal, você não queria apresentar sua mãe pra ele, ainda mais tão rápido assim - ele acaba conhecendo a sua família. E, em vez de ser uma tragédia, que nem seria com a maioria, ele tira de letra a saia justa e ainda deixa todo mundo babando por ele. Aí você começa a pensar se aquilo é pegadinha e passa a procurar o Sérgio Malandro enquanto anda na rua. Não dá pra ser aquilo tudo, gente, tem algo errado nessa história! Mas você manda o senso crítico às favas e está de quatro. Se melhorar estraga, você tem certeza disso. E aí faz o que? Vai passar o feriado prolongado com ele.

Noventa e cinco horas. Dormindo e acordando junto. Bastidores, supermercado, lençóis, cinema, refeições, teatro, passeios de mãos dadas, diálogos hilários, jantar com amigos, papos sérios, planos, brincadeiras, suor, saliva, secreção. Uma overdose.

E você descobre que é aquilo mesmo e mais ainda: é de verdade. Real, palpável, de carne e osso. E que gosta dele mais do que nunca.

quarta-feira, abril 16, 2008

Uma lista

O - que as pessoas insistem em chamar de PD, mas não eu - me indicou pra seguir com uma corrente. Ok, ok, eu vou parar de fazer de conta que odeio correntes. SIM, vocês ouviram direito, o mundo não vai acabar por isso: fazer listas é uma mania minha. Paciência, né? Nerdice é foda.

Anyway. A lista dessa vez é sobre coisas que eu quero fazer antes de morrer. Certo, eu faço, embora tenha que pensar um pouco. Ocorreu-me agora que uma lista igualmente factível é de coisas que eu queria ser quando crescesse, principalmente se isso fosse amanhã...

A lista: Coisas pra fazer antes de morrer

1. Aprender a dançar tango.
2. Conseguir instalar a porra do adsense e ganhar dinheiro com ele.
3. Descobrir o que eu quero ser quando crescer.
4. Saber quem foi o anônimo sem senso de humor que postou no "mais conversa insólita".
5. Saber como essa mulher enfiou esse lenço tão rápido.
6. Dividir a vida com alguém que valha a pena.
7. Recuperar dona Nayra.
8. Fazer a Dehynha ter tempo de colocar o tarô pra mim.
9. Jogar uma bomba em todas as instalações do Detran e matar todos aqueles funcionários corruptos, viciados, mal comidos e asquerosos.
10. Viajar. Muito. E ver coisa pra caralho.

Ok, são dez. Outra mania que eu tenho: números redondos. Se bem que eu posso fazer mais cinco listas dessa sem repetir nenhum item. Ta, não farei isso, poupo meus pobres leitores.

Assim, indico os próximos a fazerem lista:
  • a Dehynha no Quatro Peitos, porque ela ainda não postou lá.
  • o Balconista, porque ele ainda vai admitir que é nerd.
  • a Carlinha, porque ela é ótima de listas.
  • o Eric, porque ele sempre lembra de mim nessas coisas, eu sempre lembro dele. Óun.
  • a Lilhoca, porque ela tem as melhores respostas.
  • o Outsider, pra ver se ele volta a postar, que ta fazendo falta.
  • a Camila, que é leitora fiel e eu quero muito saber mais dela.

terça-feira, abril 15, 2008

Dor

A Nayra foi embora hoje.
E eu to tentando arrumar coragem pra ir também.

E agora?

Às vezes as dificuldades se avolumam e se acumulam tanto, que a gente afunda, se perde, desiste. Às vezes a gente pensa se é bom o suficiente pra enfrentar algumas coisas de peito aberto. E nessas horas dá um frio, uma vontade de se esconder sob a cama, de cobrir os olhos pra ver se as coisas vão embora que nem as sombras quando o sol nasce.

Eu não sei o que fazer. Eu só sei que preciso fazer. E que to com um medo danado.

quinta-feira, abril 10, 2008

Mais conversa insólita

- Aí, ele teve a capacidade de me dizer que eu não entendia nada daquele assunto.
- O QUÊÊÊÊ???
- Pois, é.
- Ah, pára a palhaçada, né?
- Ô! O cúmulo da audácia.
- Amiga, pára tudo vai. Assim não pode! Se tem uma coisa que não dá pra aceitar é homem subestimando a nossa inteligência!
- Exatamente.
- Pode chamar de feia, de gordinha, de maltratada, mas NÃO subestima a nossa inteligência, caralho!
- Er...gordinha pode?
- ALOW?? Vamos manter o foco, por favor???

terça-feira, abril 08, 2008

Teoria

Ele costumava dizer que ela era um amontoado de mulheres numa só e que sempre se surpreendia, porque a interlocutora nunca era quem ele achava que seria. Ela se divertia com essa teoria, mas também nunca achava graça do mesmo jeito. Até o riso variava de tom, o que só corroborava a idéia dele.

E empregava muito tempo em observações, metódico que era. Chegou mesmo a apelidar as diversas facetas dela. "A diaba". "A chorona". "A palhaça". "Aquela que almoçou comigo ontem". Ela protestava, fazendo troça. Mas não havia quem pudesse com ele quando o assunto era a argumentação apaixonada e até ela mesma acabou se convencendo.

