sexta-feira, maio 30, 2008

Anywhere



Anywhere
Avantasia
Composição: Tobias Sammet


Gabriel:
I remember it was long ago
But when I think of her I fell it grow
Something begs me to come home again
Something I can hardly stand

But I'm to defy, I have to ignore her cry
I don't know what to do, I'm missing you so bad

Waiting for tomorrow, for a little ray of light
Waiting for tomorrow just to see your smile again
Take away my sorrow from a blistered heart of mine
Where are you now if you are there anywhere

Please forgive me for how I decide
But before I can come with rapid strides
Don't expect you'll have to understand
Jakob needs my helping hand

First I have to go one out of two ways
Which both are wrong and I'm to go
So afraid, so ashamed
So deranged - but I know...

Waiting for tomorrow, for a little ray of light
Waiting for tomorrow just to see your smile again
Take away my sorrow from a blistered heart of mine
Where are you now if you are there anywhere

Waiting for tomorrow, for a little ray of light...
I can't wait for you - Are you there - anywhere

quinta-feira, maio 29, 2008

O fato é que hiatos sempre vão existir, por menores que sejam, por ridículos que sejam, por sanáveis que sejam. E acho que um dos meus maiores problemas no fim das contas é tentar não encher o saco das pessoas mesmo quando sinto essa necessidade. Eu tenho essa mania besta de respeitar a vontade e o espaço dos outros e a falha grave de não saber reivindicar atenção quando ela não me é dada voluntariamente. Também não sei colocar em palavras com facilidade as coisas irracionais que eu sinto, pelo menos não de pronto. Eu sempre preciso de uns momentos pra mastigar. Mas às vezes não tenho esses minutos, o tempo acaba, o gongo soa e acabo tendo que dormir com um nó na garganta. Como agora.

segunda-feira, maio 26, 2008

O Mundo, o sábio e o leão.

Era uma vez uma menina que desejava abraçar o mundo com as pernas e por isso sonhava com pernas que fossem mais compridas. Tentou de muitos jeitos alongar as pernas pra conseguir abarcar o mundo. Perdeu a conta das tentativas frustradas e dos estiramentos musculares. E quando tinha começado a imaginar se o segredo não seria achar um mundo que lhe fosse mais proporcional, encontrou um sábio sentado sob uma árvore e ele lhe contou um grande segredo: o mundo não era pra ser abraçado. Era pra ser sorvido, em grandes goles e largos haustos. Mas, pra isso, ela precisava atravessar um deserto planáltico sob um sol efervescente e matar o leão mágico que morava numa caverna escura e que renascia todos os dias, espreitando à espera de uma brecha pra abocanhá-la pelo pescoço. O sábio falou demoradamente sobre o sol e as areias causticantes, as garras e presas do leão, pintou os perigos em cores fortes e vivas. Foi duro, cruel e por momentos pareceu seriamente decidido a dissuadir a menina da travessia. Mas se ela desistisse, não haveria mais pra onde caminhar nem o que buscar. Tudo perderia o sentido. E, apesar de apavorada com as palavras do sábio, ela proferiu uma prece muda pra que os deuses a amparassem e pra que fosse forte o suficiente. Olhou nos olhos do sábio e vaticiou: "Eu vou". E, pra seu espanto total, ele emitiu um suspiro, levantou-se do chão, pegou o cajado e retrucou: "Ta bom. Então eu vou com você. Mas não diga que eu não avisei".

sexta-feira, maio 23, 2008

Pavor

Odeio sentir isso que eu to sentindo agora. Ok, eu sei que esses posts "diário-de-menina-adulta" são um saco e peço que me perdoem. Mas às vezes escrever é a única coisa que me salva e só assim eu consigo colocar as idéias em ordem. Sabe quando você percebe que tá com uma merda de humor e não sabe direito o que foi que deflagrou aquele estado? Qual foi o gatilho pra espiral que culminou naquele desânimo, chateação, tristeza, angústia? Pois é exatamente onde eu me encontro: parada no meio dum caos, cofiando a cabeça e me perguntando como foi que cheguei aqui.

Acho que um pouco deve ter a ver com o meu medo recorrente e indelével de não ser boa o suficiente, em todos os sentidos.

Eu sempre me envolvo com pessoas acima da média, com inteligências notáveis, extremamente competentes e capazes. Porque não dá pra se apaixonar por alguém que não se admire, esse é o pressuposto mais básico e imprescindível. E este fator cria alguns efeitos colaterais muito irritantes, como hesitar em ser expontânea e pensar duas vezes antes de dizer algo por medo de parecer boba. Ou como o medo de que aquela pessoa se dê conta de que você tem grandes limitações, se canse e vá embora. Ou o pânico de não conseguir alcançar o ritmo, de ficar pra trás, de falhar.

Por outro lado, eu fiz um curso superior que me trouxe muito sofrimento e do qual gostei muito poucas vezes. Assim, sempre tive consciência de que as minhas deficiências nesse campo eram grandes. Aí tentei rechaçar essa formação e começar de novo, mas percebi que as malhas jurídicas que me envolviam eram mais fortes do que eu tinha pensado e davam mostras de que não me deixariam em paz nunca, ou pelo menos não tão facilmente, não sem lutar. E foi então que em vez de lutar com essa coisa viscosa, eu resolvi abraçá-la, pra ver se eu me sentia melhor comigo mesma. Deu certo durante um tempinho bem curto, porque mediocridade me apavora, me sufoca, e o simples vislumbre dela me deixa desesperada. E é assim que eu tenho me sentido de uns tempos pra cá. Medíocre. Insuficiente.

As pessoas me dizem que eu preciso de tempo, que preciso caminhar e conseguir as coisas gradativamente. MAS EU NÃO SEI FAZER ISSO! Aí me rasgo procurando uma saída em vão, fico que nem naquelas noites em que a gente levanta da cama no escuro e fica tateando no quarto fechado, desorientada, procurando o interruptor de luz sem achar nada. E dá uma vontade doida de gritar pra alguém parar o mundo que a gente quer descer. E parece passar uma eternidade até que a gente consiga acender a luz.

