sábado, maio 03, 2008
Demarcando o território
sexta-feira, abril 25, 2008
Juízo nenhum
Ok, ok, é mentira, tá? Eu confesso, é mentira! Pronto, satisfeitos? Droga, não posso mentir mais nem no meu próprio blog! Por que vocês não me deixam em paz, hein? Ficam aí, nesse silêncio acusador, como se dissessem "tá, conta outra" com a cara mais cínica do mundo. Seus...seus... malditos leitores!
(inspira...expira...inspiiiiira...expiiiiira...)
Certo, passou o surto. Desculpem o ataque, deve ser a medicação... Hein? Qual medicação? Ah, é, eu ainda não contei.
No sábado passado meu dente do ciso do lado esquerdo superior começou a doer. Ta, isso é normal, eu nem me alarmei. Afinal, venho tolerando a dorzinha deles nascendo não é de hoje, com toda paciência do mundo. Até conversar com eles eu conversava, pra aliviar a dor. O lance é que de jeito nenhum eu ia me submeter à violência de me arrancarem dentes da boca que não davam mostras de quererem sair de livre e expontânea vontade. Aliás, eu já me sentia vilipendiada quando os meus dentes amoleciam e eu era obrigada a arrancá-los, mesmo a contragosto.
Aí o dente começou a doer. Eu ignorei, pensando: "logo isso passa". Ah, quem dera. Ele se revoltou, dessa vez. Foi ficando inflamado, a dor se alastrou para o céu e os cantos da boca, logo eu já nem podia sorrir direito sem fazer careta. Amanheci na segunda feira enlouquecida, corri pra farmácia e pedi um antiinflamatório e um analgésico poderosos. Na saída do caixa - ah, essa eu tenho que contar - quando eu me apresentei pra pagar, o rapazinho se virou pra mim, muuuito educado:
- Olá, bom dia, tudo bom com você?
- Sim, tudo bem. - meio segundo depois comecei a rir e emendei - Se bem que é meio estranho você perguntar a alguém na fila da farmácia carregando remédios pra dor se está tudo bem!
O mocinho corou, gaguejou e acabou rindo junto comigo.
- Desculpe.
- Ah, que nada, eu to só brincando... - Tadinho dele, tão educadinho! Aliás, como todos naquela cidade, ainda escrevo sobre isso outra hora.
De posse dos remédios, me entupi com eles e me senti melhor. Deu pra segurar a onda até o dia seguinte, quando até parecia que a inflamação ia mesmo embora e eu estaria salva pelo gongo. Rá. Ledo engano. Cheguei em casa na quarta à tarde abatida de tanta dor. Na quinta, acordei e liguei no trabalho, avisando que não ia dar pra aparecer. Marquei com o dentista e lá fui eu.
Ele chegou, fuçou na minha boca com aquelas mãozonas cheias de dedos dele - porque essa raça maldita tem dedos tão grandes, hein??? - e disse que o jeito era arrancar. Assim, na lata, sem nem pedir meu telefone ou convidar pra jantar antes. E pra piorar, ele não queria arrancar só o inflamado, queria tirar tudo. Como se pelo fato de eu ter deitado inocentemente na cadeira dele, ele pudesse abusar de mim daquele jeito! Humpf.
Mas o dentista era bom no quesito convencimento. Pintou de tal forma a coisa, que eu quase mandei começar ali mesmo. No entanto, tinha aquela questão, né? Um? Dois? Quatro? Pessoas, o dilema foi grande. Eu nunca tinha ouvido ninguém contar que tinha tirado os quatro dentes de uma vez, eram sempre dois e dois, em duas prestações. Mas também já tinha ouvido gente dizer que tinha tirado um ou dois e nunca mais tinha criado coragem de voltar pra arrancar o resto.
Além disso, eu sou fraca pra dor, gente. Isso é fato, pode colocar nas "coisas sobre a Lívia que você sempre quis saber, mas nunca teve coragem de perguntar". Tenho medo de agulha - por isso nunca fiz minha tatuagem, tenho medo de faca, tenho medo de parto - cesariana, lógico, parto normal é inconcebível, nunca, nem fodendo. E tenho medo de dentista. Merda.
De repente eu me dei conta que ou era ali, naquela hora, ou era nunca mais. Eu me conheço. NUNCA voltaria pra fazer os outros dois dentes de arrancasse só dois ontem. Mas antes de eu me pronunciar quanto à dura decisão, o dentista argumentou:
- Imagine que você quebrou os quatro dedos da mão. Estão quebrados, não tem nada pra ser feito quanto a isso, a não ser consertar. Você por acaso vai endireitar dois, passar pelo pós operatório desses dois, pra depois arrumar os outros dois e passar DE NOVO pelo pós operatório?
Ok, doutor, eu me rendo. Vamos lá, se é pra consentir no estupro, por que não incluir um pouco de areia, né?
Ele me deu uma lista enorme de remédios pra comprar. Antiinflamatório, antibiótico, analgésico, antiséptico bucal. Marcamos pra depois do almoço. Ele disse que era melhor eu comer antes da cirurgia. E confesso, pessoas, na hora não entendi bem por que. Pensei que podia ser por causa da anestesia, da medicação. Vim descobrir hoje, do jeito mais duro possível, que era pra eu ME DESPEDIR DE COMIDA SÓLIDA, QUENTINHA E CHEIROSA, porque agora sei lá quando eu vou ver isso de novo. Aliás, to enojada de sorvete já. E de vitamina. E de suco. (aqui eu poderia dar um grito, não fosse a impossibilidade de abrir a boca).
Cheguei pra cirurgia, meia hora antes como recomendado. A assistente do dentista me deu um "remedinho pra ansiedade". Olhei dentro do copinho e tinha um comprimido branco redondo e um outro, verde, partido ao meio. Com certeza aquele ali era o melhor, que mulher mais muquirana. Deu vontade de dizer: "dá a outra metade do meu comprimido, aí, faz favor?". Ora bolas. Bem, tomei o que ela me deu e mais um de cada caixa que o dentista mandou eu comprar. Sentei e esperei aquele coquetel fazer efeito.
O dentista apareceu e aí foi tudo muito rápido. De repente eu tava deitada na cadeira sob uma luz obscena me cegando com os cabelos dentro de uma touquinha. A assistente me deu uma toalha de papel que, ingenuamente, eu pensei que seria pra enxugar alguma baba. Mas eles forraram em cima de mim um tecido azul, que deixou só o meu rosto de fora. Ali eu comecei a sentir a claustrofobia dando sinal. "Calma, Lívia", pensei. Pra me distrair, voltei a pensar no lencinho. Se não era pra baba, era pro que, então? Pra ter o que segurar e apertar na hora do sufoco? Acho que um pouco era por isso sim. Mas eu achei uma utilidade pra ele mais tarde - enxugar as lágrimas.
Eles começaram. Veio a seringa, imeeensa. (Aqui, pausa: adicionem ali na lista de coisas das quais eu tenho medo as injeções e seringas de todos os tipos. Mesmo a que tava cheia de soro, só pra lavar o sangue do dente, me apavorava). Cara, eu ODEIO anestesia na gengiva. ODEIO. Aquilo dá uma vontade de morrer, é a mesma coisa da piada: "qual o cúmulo da agonia? - uma velha desdentada mastigando uma gilete". NÃO DÁ. E o que mais me mata de ódio é o tom que o feladaputa fala com a gente naquela hora. "É só uma picadinha, não vai doer nada..." PICADINHA INDOLOR SÓ SE FOR NO CU DELE!!!!!
Dada a injeção, ele ACHOU que podia começar a carnificina. Bem que ele queria. Precisei de QUATRO injeções EM CADA DENTE pra ele poder mexer. E o desgraçado perguntava: "tem certeza que ta doendo mesmo? você não tá só sentindo eu mexer no dente?". Ah, não, cara. Teve uma hora que eu perdi a fleuma com ele. Quando ele perguntou essa pela terceira vez, eu fiz um sinal pra assistente tirar aquela porra daquele sugador da minha boca e falei, do jeito que dava: "EU DISSE QUE ESTÁ DOENDO. O senhor me desculpe, mas mesmo deitada aqui eu ainda sei diferenciar DOR de SENSIBILIDADE".
Ele ficou meio desconsertado e se empertigou todo. A assistente, talvez vindo em socorro do dentista, tacou a porra do sugador de novo na minha boca. Cara, devia ter teste de habilidade específica pra assistentes de dentista. Depois da seleção elas até poderiam não ser tão boas, mas pelo menos não manejariam os instrumentos como se tivessem Parkinson, esbarrando nos dentes que não tinham nada a ver com a coisa e grudando o sugador na pele da minha boca. Ai, que ódio.
Eu chorei, cara. Confesso. "Ah, mas não doeu, você estava anestesiada". Ah, é? Pra ficar anestesiada foram 16 agulhadas de injeção na gengiva. Isso porque eu ainda não falei da broca. Velho, na boa. Quando o miserável do dentista enfiava aquela merda zunindo dentro da minha boca, era como se ele estivesse polindo a minha cabeça com um esmeril. Ressoava. Não dá pra descrever o desespero. Muitas vezes eu tremi, tive taquicardia, o choro anuviou minhas vias respiratórias e me deu falta de ar. Perdi as contas de quantas vezes eu implorei pra Deus praquilo acabar logo e teve uma hora que segurei a custo o impulso de começar a gritar com aqueles dois, empurrar tudo longe e sair correndo.
Fiquei ali deitada pensando que aquilo era mesmo um estupro. Invasivo, violento, aviltante. Minhas forças foram acabando. As lágrimas escorriam já sem provocar nenhum soluço, os olhos semi-cerrados, incapaz de manter as pálbebras totalmente abertas. A boca ia se fechando sem eu ver, mesmo com o retrator de metal escancarando a pele, machucando ainda mais. Eu tava louca pra urinar, ia explodir a qualquer minuto. E pra piorar, eu tinha que ouvir coisas como:
- Abre grandão agora, Lívia! - a idiota da assistente.
- Abre a boca. Abre mais. Mais um pouco. Parece que você ta meio cansada aí, né? - o imbecil do dentista.
