sábado, dezembro 29, 2007

Que venha 2008.

E quem diria que o último post do ano seria letra de música?
Credo, que prognóstico daqui pra diante!...(risada)
Boa festa pra todo mundo, que a ressaca do dia primeiro seja leve.
E cheers!


WASTED TIME
Eagles

Well baby, there you stand
With your little head, down in your hand
Oh, my God, you can't believe it's happening again
Your baby's gone, and you're all alone
and it looks like the end.

And you're back out on the street.
And you're tryin' to remember.
How will you start it over?
You don't know what became.
You don't care much for a stranger's touch,
But you can't hold your man.

You never thought you'd be alone this far down the line
And I know what's been on your mind
You're afraid it's all been wasted time

The autumn leaves have got you thinking
about the first time that you fell
You didn't love the boy too much, no, no
you just loved the boy to well, Farewell
So you live from day to day,
and you dream about tomorrow, oh.
And the hours go by like minutes
and the shadows come to stay
So you take a little something to make them go away
And I could have done so many things, baby
If I could only stop my mind from wondrin' what
I left behind and from worrying 'bout this wasted time

Ooh, another love has come and gone
Ooh, and the years keep rushing on
I remember what you told me before you went out on your own:
"Sometimes to keep it together, we got to leave it alone."
So you can get on with your search, baby, and I can get on with mine
And maybe someday we will find, that it wasn't really
wasted time

domingo, dezembro 23, 2007

2007

Este foi, sem sombra de dúvidas, o pior ano da minha vida. Ganhou de quando os meus pais se divorciaram (11), ganhou de quando meu namorado cometeu suicídio (18), ganhou dos meus anos de angústia surda e muda dentro do Direito (17-24).

Apesar de sempre ter sido uma criança e uma adolescente calada, na minha, mais adepta de livros que da companhia de pessoas, melancólica, eu nunca tinha entrado de fato em depressão, o que aconteceu. Eu quis morrer tantas vezes esse ano que até me assusto olhando em retrospecto. Tomei remédio, entrei na terapia, me afastei das pessoas, infernizei a vida de quem eu mais amava. E perdi. Muita coisa.

Outro dia, na terapia, eu me peguei dizendo que se eu pudesse escolher um ponto dessa trajetória pra voltar, eu escolheria - olha a ironia - o dia em que eu cortei o pé, no Natal do ano passado, e que foi justamente quando eu decidi começar esse blog. Pudesse eu voltar àquele dia e talvez nada do que está escrito aqui hoje, fosse o mesmo. Talvez eu fizesse diferente, talvez conseguisse até fazer mais coisas certas. Por mais patético que pareça.

Engraçado...o ano passado terminou de um jeito tão promissor! E acabou dando tudo tão errado... Eu sinto como se naquele ponto eu estivesse começando uma fase nova do jogo, que tinha muito pra aprender sobre os segredos da história e muito a ganhar pras próximas fases. Mas eu não dei conta de jogar, morri e agora não tem mais botão de continue. Agora o jeito é arrumar outro jogo e tentar esquecer como aquele era bom e como eu gostava de jogar aquele. E talvez por isso eu esteja meio cética com o próximo ano...acho que eu desaprendi a jogar e me preocupo com quantas vezes ainda vou morrer por absoluta falta de habilidade. Acho que finalmente me vi que nem o Sr. Burns descobrindo que durante a vida dele toda era o Smithers o responsável pelo seu sucesso no golfe.

(...)

Na verdade, 2007 foi um ano recheado de incongruências. Cometi erros, magoei gente, perdi e reencontrei amigos, conheci alguns novos, fui acolhida por quem eu não esperava, passei alguns momentos muito felizes. Tomei algumas boas decisões, também. Mas sem promessa de ano novo, melhor deixar em off.

O que eu tiro desse ano?

A noção de que esperança morre, ressuscita e morre de novo. E ressuscita. E morre.
A consciência de que um parâmetro pode ser a essência de toda a infelicidade.
A certeza de que não terei saudades dos meus 24 anos.
E a vontade de aprender a jogar direito qualquer dia desses.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Tô bege

Eu nunca postei duas coisas num dia só. Mas hoje eu PRECISO. Tô passaaaaaaaaaaaaada!