Ultimamente o que mais tem me angustiado e me ferido é a necessidade de encontrar um rumo, um jeito de construir alguma coisa palpável. Eu preciso estudar, desesperadamente. Mas não sei direito o que, nem como. E quando me ponho a pensar ou discutir com alguém sobre isso, me vem de novo o pavor de não dar conta, de não ser boa o suficiente, de fracassar e ter que me conformar em ser uma "zinha" qualquer.

Ai, caceta, nessas horas nem respirar no saco adianta.

segunda-feira, maio 19, 2008

Dez Tiradas Muito Românticas

1. Não discuta comigo que sou homem.
2. Mulher é um bicho muito parecido com um ser humano.
3. Vai na frente, amor, gosto de te ver subir a escada.
4. Ô neguinha insolente! Madita Princesa Isabel!
5. Amor, tenho um vídeo ótimo pra te mostrar. Se chama "Pão cu Manteiga".
6. Livinrooom, a revista de literatura e opinião da mulherzinha moderna.
7. Ah, amor, só por que você é uma advogadazinha recém formada e inexperiente?
8. Puxa, preciso comprar açúcar. Vai que a vizinha vem pedir um pouco, né?
9. Na qualidade de macho dominante da relação eu digo: porque sim.
10. Não existe coisa melhor, guardadas as devidas proporções, que coçar a frieira dos dedos do pé esfregando no punho da rede.

Eu ouvi tudo isso, acredite. E tem gente que duvida quando eu falo da Caravana de Putas...

To pensando em inaugurar uma corrente nova. Queria ver uma lista dessas feita pela Gabi, pelo Luke, pela Jo, pela Rach e pelo Júlio...rs...tem dúvida que vai dar merda?

sexta-feira, maio 16, 2008

Paliativo

Já sabe, né? Post escrito perto da meia noite nunca é bom. É a hora em que todos os sons que agitam o dia silenciam. É quando você deveria ir dormir, mas não está com sono, embora esteja muito, muito cansada. Mas a sensação de quem tem algo faltando é palpável demais pra ignorar e fica latejando no escuro quando você apaga a luz e se deita, buscando, em vão, pelo bálsamo do sono com algumas horas de descanso e inconsciência.

Nada é mais cansativo do que a necessidade de fugir o dia todo de algo que te alcança quando você pára. E tudo o mais, qualquer coisa, é somente paliativo, serve apenas pra te manter em movimento, sem pensar, só agindo e reagindo. E nada faz mais barulho do que aquilo que deve ser calado e que às vezes precisa ser contido pelos dentes e olhos cerrados, bem apertados. Há coisas que não devem ser ditas. Há coisas que você não devia sentir.

O melhor é engolir ávida e alegremente junto com mais uma dose de paliativo o que veio na ponta da língua e das pupilas.

quinta-feira, maio 15, 2008

Sobre a Caravana de Putas...

Inauguro neste momento uma categoria que, suponho, se tornará a mais extensa de todas as presentes nesse blog, só rivalizando com uma outra, a chamada "mimimi". A categoria é "Sobre a Caravana de Putas". Por um simples motivo: eu TENHO CERTEZA que, há mais ou menos dois mil e oito anos eu devo ter organizado uma caravana de putas, vestido todas elas de vermelho cereja, passado perfume "Odara" (imagine aqui um trejeito a la pomba gira), pagado uma rodada de absinto e levado todas pra Santa Ceia, com direito a duas pra cada membro participante da fatídica reunião.

Só pode ter sido isso. Deve estar escrito na minha testa: PECADORA MALDITA - FAVOR TORTURAR. E enquanto eu não descubro como apagar o tal letreiro, vou me fodendo bonito.

Veja a de ontem à noite.

Estou eu no meu computador, assistindo a uma edificante aula de Direito Constitucional, quando o amado namorado chama no msn e pergunta se posso falar com ele um momento antes dele dormir. Óbvio que sim! Só precisava trocar de computador, porque o meu está com um probleminha de áudio - o microfone não funciona nem com reza braba. Assim, fui pro outro, liguei e tentei conectar. Nada, senha e/ou usuário inválido. Hein? Comassim? Fui até a sala de televisão.

- Irmão, qual a senha atual da internet?
- "morena34", Irmã.

Volto lá, testo essa senha e nada.

- Irmão, continua dando senha inválida.
- Tenta reiniciar.

Tento reiniciar. Nada.

- Irmão, essa senha tá expirada.
- Claro que não, eu troquei ela outro dia!
- Só pode estar.
- Que nada. Quer ver? Desconecta o outro computador da internet e vê se reconecta.

Por algum motivo, em vez de notar que era uma sugestão "estúpida+2", eu acatei, mais pra provar a ele que ele tava errado do que pra quaquer outra coisa. Só não pensei direito nas conseqüências: eu ficaria sem conexão nos dois computadores. Dito e feito, a senha estava expirada.

- Isso não é possível, eu troquei essa senha outro dia!
- ...
- Bom, agora é ligar no help desk.
- Ta, e qual é o telefone de lá?
- Não sei.
- Como, não sabe, se você ta repetindo que nem uma coisa enguiçada que trocou a senha outro dia?
- Não sei, ué.
- ¬¬

Toca a procurar o telefone. Acho. A porra do número só dá ocupado. Ligo quatro vezes e só ocupado. Enquanto espero, ligo pro namorado explicando a idiotice e peço pra aguardar um pouco enquanto eu consigo outra senha. Ok, ele espera. Ligo de novo e finalmente, o telefone chama no Help Desk e a secretária eletrônica atende:

- Boa noite! Você ligou para o suporte técnico da "empresa Sbrubles"... Mas neste horário já encerramos nossas atividades hoje e nenhum dos atendentes se encontram disponíveis...Por favor, deixe seu nome e telefone que..