Acabou. Ele me fez recomendações que estão meio nebulosas agora. Gelo. Gaze. Líquido. Sólido. Quente. Repouso. Atestado. Remédio.
Quando a minha mãe chegou pra me pegar, ela comentou sobre o pós operatório do meu irmão, que rolou hemorragia. O dentista parou, pensou um segundo e pediu pra assistente olhar no carro dele se tinha um remédio Y lá. Ela foi e não achou nada. Ele mesmo foi olhar e demorou um pouco. Tinha ido na farmácia. Me deu o comprimido e mandou eu tomar ali, naquela hora. A língua, semi morta pela anestesia, não colaborava, eu quase sufoquei duas vezes e me afoguei com a água. Mas acabou descendo. Mamis me levou pra casa, eu deitei no sofá e apaguei. Acordei meia hora antes de vencer o efeito do analgésico, uivando de dor.
Agora, eu to aqui com a cara do Kiko do Chaves misturado com o Quasímodo. De molho, mas já tive que trabalhar. Descobri que esse negócio de sorvete é superestimado, que a minha avó faz doce de leite de pedaço nos momentos mais impróprios, que a comida da minha mãe é intoleravelmente cheirosa. Mas pelo menos o sangue ta estancado e eu to levando mais ou menos com o analgésico, meu melhor amigo.
Mas o pior é: eu to mais manhosa que homem gripado. Pode isso?
quarta-feira, abril 23, 2008
Noventa e cinco horas
Um dia, do nada, você conhece alguém que parece nada demais e nem há motivos pra pensar que alguma coisa possa acontecer apenas pelo fato de ter conhecido esta pessoa. Você não pensa muito nisso, tem coisas mais absorventes pra se preocupar. E é quando o tal cidadão que você conheceu daquele jeito despretensioso começa a se mostrar, colocando alegre e inocentemente as asinhas de fora. Você se surpreende, se pega pensando nisso mais vezes do que gostaria e se sentindo mais atraída do que poderia esperar. E então você pára, coça a cabeça e diz a si mesma que não é uma boa idéia, que é melhor deixar isso pra lá. Mas a importância daquilo cresce, diretamente proporcional à inconveniência da situação. E você se dá conta de que está apaixonada.
Até aí, nada muito inédito. Afinal, a maioria das paixões é mesmo uma idéia muito ruim a princípio e poucas batem no primeiro contato. Via de regra, elas chegam de repente, se instalam devagarinho e puxam o seu tapete, acredite.
Mas a partir daí é que a coisa começa a se individualizar. Algumas paixões se mantém platônicas, outras não são correspondidas e redundam num "você está confundindo as coisas", noutras você se joga de cabeça e vive momentos realmente únicos. Aí, nova ramificação. Umas ficam nesse encanto inicial por um tempo, perdem a graça e morrem. Outras evoluem e se transformam em algo maior.
Os primeiros dias são aquela coisa, né? Suspiros, olhos brilhando, sorrisos incontidos, dedos entrelaçados, palavras doces, tesão incontrolável, sacanagem e romantismo mesclados em proporções perfeitas, brincadeiras, enlevo, descobertas. Aí, quando finalmente você consegue desgrudar um pouco, apresenta pros amigos. Nesse ponto, algumas paixões acabam, porque você descobre que ele é chato ou que não entende a piada e banca o bobo ou que é rude e te passa vergonha. Mas nem todos. Alguns se mostram brilhantes e adoráveis e te fazem pensar que você ta coberta de razão em gostar daquele homem.
Aí, por um acidente - afinal, você não queria apresentar sua mãe pra ele, ainda mais tão rápido assim - ele acaba conhecendo a sua família. E, em vez de ser uma tragédia, que nem seria com a maioria, ele tira de letra a saia justa e ainda deixa todo mundo babando por ele. Aí você começa a pensar se aquilo é pegadinha e passa a procurar o Sérgio Malandro enquanto anda na rua. Não dá pra ser aquilo tudo, gente, tem algo errado nessa história! Mas você manda o senso crítico às favas e está de quatro. Se melhorar estraga, você tem certeza disso. E aí faz o que? Vai passar o feriado prolongado com ele.
Noventa e cinco horas. Dormindo e acordando junto. Bastidores, supermercado, lençóis, cinema, refeições, teatro, passeios de mãos dadas, diálogos hilários, jantar com amigos, papos sérios, planos, brincadeiras, suor, saliva, secreção. Uma overdose.
E você descobre que é aquilo mesmo e mais ainda: é de verdade. Real, palpável, de carne e osso. E que gosta dele mais do que nunca.
quarta-feira, abril 16, 2008
Uma lista
Anyway. A lista dessa vez é sobre coisas que eu quero fazer antes de morrer. Certo, eu faço, embora tenha que pensar um pouco. Ocorreu-me agora que uma lista igualmente factível é de coisas que eu queria ser quando crescesse, principalmente se isso fosse amanhã...
A lista: Coisas pra fazer antes de morrer
1. Aprender a dançar tango.
2. Conseguir instalar a porra do adsense e ganhar dinheiro com ele.
3. Descobrir o que eu quero ser quando crescer.
4. Saber quem foi o anônimo sem senso de humor que postou no "mais conversa insólita".
5. Saber como essa mulher enfiou esse lenço lá tão rápido.
6. Dividir a vida com alguém que valha a pena.
7. Recuperar dona Nayra.
8. Fazer a Dehynha ter tempo de colocar o tarô pra mim.
9. Jogar uma bomba em todas as instalações do Detran e matar todos aqueles funcionários corruptos, viciados, mal comidos e asquerosos.
10. Viajar. Muito. E ver coisa pra caralho.
Ok, são dez. Outra mania que eu tenho: números redondos. Se bem que eu posso fazer mais cinco listas dessa sem repetir nenhum item. Ta, não farei isso, poupo meus pobres leitores.
Assim, indico os próximos a fazerem lista:
- a Dehynha no Quatro Peitos, porque ela ainda não postou lá.
- o Balconista, porque ele ainda vai admitir que é nerd.
- a Carlinha, porque ela é ótima de listas.
- o Eric, porque ele sempre lembra de mim nessas coisas, eu sempre lembro dele. Óun.
- a Lilhoca, porque ela tem as melhores respostas.
- o Outsider, pra ver se ele volta a postar, que ta fazendo falta.
- a Camila, que é leitora fiel e eu quero muito saber mais dela.
terça-feira, abril 15, 2008
E agora?
Eu não sei o que fazer. Eu só sei que preciso fazer. E que to com um medo danado.
quinta-feira, abril 10, 2008
Mais conversa insólita
- O QUÊÊÊÊ???
- Pois, é.
- Ah, pára a palhaçada, né?
- Ô! O cúmulo da audácia.
- Amiga, pára tudo vai. Assim não pode! Se tem uma coisa que não dá pra aceitar é homem subestimando a nossa inteligência!
- Exatamente.
- Pode chamar de feia, de gordinha, de maltratada, mas NÃO subestima a nossa inteligência, caralho!
- Er...gordinha pode?
- ALOW?? Vamos manter o foco, por favor???
terça-feira, abril 08, 2008
Teoria
E empregava muito tempo em observações, metódico que era. Chegou mesmo a apelidar as diversas facetas dela. "A diaba". "A chorona". "A palhaça". "Aquela que almoçou comigo ontem". Ela protestava, fazendo troça. Mas não havia quem pudesse com ele quando o assunto era a argumentação apaixonada e até ela mesma acabou se convencendo.
Ele se divertia provocando as oscilações dela e surpreendeu-se ao constatar que também se transformava. Mudava os olhos, a voz, o cheiro, o toque. Mudava o humor, o sorriso, o ritmo. Mais que isso, descobriu-se menos pragmático e mais impulsivo, como nunca havia sido.
E em meio a tantas descobertas, perceberam que, por mais que variassem, havia, no entanto, uma constante: encaixavam direitinho um nas esquisitices do outro.
domingo, abril 06, 2008
Comédia Romântica
Uma fração de segundo depois, observou espantada o carro dar ré em alta velocidade, vindo em sua direção. Ele brecou bruscamente e ela adiantou-se, abrindo a porta.
- Esqueceu alguma coisa?
- Esqueci. Me dá mais um beijo!
Ela riu e saltou sobre o banco. Ele veio ávido, todo lábios e calor. Entremeou os dedos nos cabelos dela num carinho rápido, no ritmo da língua. Misturaram as respirações e se olharam por um momento imenso. Sorriram, cúmplices.
- Tchau, meu amor.
O carro arrancou de novo, ela continuou na calçada. Mas dessa vez, nem mesmo a agonia da despedida impediu-a de rir. Ele sempre se superava.
Ele dobrou a esquina, sumindo de vista. Ela fechou os olhos ligeiramente e abanou a cabeça, sem deixar de sorrir. A música tema, que até então fazia apenas fundo pra cena, aumentou e se sobrepôs ao barulho do trânsito. Ela abriu o portão e entrou em casa. Subiram os créditos. E fim.
terça-feira, abril 01, 2008
Conversas Insólitas sei lá que número
- Comecei o dia espremida num elevador cheio de homem. Quer trocar?
- Ué, tem algum bonito? Hoje eu to facinho...
- Que nada, só barango.
- Hoje eu to tão facinho que poderia te chamar pra namorar comigo.
- Ih, ta facinho mesmo. Mais que isso só eu, que aceitaria no ato.
- ...
- ...
- Quer namorar comigo?
- Hoje é primeiro de abril, né?
- É. Mas a pergunta ta valendo.
- Sério?
- Sério.
- Cadê o Sérgio Malandro?
- Saiu, você quer namorar com ele?
- Não, serve você mesmo.
- Ótimo. Agora eu vou desligar antes que eu bata o carro, tá?
- Tá.
- tu tu tu tu...
Marca D'água
Aliás, ela era assim. Valorizava detalhes, gestos simples, pequenos-grandes significados. Sentia saudade de xícaras de café e sorrisos compartilhados no fim da tarde, lembrava-se comovida de um trecho de livro que lhe tinha sido mostrado, guardava com carinho confidências, histórias e até mesmo piadas bobas.