Como homens e mulheres são diferentes, puta que pariu! Mais que isso, como homens e mulheres FERIDOS e PRETERIDOS são diferentes! Enquanto umas choram, se descabelam, querem morrer e escrevem páginas e páginas de textos depressivos, lamentando o fim e desejando que pudesse ter sido diferente, outros ODEIAM. Apenas isso. Escrevem quilômetros de textos ofensivos, ultrajantes, venenosos, perversos e lascivos, o que é pior. Vão além! Criam blogs pretos escritos em dourado dedicados a amaldiçoar o que acabou e quem se foi.

Engraçado, fiquei muito tempo sem visitar um determinado lugar da minha lista de blogs e quando finalmente caí lá, fiquei abismada com a produção furiosa com que o tal blog tem sido alimentado. E fiquei ainda mais abismada com o ódio, entremeado de mortes, putas, sangue, rabos e coisas do tipo. Choque.

Eu fico pensando: como nos enganamos! E continuo chocada.

Bom humor nojento e intolerável


Hoje quando acordei estava chovendo, daquelas chuvas que murmuram: fique aí entre as cobertas mais um pouco, pode deixar que estou mantendo o mundo aqui fora bem parado enquanto você dorme...

Quando finalmente levantei, eu ainda tava no ritmo da chuva caindo...meio lânguida. Andei pela casa de cabelos desalinhados, envolta num roupão amarelo, arrastando meus chinelos. E tinha algo de estranho no ar, parecia mesmo que o mundo estava em suspensão enquanto eu dormia. E foi aí que eu lembrei: o fórum entrou de férias HOJE. Oh, dia glorioso!

Escritório fechado, pai de bermuda andando de um lado pro outro, irmão jogando video game...que beleza. Aí lembrei do aniversário de um amigo querido e liguei pra desejar felicidades e dizer bom dia. Pena que era pro Rio e consumiu boa parte dos meus créditos, mas ok, valeu a pena.

Hoje eu acordei foi com vontade de abraçar as pessoas que eu amo e estão longe. Já que não dava, pelo menos chamei no msn, disse bom dia e desejei bom trabalho, dei um beijo. Essas coisas paliativas que só dão mais vontade de estar junto, mas que pelo menos servem pra dizer: eu pensei em você, me importo e sinto sua falta. Mesmo que não seja recíproco, não importa. Na verdade, eu não ando muito preocupada com o que os outros sentem a meu respeito, estou mais absorta em mim mesma, no que eu tenho, sinto e tenho pra dar. E isso tem me feito bem.

O humor tá tão bom hoje, que até criar uma cidadezinha num emulador on line eu criei...mas agora preciso de acessos pra aumentar a minha população e pra isso eu preciso que cliquem no link dela. Cara, é muito mico, né não? Mas clica aí, vai, num custa nada! Sem atingir a população necessária eu não posso jogar! http://livilandia.myminicity.com/ Mas vê se depois não tira onda da minha cara, porque eu apelo. :-P

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Um dia produtivo

Não, eu não fiquei à toa o dia inteiro, eu TRABALHEI de verdade - ô! E como tem advogado burro nesse mundo meu santo Deus. Como sai filho-de-vó-que-dorme-de-meia dessas faculdades de Direito, cruz credo!

Bom, e quando o trabalho acabou, eu resolvi fazer mensagens de natal...ho ho ho.

Fiz quatro vídeos. Aí embaixo tem dois, os outros dois estão na BLOGAGI.

Estrelando: Dehynha, Lívia, Rodrigo, Carla e Outsider. Feliz Natal!

Don't send a lame Starring You! eCard. Try JibJab Sendables!


Estrelando: Júlio, Gabi, Junior, Lílian e Eric. Feliz Natal!

Comentários ofensivos, por favor, por email. :-P

Don't send a lame Starring You! eCard. Try JibJab Sendables!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Caminho e Destino


Dia desses, aqui mesmo nesse blog, alguém condescendentemente chamou minha depressão de limerência. Noutra ocasião, me disseram impiedosamente que sou instável porque eu não encontrei ainda uma meta específica. Ontem me disseram que eu não sei o que eu quero da vida porque vivo mudando de idéia. (suspiro)

Eu fico abismada com a capacidade das pessoas me dizerem essas coisas. Talvez a errada seja mesmo eu que procuro um jeito delicado de dizer as coisas aos outros e que procuro me calar quando não tenho nada de bom pra dizer, afinal, estou longe de deter a sabedoria absoluta que me permita dizer qualquer merda que me venha à cabeça. Talvez seja esse mais um reflexo da deficiência que citei dois posts abaixo, essa maldita necessidade de aprovação, essa dificuldade de dizer não apenas não, dizer: "você é chato(a)", "dá pra calar a boca?" ou simplesmente, "vai tomar no cu".