- O QUE??????????? COMO ASSIM ENCERRAMOS NOSSAS ATIVIDADES HOJE???? QUE PORCARIA DE SERVIÇO É ESSE?????????

Bati o telefone antes que ficasse uns palavrões gravados na porra da secretária eletrônica. Afinal, eu sou uma moça educada, apesar de tudo. Mas NÃO DAVA pra eu ficar MAIS PUTA, cara, NÃO DAVA. Como diz o outro, "não é que não dê, é QUE NÃO DÁ"!

Onde já se viu uma merda dessas??? Dá vontade de processar a porra da Empresa Sbrubles, porque eu sou uma consumidora ABSURDAMENTE frustrada!!! Eu contratei um serviço de suporte que NÃO ESTÁ FUNCIONANDO QUANDO EU PRECISO!!!! Será que na terra deles, lá, no planeta "Serviço Ruim", alguém já descobriu que serviços dessa natureza são VINTE E QUATRO HORAS???

PUTA QUE PARIU, QUE ÓDIO! Eu juro, que se eu tivesse tempo pra mais alguma coisa e estivesse precisando de mais algum aborrecimento, eu ia entrar com uma ação contra a Empresa Sbrubles. Mas como eu to atolada de coisa pra fazer e totalmente sem saco, fica mais um item no rol "Sobre a Caravana de Putas" mesmo, e chega. A próxima manifestação do carma ruim não vai demorar a acontecer mesmo, eu sei. Pelo menos posts não hão de me faltar. ¬¬

segunda-feira, maio 12, 2008

Dia 12 de maio

Olhando o calendário, vemos um monte de diazinhos marcados em vermelho além dos finais de semana. Os feriados. Dia da independência do Brasil. Corpus Christi. Natal. Tiradentes. Etc. E na verdade, esses dias, que viraram marquinhas vermelhas no calendário porque deviam significar alguma coisa, não passam de abençoados dias em que não se tem que ir trabalhar, pra maioria das pessoas. Os motivos, via de regra, são dois: festas religiosas católicas e um pretenso civismo decaído. Pra mim, que não sei nada de calendário nem de rituais católicos, nem estou afeta a nenhum órgão que desfile em paradas cívicas, não faz diferença.

Mas se pensarmos em dias com significado, quais seriam eles? O dia em que nascemos, o dia em que nos formamos, o dia em que nos casamos, em que nascem nossos filhos, em que conquistamos grandes sonhos? Claro. Todos esses são dias importantes. Mas, via de regra, esses dias passam anônimos, sem marquinhas no calendário. A não ser no nosso calendário pessoal e nas paredes da nossa memória, onde penduramos os quadros que assinalam as grandes coisas que nos acontecem.

O dia de hoje pra mim merece uma marca e um quadro na minha galeria de coisas importantes. Não que tenha me acontecido nada particularmente bom hoje. Ao contrário, como toda boa segunda feira, o dia está espinhoso e eu respirarei aliviada quando me sentar de novo diante desse computador lá pelas sete da noite. To torcendo pra ele acabar logo.

No entanto, o dia de hoje é um marco importantíssimo na minha vida, na minha história pessoal. Porque no dia de hoje, há 33 anos, nasceu um dos caras mais incríveis que eu já conheci. Uma pessoa cuja entrada na minha vida fez toda a diferença e, suspeito, dada a sua natureza, tenha feito a diferença pra muitas pessoas ao longo desses trinta e três anos. Um cara íntegro, inteligente e corajoso ao extremo. Capaz de arrancar um sorriso nos momentos mais difíceis e de resolver os problemas mais cascudos. Um cara de quem a mãe dele deve morrer de orgulho e de saudade todos os dias. Por minha vez, eu sei que morro.

Feliz aniversário, Fabrício.

sexta-feira, maio 09, 2008

Correndo riscos

Eu falei que ia parar de elogiá-lo aqui no blog, porque senão daqui a pouco vai ter boneco de vodu meu espalhado pra tudo quanto é lado, com a mulherada toda rezando pra eu morrer e ele ficar disponível de novo. Prometi inclusive que qualquer hora dessas solto um post sobre como ele tem chulé, usa um dente de ouro na frente, palita os dentes com a boca aberta e cantarola Reginaldo Rossi no chuveiro. Sei lá se as pessoas vão acreditar, mas vale a tentativa.

Só que hoje vou correr o risco. Tem dias que neguinho se supera e eu tenho que fazer justiça.

Sabe quando você percebe que a pessoa que está do seu lado é diferente dos outros, um homem admirável e um ser humano fantástico? Quando ele é capaz de secar as suas lágrimas pelo telefone, sem te adular, sem te dar sermão, só sendo ele mesmo. Só argumentando e sendo o cara mais amigo do mundo. E de repente, além das lágrimas terem secado, você se pega rindo, fazendo piada, baixando a guarda, confiando. Sentindo de novo uma coragem de viver imensa, se sentindo capaz de tudo. É quando você sabe porque tem medo, mas já retomou o controle. É quando a mão dele e o apoio que ele te dá te impedem de afundar na espiral de pânico. E quando ele tem o condão de te mostrar que nada é tão grave assim e que está do seu lado incondicionalmente. Que ele já sabe das suas neuroses e dos seus medos, mas que não se assusta com eles. Mais ainda, que te ama apesar das suas fraquezas e que faz questão de conhecer tudo a seu respeito, mesmo o que não é muito agradável.

É quando você percebe que acertou. E não se sente mais sozinha ou pequena diante dos desafios, porque quando você duvida de si mesma, ele ri e garante que assim que você superar o medo de dar o primeiro passo, "te segurar vai ser uma merda", e que ele vai ter que correr atrás pra poder te acompanhar.