Ele se divertia provocando as oscilações dela e surpreendeu-se ao constatar que também se transformava. Mudava os olhos, a voz, o cheiro, o toque. Mudava o humor, o sorriso, o ritmo. Mais que isso, descobriu-se menos pragmático e mais impulsivo, como nunca havia sido.

E em meio a tantas descobertas, perceberam que, por mais que variassem, havia, no entanto, uma constante: encaixavam direitinho um nas esquisitices do outro.

domingo, abril 06, 2008

Comédia Romântica

Ele arrancou com o carro imprimindo nele a força que emanava de si mesmo. O motor potente rugiu e se afastou rapidamente, enquanto ela olhava, parada na calçada com o coração se sacudindo no peito, sentindo um travo na garganta. Como sentiria a falta dele! Viu o carro parar no sinal, fechado. Murmurou uma prece ininteligível. Que os deuses e todos os anjos tomassem conta dele no caminho de volta.

Uma fração de segundo depois, observou espantada o carro dar ré em alta velocidade, vindo em sua direção. Ele brecou bruscamente e ela adiantou-se, abrindo a porta.

- Esqueceu alguma coisa?
- Esqueci. Me dá mais um beijo!

Ela riu e saltou sobre o banco. Ele veio ávido, todo lábios e calor. Entremeou os dedos nos cabelos dela num carinho rápido, no ritmo da língua. Misturaram as respirações e se olharam por um momento imenso. Sorriram, cúmplices.

- Tchau, meu amor.

O carro arrancou de novo, ela continuou na calçada. Mas dessa vez, nem mesmo a agonia da despedida impediu-a de rir. Ele sempre se superava.

Ele dobrou a esquina, sumindo de vista. Ela fechou os olhos ligeiramente e abanou a cabeça, sem deixar de sorrir. A música tema, que até então fazia apenas fundo pra cena, aumentou e se sobrepôs ao barulho do trânsito. Ela abriu o portão e entrou em casa. Subiram os créditos. E fim.

terça-feira, abril 01, 2008

Conversas Insólitas sei lá que número

- Que ótimo! Comecei o dia no engarrafamento.
- Comecei o dia espremida num elevador cheio de homem. Quer trocar?
- Ué, tem algum bonito? Hoje eu to facinho...
- Que nada, só barango.
- Hoje eu to tão facinho que poderia te chamar pra namorar comigo.
- Ih, ta facinho mesmo. Mais que isso só eu, que aceitaria no ato.
- ...
- ...
- Quer namorar comigo?
- Hoje é primeiro de abril, né?
- É. Mas a pergunta ta valendo.
- Sério?
- Sério.
- Cadê o Sérgio Malandro?
- Saiu, você quer namorar com ele?
- Não, serve você mesmo.
- Ótimo. Agora eu vou desligar antes que eu bata o carro, tá?
- Tá.
- tu tu tu tu...

Marca D'água

Ela pensou em pendurar uma placa. Escrita em neon vermelho, piscando que nem aquelas antigas propagandas de cigarro. Puxa, isso tinha sido há muito tempo, parecia outra vida. E pensar nessa comparação fazia-a se sentir um pouco velha. Não, velha não. Defasada? Retrógrada? Não. Saudosista. Sim, de fato.

Aliás, ela era assim. Valorizava detalhes, gestos simples, pequenos-grandes significados. Sentia saudade de xícaras de café e sorrisos compartilhados no fim da tarde, lembrava-se comovida de um trecho de livro que lhe tinha sido mostrado, guardava com carinho confidências, histórias e até mesmo piadas bobas.

Gostava de ser assim. Ainda que alguns a julgassem tola, por vezes, era assim que ela sabia sentir as coisas. Pra ela, alguém que tinha um dia sido importante não deixava de sê-lo da noite pro dia, como se apagado pelo pressionar de um botão. Ainda que a vida seguisse seu curso e novos acontecimentos trouxessem sentimentos renovados, a marca das experiências passadas continuava presente, lembrando-a de tudo que já tinha aprendido e incitando-a a fazer direito dessa vez.

E quando se faziam presentes a alegria e a emoção provocadas pelas mudanças, a vontade que tinha era de rir alto e contar pra quem quisesse ouvir. Mais que isso, a vontade era prestar um tributo. E por isso pensou na placa. Penduraria uma, gigantesca, com letreiro em neon vermelho qual o das antigas propagandas de cigarro. E poria nela tudo quanto queria bradar ao mundo, tudo o que lhe supitava pelos olhos e pelos poros, tudo o que fazia brotar aquele sorriso irritante que a acompanhava até mesmo quando caminhava pela rua.

Mas, outra característica marcante da sua personalidade era a sutileza, que, aliada ao gosto pelos pequenos detalhes, a fez mudar de idéia. Em vez da placa, faria uma marca dágua. Discreta, suave, por vezes até mesmo imperceptível. Mas indelével e sempre presente. Que nem o raio do sorriso.

domingo, março 30, 2008

Tormenta

Aquele foi um final de semana de lascar, ainda não se acredita na enormidade da tempestade que caiu. A velocidade atingida pelos ventos deixou a todos assombrados e o que se conta é que não sobrou um varal de roupas intacto pra contar história e que algumas casas viram suas telhas irem pelos ares, rodopiando entre lençóis coarados e panos de prato com estampa de frutas. As galinhas foram recolhidas às pressas e se salvaram, a maioria passa bem. Algumas crianças, no entanto, com a temeridade que lhes é peculiar, ainda quiseram aproveitar a ventania pra colocar pipas coloridas no ar e soube-se que estão de castigo ajoelhadas no milho até agora, que é pra "aprender a não matar a mãe de susto".