Gostava de ser assim. Ainda que alguns a julgassem tola, por vezes, era assim que ela sabia sentir as coisas. Pra ela, alguém que tinha um dia sido importante não deixava de sê-lo da noite pro dia, como se apagado pelo pressionar de um botão. Ainda que a vida seguisse seu curso e novos acontecimentos trouxessem sentimentos renovados, a marca das experiências passadas continuava presente, lembrando-a de tudo que já tinha aprendido e incitando-a a fazer direito dessa vez.
E quando se faziam presentes a alegria e a emoção provocadas pelas mudanças, a vontade que tinha era de rir alto e contar pra quem quisesse ouvir. Mais que isso, a vontade era prestar um tributo. E por isso pensou na placa. Penduraria uma, gigantesca, com letreiro em neon vermelho qual o das antigas propagandas de cigarro. E poria nela tudo quanto queria bradar ao mundo, tudo o que lhe supitava pelos olhos e pelos poros, tudo o que fazia brotar aquele sorriso irritante que a acompanhava até mesmo quando caminhava pela rua.
Mas, outra característica marcante da sua personalidade era a sutileza, que, aliada ao gosto pelos pequenos detalhes, a fez mudar de idéia. Em vez da placa, faria uma marca dágua. Discreta, suave, por vezes até mesmo imperceptível. Mas indelével e sempre presente. Que nem o raio do sorriso.
domingo, março 30, 2008
Tormenta
A tempestade começou na sexta feira à tardinha, antes mesmo do comércio baixar as portas. No início era apenas garoa mansa que foi cobrindo cada superfície exposta com gotículas de água gelada. No céu, viam-se nuvens cinzentas e opressivas, como se fossem uma preocupação instalada. Daquelas que latejam o dia inteiro no sombrolho franzido, que não são urgentes, mas que não desaparecem enquanto o problema não é solucionado. No máximo dão uma ou outra trégua.
Quando as piores tomentas se aproximam, pensa-se que o tempo não pode ficar pior do que aquele ar abafado comprimido sob o céu cinza-preocupação-instalada e aguçado pela brisa enregelante-de-arrepiar-a-espinha. Mas fica. A mudança acontece de um jeito lento, como caminhar dentro d'água, como a solução pra preocupação-instalada-opressiva apontando no horizonte, feito nuvem de poeira que os olhos céticos bombardeiam racional e metodicamente pra garantir que não se trata de miragem. E quando concluem que é real, a tormenta é iminente, e mal há tempo pra correr. Foi o que aconteceu daquela vez.
A água, precedida pelo vento, veio qual se fosse despejada sobre o solo para lavar alguma sujeira pegajosa ou matar afogado quem ou o que se encontrasse no caminho e não fosse rápido o suficiente na fuga. Certamente carregou com ela alguns pobres seres incautos, faça-se por eles um minuto de silêncio respeitoso-que-deus-os-tenha. Mas celebre-se, com igual deferência e ainda maior comoção, a notável força renovadora contida na enchente e na tempestade, que passam arrastando os cacos inúteis do passado e instilando vida às terras áridas como se jorrassem com poder curativo sobre feridas purulentas e mal cicatrizadas incrustadas no solo.
Açoitadas pela chuva e pelo vento, as noites foram árduas. Luzes cortavam o céu e estrondos reboavam incessantes, assustando até os mais destemidos e interrompendo o sono dos inocentes, que acordaram sobressaltados e fitaram o teto vazio por muito tempo, incapazes de conciliar novamente o sono, aterrados com os raios e com o furor da chuva.
Os dias, por sua vez, foram os mais longos possíveis. As crianças presas em casa, os cachorros amuados sob as camas, a antena da televisão produzindo apenas estática, os telefones mudos. Os pensamentos perderam-se entre rezas pra que o telhado aguentasse e a água não invadisse a sala, e a inquietação sobre a sorte daquele ente querido que a chuva surpreendera lá fora e ainda não tinha dado notícias.
Pensou-se que a chuva não pararia mais e que estava tudo perdido.
"Oh, senhor, não nos abandoneis neste momento!" - foi a litania repetida, incansavelmente.
E então, no terceiro dia, a chuva finalmente cessou. A ausência do ressoar dos pingos no telhado e a visão dos tímidos raios de sol que surgiam aquecendo e carregando consigo um facho de esperança causou emoção incontida. A casa tinha resistido, o filho estava a salvo, o sofá permanecia intocado pela água e até o lençol branco jazia no quintal, enxovalhado, mas nada que sabão e sol na dose certa não resolvessem. Até mesmo aquele exilado do outro lado da poça tinha dado notícias. Tinha passado as noites em claro, estava abatido e faminto, mas vivo e são.
E o sol, depois de se insinuar delicado por algumas horas, criou coragem e tomou tudo, se espalhando radiante sobre todas as coisas e em todas as frestas, como se comemorasse a chance de fazer o novo viscejar no lugar dos escombros que haviam sido arrastados pra longe. O calor reluzente em contato com a água empoçada, tornou o ar úmido e quente, daqueles que envolvem, fazem suar o couro cabeludo e os olhos embaçarem.
Neste momento, uma menina de tranças escuras está sentada ali adiante sob o sol, sorrindo enquanto contempla as nuvens que dançam balé, ora em forma de tigre, ora de dragão. E, embora ela saiba que a garoa deve voltar nos próximos dias, ouviu a previsão do tempo dizer: o próximo final de semana será quente e ensolarado. E essa certeza é suficiente pra deixá-la feliz.
sexta-feira, março 28, 2008
Lívia's Anatomy
Meu, eu trabalho desde os dezessete anos. Já fui vendedora de cosméticos, de roupas, de lingerie, já fui Oficial de Justiça, já fui estagiária, agora sou advogada. E quem me conhece e me lê há mais tempo, sabe que a minha peleja com o Direito é longa e que nunca achei que iria abraçar a coisa como de fato fiz.
Na verdade, eu já tinha desistido dessa coisa, quando me chamaram pra fazer entrevista nesse escritório. Fui aprovada, meti a cara e acabei descobrindo que eu sou boa nisso. Muito boa, aliás. Então as coisas têm caminhado muito bem, eu realmente gosto do trabalho e do pessoal daqui.
O complicado é que este não é um trabalho regular. Tem hora pra entrar, mas nunca pra sair. Não tem fim de semana - se o prazo vence na segunda, nega, o jeito é sair na sexta feira carregando trabalho pra fazer em casa sábado e domingo. Não tem sequer noite de sono tranquila. Cara, é sério. Quando eu era vendedora na Levi's, eu podia sair do Shopping pregada à noite de tanto ficar em pé, sorrir falso pra cliente e gastar meu latim à toa, mas pelo menos, não era um trabalho que absorvia o resto das minhas horas. Eu só lembrava dele durante as horas que eu ficava na loja. Aqui é oooutra história.
Dia desses eu sonhei que uma cliente daqui do escritório me ligava no meio da noite pra me perguntar quando é que a ação dela ia ser ajuizada. Outra vez acordei de madrugada dando um pulo na cama, tinha achado um argumento genial pra usar num processo. Depois, me peguei ligando pra estagiária tarde da noite pra lembrar uma coisa importante. Ou seja: não dá pra desligar, o cérebro roda nesse canal aqui o dia inteiro e às vezes até a noite inteira.
Claro, ainda não cheguei no ponto de ficar chata, mal humorada e imprestável assim que saio do trabalho. Afinal, isso equivale a morrer, porque significa abrir mão do resto da vida e se definir apenas pelo trabalho. Não, nem morta, santa. O dia todo eu dou um jeito de fazer o povo aqui rir (tanto que às vezes acho que eles desconfiam da minha sanidade. Ou acham que eu sou besta mesmo), tenho saído com os meus amigos, minha vida amorosa vai muito bem "e tals" (e dá-lhe piada interna!).
Enfim, eu to cansada. Hoje, só hoje, em particular hoje, eu to muito, muito cansada. Muita correria, muita pressão, muito raciocínio. E uma saudade que dói o dia inteiro sem parar, por mais que eu a ignore, ou a console dizendo que já vai passar. Tô no limite. Hoje. Amanhã eu tenho certeza que melhora. Aliás, eu tenho certeza que depois das 18:00 horas de hoje vai melhorar. Ainda mais que acabaram de me chamar pra tomar tequila hoje à noite.
Será que Meredith Grey ensinou, em algum momento, como curar esse tipo de ressaca?
*interfona e pergunta pra estagiária*
quinta-feira, março 27, 2008
Presença
domingo, março 23, 2008
O cara
Um sujeito que combina canalhice e sensibilidade em altas doses e consegue ser absurdamente transparente mesmo quando ostenta um sorriso cínico. Que não resiste a um desafio e se rasga de curiosidade com pequenas provocações. Que tem um bom humor fantástico e é mestre em rir de si mesmo. Que é racional, deliberado e metódico, o que não impede que seja impulsivo, passional e autêntico. Que liga no meio da tarde pra gritar comigo, docemente furioso.

Um homem que seduz e se deixa ser seduzido. Que é franco, divertido, companheiro. Que não é taxativo ou prepotente. Que só demonstra empáfia pra ser derrubada sob uma chuva de boas réplicas. Que sabe ser bobo como ninguém. Que tem a inteligência mais aguda que eu já conheci. Que é determinado e paciente. Que desperta orgulho e admiração. Que me faz querer ser melhor e realizar um monte de coisas.
Conheci um homem que se dedica, que não tem meios termos, que se entrega e se abre pra eu entrar. Um homem que baniu uma sombra e me mostrou que pouco não é pra mim. Que me fez rir de novo.
Um cara que foge à regra, que não gosta do comum. Que estimula, enriquece, emociona. Que inspira e fez com que eu conseguisse criar personagens de novo. Que aconchega e tem o melhor colo do mundo. Que é capaz de fazer rir enquanto as lágrimas correm. Que disse agora há pouco que vai me denunciar na delegacia de mulheres por maus tratos, porque não tenho deixado ele dormir.
Um homem que eu amo. E que, mesmo que não dê nada certo entre nós, já fez por mim a coisa mais importante que ele poderia ter feito: me devolveu a esperança e me mostrou que existe muito ainda pra eu viver, mesmo que o meu coração tenha se estilhaçado no passado.
Conheci um homem. A quem só tenho a agradecer.
quinta-feira, março 20, 2008
Câmbio e desligo
To indo amanhã cedinho pro meio do mato. Incomunicável.