E ainda é modesto, o miserável. ¬¬

terça-feira, maio 06, 2008

Mal Crônico

Sabe, é engraçado. Eu estou feliz. Mesmo, de verdade. Eu faço 25 anos no mês que vem, tenho profissão, amigos, um cara legal do meu lado e, o mais importante, METAS. Sim, você aí, não leu errado. Eu TENHO metas. De curto, médio e de longo prazo. Hã? Como assim, "quem é você e o que você fez com a Lívia?". Eu, hein? Minha avó diria pra você: "me mira, mas me erra". Rá, mineirices rules.

Mas, voltando ao assunto. Eu TO feliz. Mas tem uma coisa que some por algum tempo de vez em quando, mas nunca vai embora de vez. Como se dentro de mim houvesse um bicho. Não, não estou grávida, não me refiro ao Alien e nem a uma tênia solitária (ugh! nojento!). Estou falando de uma coisa que ciclicamente vem à tona, não importa qual seja a minha realidade, não importa que eu esteja realmente feliz no resto do tempo.

É, é isso. Dentro de mim mora um bicho. Que vira-e-mexe estraga minhas coisas, me faz desapaixonar das minhas empreitadas - e não das pessoas, não confunda essa declaração com uma possível mudança na perfeição irritante da minha vida amorosa neste momento - perder a paciência com as pessoas e ficar ainda mais introspectiva durante algum tempo. Também faz as noites ficarem mais frias e mais vazias do que são de verdade, e faz a vidraça embaçar com um misto de respiração e tristeza. Uma tristeza fininha, sem motivo definido, mas que não deixa de colocar um travo na garganta e um suspiro fundo e intermitente grudado no peito que nem catarro (é, hoje estou dada a nojeiras).

Quem me conhece sabe que sou capaz de ficar eufórica e deslumbrada que nem criança. E também sabe que eu vou da crista da onda ao fundo do vale num piscar de olhos. O negócio é que eu preciso constantemente de desafios novos, ou perco o interesse. Se bem que eu acabei de me dar conta de uma coisa: não bastam os desafios, eu preciso é de estímulos, que me instiguem a fazer algo, mas que me proporcionem recompensas, também.

Às vezes dá uma vontade danada de parar de brincar. Sabe, que nem criança? Apelar, pegar a bola, colocar de baixo do braço, chamar todo mundo de "feio, bobo, chato e fedido" e ir embora pra minha casa, com a certeza de que eu estraguei a brincadeira de todo mundo, ou pelo menos, criei um impasse grande o bastante até arrumarem alguém que tenha uma bola pra emprestar e colocarem no meu lugar.

Puxa, vida, tem horas que eu só quero ir pra casa. Onde eu posso chutar longe aqueles sapatos doloridos que fizeram uma bolha no meu pé, tomar um banho quente e me esticar na cama, sem precisar acertar relógio nenhum pra tocar amanhã cedo. Mas isso nem existe, eu não mereço tanto. Ou talvez isso fique em Pasárgada, o que é bom, porque na cama onde eu vou me esticar estará o homem que escolhi, lendo um livro cheio de cientistas e canibais e dando risada de vez em quando.

O mais chato de tudo isso é que quando o bicho se manifesta, trazendo consigo essa sensação de saco-cheio, frustração, solidão, tristeza e saudade, tudo junto e misturado, eu me conheço: não tem nada que dê jeito. A não ser os braços do ogro amado, é claro. Mas como não dá, melhor eu ir pra cama. Porque nesses dias eu fico chata pra caralho.

sábado, maio 03, 2008

Demarcando o território

E então é isso aí...Você está lá, felizinha da vida, achando tudo lindo, vendo elefantes cor-de-rosa dançando rumba em fila indiana no ar... O caso é tão grave que você é capaz de achar a coisa mais linda quando ele recita o Wando... "você é luz...é raio, estrela e...luar...manhã de sol...meu iaiá, meu ioiô...você é sim...e nunca meu não...quando tão louca, me beija na boca, me ama no chão..." Vocês são aquele tipo de casal irritante que está sempre com um sorrisinho no rosto porque certamente sabem de alguma piada que os outros ignoram... vivem de mãos dadas, se procuram com os olhos o tempo todo, compartilham aqueles brownies com sorvete de creme gigantes no mesmo prato com duas colheres, incomodam os vizinhos com gemidos e sussurros. Só uma palavra define isso: perfeição.

E vocês vão sair pra jantar. Tomam um belo banho morno enquanto um samba toca no som, se vestem e se penteiam entre risadas e carinhos. Você abre a porta e sai para o corredor, esperando por ele, que se demora fechando a janela. É então que ela aparece.

Você observa-a se aproximando em câmara lenta. Cabelos longos e loiros a la Gisele Bünchen, nenhuma mancha ou espinha que seja sobre a pele dourada de sol, olhos grandes, boca carnuda, pernas longas e esguias saindo de uma minissaia jeans que vai daquele gordinho da bunda logo acima da coxa até pouco acima dos pêlos púbicos, deixando ver a barriga lisa semi oculta por um top que não dispõe de muito pano. Ela bamboleia em cima de saltos não muito altos e carrega uma sacola cheia de garrafas de vinho que tilintam no ritmo dos quadris dela.

Quando passa por você, ela abre um sorriso largo de orelha a orelha e cumprimenta, toda alegrinha: "boa noite!". Você, algo entre surpresa, fulminada e despeitada se esforça para sorrir de volta com a mesma desenvoltura e simpatia, mas tem sérias dúvidas se consegue esboçar mais que um esgar assassino. A garota tilinta em frente pelo corredor, saca um chaveiro cor de rosa e enfia a chave na fechadura da porta que fica a uma distância intoleravelmente curta de onde você se encontra, grudada no chão invocando mentalmente todas as pragas do Egito.

COMO ASSIM???? AQUELA era a vizinha do seu namorado??? Com QUE direito??? QUEM tinha dado ordem?? Alguém pare o mundo que você quer descer!!!!

Nesse segundo ele sai para o corredor sorrindo e arregala os olhos ao se deparar com a sua expressão:

- Que foi que aconteceu?