A tempestade começou na sexta feira à tardinha, antes mesmo do comércio baixar as portas. No início era apenas garoa mansa que foi cobrindo cada superfície exposta com gotículas de água gelada. No céu, viam-se nuvens cinzentas e opressivas, como se fossem uma preocupação instalada. Daquelas que latejam o dia inteiro no sombrolho franzido, que não são urgentes, mas que não desaparecem enquanto o problema não é solucionado. No máximo dão uma ou outra trégua.

Quando as piores tomentas se aproximam, pensa-se que o tempo não pode ficar pior do que aquele ar abafado comprimido sob o céu cinza-preocupação-instalada e aguçado pela brisa enregelante-de-arrepiar-a-espinha. Mas fica. A mudança acontece de um jeito lento, como caminhar dentro d'água, como a solução pra preocupação-instalada-opressiva apontando no horizonte, feito nuvem de poeira que os olhos céticos bombardeiam racional e metodicamente pra garantir que não se trata de miragem. E quando concluem que é real, a tormenta é iminente, e mal há tempo pra correr. Foi o que aconteceu daquela vez.

A água, precedida pelo vento, veio qual se fosse despejada sobre o solo para lavar alguma sujeira pegajosa ou matar afogado quem ou o que se encontrasse no caminho e não fosse rápido o suficiente na fuga. Certamente carregou com ela alguns pobres seres incautos, faça-se por eles um minuto de silêncio respeitoso-que-deus-os-tenha. Mas celebre-se, com igual deferência e ainda maior comoção, a notável força renovadora contida na enchente e na tempestade, que passam arrastando os cacos inúteis do passado e instilando vida às terras áridas como se jorrassem com poder curativo sobre feridas purulentas e mal cicatrizadas incrustadas no solo.

Açoitadas pela chuva e pelo vento, as noites foram árduas. Luzes cortavam o céu e estrondos reboavam incessantes, assustando até os mais destemidos e interrompendo o sono dos inocentes, que acordaram sobressaltados e fitaram o teto vazio por muito tempo, incapazes de conciliar novamente o sono, aterrados com os raios e com o furor da chuva.

Os dias, por sua vez, foram os mais longos possíveis. As crianças presas em casa, os cachorros amuados sob as camas, a antena da televisão produzindo apenas estática, os telefones mudos. Os pensamentos perderam-se entre rezas pra que o telhado aguentasse e a água não invadisse a sala, e a inquietação sobre a sorte daquele ente querido que a chuva surpreendera lá fora e ainda não tinha dado notícias.

Pensou-se que a chuva não pararia mais e que estava tudo perdido.

"Oh, senhor, não nos abandoneis neste momento!" - foi a litania repetida, incansavelmente.

E então, no terceiro dia, a chuva finalmente cessou. A ausência do ressoar dos pingos no telhado e a visão dos tímidos raios de sol que surgiam aquecendo e carregando consigo um facho de esperança causou emoção incontida. A casa tinha resistido, o filho estava a salvo, o sofá permanecia intocado pela água e até o lençol branco jazia no quintal, enxovalhado, mas nada que sabão e sol na dose certa não resolvessem. Até mesmo aquele exilado do outro lado da poça tinha dado notícias. Tinha passado as noites em claro, estava abatido e faminto, mas vivo e são.

E o sol, depois de se insinuar delicado por algumas horas, criou coragem e tomou tudo, se espalhando radiante sobre todas as coisas e em todas as frestas, como se comemorasse a chance de fazer o novo viscejar no lugar dos escombros que haviam sido arrastados pra longe. O calor reluzente em contato com a água empoçada, tornou o ar úmido e quente, daqueles que envolvem, fazem suar o couro cabeludo e os olhos embaçarem.

Neste momento, uma menina de tranças escuras está sentada ali adiante sob o sol, sorrindo enquanto contempla as nuvens que dançam balé, ora em forma de tigre, ora de dragão. E, embora ela saiba que a garoa deve voltar nos próximos dias, ouviu a previsão do tempo dizer: o próximo final de semana será quente e ensolarado. E essa certeza é suficiente pra deixá-la feliz.

sexta-feira, março 28, 2008

Lívia's Anatomy

Amanhã faz dois meses que eu só trabalho, ininterruptamente. Bah, grande coisa, dois meses! - alguém dirá. - E eu que trabalho a vida inteira? Eu direi: por que você não morre e vai atormentar outra pessoa bem longe daqui, hein?

Meu, eu trabalho desde os dezessete anos. Já fui vendedora de cosméticos, de roupas, de lingerie, já fui Oficial de Justiça, já fui estagiária, agora sou advogada. E quem me conhece e me lê há mais tempo, sabe que a minha peleja com o Direito é longa e que nunca achei que iria abraçar a coisa como de fato fiz.

Na verdade, eu já tinha desistido dessa coisa, quando me chamaram pra fazer entrevista nesse escritório. Fui aprovada, meti a cara e acabei descobrindo que eu sou boa nisso. Muito boa, aliás. Então as coisas têm caminhado muito bem, eu realmente gosto do trabalho e do pessoal daqui.

