terça-feira, março 18, 2008

More Than a Feeling

Acabei de assistir a uma comédia romântica com a anãzinha loira da Reese Whiterspoon e o fofo do Mark Ruffalo, no original, Just Like Heaven (The Cure, amo essa música!), mal e porcamente traduzido para "E se Fosse Verdade?". Ok, novidades? Já consigo assistir a comédias românticas de novo, sem cortar os pulsos e sem quebrar a televisão de ódio. Uma grande melhora, né não? Por outro lado, me peguei pensando: você já teve a sensação de que estava sob um refletor, cercado de um monte de coisas irreais?

Quando alguém escreve um roteiro - ao menos todos os cinco que eu já comecei são assim - pensa cuidadosamente na apresentação dos personagens e no que eles vão dizer. Cada fala é pensada muitas vezes, de um jeito que, ao final, a história está cheia de gente brilhante, espirituosa, cativante, trágica, densa, marcante. Até parece que as pessoas são mesmo assim.

Ali, na atmosfera da história, é perfeito. Mesmo nos momentos mais dramáticos, em que tudo caminha pra dar errado, o mocinho sempre cai em si e volta atrás a tempo. Richard Gere encostando a limusine e subindo pela escada de incêndio da Julia Roberts com ramalhete de flores. Meg Ryan e Tom Hanks se encontrando no alto do Empire States. Adam Sandler tendo a paciência de conquistar a Drew Barrymore desmemoriada todo santo dia.

Tanta coisa bonitinha, bem arrumadinha, que faz a gente dizer "óun..." quando assiste. Mas basta subirem os créditos, tocar a música final e pronto, acabou a viagem. O papel das duas horas de filme foi cumprido: entretenimento. E a gente perdoa as pieguices, a forçada de barra neste e naquele ponto, o diálogo inverossímil nalgum ponto, o final malfeito. Não, retiro o que eu disse. Final malfeito a gente não perdoa não, que o digam Cameron Diaz, Jude Law, Kate Winslet e Jack Black, porque eu joguei tanta praga neles depois daquela porra de "O Amor não Tira Férias", que pelo menos um tratamentozinho de canal ou uma queda acentuada de cabelo aquela turma deve ter sofrido.

Mas voltando. A gente perdoa o que rolou no filme que não foi muito legal, se o conjunto convence. Eu só fico pensando é: e quando isso acontece fora da tela?

Você conhece alguém que tem as falas certas na hora certa? Do tipo que você jura que vai começar a tocar trilha sonora enquanto vocês andam pela rua conversando de alguma coisa adoravelmente prosaica? Que faz você olhar em volta de vez em quando pra conferir se o Sérgio Malandro ou a Sabrina Sato não estão te seguindo, prontos pra anunciar a pegadinha?

É, isso existe. E acredite, é muito legal. Só que me surpreendi pensando: em que ponto do filme estamos agora? Será que eu aperto o pause agora pra não correr o risco de acabar enquanto eu vou ali estourar a pipoca? Será que tem continuação ad eternum que nem o Jaws do Spielberg ou pelo menos é uma trilogiazinha a la Lord of The Rings? Será que eu acho o DVD pra comprar?

E, o mais importante: será que o enredo convence no final, mesmo com as bolas-fora?

Ok, ok, eu mesma fiz um post ali embaixo sobre querer coisas possíveis. Mas o que tem de absurdo em preferir Maggie Gyllenhaal e James Spader em vez de Brittany Murphy e Ashton Kutcher?

Ah, me dá uma folga. E deixa o meu tema ser "More Than a Feeling", vai. Eu mereço.

4 comentários:

Eric disse...

Eu troco meia Maggie pela Britanny fácil, fácil.

Mariana disse...

Ahh..vida cor de rosa dos filmes!!!
claro que quando os creditos sobem tudo continua, mas a agora cor é azul...
A mocinha não é tão delicada e forte, e o mocinho não tão espirituoso...mas torcemos pra viver felizes para sempre...

bjos!

Anônimo disse...

Eu prefiro a Maggie Gyllenhaal!!!! Mil vezes. Queria que ela fosse minha secretária... Você consegue uma entrevista com uma pessoa com esse perfil para mim?
O Balconista.

Dehynha disse...

Comédias românticas são feitas pra gente sonhar mesmo! E trazer essa alegria e romantismo bobo pra nossa realidade. É a vida que imita a arte e não o contrário.
Garçon, mais um chopp! E uma caipivodka pra Livia antes que ela quebre a mesa na minha cabeça.. hehe