sexta-feira, março 28, 2008

Lívia's Anatomy

Amanhã faz dois meses que eu só trabalho, ininterruptamente. Bah, grande coisa, dois meses! - alguém dirá. - E eu que trabalho a vida inteira? Eu direi: por que você não morre e vai atormentar outra pessoa bem longe daqui, hein?

Meu, eu trabalho desde os dezessete anos. Já fui vendedora de cosméticos, de roupas, de lingerie, já fui Oficial de Justiça, já fui estagiária, agora sou advogada. E quem me conhece e me lê há mais tempo, sabe que a minha peleja com o Direito é longa e que nunca achei que iria abraçar a coisa como de fato fiz.

Na verdade, eu já tinha desistido dessa coisa, quando me chamaram pra fazer entrevista nesse escritório. Fui aprovada, meti a cara e acabei descobrindo que eu sou boa nisso. Muito boa, aliás. Então as coisas têm caminhado muito bem, eu realmente gosto do trabalho e do pessoal daqui.

O complicado é que este não é um trabalho regular. Tem hora pra entrar, mas nunca pra sair. Não tem fim de semana - se o prazo vence na segunda, nega, o jeito é sair na sexta feira carregando trabalho pra fazer em casa sábado e domingo. Não tem sequer noite de sono tranquila. Cara, é sério. Quando eu era vendedora na Levi's, eu podia sair do Shopping pregada à noite de tanto ficar em pé, sorrir falso pra cliente e gastar meu latim à toa, mas pelo menos, não era um trabalho que absorvia o resto das minhas horas. Eu só lembrava dele durante as horas que eu ficava na loja. Aqui é oooutra história.

Dia desses eu sonhei que uma cliente daqui do escritório me ligava no meio da noite pra me perguntar quando é que a ação dela ia ser ajuizada. Outra vez acordei de madrugada dando um pulo na cama, tinha achado um argumento genial pra usar num processo. Depois, me peguei ligando pra estagiária tarde da noite pra lembrar uma coisa importante. Ou seja: não dá pra desligar, o cérebro roda nesse canal aqui o dia inteiro e às vezes até a noite inteira.

Claro, ainda não cheguei no ponto de ficar chata, mal humorada e imprestável assim que saio do trabalho. Afinal, isso equivale a morrer, porque significa abrir mão do resto da vida e se definir apenas pelo trabalho. Não, nem morta, santa. O dia todo eu dou um jeito de fazer o povo aqui rir (tanto que às vezes acho que eles desconfiam da minha sanidade. Ou acham que eu sou besta mesmo), tenho saído com os meus amigos, minha vida amorosa vai muito bem "e tals" (e dá-lhe piada interna!).

Enfim, eu to cansada. Hoje, só hoje, em particular hoje, eu to muito, muito cansada. Muita correria, muita pressão, muito raciocínio. E uma saudade que dói o dia inteiro sem parar, por mais que eu a ignore, ou a console dizendo que já vai passar. Tô no limite. Hoje. Amanhã eu tenho certeza que melhora. Aliás, eu tenho certeza que depois das 18:00 horas de hoje vai melhorar. Ainda mais que acabaram de me chamar pra tomar tequila hoje à noite.

Será que Meredith Grey ensinou, em algum momento, como curar esse tipo de ressaca?

*interfona e pergunta pra estagiária*

4 comentários:

Eric disse...

Você trabalhou algum Natal no comércio? Pois segundo a minha mãe, logo depois de um longo e estafante período de festas, ela entrou no meu quarto e eu estava roncando e babando proferindo as palavras "débito ou crédito?".

Medo.

Dehynha disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!! Adorei essa do Eric! "débito ou crédito?" ahahahahahahahahahahahahahaha

Eu, lindinha, vc sabe, né? Sonho com vestidos, grinaldas e cerimoniais... mas não meus! E na véspera de um evento, nem durmo... fico a criar novos ângulos, inventar luzes, poses... aiai...

O bom é que é um casanço prazeroso. É bom trabalhar com o que se gosta! :)

beijo!

Camila disse...

É assim mesmo... Eu trabalho com telecomunicações e fico ligada o dia e a noite e o fim de semana inteiro no trabalho. Sonho?! Já é normal... Quando não os tenho, pareço imprestável. Mas... a vida é assim, né? Paixão é uma merda!

Anônimo disse...

Sempre muito bom o vosso blog.
Parabéns pelos momentos de criatividade e de conversa franca com seus leitores. Bj e boa sorte, sempre!
Sall
www.blogdosall.wordpress.com