O complicado é que este não é um trabalho regular. Tem hora pra entrar, mas nunca pra sair. Não tem fim de semana - se o prazo vence na segunda, nega, o jeito é sair na sexta feira carregando trabalho pra fazer em casa sábado e domingo. Não tem sequer noite de sono tranquila. Cara, é sério. Quando eu era vendedora na Levi's, eu podia sair do Shopping pregada à noite de tanto ficar em pé, sorrir falso pra cliente e gastar meu latim à toa, mas pelo menos, não era um trabalho que absorvia o resto das minhas horas. Eu só lembrava dele durante as horas que eu ficava na loja. Aqui é oooutra história.

Dia desses eu sonhei que uma cliente daqui do escritório me ligava no meio da noite pra me perguntar quando é que a ação dela ia ser ajuizada. Outra vez acordei de madrugada dando um pulo na cama, tinha achado um argumento genial pra usar num processo. Depois, me peguei ligando pra estagiária tarde da noite pra lembrar uma coisa importante. Ou seja: não dá pra desligar, o cérebro roda nesse canal aqui o dia inteiro e às vezes até a noite inteira.

Claro, ainda não cheguei no ponto de ficar chata, mal humorada e imprestável assim que saio do trabalho. Afinal, isso equivale a morrer, porque significa abrir mão do resto da vida e se definir apenas pelo trabalho. Não, nem morta, santa. O dia todo eu dou um jeito de fazer o povo aqui rir (tanto que às vezes acho que eles desconfiam da minha sanidade. Ou acham que eu sou besta mesmo), tenho saído com os meus amigos, minha vida amorosa vai muito bem "e tals" (e dá-lhe piada interna!).

Enfim, eu to cansada. Hoje, só hoje, em particular hoje, eu to muito, muito cansada. Muita correria, muita pressão, muito raciocínio. E uma saudade que dói o dia inteiro sem parar, por mais que eu a ignore, ou a console dizendo que já vai passar. Tô no limite. Hoje. Amanhã eu tenho certeza que melhora. Aliás, eu tenho certeza que depois das 18:00 horas de hoje vai melhorar. Ainda mais que acabaram de me chamar pra tomar tequila hoje à noite.

Será que Meredith Grey ensinou, em algum momento, como curar esse tipo de ressaca?

*interfona e pergunta pra estagiária*

quinta-feira, março 27, 2008

Presença

A sua presença entra pelos sete buracos da minha cabeça.

Ela abriu os olhos naquela manhã e deixou escapar um suspiro. Talvez porque o ruído da chuva somado à parca claridade convidasse mais a procurar uma nova posição sob o edredon verde oliva, do que a enfrentar o chuveiro quente e o salto alto. Talvez a noite tivesse sido curta pro cansaço acumulado ao longo da semana. Ou talvez o suspiro fosse resquício dos sonhos nebulosos e turbulentos que tinham embalado seu sono durante a noite. O suspiro tornou-se um grunhido quando, procurando coragem pra se levantar, puxou de lado a coberta e sentiu o choque da brisa fria matutina contra a pele morna e nua. Espreguiçou-se, lânguida, e pousou as mãos sobre os seios macios, num gesto pouco usual, mas que lhe pareceu natural e irrefreável. Era como se estivesse faltando algo ali. Como se até então houvessem dedos pousados sobre os mamilos escuros e sensíveis, pressionando, tateando, envolvendo. Admirada com a constatação, virou-se de lado, encolheu as pernas e abraçou a si mesma, ressentindo-se menos do frio, que da sensação de lacuna que a invadiu. De repente, teve a certeza de que a cama tinha estado ocupada por mais alguém até então, alguém que tinha acabado de se levantar, deixando nos lençóis o calor e o rastro da sua presença. Deslizou a mão direita pelos quadris percorrendo a pele morena vagarosamente enquanto tomava consciência do corpo inteiro. Toda a sua pele vibrava como se exalasse a impressão deixada por um longo abraço. Ainda podia sentir o peito largo comprimindo-se contra as costas, o braço forte ainda pesava na cintura e chegou mesmo a sentir a respiração quente junto ao pescoço. Inquieta, olhou em volta procurando a confirmação de que realmente estava sozinha, quando o sonho, até então indistinto, emergiu trazendo consigo imagens e sensações pungentes, que a fizeram retesar os músculos da pélvis e cerrar os olhos, gemendo fracamente. Rememorou os arquejos, a cadência, o desejo. A mordida na nuca, os dedos crispados sobre os quadris, os murmúrios roucos no ouvido. A respiração pesada, os rugidos que eram quase ganidos. A pressão, a urgência, a força a cada estocada, o prazer insuportável, um grito, o gozo. Com os olhos apertados, deixou-se arrebatar e deslizou a mão por entre as pernas, de onde escorria fogo líquido. Com movimentos frenéticos dos dedos tensos, dissolveu-se novamente, sacudindo os quadris em espasmos e miando baixinho. Abraçou o travesseiro enquanto o corpo serenava e ficou quieta, observando as sombras nas cortinas, dizendo a si mesma que era hora de se levantar. Pisou o chão frio e olhou-se no espelho, contemplando os cabelos escuros revoltos, os olhos intensos, os lábios avermelhados. E a sensação de dedos entrelaçados nos cabelos da nuca voltou, fazendo-a correr pro chuveiro incontinenti. Aquele quarto não era mais um lugar tranqüilo, a presença dele tinha tomado tudo. Maldito.