Sem telefone.
Sem televisão.
Sem internet.
E sem certeza nenhuma.
Em tempo: tenho certeza sim.
E eu também vou sentir saudades.
quarta-feira, março 19, 2008
Alguém joga uma corda??
Numa tabela de prioridades eu preciso considerar o que é mais ímpar, mais precioso, mais importante. E, segundo a minha estagiária, parar de me desesperar com a segunda feira, se o fim de semana (prolongado) nem chegou ainda.
Conseqüências. Decisões. Medos.
Sofreguidão. Ânsia. Agonia.
Porcaria. De santa essa porra dessa semana não tem NADA!!!!!
terça-feira, março 18, 2008
More Than a Feeling
Quando alguém escreve um roteiro - ao menos todos os cinco que eu já comecei são assim - pensa cuidadosamente na apresentação dos personagens e no que eles vão dizer. Cada fala é pensada muitas vezes, de um jeito que, ao final, a história está cheia de gente brilhante, espirituosa, cativante, trágica, densa, marcante. Até parece que as pessoas são mesmo assim.
Ali, na atmosfera da história, é perfeito. Mesmo nos momentos mais dramáticos, em que tudo caminha pra dar errado, o mocinho sempre cai em si e volta atrás a tempo. Richard Gere encostando a limusine e subindo pela escada de incêndio da Julia Roberts com ramalhete de flores. Meg Ryan e Tom Hanks se encontrando no alto do Empire States. Adam Sandler tendo a paciência de conquistar a Drew Barrymore desmemoriada todo santo dia.
Tanta coisa bonitinha, bem arrumadinha, que faz a gente dizer "óun..." quando assiste. Mas basta subirem os créditos, tocar a música final e pronto, acabou a viagem. O papel das duas horas de filme foi cumprido: entretenimento. E a gente perdoa as pieguices, a forçada de barra neste e naquele ponto, o diálogo inverossímil nalgum ponto, o final malfeito. Não, retiro o que eu disse. Final malfeito a gente não perdoa não, que o digam Cameron Diaz, Jude Law, Kate Winslet e Jack Black, porque eu joguei tanta praga neles depois daquela porra de "O Amor não Tira Férias", que pelo menos um tratamentozinho de canal ou uma queda acentuada de cabelo aquela turma deve ter sofrido.
Mas voltando. A gente perdoa o que rolou no filme que não foi muito legal, se o conjunto convence. Eu só fico pensando é: e quando isso acontece fora da tela?
Você conhece alguém que tem as falas certas na hora certa? Do tipo que você jura que vai começar a tocar trilha sonora enquanto vocês andam pela rua conversando de alguma coisa adoravelmente prosaica? Que faz você olhar em volta de vez em quando pra conferir se o Sérgio Malandro ou a Sabrina Sato não estão te seguindo, prontos pra anunciar a pegadinha?
É, isso existe. E acredite, é muito legal. Só que me surpreendi pensando: em que ponto do filme estamos agora? Será que eu aperto o pause agora pra não correr o risco de acabar enquanto eu vou ali estourar a pipoca? Será que tem continuação ad eternum que nem o Jaws do Spielberg ou pelo menos é uma trilogiazinha a la Lord of The Rings? Será que eu acho o DVD pra comprar?
E, o mais importante: será que o enredo convence no final, mesmo com as bolas-fora?
Ok, ok, eu mesma fiz um post ali embaixo sobre querer coisas possíveis. Mas o que tem de absurdo em preferir Maggie Gyllenhaal e James Spader em vez de Brittany Murphy e Ashton Kutcher?
Ah, me dá uma folga. E deixa o meu tema ser "More Than a Feeling", vai. Eu mereço.
segunda-feira, março 17, 2008
Pagando dívidas
Abrir na página 161 do livro mais próximo de você, e copiar a quinta frase.
"Foi o que Shadow fez" (livro "Deuses Americanos" do Neil Gaiman - que, a propósito, está esgotado pra todo lado que eu tento comprar. MERDA!)
Repasso para: nobody, people. Sou definitivamente uma pessoa magnânima. (isso sem falar que eu era a única loser que ninguém tinha indicado pra essa corrente ainda!...rs)
*************************************************************
Eric, agora nóis. Depois que você fez um post sobre um dinossauro de salgadinhos com cheiro de chulé, eu confesso que fiquei meio encabulada. Tipo, e se o meu dinossauro não feder? Serve? E se em vez de chulé ele feder formol que nem uns dinossauros do estilo da Dercy Gonçalves e do Sílvio Santos? Será que vale? Puxa vida, esse povo só me mete em encrenca.
Confesso que, a princípio, pensei em dizer que o meu dinossauro preferido era o Roy Hess, o melhor amigo do Dino (da Silva Sauro, capici?).
Roy Hess
Saca só. O cara era pobre, morava sozinho, namorava uma mulher pescoçuda (lembra da Mônica, a "separada" vizinha da Fran?) que era muita areia pro caminhãozinho dele, era derrubador de árvores, não tinha vida própria e ficava parasitando justo a do Dino que era um merda de camisa xadrez, tinha os bracinhos mais curtos que já se viu e nem punheta podia bater...E AINDA ASSIM ERA O CARA MAIS FELIZ DE TODOS OS TEMPOS! Um fulano que dizia bom dia efusivamente, mimava os filhos do amigo, babava pela namorada, era gentil e delicado com todo mundo e nem do Hitchfield, o chefe homicida, ele falava mal! Não é um fenômeno???
Mas aí eu resolvi que seria uma resposta muito poliana pro meu gosto. E me ocorreu a verdadeira eleita dessa corrente seríssima.
Uma mulher que dá duro, pega no pesado, faz parte da cultura pop brasileira, é um ícone da indústria fonográfica e do cinema nacional, é uma coroa (gasp) enxuta, que faz de tudo pra se manter na mídia, até protagonizar uma cena batizada pela Gabi de "penheta". Senhoras e senhores, meu dinossauro preferido é A GRETCHEN!
Se você ainda não viu o filme pornô-romântico-erótico-educativo que ela lançou no final de 2006...não veja. Se já ficou ileso até agora, umas risadas NÃO VALEM o trauma, vai por mim. É o tipo do filme que só dá pra assistir numa sala cheia de membros da Blogagi, porque as piadas neutralizam um pouco o sofrimento.
Ficadica.
sábado, março 15, 2008
Reconsideração
Depois do meu último post, recebi um torpedo discordando da minha constatação e dizendo que as razões de inconformidade seriam protocoladas no prazo legal. Ok, você não entendeu nada? Normal. Ultimamente o que me faz rir se divide em duas coisas: piadas internas interníssimas e humor de advogado.
Certo, eu devo ter batido a cabeça.
Ainda assim, reformularei a minha última declaração, dando provimento parcial ao recurso de apelação. Eu não sou idiota. EU ESTOU. Idiota, encantada, deliciada.
Engraçado. Num momento assim me ocorrem tantas considerações. Sobre como eu odeio ser relegada a segundo plano. Sobre como as pessoas dão quase nada de si e esperam satisfazer assim mesmo. Sobre como abrir a porta quando batem nela pode fazer a diferença. Sobre como o conceito de certo e errado parece mutável e secundário em alguns momentos. Sobre como o que mais queremos surge dos lugares mais improváveis.
Ah, caramba. Que sopre a tempestade.
quarta-feira, março 12, 2008
Memes
O motivo deste post é dizer: senhores, devo, não nego, pago quando puder!!!
Não, mentira, pago hoje ainda, mais tarde, quando voltar pra casa, ok? O dia tá punk aqui no escritório, não dá tempo de nada.
Ah, e por falar em dívidas: Lilhoca, sua camiseta está saindo da prensa, ok? Não me execute!!!
Beijo na bunda, pessoas!!
sexta-feira, março 07, 2008
Análise de Curriculo
Ouvindo o dueto final, eu fico pensando... a coisa não é fácil mesmo, né? A gente quer muita coisa mesmo. As exigências da garota na análise de currículo do feioso são interessantes, pra dizer o mínimo. Ok, ok, o cara é a fera. Se é feio que nem o cão (nem é, já vi piores) precisa compensar de alguma forma. Eu até entendo esse raciocínio, mas as coisas que ela diz estão meio fora da realidade:
Você vai me elevar (ou animar)? Me ajudar a descer (ou me animar quando eu estiver pra baixo)? Me tirar dessa cidade esquecida de Deus? (opa, isso é perseguição, né?) Vai me aquecer (ou fazer as coisas um pouco menos frias)? Vai suprir cada fantasia que eu tiver? (HEIN?? Isso é coisa que se peça?) Apagaria meu fogo com água benta (tá bom, vampira) se eu ficasse quente demais? Me levaria a lugares que eu não conheço? Me tornaria sagrada? Me abraçaria apertado? Coloriria minha vida? Faria as coisas parecerem menos envelhecidas? Faria mágica com as próprias mãos? Construiria uma cidade de esmeralda com grãos de areia? Me daria algo que eu pudesse tomar como lar? E, por fim, você não estragaria tudo?
Percebe o que eu quero dizer? Todos temos necessidades, é claro. Eu preciso de carinho, você precisa de espaço, ambos precisamos de respeito. Mas daí a pretender preencher a vaga com requisitos absurdos? Amiga, peralá, é a FERA e não o SUPER-HOMEM. Ligou o nome à pessoa? É conto de fadas, benhê, não é história em quadrinhos, não!
Ok, ser exigente é uma coisa. Ser maluca é outra. Que tal desejar umas coisas mais possíveis? De preferência coisas que você esteja disposta a oferecer em troca também? Sabe, coisas como carinho, companheirismo, estímulo mental e quem sabe, um pouco de paixão? Algum tesão, também, cairia bem, eu acho. E que tal senso de humor? Ou confiança e consistência? Não parece uma boa?
Eu só preciso disso. Ah, e de umas coisinhas mais...onde eu coloquei aqueles classificados, hein?
Homenagem pra Batatinha, que ontem tava sendo vítima do Randon...ahahahah...Confira abaixo o clipe, e veja a letra AQUI.
quarta-feira, março 05, 2008
Vontade de mostrar a bunda
Alguém me seguuuuuuuura!!!!