Cara, eu não sou instável. Eu mudo muito de humor? Sem dúvidas, porque sou receptiva e sensível ao que me rodeia. Mas isso não significa que as coisas que eu quero, que eu acredito e que preciso mudem. Eu sei muito bem o que eu não quero, já é algo muito gratificante, poder dizer: "opa, pode parar, isso aí nem fudendo!". Já é um passo pra se saber o que se quer. Aliás, eu sei o que eu quero, porra! Só preciso encontrar qual será a MINHA forma de chegar lá, que não terá a ver com nenhuma fórmula milagrosa que alguém possa tentar me dar. Eu odeio oráculos, donos da verdade e gente que quer me ensinar a viver! Eu lá sou convencional??? Eu tenho que abrir o meu caminho sozinha, mesmo que isso envolva grandes cabeçadas, caramba!

Afinal, já diria o grande sábio Paulo Coelho em seu maravilhoso Diário de Um Mago (ahahahahahaahahahahahahahahahaha...cof cof...gasp...ahahahahahaahhaahahhhahahahaha), o caminho é mais importante do que o destino, porque é no processo que se aprende as coisas. Profundo, né? (CATAPLOFT)

Deixando a imitação de escritor de lado e falando sério, realmente o caminho vai fazer diferença, porque as variáveis que envolvem as minhas metas serão determinadas pelas pequenas curvas que eu fizer. E as pessoas que estarão ao meu lado quando eu chegar lá, também serão definidas enquanto eu caminho. Eu gostaria de encontrar algum SamWise Gamgee pra me acompanhar. E, quem sabe, sendo muito otimista, podia encontrar um Gregory House que me chamasse de Wilson. :-P

Em suma, me dá um tempo. Eu já tô vendo a luz no fim do túnel. Quem puder ter um pouco de paciência pode achar que valeu a pena.


***A música "I'll Cover You" é da trilha sonora da ópera-rock "RENT" e na minha opinião é uma das declarações de amor mais bonitas que eu já ouvi. Pelo menos é a que eu gostaria de ouvir. Veja AQUI a letra e AQUI o vídeo da versão que eu mais gosto.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Férias


Eu descobri que mesmo os maiores amigos, as pessoas que se amam mais, precisam de férias uns dos outros. Que passar muito tempo junto faz as pessoas se cansarem umas das outras. E é então que a delicadeza se converte em grosseria.

Ô, vida bandida.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Amargo


Existe um tipo de deficiência que afeta a muitos, é encarada com desdém por quem não sofre dela e causa grande mal estar aos portadores. É a incapacidade de dizer não. Essa maldita necessidade de aprovação que faz com que você sempre tente dar um jeito, independente de a situação ser legítima ou de não ter salvação. Assim, se torna vítima dos que pedem mil e um favores, dos que abusam da boa vontade alheia, dos que cometem sempre o mesmo erro, juram que não vai mais acontecer e pedem outra chance.

E, nas vezes em que, cansados de apanhar e orientados pelo senso de auto-preservação, este ente desprezado, você reúne forças e pronuncia a fatídica palavra - NÃO - o gosto amargo que se instala na boca faz o fel parecer doce. A razão, o bom senso e a lucidez dizem que a decisão foi acertada, mas ainda aí a deficiência continua a agir. O desconforto por ter causado decepção, ainda que justificada, aguilhoa feito ferrão venenoso.

Arrependimento? Não. Você sabe que faria outra vez caso a ocasião se apresentasse. Ainda mais considerando a reação daquele que foi rechaçado, sempre a pior possível. É até um motivo a mais. Mas não deixa de doer. Amargo e latejante.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Ih, só pedindo pra sair!

No Blog do Capitão Nascimento tem um teste pra saber "Quem é você na guerra?"...