Lívia Santana.
06/03/2008

domingo, março 23, 2008

O cara

Outro dia conheci um homem que tem olhos que riem. Que tem resposta pra tudo e que diz as coisas mais absurdas com mais lógica e veemência do que qualquer um no mundo inteiro. Que é capaz de fazer elocubrações sobre o nada de fazer inveja ao próprio Jerry Seinfeld e de ligar assuntos desconexos uns aos outros sem fazer força. Que é dono da cara mais séria e compenetrada que existe, mesmo quando a nota de riso na voz é inequívoca. Que me surpreende o tempo todo e se deixa prever do jeito mais adorável possível.

Um sujeito que combina canalhice e sensibilidade em altas doses e consegue ser absurdamente transparente mesmo quando ostenta um sorriso cínico. Que não resiste a um desafio e se rasga de curiosidade com pequenas provocações. Que tem um bom humor fantástico e é mestre em rir de si mesmo. Que é racional, deliberado e metódico, o que não impede que seja impulsivo, passional e autêntico. Que liga no meio da tarde pra gritar comigo, docemente furioso.



Um homem que seduz e se deixa ser seduzido. Que é franco, divertido, companheiro. Que não é taxativo ou prepotente. Que só demonstra empáfia pra ser derrubada sob uma chuva de boas réplicas. Que sabe ser bobo como ninguém. Que tem a inteligência mais aguda que eu já conheci. Que é determinado e paciente. Que desperta orgulho e admiração. Que me faz querer ser melhor e realizar um monte de coisas.

Conheci um homem que se dedica, que não tem meios termos, que se entrega e se abre pra eu entrar. Um homem que baniu uma sombra e me mostrou que pouco não é pra mim. Que me fez rir de novo.

Um cara que foge à regra, que não gosta do comum. Que estimula, enriquece, emociona. Que inspira e fez com que eu conseguisse criar personagens de novo. Que aconchega e tem o melhor colo do mundo. Que é capaz de fazer rir enquanto as lágrimas correm. Que disse agora há pouco que vai me denunciar na delegacia de mulheres por maus tratos, porque não tenho deixado ele dormir.

Um homem que eu amo. E que, mesmo que não dê nada certo entre nós, já fez por mim a coisa mais importante que ele poderia ter feito: me devolveu a esperança e me mostrou que existe muito ainda pra eu viver, mesmo que o meu coração tenha se estilhaçado no passado.

Conheci um homem. A quem só tenho a agradecer.

quinta-feira, março 20, 2008

Câmbio e desligo

Adeus civilização e pessoas que nela se encontram. Queria eu poder dizer adeus a tudo o que está me entristecendo também. Largar as dúvidas e preocupações aqui e simplesmente fugir. Sair cedinho antes que elas acordem, jogar uma mochila nas costas e deixá-las pra trás.

To indo amanhã cedinho pro meio do mato. Incomunicável.
Sem telefone.
Sem televisão.
Sem internet.

E sem certeza nenhuma.

Em tempo: tenho certeza sim.
E eu também vou sentir saudades.

quarta-feira, março 19, 2008

Alguém joga uma corda??

Eu queria TANTO descobrir como fazer isso dar certo!!!! Estou tão cansada de ver meus sonhos e meus sentimentos irem por água abaixo por falta de jeito pra lidar com as coisas! Eu quero que dure! Preciso encontrar um jeito... não posso, não vou abrir mão de nada, que o mundo inteiro se dane!

Numa tabela de prioridades eu preciso considerar o que é mais ímpar, mais precioso, mais importante. E, segundo a minha estagiária, parar de me desesperar com a segunda feira, se o fim de semana (prolongado) nem chegou ainda.

Conseqüências. Decisões. Medos.
Sofreguidão. Ânsia. Agonia.

Porcaria. De santa essa porra dessa semana não tem NADA!!!!!

!@#$%¨&*()@!#$%¨&*

Ai, que raiva.

terça-feira, março 18, 2008

More Than a Feeling

Acabei de assistir a uma comédia romântica com a anãzinha loira da Reese Whiterspoon e o fofo do Mark Ruffalo, no original, Just Like Heaven (The Cure, amo essa música!), mal e porcamente traduzido para "E se Fosse Verdade?". Ok, novidades? Já consigo assistir a comédias românticas de novo, sem cortar os pulsos e sem quebrar a televisão de ódio. Uma grande melhora, né não? Por outro lado, me peguei pensando: você já teve a sensação de que estava sob um refletor, cercado de um monte de coisas irreais?

Quando alguém escreve um roteiro - ao menos todos os cinco que eu já comecei são assim - pensa cuidadosamente na apresentação dos personagens e no que eles vão dizer. Cada fala é pensada muitas vezes, de um jeito que, ao final, a história está cheia de gente brilhante, espirituosa, cativante, trágica, densa, marcante. Até parece que as pessoas são mesmo assim.

Ali, na atmosfera da história, é perfeito. Mesmo nos momentos mais dramáticos, em que tudo caminha pra dar errado, o mocinho sempre cai em si e volta atrás a tempo. Richard Gere encostando a limusine e subindo pela escada de incêndio da Julia Roberts com ramalhete de flores. Meg Ryan e Tom Hanks se encontrando no alto do Empire States. Adam Sandler tendo a paciência de conquistar a Drew Barrymore desmemoriada todo santo dia.