Você se arrepia toda, que nem galinha se preparando pra briga:

- A-d-i-v-i-n-h-a. - e indica com a cabeça a porta da loira, que ainda se atrapalha pra abrir a porta segurano a sacola com as garrafas de vinho. Ele, com a cara mais inocente do mundo olha na direção da loira e torna a olhar pra você, perplexo:
- Hein?

- ISSO é sua vizinha? - você coloca as mãos na cintura. Ele arqueia a sobrancelha, subitamente entendendo tudo. Declara solenemente:

- Ah, é...eu também acho isso um absurdo.

- Ah, acha? - é a sua vez de arquear a sobrancelha.

Ele sorri, malicioso:

- Acho sim. Pra que serve ter uma vizinha dessas se ela nunca vem pedir uma xícara de açúcar?

Como mulher esclarecida e confiante que é, você ri da piadinha e desce as escadas junto com ele, em direção ao carro. Mas lá no fundo o instinto continua berrando e você quase dá meia volta pra fazer xixi na porta do apartamento dele. Ou pra bater na porta da loira, arrancar cada fio daquele lindo cabelo e quem sabe, quebrar os dois dentes da frente. Ô, mas foi quase.

sexta-feira, abril 25, 2008

Juízo nenhum

Juízo definitivamente nunca foi o meu forte. Aliás, sempre me faltaram também uns parafusos e eu sempre tive consciência disso. Acho que foi um pouco por isso que sempre pelejei pra manter os meus dentes do ciso. Sabe como é, né? Eu sou uma garota prudente e...

Ok, ok, é mentira, tá? Eu confesso, é mentira! Pronto, satisfeitos? Droga, não posso mentir mais nem no meu próprio blog! Por que vocês não me deixam em paz, hein? Ficam aí, nesse silêncio acusador, como se dissessem "tá, conta outra" com a cara mais cínica do mundo. Seus...seus... malditos leitores!

(inspira...expira...inspiiiiira...expiiiiira...)

Certo, passou o surto. Desculpem o ataque, deve ser a medicação... Hein? Qual medicação? Ah, é, eu ainda não contei.

No sábado passado meu dente do ciso do lado esquerdo superior começou a doer. Ta, isso é normal, eu nem me alarmei. Afinal, venho tolerando a dorzinha deles nascendo não é de hoje, com toda paciência do mundo. Até conversar com eles eu conversava, pra aliviar a dor. O lance é que de jeito nenhum eu ia me submeter à violência de me arrancarem dentes da boca que não davam mostras de quererem sair de livre e expontânea vontade. Aliás, eu já me sentia vilipendiada quando os meus dentes amoleciam e eu era obrigada a arrancá-los, mesmo a contragosto.

Aí o dente começou a doer. Eu ignorei, pensando: "logo isso passa". Ah, quem dera. Ele se revoltou, dessa vez. Foi ficando inflamado, a dor se alastrou para o céu e os cantos da boca, logo eu já nem podia sorrir direito sem fazer careta. Amanheci na segunda feira enlouquecida, corri pra farmácia e pedi um antiinflamatório e um analgésico poderosos. Na saída do caixa - ah, essa eu tenho que contar - quando eu me apresentei pra pagar, o rapazinho se virou pra mim, muuuito educado:

- Olá, bom dia, tudo bom com você?
- Sim, tudo bem. - meio segundo depois comecei a rir e emendei - Se bem que é meio estranho você perguntar a alguém na fila da farmácia carregando remédios pra dor se está tudo bem!

O mocinho corou, gaguejou e acabou rindo junto comigo.

- Desculpe.
- Ah, que nada, eu to só brincando... - Tadinho dele, tão educadinho! Aliás, como todos naquela cidade, ainda escrevo sobre isso outra hora.

De posse dos remédios, me entupi com eles e me senti melhor. Deu pra segurar a onda até o dia seguinte, quando até parecia que a inflamação ia mesmo embora e eu estaria salva pelo gongo. Rá. Ledo engano. Cheguei em casa na quarta à tarde abatida de tanta dor. Na quinta, acordei e liguei no trabalho, avisando que não ia dar pra aparecer. Marquei com o dentista e lá fui eu.

Ele chegou, fuçou na minha boca com aquelas mãozonas cheias de dedos dele - porque essa raça maldita tem dedos tão grandes, hein??? - e disse que o jeito era arrancar. Assim, na lata, sem nem pedir meu telefone ou convidar pra jantar antes. E pra piorar, ele não queria arrancar só o inflamado, queria tirar tudo. Como se pelo fato de eu ter deitado inocentemente na cadeira dele, ele pudesse abusar de mim daquele jeito! Humpf.

Mas o dentista era bom no quesito convencimento. Pintou de tal forma a coisa, que eu quase mandei começar ali mesmo. No entanto, tinha aquela questão, né? Um? Dois? Quatro? Pessoas, o dilema foi grande. Eu nunca tinha ouvido ninguém contar que tinha tirado os quatro dentes de uma vez, eram sempre dois e dois, em duas prestações. Mas também já tinha ouvido gente dizer que tinha tirado um ou dois e nunca mais tinha criado coragem de voltar pra arrancar o resto.

Além disso, eu sou fraca pra dor, gente. Isso é fato, pode colocar nas "coisas sobre a Lívia que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem de perguntar". Tenho medo de agulha - por isso nunca fiz minha tatuagem, tenho medo de faca, tenho medo de parto - cesariana, lógico, parto normal é inconcebível, nunca, nem fodendo. E tenho medo de dentista. Merda.

De repente eu me dei conta que ou era ali, naquela hora, ou era nunca mais. Eu me conheço. NUNCA voltaria pra fazer os outros dois dentes de arrancasse só dois ontem. Mas antes de eu me pronunciar quanto à dura decisão, o dentista argumentou:

- Imagine que você quebrou os quatro dedos da mão. Estão quebrados, não tem nada pra ser feito quanto a isso, a não ser consertar. Você por acaso vai endireitar dois, passar pelo pós operatório desses dois, pra depois arrumar os outros dois e passar DE NOVO pelo pós operatório?