E eu me fodi literalmente no resultado, porque até se num tivesse tomado um teco de doze na cara, o tal do Baiano ia ficar com o cadáver feio, fala sério!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Relatividade

Impressionante como as pessoas enxergam o mundo de formas particulares e peculiares. Incrível como os parâmetros do que é razoável, aceitável, desejável e inadmissível variam de um pra outro. Abismante é a falta de noção de uns e outros.

quarta-feira, novembro 28, 2007

sexta-feira, outubro 19, 2007

Sistema operacional

Coração, memória, imaginação, raciocínio, pensamento. Sinônimos de uma coisa só, ou melhor, partes de uma coisa só. Aquela coisa que realiza sinapses e dá piruetas, nuns mais, noutros menos. E que em mim, descobri, é extremamente fértil, sem excesso algum.

O (meu) coração é um mundo. Frenético, pulsante, quente. Capaz de se expandir e se retrair quilômetros em meros segundos, capaz de cultivar e matar com a mesma predisposição, bastando para isso a semente ou as primeiras horas de sol causticante. Capaz também de se recuperar de hecatombes com uma firmeza insuspeita, por se mostrar tão frágil em alguns momentos. Capaz de amar com loucura e de se declarar exausto com a mesma intensidade. Capaz de guardar em si uma tonelada de momentos e sensações.

A memória é autista. Guarda momentos inusitados, bons e ruins. Em determinadas situações, apenas o bons - com uma dose extra de saudade - e noutras, apenas os ruins - com um gosto amargo que não sai nem esfregando. Lembra o nome do personagem coadjuvante daquele filme que estava passando naquele dia com aquela fala daquele momento, mas esquece o cardápio do almoço de hoje. E funciona com conectivos insuspeitos, faz as ligações mais improváveis, associa as coisas mais díspares. E quando repassa alguns momentos, provoca ora suspiros e estremecimentos, ora caretas e alívio por aquilo não existir mais a não ser em seus próprios arquivos.

A imaginação é gigantesca e poderosa a ponto de plasmar concretamente criações nascidas do raciocínio, do pensamento e do coração. Capaz de criar mundos inteiros e personagens detalhados, até mesmo pra substituir os reais. Capaz de, partindo de uma palavra ou um som, produzir um show pirotécnico.

O raciocínio é rápido pra algumas coisas. Pra piadas infames e teorias mirabolantes, na maioria das vezes. (rá rá rá) E isso se explica pela sobrecarga provocada pelo coraçao e pela imaginação no sistema. Dois programinhas meio pesados, quando um está funcionando, o outro fica meio atordoado.

Por fim, o pensamento. Um vadio, que às vezes é acometido por idéias fixas.

(...)

To aqui imaginando uma cpu que caiba tudo isso. (hum)

terça-feira, outubro 16, 2007

Ingrid

Morrer um filho deve ser uma coisa absurda.
Morreu minha enteada felina e meu coração ta partido.


:-(

segunda-feira, outubro 15, 2007

Notícias do Front

Eu tô com o saco TÃO cheio que tô quase acreditando que tenho um!

*atira em alguém*


Aí abri o email agora e dei de cara com o trânsito astral do Personare pra mim:

Com problemas de ordem fútil!
15/10 (hoje) às 15h12 a 31/10 às 9h13
Vênus em oposição à Lua natal

Entre os dias 15/10 (hoje) às 15h12 e 31/10 às 9h13, uma desarmonia entre o planeta Vênus no céu e a Lua do seu mapa de nascimento poderão sinalizar um período de prejuízos sociais, Lívia. A tendência é que ocorram brigas e conflitos por motivos absolutamente fúteis, discussões com pessoas queridas por questões que não exigiriam tamanho exagero, e até mesmo uma tendência a fazer gastos tolos e excessivos, comprando futilidades. Obviamente, a idéia aqui é a de que você possa transformar este período, tomando consciência dele antes. Sabendo que existem estas tendências, elas não precisam ocorrer, mas você precisará ter uma atenção redobrada no que diz respeito a esta predisposição a conflitos por razões tolas. O presságio de impopularidade associado a este período de conflitos entre Vênus e a Lua pode revelar você "queimando seu filme" por alguma bobagem. No final das contas, é tudo uma questão de você ter o máximo de atenção e evitar dizer e fazer bobagens neste período, Lívia. Auto-observação aqui é tudo, sobretudo porque os seres humanos costumam se observar muito pouco...