Sabe do que mais? To pensando em abolir a discrição e publicar aqui os emails desses mentecaptos que me escrevem, pra ver se alguma alma caridosa enche a caixa deles de lixo. Alguém aventou a hipótese de que esses emails sejam gozação com a minha cara pra suscitar posts furiosos. Pode até ser, porque não dá pra acreditar que tenha tanta gente assim no mundo que não saiba escrever e que olhe pra minha cara e tenha a certeza de que eu estou louca pra mandar fotos da minha bunda pro primeiro otário que me escreva. É, tem razão, só pode ser piada mesmo.

Nossa, o que esse povo não sabe é que eles estão quase conseguindo me convencer!!! Mais um pouquinho eu saio mesmo, pelada na rua gritando e mandando foto sem "ropa" pra quem quiser ver. Não é a minha cara???
*sobe na mesa e dança cara-caramba-cara-caraô de tanga*
terça-feira, março 04, 2008
Tsc.
domingo, março 02, 2008
Abandono não tem desculpa
Um cara que larga a namorada plantada em casa pra fazer QUALQUER OUTRA COISA NO MUNDO, é um cretino filho da puta. E não se trata de enganar a garota pra cair na esbórnia, se fosse isso ainda era menos pior, porque aí ele simplesmente seria um galinha idiota sem caráter que chifra a namorada. Mas não, não é isso que ele faz. Ele simplesmente prefere fazer qualquer coisa a ficar com ela. Um cara que se transfigura quando toca o telefone. Num minuto está rindo e no seguinte, basta ouvir a campainha do aparelho, está cansado, com preguiça, mau humorado, sem dinheiro. E está ocupado. Vendo o jogo do Palmeiras, um filme, jogando no computador, qualquer coisa. Só não está disponível pra ela.
Quando eu pergunto, ele diz que ainda gosta dela. Mas só sabe maltratar e abandonar a garota. Gosta uma porra, eu já vi esse filme antes.
Ela sabe que esse namoro é um atraso de vida. E sabe que deveria terminar com ele. Mas não é capaz de fazer isso, gosta demais dele pra desistir. E continua insistindo, que nem uma louca que bate a cabeça na parede.
Por que fazemos isso?????
Por que insistimos em ficar com quem não nos quer e nos faz sentir pequenos e cansativos? Por que continuamos tentando dar amor a quem não faz a menor questão de nada que venha de nós?
Por que aqueles que amamos se tornam enfadonhos de uma hora pra outra? Pior, por que abandonamos aqueles que dizemos que amamamos de uma hora pra outra?
E por que demora tanto pra terminar se simplesmente enjoou da cara da garota, cacete??
Merda de vida. Eu tento ficar neutra, mas às vezes não dá, fico puta demais. E despejo tudo, mesmo que isso só aumente o choro dela. Ela precisa ouvir, ela precisa ver! A auto estima dela ta indo pro buraco e ela não reage!! Se tem alguém que sabe disso sou eu, porra!
Mas ela não ouve. E me rasga atender o telefone e dizer pra ela que ele saiu. Só isso, não levou celular, não avisou, não nada. E foda-se ela e o mundo inteiro, ele não está ligando. Lá no sistema solar que roda em volta do umbigo dele não existe espaço pra mais ninguém a não ser ele mesmo.
Abandono é crueldade. Se o bicho é seu, você não larga sem água e comida, pouco se fodendo pro que vai acontecer com ele vagando pela rua. Ou você cuida ou dá pra alguém que vá cuidar. A mesma coisa com um filho, se você não quer, dá pra alguém que queira. Aliás, se você tem um bebê e larga na lata do lixo ou larga seu filho te esperando cinco horas dentro do carro estacionado no sol, é crime.
Abandono emocional é a mesma coisa que jogar na lata do lixo alguém que confia e ama você. Se você não quer mais, converse, esclareça e ponha um ponto final. Não deixe o outro se fodendo do outro lado pensando o que quiser, que você está pouco ligando, droga. Dá pra se colocar no lugar do outro um pouquinho que seja????
PS: não confundir abandono emocional com surto desarrazoado, que é quando eu não te dou motivos, mas você acha pêlo em ovo assim mesmo.
sábado, março 01, 2008
Anybody?
Somebody To Love
Queen
Composição: Freddie Mercury
Can anybody find me somebody to love?
Each morning I get up I die a little
Can barely stand on my feet (Take a look at yourself)
Take a look in the mirror and cry
Lord what you're doing to me?
I have to spend all my years in believing you
But I just can't get no relief Lord
Somebody (somebody) ooh somebody (somebody)
Can anybody find me somebody to love?
I work hard (she works hard) everyday of my life
I work till I ache my bones
At the end (at the end of the day)
I take home my hard earned pay all on my own
I get down (down) on my knees (knees)
And I start to pray (praise the Lord)
'Til the tears run down from my eyes Lord
somebody (somebody) ooh somebody (please)
Can anybody find me somebody to love?
(she wants help)
Every day - I try and I try and I try -
But everybody wants to put me down
They say I'm goin' crazy
They say I got a lot of water in my brain
Got no common sense
I got nobody left to believe
Yeah - yeah yeah yeah
Ooh Somebody (somebody)
Can anybody find me somebody to love?
(Anybody find me someone to love)
Got no feel I got no rhythm
I just keep losing my beat (you just keep losing and losing)
I'm OK I'm alright (she's alright)
I ain't gonna face no defeat
I just gotta get out of this prison cell
Some day I'm gonna be free Lord
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Find me somebody to love find me somebody to love
Somebody somebody somebody somebody somebody
Find me somebody find me somebody to love
Can anybody find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me find me find me
Find me somebody to love
Somebody to love
Find me somebody to love...
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Programa de Índio
Por exemplo. Existe pouca coisa pior pra se fazer do que comparecer a chás de panela e de bebê. Caso você não esteja ligando o nome à ocasião, chás de panela são aquelas festas tenebrosas em que uma feliz infeliz prestes a se casar reúne as amigas e as parentes - por que mulher se fode até nessas horas, hein? - em meio a utensilhos domésticos e vasilhas tuppeware embrulhados pra presente. A finalidade é ganhar de presente aquela miuçalha que quem vai se casar precisa pra montar uma casa e, eu suspeito fortemente, ver até que ponto as pessoas resistem sem morrer de tédio e de nojo. Sim, porque eu ainda não falei das brincadeiras idiotas, dos trotes, da gritaria feminina, da comilança, das sacanagens pronunciadas por matronas estranhas que aproveitam a ocasião pra soltar a franga e abanar a saia, aparentemente antegozando a lua de mel da futura noiva. Ou isso, ou já morrendo de rir da pegadinha: "Rá! Ninguém te avisou? Se fodeeeeeeu!".
Sacou a visão do inferno? Tenha a decência de se apiedar da próxima vez em que ouvir alguém querido do sexo feminino comentar que recebeu um convitinho colorido dizendo pra comprar uma bacia. Por mais que a vontade de rir seja maior, tenha pena. Afinal, você pode precisar de alguma coisa algum um dia, né? Sei lá, um rim ou um pedaço de um fígado. Essas coisas acontecem.
Os chás de bebê, por outro lado, são um pouco piores. Ah, duvida? Tsc. Ser incrédulo. Depois não diga que não avisei.
Chás de bebê têm tudo o que têm chás de panela, com a diferença que em vez de utensilhos domésticos, o que se empilha por todo lado são fraldas descartáveis. Centenas delas! Noturnas, com gel, sem gel, da Turma da Mônica, do Pernalonga, da Barbie. Barbie? Ok, exagerei, mas você entendeu. E se você acha que mulheres são barulhentas, some um trilhão de crianças em idades diversas a essas mulheres barulhentas. Imaginou? Não, acho que não vai dar nem pra chegar perto do horror da realidade.
Pensa assim, ó. Cada mulher adulta que chega na porra do chá de bebê está carregando um bebê a tiracolo, ou trazendo pela mão uma criança naquela idade de correr, gritar e rabiscar a parede. É impressionante! E um indício claro de que pessoas normais, com interesses variados NÃO VÃO a uma merda de ritual insano desses! E você também não iria, não fosse a possibilidade de banimento da manada que lhe ronda insistentemente. Um passo em falso e as feras cairão sobre você, arrancando a carne dos ossos antes mesmo do sangue esfriar. Então, fazer o que, né? Atarraxar um sorriso e tocar pra "festa" (cof cof).
Aí pronto, você está lá. De um lado, a grávida. Do outro, a que vai casar dali nove meses. E por todo lado, as crianças. Você se vê acossada contra uma parede e sente chegou o seu fim. Olha à sua volta e descobre que mais alguém está ali, pensando em cavar um túnel com a colher do bolo. A namorada magrela do seu primo. Droga, aquilo mal serve de consolo, uma pessoa com aquela circunferência - de esqueleto de laboratório - sequer vive no mesmo mundo que você, o que pode saber de compartilhar sofrimentos? Mas, espantosamente, ela geme uma imprecação parecida com as suas próprias e, com a chegada de uma prima dissidente ao bunker, vocês se tornam um trio acuado.
Logo vocês chegam à conclusão de que no convite de todas elas, menos no de vocês, estava escrito que só entrava quem trouxesse uma criança junto e que quanto mais barulho a criança fizesse, maior o pedaço de bolo que a convidada levaria pra casa. Controlando a custo a vontade de chutar criancinha mal educada, descobrem que a crueldade do evento supera todas as expectativas. Sua mãe, olhando meigamente pra dois bebês apostando corrida de gatinhas no chão, lhe diz: "Ah, Lívia! Tá passando da hora de você ter um nenenzinho também! Se esperar muito eu nem vou ter forças no braço pra tomar conta de neto!". Isso porque a desgraçada acabou de completar 45 anos, você pensa que devia pessoalmente cortar os braços dela fora. E sem falar no desânimo que dá ouvir uma coisa dessas e pensar: "Se eu nem consigo arrumar um namorado que não me largue seis meses depois ou que me faça ter vontade de matá-lo, COMO DIABOS eu deveria ter um filho, porra????". E imediatamente você começa a se imaginar entrando num banco de esperma aos quarenta anos e pedindo "um com QI alto pra viagem", antes que você morra sozinha sem ninguém que te ame, seja comida pelos cachorros e encontrada semi apodrecida no seu apartamento uma semana depois de ter sofrido um derrame no tapete da sala.