Ok, doutor, eu me rendo. Vamos lá, se é pra consentir no estupro, por que não incluir um pouco de areia, né?

Ele me deu uma lista enorme de remédios pra comprar. Antiinflamatório, antibiótico, analgésico, antiséptico bucal. Marcamos pra depois do almoço. Ele disse que era melhor eu comer antes da cirurgia. E confesso, pessoas, na hora não entendi bem por que. Pensei que podia ser por causa da anestesia, da medicação. Vim descobrir hoje, do jeito mais duro possível, que era pra eu ME DESPEDIR DE COMIDA SÓLIDA, QUENTINHA E CHEIROSA, porque agora sei lá quando eu vou ver isso de novo. Aliás, to enojada de sorvete já. E de vitamina. E de suco. (aqui eu poderia dar um grito, não fosse a impossibilidade de abrir a boca).

Cheguei pra cirurgia, meia hora antes como recomendado. A assistente do dentista me deu um "remedinho pra ansiedade". Olhei dentro do copinho e tinha um comprimido branco redondo e um outro, verde, partido ao meio. Com certeza aquele ali era o melhor, que mulher mais muquirana. Deu vontade de dizer: "dá a outra metade do meu comprimido, aí, faz favor?". Ora bolas. Bem, tomei o que ela me deu e mais um de cada caixa que o dentista mandou eu comprar. Sentei e esperei aquele coquetel fazer efeito.

O dentista apareceu e aí foi tudo muito rápido. De repente eu tava deitada na cadeira sob uma luz obscena me cegando com os cabelos dentro de uma touquinha. A assistente me deu uma toalha de papel que, ingenuamente, eu pensei que seria pra enxugar alguma baba. Mas eles forraram em cima de mim um tecido azul, que deixou só o meu rosto de fora. Ali eu comecei a sentir a claustrofobia dando sinal. "Calma, Lívia", pensei. Pra me distrair, voltei a pensar no lencinho. Se não era pra baba, era pro que, então? Pra ter o que segurar e apertar na hora do sufoco? Acho que um pouco era por isso sim. Mas eu achei uma utilidade pra ele mais tarde - enxugar as lágrimas.

Eles começaram. Veio a seringa, imeeensa. (Aqui, pausa: adicionem ali na lista de coisas das quais eu tenho medo as injeções e seringas de todos os tipos. Mesmo a que tava cheia de soro, só pra lavar o sangue do dente, me apavorava). Cara, eu ODEIO anestesia na gengiva. ODEIO. Aquilo dá uma vontade de morrer, é a mesma coisa da piada: "qual o cúmulo da agonia? - uma velha desdentada mastigando uma gilete". NÃO DÁ. E o que mais me mata de ódio é o tom que o feladaputa fala com a gente naquela hora. "É só uma picadinha, não vai doer nada..." PICADINHA INDOLOR SÓ SE FOR NO CU DELE!!!!!

Dada a injeção, ele ACHOU que podia começar a carnificina. Bem que ele queria. Precisei de QUATRO injeções EM CADA DENTE pra ele poder mexer. E o desgraçado perguntava: "tem certeza que ta doendo mesmo? você não tá só sentindo eu mexer no dente?". Ah, não, cara. Teve uma hora que eu perdi a fleuma com ele. Quando ele perguntou essa pela terceira vez, eu fiz um sinal pra assistente tirar aquela porra daquele sugador da minha boca e falei, do jeito que dava: "EU DISSE QUE ESTÁ DOENDO. O senhor me desculpe, mas mesmo deitada aqui eu ainda sei diferenciar DOR de SENSIBILIDADE".

Ele ficou meio desconsertado e se empertigou todo. A assistente, talvez vindo em socorro do dentista, tacou a porra do sugador de novo na minha boca. Cara, devia ter teste de habilidade específica pra assistentes de dentista. Depois da seleção elas até poderiam não ser tão boas, mas pelo menos não manejariam os instrumentos como se tivessem Parkinson, esbarrando nos dentes que não tinham nada a ver com a coisa e grudando o sugador na pele da minha boca. Ai, que ódio.

Eu chorei, cara. Confesso. "Ah, mas não doeu, você estava anestesiada". Ah, é? Pra ficar anestesiada foram 16 agulhadas de injeção na gengiva. Isso porque eu ainda não falei da broca. Velho, na boa. Quando o miserável do dentista enfiava aquela merda zunindo dentro da minha boca, era como se ele estivesse polindo a minha cabeça com um esmeril. Ressoava. Não dá pra descrever o desespero. Muitas vezes eu tremi, tive taquicardia, o choro anuviou minhas vias respiratórias e me deu falta de ar. Perdi as contas de quantas vezes eu implorei pra Deus praquilo acabar logo e teve uma hora que segurei a custo o impulso de começar a gritar com aqueles dois, empurrar tudo longe e sair correndo.

Fiquei ali deitada pensando que aquilo era mesmo um estupro. Invasivo, violento, aviltante. Minhas forças foram acabando. As lágrimas escorriam já sem provocar nenhum soluço, os olhos semi-cerrados, incapaz de manter as pálbebras totalmente abertas. A boca ia se fechando sem eu ver, mesmo com o retrator de metal escancarando a pele, machucando ainda mais. Eu tava louca pra urinar, ia explodir a qualquer minuto. E pra piorar, eu tinha que ouvir coisas como:

- Abre grandão agora, Lívia! - a idiota da assistente.
- Abre a boca. Abre mais. Mais um pouco. Parece que você ta meio cansada aí, né? - o imbecil do dentista.

Acabou. Ele me fez recomendações que estão meio nebulosas agora. Gelo. Gaze. Líquido. Sólido. Quente. Repouso. Atestado. Remédio.