Tanta coisa bonitinha, bem arrumadinha, que faz a gente dizer "óun..." quando assiste. Mas basta subirem os créditos, tocar a música final e pronto, acabou a viagem. O papel das duas horas de filme foi cumprido: entretenimento. E a gente perdoa as pieguices, a forçada de barra neste e naquele ponto, o diálogo inverossímil nalgum ponto, o final malfeito. Não, retiro o que eu disse. Final malfeito a gente não perdoa não, que o digam Cameron Diaz, Jude Law, Kate Winslet e Jack Black, porque eu joguei tanta praga neles depois daquela porra de "O Amor não Tira Férias", que pelo menos um tratamentozinho de canal ou uma queda acentuada de cabelo aquela turma deve ter sofrido.

Mas voltando. A gente perdoa o que rolou no filme que não foi muito legal, se o conjunto convence. Eu só fico pensando é: e quando isso acontece fora da tela?

Você conhece alguém que tem as falas certas na hora certa? Do tipo que você jura que vai começar a tocar trilha sonora enquanto vocês andam pela rua conversando de alguma coisa adoravelmente prosaica? Que faz você olhar em volta de vez em quando pra conferir se o Sérgio Malandro ou a Sabrina Sato não estão te seguindo, prontos pra anunciar a pegadinha?

É, isso existe. E acredite, é muito legal. Só que me surpreendi pensando: em que ponto do filme estamos agora? Será que eu aperto o pause agora pra não correr o risco de acabar enquanto eu vou ali estourar a pipoca? Será que tem continuação ad eternum que nem o Jaws do Spielberg ou pelo menos é uma trilogiazinha a la Lord of The Rings? Será que eu acho o DVD pra comprar?

E, o mais importante: será que o enredo convence no final, mesmo com as bolas-fora?

Ok, ok, eu mesma fiz um post ali embaixo sobre querer coisas possíveis. Mas o que tem de absurdo em preferir Maggie Gyllenhaal e James Spader em vez de Brittany Murphy e Ashton Kutcher?

Ah, me dá uma folga. E deixa o meu tema ser "More Than a Feeling", vai. Eu mereço.

segunda-feira, março 17, 2008

Pagando dívidas

Carol, aqui vai:

Abrir na página 161 do livro mais próximo de você, e copiar a quinta frase.

"Foi o que Shadow fez" (livro "Deuses Americanos" do Neil Gaiman - que, a propósito, está esgotado pra todo lado que eu tento comprar. MERDA!)

Repasso para: nobody, people. Sou definitivamente uma pessoa magnânima. (isso sem falar que eu era a única loser que ninguém tinha indicado pra essa corrente ainda!...rs)

*************************************************************

Eric, agora nóis. Depois que você fez um post sobre um dinossauro de salgadinhos com cheiro de chulé, eu confesso que fiquei meio encabulada. Tipo, e se o meu dinossauro não feder? Serve? E se em vez de chulé ele feder formol que nem uns dinossauros do estilo da Dercy Gonçalves e do Sílvio Santos? Será que vale? Puxa vida, esse povo só me mete em encrenca.

Confesso que, a princípio, pensei em dizer que o meu dinossauro preferido era o Roy Hess, o melhor amigo do Dino (da Silva Sauro, capici?).

Roy Hess

Saca só. O cara era pobre, morava sozinho, namorava uma mulher pescoçuda (lembra da Mônica, a "separada" vizinha da Fran?) que era muita areia pro caminhãozinho dele, era derrubador de árvores, não tinha vida própria e ficava parasitando justo a do Dino que era um merda de camisa xadrez, tinha os bracinhos mais curtos que já se viu e nem punheta podia bater...E AINDA ASSIM ERA O CARA MAIS FELIZ DE TODOS OS TEMPOS! Um fulano que dizia bom dia efusivamente, mimava os filhos do amigo, babava pela namorada, era gentil e delicado com todo mundo e nem do Hitchfield, o chefe homicida, ele falava mal! Não é um fenômeno???

Mas aí eu resolvi que seria uma resposta muito poliana pro meu gosto. E me ocorreu a verdadeira eleita dessa corrente seríssima.

Uma mulher que dá duro, pega no pesado, faz parte da cultura pop brasileira, é um ícone da indústria fonográfica e do cinema nacional, é uma coroa (gasp) enxuta, que faz de tudo pra se manter na mídia, até protagonizar uma cena batizada pela Gabi de "penheta". Senhoras e senhores, meu dinossauro preferido é A GRETCHEN!

Trailler de "La Conga Sex"


Se você ainda não viu o filme pornô-romântico-erótico-educativo que ela lançou no final de 2006...não veja. Se já ficou ileso até agora, umas risadas NÃO VALEM o trauma, vai por mim. É o tipo do filme que só dá pra assistir numa sala cheia de membros da Blogagi, porque as piadas neutralizam um pouco o sofrimento.

Ficadica.

sábado, março 15, 2008

Reconsideração

É, eu sei, tenho umas correntes pra responder e eu prometo que faço isso já. Mas antes eu preciso dizer umas coisas que estão supitando pelos meus ouvidos.