Mas a coisa é ainda pior. EU DISSE QUE SEMPRE PIORA! Sua prima dissidente conta que a mãe dela alegremente lascou essa há poucos minutos: "Ah, a Juliana não tá grávida não, tá gorda mesmo!". Você arregala os olhos, horrorizada: "O queeeeeeeeee???" É, tem mais essa. Cada filha de Deus do sexo feminino que tava ali, com exceção da namorada magrela do seu primo, estava gorda. Mas, como elas tinham parido, era como se merecessem o indulto automático. Vocês, as estéreis, é que tinham a obrigação de emagrecer ou, pelo menos, de suportar os comentários sobre o peso que não podiam ser feitos quanto às sagradas genitoras espalhadas placidamente entre as fraldas descartáveis.
Prestes a enlouquecer, você tira do bolso o celular, aperta uns botões aleatórios e acaba descobrindo - oh, glória!!! soem as trombetas! - que ele tem Texas Hold'em nos aplicativos!!!!!! E se deixa mergulhar de mansinho no seguro e confortável universo virtual, onde permanece durante umas duas horas, até notar que a bateria está acabando.
Ah, não, aí já é demais. Alucinada, você segura forte no braço da sua mãe e anuncia em tom de ameaça: NÓS...VAMOS...EMBORA...A G O R A. E olhando nos seus olhos, ela parece entender a gravidade da situação, porque passa a mão na bolsa rapidinho e vai saindo à francesa em direção ao carro.
Alguns quarteirões em silêncio e ela murmura timidamente: "Filha...eu tava brincando..."
E é quando você finalmente perde a fleuma de vez e pronuncia algo semelhante a "vá tomar naquele monossílabo tônico do corpo humano que raramente é exposto à luz do sol!".
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Manual para homens perdidos
Definitivamente, tem muito homem perdido no mundo. E não estou falando dos desaparecidos procurados pela família, nem dos fugitivos da polícia, nem de pretensos príncipes encantados que não aparecem nunca (estão em coma, certeza!) e nem do bando do Peter Pan. Não.
De acordo com o dicionário, perdido significa: disperso; sumido; extraviado; naufragado; apaixonado em extremo; devasso; louco; corrupto; gasto em vão; esquecido; condenado (por uma doença); coisa que se perdeu; pessoa corrompida, desgraçada.
Bem, eu ia usar um sentido mais coloquial, o popular "sem-noção", mas suponho que "desgraçado condenado" possa servir.
A coisa é a seguinte: outro dia eu falei aqui sobre o email "oi, quer tc?" que eu recebi. E acho que todo mundo concorda que esse tipo de mensagem só serve pra rir ou pra sentir dó. É ruim? Certamente. Mas não é nem de longe o pior tipo de mensagem que se pode receber. Quer um exemplo?
Ontem me chegou um email dizendo que eu esqueci de mencionar na descrição do meu perfil - advogada, blogueira compulsiva e mal humorada crônica - a palavra "gostosa". É, isso mesmo. Alguém chegou a essa conclusão olhando pruma foto de resolução ruim. E, como se não bastasse, completou: "adoro mulher chata, mal educada e compulsiva, geralmente é falta de um bom trato, aí é que eu chego junto pra da um geito, estou aqui? bjommmmmmmmm..........."
Eu já li isso algumas vezes, porque primeiro eu tava tentando entender e depois acreditar no que eu tava lendo. E mesmo assim, ainda consegue me chocar quando colo a mensagem aqui e formato. Não que eu seja extremamente sensível e tenha me ofendido com algo que o cara tenha dito, longe disso. O que me choca é ele achar que ISSO é uma aproximação aceitável e talvez desejável.
E calma, dá pra piorar. Eu nem tinha me refeito do susto, quando o remetente resolveu complementar a mensagem inicial.
"Só não me peça danos morais, sou sincero e direto, e pode me chamar do vc quiser, mas não tome nenhuma conclusão antes de me conhecer na alma, na cama e no trabalho, sou chato para ser livre e encontrar assim o ponto mais alto do prazer onde ninguém mais alcança comigo, talvez só vc, mas precisaria saber, hoje estou completamente louco, amanhã quero estar mais ainda, me deixem viver no meu lixo, nas minhas ruas escuras, mas não me tirem a liberdade, por isso não me prendo nem mesmo aos meus desejos, como estou sentindo agora por vc só te digo TE DESEJO, o resto não sei.............................."
(suspiro) Parece muito estranho eu dizer que isso me entristece? Claro, como alguns gênios provavelmente dirão, se eu disponibilizo meu email no perfil, estou sujeita a esse tipo de coisa. Ou, que se eu não quisesse receber esse tipo de coisa, não devia publicar na internet, porque fazendo isso eu me exponho automaticamente. E por favor, se puderem me poupar desses lugares comuns, eu agradeço.
O que realmente me entristece é saber o quanto expressões como "bom gosto", "sutileza" e "respeito" passam longe do vocabulário de algumas pessoas. Veja bem, eu aposto que ALGUMA mulher adoraria receber esse tipo de mensagem "direta", "urgente", "virulenta", "impetuosa". Alguma, com certeza gostaria. Mas não eu. E o que me deixa perplexa é que, como um leitor me disse essa semana, do jeito mais delicado, sutil e agradável possível, ler as coisas que eu escrevo dá uma sensação de intimidade e dá perfeitamente pra saber como eu sou e como eu penso.
Mas pelo visto, não são todos que conseguem ver, ou eu receberia mais mensagem inteligentes, estimulantes, sutis, engraçadas e elogiosas, e menos manifestações de truculência e mediocridade. E perceba que o cara não quer me agredir, ele pretende posar de grande sedutor com o que disse. Um ser livre, intenso, às vezes sórdido e que poderia representar pra mim um acontecimento em termos de prazer. Uau, como eu posso deixar de me deixar envolver por um furacão desses? ¬¬
Olha, eu não estou procurando por nada disso. Ao contrário. Obrigada por tentar, mas acredite: você precisa de umas dicas pra dosar melhor essa sua "liberdade".
E é exatamente por essas e outras que eu to pensando em escrever um manual. Só não sei ainda se será "Coisas que uma mulher não espera ouvir de maneira nenhuma e que só vão queimar o seu filme" ou "Como abrir a boca e dizer coisas que poderão agradar a uma mulher que seja no mínimo inteligente".
Talvez eu deva fazer uma enquete. Qual das duas abordagens seria mais proveitosa, hein?
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Caso Verídico
- Doutor Fulano, seu cliente, Zaphod Beeblebrox* está aqui pra falar com o senhor.
O Doutor Fulano responde, espantado:
- O QUÊ?
A secretária reafirma:
- É. Seu cliente, Zaphod Beeblebrox, está aqui.
O Doutor Fulano retruca, em tom de brincadeira:
- Uai, então pode começar a rezar...
A secretária fica confusa:
- Hein? Por quê?
O Doutor Fulano afirma:
- Esse homem morreu, Dona Secretária!
A secretária arregala os olhos, espia por cima do balcão, analisa o cliente, um velhinho todo enrugado e sussurra no telefone:
- Ai, Doutor, como assim? O homem tá aqui na minha frente, falando e andando!
O Doutor Fulano parece intrigado:
- É um velhinho?
A secretária, já encolhida na cadeira, responde:
- É!
O Doutor Fulano coça a cabeça:
- Esse mesmo. Mortinho da silva.
A secretária, quase chorosa:
- E o quê que eu faço???
O Doutor Fulano, muito sério:
- Bom, dizem que quando os fantasmas aparecem assim, a melhor coisa a fazer é saber o que eles querem.
A secretária, perdendo a fleuma:
- Mas ele já disse o que ele quer! Falar com o senhor!
O Doutor Fulano não parece muito animado com a idéia:
- Ahnn...tem certeza?
A secretária, irredutível:
- Absoluta.
O Doutor Fulano, procurando uma saída pela tangente:
- Ah, fala que eu não to aqui agora...
A secretária, com cara de poucos amigos:
- Ele está me vendo conversar com o senhor esse tempão todo, Doutor.
O Doutor Fulano, se dando por vencido:
- Ah, ta bom. Mas pergunta aí pra ele que assunto é, eu não tô lembrando se eu fiz algo pra ele querer se vingar de mim agora.
A secretária, muito profissional:
- Sim, só um minuto.
(...)
- Doutor, ele disse que ficou faltando fazer um pagamento de honorários...
O Doutor Fulano, se animando:
- Opa! Então por que não falou logo? Pode mandar entrar!
A secretária, aliviada:
- Sim, senhor.
O Doutor Fulano se lembra a tempo:
- Ah, Dona Secretária! Aproveita e pergunta pra ele se fantasma toma café. Se tomar, manda a Maria passar um quentinho.
* nome fictício para preservar o real, que é feio e único, mas que a discrição da dona do blog não permite divulgar.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Emails Divertidos
Mas, afinal, não é desses emails que eu quero falar. É de uns que são ainda mais engraçados e não, não são de gente que pergunta se eu quero "tc". Apesar de esses serem mesmo muuito legais.
Esse povo que manda emails ilegítimos tentando me fazer clicar num link qualquer que vai rodar um arquivo .exe no meu computador é o mais hilariante de todos. Lembra de quando eles diziam "Não queria te contar, mas você está sendo traído! Veja as fotos AQUI. Assinado: um amigo"?? Ah, esse era ótimo, claro, porque eu só tinha notícia que tinha chegado pra gente solteira. Risco quase zero (temos que considerar tudo possível nesse mundão de meodeos, né?) de clicar no tal do link. Aí inventaram um outro que também sempre me fazia rir. O das fotos comprometedoras da festa. Ah, cara, esse é tão bom que merece colagem, xo ver se eu guardei...pô, não guardei. Blogueira incauta, imprevidente!