Quando a minha mãe chegou pra me pegar, ela comentou sobre o pós operatório do meu irmão, que rolou hemorragia. O dentista parou, pensou um segundo e pediu pra assistente olhar no carro dele se tinha um remédio Y lá. Ela foi e não achou nada. Ele mesmo foi olhar e demorou um pouco. Tinha ido na farmácia. Me deu o comprimido e mandou eu tomar ali, naquela hora. A língua, semi morta pela anestesia, não colaborava, eu quase sufoquei duas vezes e me afoguei com a água. Mas acabou descendo. Mamis me levou pra casa, eu deitei no sofá e apaguei. Acordei meia hora antes de vencer o efeito do analgésico, uivando de dor.

Agora, eu to aqui com a cara do Kiko do Chaves misturado com o Quasímodo. De molho, mas já tive que trabalhar. Descobri que esse negócio de sorvete é superestimado, que a minha avó faz doce de leite de pedaço nos momentos mais impróprios, que a comida da minha mãe é intoleravelmente cheirosa. Mas pelo menos o sangue ta estancado e eu to levando mais ou menos com o analgésico, meu melhor amigo.

Mas o pior é: eu to mais manhosa que homem gripado. Pode isso?

quarta-feira, abril 23, 2008

Noventa e cinco horas

Então é aquela história: duas pessoas um dia se encontram sem querer, conversam muito mesmo pra tentar se conhecer, e vai vindo de repente uma vontade de se ver. E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração e bla bla bla. Ok, Eduardo e Mônica é brabo, eu sei. Mas me dá um desconto, hoje eu mereço. Afinal, podia ser pior...eu também lembrei da Sandra de Sá, bem trash cantando "de repente me deu uma louca vontade de estar com você..." e do Fábio Jr. entoando a bendita "Felicidaaaaade" que brilha no ar. Então não reclama, tá?

Um dia, do nada, você conhece alguém que parece nada demais e nem há motivos pra pensar que alguma coisa possa acontecer apenas pelo fato de ter conhecido esta pessoa. Você não pensa muito nisso, tem coisas mais absorventes pra se preocupar. E é quando o tal cidadão que você conheceu daquele jeito despretensioso começa a se mostrar, colocando alegre e inocentemente as asinhas de fora. Você se surpreende, se pega pensando nisso mais vezes do que gostaria e se sentindo mais atraída do que poderia esperar. E então você pára, coça a cabeça e diz a si mesma que não é uma boa idéia, que é melhor deixar isso pra lá. Mas a importância daquilo cresce, diretamente proporcional à inconveniência da situação. E você se dá conta de que está apaixonada.

Até aí, nada muito inédito. Afinal, a maioria das paixões é mesmo uma idéia muito ruim a princípio e poucas batem no primeiro contato. Via de regra, elas chegam de repente, se instalam devagarinho e puxam o seu tapete, acredite.

Mas a partir daí é que a coisa começa a se individualizar. Algumas paixões se mantém platônicas, outras não são correspondidas e redundam num "você está confundindo as coisas", noutras você se joga de cabeça e vive momentos realmente únicos. Aí, nova ramificação. Umas ficam nesse encanto inicial por um tempo, perdem a graça e morrem. Outras evoluem e se transformam em algo maior.

Os primeiros dias são aquela coisa, né? Suspiros, olhos brilhando, sorrisos incontidos, dedos entrelaçados, palavras doces, tesão incontrolável, sacanagem e romantismo mesclados em proporções perfeitas, brincadeiras, enlevo, descobertas. Aí, quando finalmente você consegue desgrudar um pouco, apresenta pros amigos. Nesse ponto, algumas paixões acabam, porque você descobre que ele é chato ou que não entende a piada e banca o bobo ou que é rude e te passa vergonha. Mas nem todos. Alguns se mostram brilhantes e adoráveis e te fazem pensar que você ta coberta de razão em gostar daquele homem.

Aí, por um acidente - afinal, você não queria apresentar sua mãe pra ele, ainda mais tão rápido assim - ele acaba conhecendo a sua família. E, em vez de ser uma tragédia, que nem seria com a maioria, ele tira de letra a saia justa e ainda deixa todo mundo babando por ele. Aí você começa a pensar se aquilo é pegadinha e passa a procurar o Sérgio Malandro enquanto anda na rua. Não dá pra ser aquilo tudo, gente, tem algo errado nessa história! Mas você manda o senso crítico às favas e está de quatro. Se melhorar estraga, você tem certeza disso. E aí faz o que? Vai passar o feriado prolongado com ele.

Noventa e cinco horas. Dormindo e acordando junto. Bastidores, supermercado, lençóis, cinema, refeições, teatro, passeios de mãos dadas, diálogos hilários, jantar com amigos, papos sérios, planos, brincadeiras, suor, saliva, secreção. Uma overdose.

E você descobre que é aquilo mesmo e mais ainda: é de verdade. Real, palpável, de carne e osso. E que gosta dele mais do que nunca.

quarta-feira, abril 16, 2008

Uma lista

O - que as pessoas insistem em chamar de PD, mas não eu - me indicou pra seguir com uma corrente. Ok, ok, eu vou parar de fazer de conta que odeio correntes. SIM, vocês ouviram direito, o mundo não vai acabar por isso: fazer listas é uma mania minha. Paciência, né? Nerdice é foda.

Anyway. A lista dessa vez é sobre coisas que eu quero fazer antes de morrer. Certo, eu faço, embora tenha que pensar um pouco. Ocorreu-me agora que uma lista igualmente factível é de coisas que eu queria ser quando crescesse, principalmente se isso fosse amanhã...

A lista: Coisas pra fazer antes de morrer

1. Aprender a dançar tango.
2. Conseguir instalar a porra do adsense e ganhar dinheiro com ele.
3. Descobrir o que eu quero ser quando crescer.
4. Saber quem foi o anônimo sem senso de humor que postou no "mais conversa insólita".
5. Saber como essa mulher enfiou esse lenço tão rápido.
6. Dividir a vida com alguém que valha a pena.
7. Recuperar dona Nayra.
8. Fazer a Dehynha ter tempo de colocar o tarô pra mim.
9. Jogar uma bomba em todas as instalações do Detran e matar todos aqueles funcionários corruptos, viciados, mal comidos e asquerosos.
10. Viajar. Muito. E ver coisa pra caralho.