Emocionante, né? Será que isso significa que se eu tocar fogo em alguém nesse período serei acusada de homicídio qualificado por motivo FÚTIL??? ¬¬

sexta-feira, outubro 05, 2007

Pouso


POUSO

Tornou-se recorrente
pousar os olhos em lugar nenhum
pra ver a imagem do seu rosto
que emana de não sei onde.
Talvez esteja gravada no fundo
da minha retina.
Ou quem sabe
meus olhos tenham aprendido a
desprezar espaço e tempo
à procura do seu sorriso.
O fato é que agora,
em todo lugar que eu olhe
existe um halo que não sei explicar,
embora reconheça muito bem:
é a mesma luz que vejo quando vejo
o seu olhar pousar em mim.

Lívia Santana.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Observações vestibulísticas

Hey, pessoas!

Primeiramente, pra quem andou perguntando, eu to prestando Comunicação Social (com habilitação em editoria), que já ta mais que na hora de eu mudar oficialmente de área e não ficar apenas suspirando pela mudança.

Segundamente, tenho alguns comentários a fazer:

1. Minhas antipatias germânica e norte americana aumentaram 500% depois dos últimos dias de estudo.

2. Incrível como estudar história é algo cinematográfico - ta bom, eu não sirvo de base, quando me mandam "pensar numa luz" nalgum exercício de meditação, eu imagino a luz sim, na ponta do dedo do ET. Mas, tirando o meu semi-autismo, impresionante como eu vou lendo, lendo e vão se sucedendo na minha cabeça o Rambo amarrando a faixa vermelha (ridícula) na cabeça, o Jude Law atirando na cabeça do Ed Harris (soviético X alemão) em Círculo de Fogo, o George Berger marchando com o exército americano rumo ao Vietnã e Let The Sunshine In em Hair, o Indiana Jones vestido de explorador com aquela roupinha tão ridícula quanto a faixa do Rambo, coordenando os trabalhadores hindus. Caaaaaaaara, a minha vida sempre esteve lotada de referências históricas e eu nunca me dei conta! Até o abominável Pearl Harbor das Neves, que eu FIZ QUESTÃO de nunca ver, me veio na cabeça, com as parcas chamadas que eu assisti!

3. Sabiam que os grandes nomes da literatura lusitana e brasileira eram todos bacharéis em Direito??? ahahahahahaha...que horror! Aliás, pasme: até o GANDHI ERA ADVOGADO!!! Affe, carambolas atômicas, esse mundo é torto demais!

4. Em 1956 Guimarães Rosa lançou o Grande Sertão Veredas, certo? Certo. Uma grande obra prima, inovações linguísticas, etc etc etc. O que eu não sabia e me pergunto se alguém já reparou nisso, é que no mesmo ano de 1956, Albert Camus publicou A QUEDA, um livro em que o interlocutor narra a história de sua vida e suas idéias em primeira pessoa, entabulando um diálogo com um interlocutor oculto, que não participa da história - só sabemos dele pelas referências que o narrador faz à ele e pelas perguntas subentendidas no texto. E o que tem isso? Tem que o Grande Sertão Veredas emprega EXATAMENTE o mesmo sistema narrativo, que até então era inédito. Explicação? Ah, o anjo da guarda do Camus e o do Guimarães Rosa deviam ser "mó trutas" e frequentar as mesmas festas, daí acabaram inspirando nos caras, na mesma época, a mesma idéia genial. (...) De quem será que o meu anjo da guarda é "mano", hein? (surta e toma remédio)

5. Acabou o intervalo de cinco minutos, volto agora para o meu quarto e os meus livros...ah, tem mais uma piada boa. Já viram um episódio de Seinfeld (referências, referências!!) em que o Geroge leva um livro gigante de arte pro banheiro numa livraria pra dar uma cagada, e na volta o livro ta marcado como "livro da bunda" pelos funcionários e ele tem que comprar o livro, caríssimo?? Alguém quer comprar as minhas 214.256 apostilas? Eu vendo baratinho. (heh)

6. Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra um alguém, e esse alguém sabe quem... (não, não fiquei doida, vai ouvir Pedra Letícia, vai... O Meu Sangue Ferve Por Vocêeee!...Olé!)