(se estapeia em penitência)
...Mas, enfim. Esse é o seguinte: uma pretensa amiga escrevendo pra outra dizendo "Nooooossa, Juuuu!!! você ficou muito doida na festa ontem!! eu nem acreditei quando te vi fazendo tudo aquilo, amigaaaa!! Olha AQUI as fotos que os meninos tiraram, o "fulano" já ta mandando pra todo mundo!!!" ¬¬ Err... bom, só pelo amor à argumentação:
1. meu nome pode no máximo ser abreviado pra "Li".
2. eu não bebo e quando bebo, nunca passa de duas - latinhas, taças de vinho, etc.
3. tenho como premissa de vida nunca nunca nunca dar vexames em festas.
4. tenho como premissa de vida nunca nunca ter amigas que me deixariam dar vexame na festa.
Olha, "amiga", bateu na porta errada. Mas torci muito pra nenhuma Ju ter ficado mucholoca numa festa qualquer e ter clicado no fatídico link. E torci muito pra que pessoas interessadas na desgraça alheia tenham clicado no link aos montes, só pra vingar as "Jus" que existem por aí.
Em todo o caso, comecei esse post pra falar de dois emails específicos que me chegaram no sábado. Um deles era "Investigação Pessoal", tinha exatamente o .exe e o remetente se auto intitulava "Detetive Antônio". Saca só o caô do cara:
INVESTIGAÇÃO PESSOAL
Fomos contratados para realizarmos uma investigação sobre você.
Devido ao fato de a contratante não ter honrado sua parte, estamos eviando algumas imagens.Se houver interesse da sua parte em saber sobre a contratante, nas imagens consta nosso contato.
anexo: FOTOS
Atenciosamente,
Antonio Soares
Detetive Particular
Cara, eu vou fazer o que, né? Chorar? É, só chorando mesmo. De rir. Eu fico pensando: será que tem gente que cai nessa? Bom, ta certo, eu sou solteira, não tô traindo ninguém, não tô prestando concurso pra nenhum cargo importante que requeira investigação de vida pregressa (como magistratura), não tenho sequer segredos cabeludos que eu possa temer que alguém descubra. Claro, pra mim vai soar ridículo mesmo, a consciência ta tranqüila. Além disso, acho que ele deu azar, porque não dá pra levar o português dele a sério nem fazendo muita força. E mais: "nosso contato está nas imagens"???? Pooooorra, aí é subestimar mesmo a capacidade intelectiva do pobre destinatário do email. Mas, enfim...tem gente pra tudo mesmo.
Por fim, um email curioso. De Fernando de Noronha. Hein? Fernando de Noronha é um lugar e não uma pessoa? Juuura? Pois ele resolveu criar pernas. Ou pelo menos dedos, porque me mandou um email. Confirmando o pagamento de um boleto, porque eu to indo pra lá, supostamente (nesse ponto eu me rasgo de inveja do real destinatário do email). Ó só, vê se você também não morre de inveja:
Prezado LIVIA SANTANA E SANTANA VAZ,
Esta mensagem confirma que recebemos o seu pagamento do boleto 00000000XXXXX referente à Taxa de Preservação Ambiental.Lembramos que tanto você como seus acompanhantes devem levar para Noronha o Formulário de Controle Migratório e as guias de identificação (uma para cada pessoa) impressos, junto com o boleto pago.
Atenciosamente,
Administração do Arquipélago de Fernando de Noronha
¬¬
Maldito seja quem está indo pra Fernando de Noronha enquanto eu e os outros mortais trabalhamos. Tomara que alguém mande umas fotos da festa pra eles verem.
domingo, fevereiro 17, 2008
Conversas Insólitas III
Vai entrar um filme em cartaz que deve ser mó derrota, mas que eu quero ver, cara.
Nayra diz:
Qual?
Lívia diz:
É um filme do Morgan Freeman com o Jack Nicholson, na história de dois velhos que resolvem fazer umas coisas antes de morrer...comédia com fundo sentimental, sabe?
Nayra diz:
Adoro!!!!!!!! e tome caixa de lenço!
Lívia diz:
Aí eu tava pensando ontem...meu, eu tenho o espírito mais velho desterrado do mundo. Sexta foi aniversário da minha mãe e ontem o povo veio pra cá... lá pelas tantas um carinha pegou o violão e anunciou presunçosamente que as músicas que ele ia tocar eram pra pessoas com mais de trinta.
Nayra diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Lívia diz:
Saiu de "essa noite eu quero te ter", continuou com "a dois passos do paraíso", tacou um "Camilla" e depois disso descambou prum pop rock nojento e inaceitável...Alguém que toque Capital Inicial merece respeito?
Nayra diz:
Ai minha nossa senhora!
Lívia diz:
Eu me senti veeeeelha, querendo que ele cantasse "Andança", "Detalhes", "Trem das Onze", "As Rosas Não Falam"...aí eu vi o trailler do filme dos velhos e pensei: EU VOU. Foi quando me veio o pensamento: você é velha. Aliás, mais que velha, você é moribunda...sabe qual é o filme de amor mais romântico do mundo pra mim? Alguém Tem que Ceder...VELHOS! Porra, nada me comove mais que velhice e solidão e pelanca e desesperança...Pô, vou escrever isso no blog antes que eu esqueça!
Nayra diz:
Corre...não vou nem comentar pra não interromper a inspiraçao súbita!
Lívia diz:
ah...vai ser agora não. Não posso blogar com a Cautelar me olhando, é que nem trepar na frente do pai
Nayra diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Uma maldita letra de música
Sem Açúcar
Todo dia ele faz diferente
Não sei se ele volta da rua
Não sei se me traz um presente
Não sei se ele fica na sua
Talvez ele chegue sentido
Quem sabe me cobre de beijos
Ou nem me desmanche o vestido
Ou nem me adivinha os desejos
Dia ímpar tem chocolate
Dia par eu vivo de brisa
Dia útil ele me bate
Dia santo ele me alisa
Longe dele eu tremo de amor
Na presença dele me calo
Eu de dia sou sua flor
Eu de noite sou seu cavalo
A cerveja dele é sagrada
A vontade dele é a mais justa
A minha paixão é piada
Sua risada me assusta
Sua boca é um cadeado
E meu corpo é uma fogueira
Enquanto ele dorme pesado
Eu rolo sozinha na esteira
E nem me adivinha os desejos
Eu de noite sou seu cavalo
Eu rolo sozinha na esteira
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Enquanto isso, no escritório...
Estava eu no lavabo, ao lado da minha sala, quando ouço passos subindo as escadas, uma batidinha delicada na minha porta e a frase:
- Uai, cadê ela? Será que pulou a janela?
No segundo andar. Só se fosse pra cair dentro da piscina de roupa, que nem filme do Stallone com a Sharon Stone.
A Benícia é uma figuraça. Nem se eu parasse de trabalhar e ficasse aqui tentando descrevê-la ia chegar nem no dedinho do pé dela, então, já que o meu recreio será só de dez minutos, digo que ela é debochada pra caramba e vai ter que servir.
- Eita, num sei.
A Aline é um amor. Também não dá tempo de descrever, mas basta dizer que ela faz tudo o que eu peço, o que a torna uma das minhas pessoas favoritas no mundo inteiro...rs
Nesse ponto, dei a descarga - excesso de informação? - lavei as mãos e saí, enxugando as ditas na toalha de papel. A porta da minha sala tava aberta e as duas visitantes sentadinhas nas cadeiras em frente à minha mesa. Junto com elas, uma bandeja com uma pamonha picada num prato, uma torradinha de pão integral num pires ao lado, um guardanapo amarelo e uma xícara de café florida. Mas nada de bule de café.
Assim que me viu, a Benícia atacou:
- Ahá! A gente fica lá embaixo pensando que cê tá aqui em cima trabalhando e na verdade cê fica "morcegando", né?
- Morcegando???
- É, uai. Fazendo de conta!
- Ah, sei, até parece. Não se pode nem mijar em paz mais nesse escritório.
A Aline só ria. A Benícia quis saber:
- Que é que cê tanto ri, menina?
- Uai, Bê, cê trouxe a xícara e o café ficou?
Rimos todas. E as duas ainda tiraram no par ou ímpar quem ia na cozinha buscar o bendito café. Perdeu a Aline, e a Benícia ainda beliscou a pamonha dela enquanto ela não voltava.
Cara, eu adoro isso aqui.
status quo
Nos ouvidos: Don't Make Me Wait, do Seal.
Na cabeça: adultério, contestação, plano de saúde, medida cautelar.
Nos pés: o chão, até que se prove o contrário.
No corpo: o espírito. De porco.
Na boca: um sorriso diplomático.
Nas mãos: uma tonelada de papel com palavrório jurídico.
Na manga: o Zap!
Na pauta: riscando o que me chateia.
Na ponta da língua: a letra de Summertime, que tá tocando agora.
Na frente: trabalho.
No msn: um monte de gente ocupada.
Na hora: de tomar água, antes que eu vire um figo seco.
Na noite: teatro, "Sobre mentiras e segredos".
No fundo, no fundo: aliviada, animada e saudosa.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Miscelânea
O mais difícil de idéias geniais é convencer os cúmplices de que são geniais. Aliás, os gênios sempre são incompreendidos, é foda. Tenho certeza de que o Einstein era tão descabelado porque repuxava os cabelos de frustração por não acreditarem nele. E isso sem falar do Van Gogh que cortou a própria orelha, né? Eu, por minha vez, mordo os dedos, o que é ainda mais grave, óóóóbvio. Quem liga pruma advogada sem orelha? Ninguém! Ninguém nem vê que tá faltando algo embaixo do cabelo. Agora quando os dedos estão todos mordidos, machucados, faltando ou sobrando pele, as unhas sem fazer e tudo sujo de tanto manusear processos imundos, aí sim, todo mundo repara. Inferno.
Mas voltando. Sabe aquele filme com o Ben Stiller e o Jack Black - ok, ok, referência péssima, mas não me enche - chamado, se não me engano, Inveja? (...) Aí, pronto, fui pesquisar no Google. Aqui não se dão informações pelas metades. O filme é "A Inveja Mata", originalmente, apenas "Envy". Então. O filme é bem besta, mas o que me fez lembrar dele no presente assunto é o fato do Ben Stiller morrer de inveja do Jack Black porque ele teve uma idéia aparentemente estúpida, investiu na idéia e ficou extremamente rico da noite pro dia. E o cara não acreditou nele, achou que era besteira. E o que aconteceu? Teve que enfiar a viola no saco e pedir arrego pro cara depois. E convenhamos, pedir arrego pro Jack Black é quase tão ruim quanto elogiar o Diogo Mainardi pessoalmente. Cruzes.