Ok, são dez. Outra mania que eu tenho: números redondos. Se bem que eu posso fazer mais cinco listas dessa sem repetir nenhum item. Ta, não farei isso, poupo meus pobres leitores.

Assim, indico os próximos a fazerem lista:
  • a Dehynha no Quatro Peitos, porque ela ainda não postou lá.
  • o Balconista, porque ele ainda vai admitir que é nerd.
  • a Carlinha, porque ela é ótima de listas.
  • o Eric, porque ele sempre lembra de mim nessas coisas, eu sempre lembro dele. Óun.
  • a Lilhoca, porque ela tem as melhores respostas.
  • o Outsider, pra ver se ele volta a postar, que ta fazendo falta.
  • a Camila, que é leitora fiel e eu quero muito saber mais dela.

terça-feira, abril 15, 2008

Dor

A Nayra foi embora hoje.
E eu to tentando arrumar coragem pra ir também.

E agora?

Às vezes as dificuldades se avolumam e se acumulam tanto, que a gente afunda, se perde, desiste. Às vezes a gente pensa se é bom o suficiente pra enfrentar algumas coisas de peito aberto. E nessas horas dá um frio, uma vontade de se esconder sob a cama, de cobrir os olhos pra ver se as coisas vão embora que nem as sombras quando o sol nasce.

Eu não sei o que fazer. Eu só sei que preciso fazer. E que to com um medo danado.

quinta-feira, abril 10, 2008

Mais conversa insólita

- Aí, ele teve a capacidade de me dizer que eu não entendia nada daquele assunto.
- O QUÊÊÊÊ???
- Pois, é.
- Ah, pára a palhaçada, né?
- Ô! O cúmulo da audácia.
- Amiga, pára tudo vai. Assim não pode! Se tem uma coisa que não dá pra aceitar é homem subestimando a nossa inteligência!
- Exatamente.
- Pode chamar de feia, de gordinha, de maltratada, mas NÃO subestima a nossa inteligência, caralho!
- Er...gordinha pode?
- ALOW?? Vamos manter o foco, por favor???

terça-feira, abril 08, 2008

Teoria

Ele costumava dizer que ela era um amontoado de mulheres numa só e que sempre se surpreendia, porque a interlocutora nunca era quem ele achava que seria. Ela se divertia com essa teoria, mas também nunca achava graça do mesmo jeito. Até o riso variava de tom, o que só corroborava a idéia dele.

E empregava muito tempo em observações, metódico que era. Chegou mesmo a apelidar as diversas facetas dela. "A diaba". "A chorona". "A palhaça". "Aquela que almoçou comigo ontem". Ela protestava, fazendo troça. Mas não havia quem pudesse com ele quando o assunto era a argumentação apaixonada e até ela mesma acabou se convencendo.

Ele se divertia provocando as oscilações dela e surpreendeu-se ao constatar que também se transformava. Mudava os olhos, a voz, o cheiro, o toque. Mudava o humor, o sorriso, o ritmo. Mais que isso, descobriu-se menos pragmático e mais impulsivo, como nunca havia sido.

E em meio a tantas descobertas, perceberam que, por mais que variassem, havia, no entanto, uma constante: encaixavam direitinho um nas esquisitices do outro.

domingo, abril 06, 2008

Comédia Romântica

Ele arrancou com o carro imprimindo nele a força que emanava de si mesmo. O motor potente rugiu e se afastou rapidamente, enquanto ela olhava, parada na calçada com o coração se sacudindo no peito, sentindo um travo na garganta. Como sentiria a falta dele! Viu o carro parar no sinal, fechado. Murmurou uma prece ininteligível. Que os deuses e todos os anjos tomassem conta dele no caminho de volta.

Uma fração de segundo depois, observou espantada o carro dar ré em alta velocidade, vindo em sua direção. Ele brecou bruscamente e ela adiantou-se, abrindo a porta.

- Esqueceu alguma coisa?
- Esqueci. Me dá mais um beijo!

Ela riu e saltou sobre o banco. Ele veio ávido, todo lábios e calor. Entremeou os dedos nos cabelos dela num carinho rápido, no ritmo da língua. Misturaram as respirações e se olharam por um momento imenso. Sorriram, cúmplices.

- Tchau, meu amor.

O carro arrancou de novo, ela continuou na calçada. Mas dessa vez, nem mesmo a agonia da despedida impediu-a de rir. Ele sempre se superava.

Ele dobrou a esquina, sumindo de vista. Ela fechou os olhos ligeiramente e abanou a cabeça, sem deixar de sorrir. A música tema, que até então fazia apenas fundo pra cena, aumentou e se sobrepôs ao barulho do trânsito. Ela abriu o portão e entrou em casa. Subiram os créditos. E fim.

terça-feira, abril 01, 2008

Conversas Insólitas sei lá que número

- Que ótimo! Comecei o dia no engarrafamento.
- Comecei o dia espremida num elevador cheio de homem. Quer trocar?
- Ué, tem algum bonito? Hoje eu to facinho...
- Que nada, só barango.
- Hoje eu to tão facinho que poderia te chamar pra namorar comigo.
- Ih, ta facinho mesmo. Mais que isso só eu, que aceitaria no ato.
- ...
- ...
- Quer namorar comigo?
- Hoje é primeiro de abril, né?
- É. Mas a pergunta ta valendo.
- Sério?
- Sério.
- Cadê o Sérgio Malandro?
- Saiu, você quer namorar com ele?
- Não, serve você mesmo.
- Ótimo. Agora eu vou desligar antes que eu bata o carro, tá?
- Tá.
- tu tu tu tu...