Depois do meu último post, recebi um torpedo discordando da minha constatação e dizendo que as razões de inconformidade seriam protocoladas no prazo legal. Ok, você não entendeu nada? Normal. Ultimamente o que me faz rir se divide em duas coisas: piadas internas interníssimas e humor de advogado.

Certo, eu devo ter batido a cabeça.

Ainda assim, reformularei a minha última declaração, dando provimento parcial ao recurso de apelação. Eu não sou idiota. EU ESTOU. Idiota, encantada, deliciada.

Engraçado. Num momento assim me ocorrem tantas considerações. Sobre como eu odeio ser relegada a segundo plano. Sobre como as pessoas dão quase nada de si e esperam satisfazer assim mesmo. Sobre como abrir a porta quando batem nela pode fazer a diferença. Sobre como o conceito de certo e errado parece mutável e secundário em alguns momentos. Sobre como o que mais queremos surge dos lugares mais improváveis.

Ah, caramba. Que sopre a tempestade.

quarta-feira, março 12, 2008

Constatação

Eu sou uma idiota.

Memes

Seguinte, me indicaram pra duas correntes ao mesmo tempo. De um lado o Eric quer que eu fale de dinossauros. Do outro, a Carol quer que eu faça o lance da página tal do primeiro livro que estiver perto de mim.

O motivo deste post é dizer: senhores, devo, não nego, pago quando puder!!!

Não, mentira, pago hoje ainda, mais tarde, quando voltar pra casa, ok? O dia tá punk aqui no escritório, não dá tempo de nada.

Ah, e por falar em dívidas: Lilhoca, sua camiseta está saindo da prensa, ok? Não me execute!!!

Beijo na bunda, pessoas!!

sexta-feira, março 07, 2008

Análise de Curriculo

Eu não sabia por onde passava o Meat Loaf até outro dia, quando a Déia me pediu pra procurar essa música (I would do anything for love) pra ela no Soulseek. Achei e fui ver qual era. ADOREI o vocal. Ok, a letra é melodramática (oi? chamou?) e o clipe é o mais brega de todos os tempos (fala sério, né, cara, A Bela e a Fera é muito pra minha cabeça). Mas ainda assim, vale a pena.

Ouvindo o dueto final, eu fico pensando... a coisa não é fácil mesmo, né? A gente quer muita coisa mesmo. As exigências da garota na análise de currículo do feioso são interessantes, pra dizer o mínimo. Ok, ok, o cara é a fera. Se é feio que nem o cão (nem é, já vi piores) precisa compensar de alguma forma. Eu até entendo esse raciocínio, mas as coisas que ela diz estão meio fora da realidade:

Você vai me elevar (ou animar)? Me ajudar a descer (ou me animar quando eu estiver pra baixo)? Me tirar dessa cidade esquecida de Deus? (opa, isso é perseguição, né?) Vai me aquecer (ou fazer as coisas um pouco menos frias)? Vai suprir cada fantasia que eu tiver? (HEIN?? Isso é coisa que se peça?) Apagaria meu fogo com água benta (tá bom, vampira) se eu ficasse quente demais? Me levaria a lugares que eu não conheço? Me tornaria sagrada? Me abraçaria apertado? Coloriria minha vida? Faria as coisas parecerem menos envelhecidas? Faria mágica com as próprias mãos? Construiria uma cidade de esmeralda com grãos de areia? Me daria algo que eu pudesse tomar como lar? E, por fim, você não estragaria tudo?

Percebe o que eu quero dizer? Todos temos necessidades, é claro. Eu preciso de carinho, você precisa de espaço, ambos precisamos de respeito. Mas daí a pretender preencher a vaga com requisitos absurdos? Amiga, peralá, é a FERA e não o SUPER-HOMEM. Ligou o nome à pessoa? É conto de fadas, benhê, não é história em quadrinhos, não!

Ok, ser exigente é uma coisa. Ser maluca é outra. Que tal desejar umas coisas mais possíveis? De preferência coisas que você esteja disposta a oferecer em troca também? Sabe, coisas como carinho, companheirismo, estímulo mental e quem sabe, um pouco de paixão? Algum tesão, também, cairia bem, eu acho. E que tal senso de humor? Ou confiança e consistência? Não parece uma boa?

Eu só preciso disso. Ah, e de umas coisinhas mais...onde eu coloquei aqueles classificados, hein?


Homenagem pra Batatinha, que ontem tava sendo vítima do Randon...ahahahah...Confira abaixo o clipe, e veja a letra AQUI.

quarta-feira, março 05, 2008

Vontade de mostrar a bunda

Recebi o seguinte e-mail ontem:

De "Oi Gato": SEXO
Ola eu gostaria de reseber algumas fotos suas sem ropa sera que e possivel??
Alguém me seguuuuuuuura!!!!

Sabe do que mais? To pensando em abolir a discrição e publicar aqui os emails desses mentecaptos que me escrevem, pra ver se alguma alma caridosa enche a caixa deles de lixo. Alguém aventou a hipótese de que esses emails sejam gozação com a minha cara pra suscitar posts furiosos. Pode até ser, porque não dá pra acreditar que tenha tanta gente assim no mundo que não saiba escrever e que olhe pra minha cara e tenha a certeza de que eu estou louca pra mandar fotos da minha bunda pro primeiro otário que me escreva. É, tem razão, só pode ser piada mesmo.