Da mesma forma acontecia com o lendário Cebolinha. Ele usava a poderosa mente do mal para bolar planos elaborados, maquiavélicos e infalíveis para derrotar a Mônica, mas o Cascão nunca acreditava nele e acabava ferrando tudo. Aliás, se eu fosse um pouquinho mais doente mental, poderia dizer que "O Segredo" (ahahahaahahahahah) explica muito bem o que acontecia com eles. Afinal, cara, o Cascão tinha pensamento negativo!!! Era ele o responsável pela conspiração do Universo que fazia com a Mônica sempre descobrisse o plano e descesse o cacete neles. Certeza! Tudo culpa do descrédito, da falta de fé das pessoas na genialidade alheia!
Que droga, viu. Pelo jeito ainda vou gastar o maior latim pra convencer as cúmplices do quanto a idéia é original, visionária, produtiva e rentável. Mas pelo menos alguém me faz jus. O Roberval, depois de ouvir a minha idéia, me disse agora há pouco que eu sou uma mulher empreendedora que enxerga longe.
Ok, quando você chega no blog do Roberval, você encontra concentradas todas as besteiras que circulam por email, as bizarrices do youtube e muito mais coisas toscas impensáveis. E aí, pensa: o que a opinião de um cara desses conta? E eu te respondo: conta e muito! Porque esse gosto por tosquices não é nem a ponta do iceberg. Já viu aquela propaganda da Brastemp que fala de Lado A e Lado B das personalidades? Ok, esse negócio de lado A e B é definitivamente gay, acho que todo mundo deve lembrar da marchinha de carnaval "Maria Sapatão, sapatão, sapatão/De dia é Maria, de noite é João" quando escuta isso. Mas o conceito é válido: por trás de um bem sucedido homem de negócios, tem um cara que faz mergulho submarino, que dança tango, que salta de pára quedas, que ensina pintura pra crianças carentes, etc. Esse é o Roberval. Um cara que no lado A trabalha horrores, é bom pra caralho no que faz e nunca consegue dormir antes da meia noite, porque continua trabalhando madrugada afora muitas vezes até sem perceber. E no lado B, é chegado numa bizarrice. Mas quem não é, né, Biscoito?
(...) Parei agora e reli o post. COMO eu consegui misturar Van Gogh, Cebolinha e marchinha de carnaval num post só???? Misericórdia!
Bom, não faz mal. Todos os posts que eu comecei nos últimos dias não foram pra frente. E pelo menos eu consegui atualizar o blog sem fazer post sombrio, sem contar a minha idéia genial pra alguém plagiar antes de eu conseguir executar, sem fazer nenhuma lista e nem postar letra de música, porque sinceramente, letra de música é o fim. Não tem nada mais frustrante, porque deixa margem prum monte de interpretações e não diz porra nenhuma no final das contas. E se tem uma coisa que eu odeio é não poder ir além das suposições. Odeio.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
LOL LOL LOL
Veja bem, por mais que a Dehynha diga que eu sou garota enxaqueca, que odeio tudo e que sou chata "bagarái", eu até tolero muita coisa. Mas convenhamos, né? Tem limite.
Hoje eu recebi um email assim:
de "Fulano de Tal que nunca vi mais gordo" às 11:05 a.m.
Oi gata me passa seu msn beijos
Nobre e prezado leitor, seja sincero. O que você pensaria ao ler semelhante mensagem? Use a caixa de comentários pra me esclarecer, por favor (em vez de usá-la pra concordar que eu sou chata). Confesso que ainda estou meio atordoada. Por agora, direi o que eu pensei na hora.
1. HEIN?
2. Fulano de tal WHO?
3. Não respeito gente que me chama de "gata".
4. Não respeito quem não usa vírgulas, a não ser que seja literatura expressa.
5. "Beijo" é o caralho, véi, que conversa é essa?
Então, movida por uma mórbida curiosidade e sendo muito mais legal do que deveria, respondi o cara:
Lívia
QUEM é você?
Simpaticíssima, por suposto. E pelo jeito o interlocutor também achou, porque recebi OUTRO email. Este, com o seguinte texto:
de "Fulano de Tal que nunca vi mais gordo" às 12:08 a.m.
Peguei seu blog de que lugar vc tc gata??
Ok, vamos lá (respira fundo e invoca todos os espíritos do mal pra transformarem essa forma decadente em Mumm-Ra - o de vida eterna).
E agora, o que eu digo? Responder o que prum cara desses? Só se encarnar uma daquelas telefonistas eletrônicas que não entendem nada do que a gente fala: Não entendi! Fale novamente! Ou então, posso gritar: AHÁ, EU TÔ NA PEGADINHA! \o/ Ou, como me sugeriu o Eric, "Cara, você saiu do chat UOL?". Se bem que fico tentada a perguntar: Ah, já sei, seu nome é Amaury, né?* Certeza que sim.
Ô, vida. Olha, uma dica, ta? Não me chame de gata. Nunca, ever. E não diga “tc”, cara, isso depõe contra qualquer ser humano, ainda mais um a quem eu não conheço e não tenho por que perdoar uma coisa dessas. Diz aí, por que você quis falar comigo? Pela foto? Não vá por aí, fotos são enganadoras, acredite em mim. E pelo que eu entendi, você é leitor do blog, ainda que esporádico, né? Ok. Se bem que não deve mais vir aqui depois disso, porque vai terminar de ler este post e ir direto costurar o meu nome e o do blog na boca do sapo cururu. Certo, eu posso entender isso. Mas isso é justo? Coitado do sapo, afinal, vai ficar escrito "bunda" na boca dele, você não tem coração?
*piada interna, para maiores informações, favor consultar o Júlio.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Sexo. Ou não.
Este carnaval eu passei sozinha, calada e na minha. Novidade, né? Mas até que foi sim. Choveu o tempo todo e quase não tirei o moleton. E enquanto eu me aninhava no sofá feito gato, o mundo lá fora sacudia, biritava, excretava e secretava. Sim, mesmo com o meu auto isolamento, não fiquei alheia do que tava rolando. Cheguei mesmo a declinar alguns convites, apesar do pensamento de que uma companhia sob o edredon seria mais que agradável.
Sim, este é o cerne deste post. Sexo. Ou motivos para não fazê-lo.
Há dois anos, eu escrevi um texto sobre sexo, movida pela declaração bombástica feita por uma mulher de que "sexo era sujo" e que por isso ela vivia muito bem sem isso. Hein? É, foi isso mesmo. Existe gente louca pra tudo nesse mundo, cada vez mais eu me convenço. O engraçado da coisa é que agora chegou a minha vez de resolver não fazer sexo, embora por motivos muito diversos.
Depois de declinar dos convites que me foram feitos nesse carnaval, parei pra pensar a respeito do porquê. Sabe, não sou romântica e ingênua a ponto de achar que sexo e amor devem andar juntos, longe disso. Bem sei que tesão tem vida própria e já tive boas experiências nesse sentido. Mas, mesmo desconsiderando o amor na equação, cheguei à conclusão de que sexo pra mim se tornou algo delicado de uns tempos pra cá. Ah, calma, eu explico. O que acontece é que simplesmente ficou complicado de me contentar com qualquer coisa. Como se eu tivesse estabelecido um recorde de salto em altura e não houvesse quem o quebrasse, o que infelizmente constatei. E o pior: atletas que porventura tentem o feito, sofrem e sofrerão o tenebroso crivo da comparação desleal. É triste, mas é assim.
Por isso, resolvi dar um tempo dessa coisa. To cansada de corroborarem sempre aquilo que eu já sei, obrigada. Hein? Doida, eu? É, pode até ser. Mas me conhecendo, acho melhor não envolver mais ninguém nisso. Porque eu vou sair insatisfeita e podem querer meter o tal do amor no meio. E, convenhamos: se zerar as sensações físicas já está difícil, o coração então, nem se fala.
Ah, um PS: amigos, ao que me consta, não dão em cima ao menor sinal de fragilidade, ok? Aliás, da onde eu venho, respeito é pressuposto de amizade. E se não tem isso, por favor, não venha de nhémnhémnhém pro meu lado não, que eu perco a paciência fácil.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Papo trash
B - to de boa... e vc que manda nesse carnaval? em casa por que?
A - pq eu não gosto de carnaval. e porque o meu cotovelo anda doendo mais que nunca
B - literal?
A - antes fosse, pra dor literal eu tomava um analgésico. mas no figurado, só dá pra tomar cicuta
B - menina, que pasa?
A - nada de novo, só o de sempre.
B - ah entendo... é neguinha, o barato é louco... sabe o que descobri? no brasil eu escrevo! o que mais fiz desde que cheguei foi escrever!
A - opa... acho que to precisando ir pra europa também. travei legal ultimamente.
B - travou o que? na escrita?
A- sim
B - impossívellllllll
A - impossível nadaaaaaaa...travadaça.
B - ah, dearest!!! tem fases que so consigo pensar sobre amor acabado, aí paro de escrever mesmo, porque nunca curti sertaneja de corno...
A - ahahahaahah...exato! e nem sangrar eu to podendo, porque já enjoou, sabe? então eu to muda.
B - sim enjoa. até demais...
A - outro dia uma mulé escreveu assim no twitter: "preciso urgentemente parar de chorar antes que eu perca todos os meus amigos". e é exatamente o que eu sinto...rs... to preferindo ficar calada pra não aborrecer as pessoas...sem falar que não aguento mais nenhum sermão estilo "esquece isso, foque sua energia em você e blá blá blá".
B - kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... ah comigo vc pode chorar vice? o quanto quiser! também pode escrever textos melados, amargos. moda de viola e sertaneja braba...
A - ahahahahaahah...
B - mas por favor: pode escrever sertaneja, mas nao canta, ok?
A - kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... juro! (cruza dos dedos e beija)
B - então chora
A - nah, hoje não. na próxima crise eu te grito, prometo.
B - certo!!!