Nossa, o que esse povo não sabe é que eles estão quase conseguindo me convencer!!! Mais um pouquinho eu saio mesmo, pelada na rua gritando e mandando foto sem "ropa" pra quem quiser ver. Não é a minha cara???

*sobe na mesa e dança cara-caramba-cara-caraô de tanga*

terça-feira, março 04, 2008

Tsc.

Do fundo do coração, eu só queria conhecer alguém que não me matasse de tédio, não se cansasse de mim depois de alguns meses e que tivesse disponibilidade pra me amar. Isso é pedir muito?

domingo, março 02, 2008

Abandono não tem desculpa

Meu irmão é um filho da puta. UM FILHO DA PUTA!

Um cara que larga a namorada plantada em casa pra fazer QUALQUER OUTRA COISA NO MUNDO, é um cretino filho da puta. E não se trata de enganar a garota pra cair na esbórnia, se fosse isso ainda era menos pior, porque aí ele simplesmente seria um galinha idiota sem caráter que chifra a namorada. Mas não, não é isso que ele faz. Ele simplesmente prefere fazer qualquer coisa a ficar com ela. Um cara que se transfigura quando toca o telefone. Num minuto está rindo e no seguinte, basta ouvir a campainha do aparelho, está cansado, com preguiça, mau humorado, sem dinheiro. E está ocupado. Vendo o jogo do Palmeiras, um filme, jogando no computador, qualquer coisa. Só não está disponível pra ela.

Quando eu pergunto, ele diz que ainda gosta dela. Mas só sabe maltratar e abandonar a garota. Gosta uma porra, eu já vi esse filme antes.

Ela sabe que esse namoro é um atraso de vida. E sabe que deveria terminar com ele. Mas não é capaz de fazer isso, gosta demais dele pra desistir. E continua insistindo, que nem uma louca que bate a cabeça na parede.

Por que fazemos isso?????

Por que insistimos em ficar com quem não nos quer e nos faz sentir pequenos e cansativos? Por que continuamos tentando dar amor a quem não faz a menor questão de nada que venha de nós?

Por que aqueles que amamos se tornam enfadonhos de uma hora pra outra? Pior, por que abandonamos aqueles que dizemos que amamamos de uma hora pra outra?

E por que demora tanto pra terminar se simplesmente enjoou da cara da garota, cacete??

Merda de vida. Eu tento ficar neutra, mas às vezes não dá, fico puta demais. E despejo tudo, mesmo que isso só aumente o choro dela. Ela precisa ouvir, ela precisa ver! A auto estima dela ta indo pro buraco e ela não reage!! Se tem alguém que sabe disso sou eu, porra!

Mas ela não ouve. E me rasga atender o telefone e dizer pra ela que ele saiu. Só isso, não levou celular, não avisou, não nada. E foda-se ela e o mundo inteiro, ele não está ligando. Lá no sistema solar que roda em volta do umbigo dele não existe espaço pra mais ninguém a não ser ele mesmo.

Abandono é crueldade. Se o bicho é seu, você não larga sem água e comida, pouco se fodendo pro que vai acontecer com ele vagando pela rua. Ou você cuida ou dá pra alguém que vá cuidar. A mesma coisa com um filho, se você não quer, dá pra alguém que queira. Aliás, se você tem um bebê e larga na lata do lixo ou larga seu filho te esperando cinco horas dentro do carro estacionado no sol, é crime.

Abandono emocional é a mesma coisa que jogar na lata do lixo alguém que confia e ama você. Se você não quer mais, converse, esclareça e ponha um ponto final. Não deixe o outro se fodendo do outro lado pensando o que quiser, que você está pouco ligando, droga. Dá pra se colocar no lugar do outro um pouquinho que seja????


PS: não confundir abandono emocional com surto desarrazoado, que é quando eu não te dou motivos, mas você acha pêlo em ovo assim mesmo.

sábado, março 01, 2008

Anybody?



Somebody To Love
Queen
Composição: Freddie Mercury

Can anybody find me somebody to love?

Each morning I get up I die a little
Can barely stand on my feet (Take a look at yourself)
Take a look in the mirror and cry
Lord what you're doing to me?
I have to spend all my years in believing you
But I just can't get no relief Lord
Somebody (somebody) ooh somebody (somebody)
Can anybody find me somebody to love?
I work hard (she works hard) everyday of my life
I work till I ache my bones
At the end (at the end of the day)
I take home my hard earned pay all on my own
I get down (down) on my knees (knees)
And I start to pray (praise the Lord)
'Til the tears run down from my eyes Lord
somebody (somebody) ooh somebody (please)
Can anybody find me somebody to love?
(she wants help)
Every day - I try and I try and I try -
But everybody wants to put me down
They say I'm goin' crazy
They say I got a lot of water in my brain
Got no common sense
I got nobody left to believe
Yeah - yeah yeah yeah
Ooh Somebody (somebody)
Can anybody find me somebody to love?
(Anybody find me someone to love)
Got no feel I got no rhythm
I just keep losing my beat (you just keep losing and losing)
I'm OK I'm alright (she's alright)
I ain't gonna face no defeat
I just gotta get out of this prison cell
Some day I'm gonna be free Lord
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Somebody somebody somebody somebody somebody
Find me somebody find me somebody to love
Can anybody find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me find me find me
Find me somebody to love
Somebody to love
Find me somebody to love...