PS acrescentado depois de uma leitura do acima redigido: nossa, alguém me interne e me esterilize pra num passar pra frente essa desgraça. ¬¬

quarta-feira, setembro 12, 2007

Vestibular

Cara, nem acredito que sou eu. Se me contassem há algum tempo que aos vinte e quatro anos e o saco cheio de uma faculdade eu estaria ralando a bunda na cadeira pra prestar vestibular de novo, eu juraria que era piada.

Mas é fato. Eu, que até poucos dias estava às voltas com impostos e licitações, cá estou lendo sobre Revolução Francesa, Reino Monera, operações com potências, movimento circular, ligações covalentes, Romantismo, bacias hidrográficas, etc e tal.

Se por um lado biologia me dá sono e matemática me dá uma surra - afinal, advogado só sabe calcular 10% e 20%, que é o honorário, ora bolas! - estou amando estudar História e Literatura. Interessante como faz diferença o olhar do adolescente pro olhar do adulto quando se trata de aprender as coisas...naquela época - 15, 16, 17 - as coisas nos eram impingidas, por mais senso crítico que lutássemos pra desenvolver. E agora, tendo contato de novo com coisas deixadas há muito tempo, os pensamentos que me vêm à mente são cheios de contexto, claros, lógicos.

Engraçado, hoje eu até mesmo ouvi a voz de um professor de História que eu tive no colegial, perdida nos recônditos bifurcados (aqui uma expressão pra não aparecer nunca em nenhuma busca do google!...ahahahaha) da minha memória, recitando os filósofos do Iluminismo...nossa, que coisa espantosa, a nitidez com que ouvi. Acho que isso é sinal de que eu to ficando velha...os fantasmas já estão me visitando de corpo presente!! ahahahahahaha

Então até logo. No próximo post eu já estarei neurótica. Aqui jaz, etc etc etc.

sábado, agosto 18, 2007

Depois da loucura


Uuuufa!

Então, pessoas. Botei a revista no ar e agora respiro fundo durante um momento antes de começar a correr de novo. Querem saber da minha vida? Bem, mesmo que não queiram, o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser. :-P

Eu sarei da depressão. Sim, sarei mesmo. Depois de todos os estágios possíveis. Quis morrer, fiquei catatônica, chorei dias a fio, achei que eu não valia mais nada, me senti ridícula, um lixo, senti vergonha de tudo, lamentei a perda de tempo, senti raiva, fiquei amargurada, cínica, cética, insensível. Arrumei outra coisa pra fazer, porque eu precisava demais de algo que me fizesse sentir algum orgulho de mim. Precisava me sentir boa em alguma coisa, precisava criar. E foi aí que a revista entrou, ela foi meu instrumento de cura, de cauterização. Principalmente quando a terapeuta resolve sair de férias.

Agora já não me importa tanto. Eu continuo um pouco amarga e um tanto cética, mas esse é o meu normal, já há alguns anos. E eu to feliz com os desafios que me propus e também com as decisões que eu tomei nessas últimas duas semanas pra minha vida. Profissionais, acadêmicas e geográficas. Mas isso é só pra constar, deixa quieto. Conto quando estiver concretizado.

Eu tô legal. De verdade. Sinto saudades de algumas pessoas e de outras não. Penso mesmo que há pessoas que entram na vida da gente porque a gente procura encrenca de propósito. Sabe aquele tipo de coisa que se pensa assim, depois: "Eu precisava ter passado por isso?" e a resposta é um retumbante NÃO? Acho que é bem o caso. Mas, erros servem pra gente ir errar de outro jeito, né? Eu custo a tolerar figurinha repetida, que dirá erro repetido. Foi-se.

Agora eu quero no-vi-da-des. Que me agreguem algo em vez de me fazer buracos. Chega dessa coisa de ser queijo.

terça-feira, julho 31, 2007

Satisfação

Queridos leitores,

o Bunda Furada está e estará em stand by pelos próximos dias.
Não, ninguém me convenceu a tirar nada do ar não...rs

É que eu to na maior pilha correndo com os ajustes finais do meu bebê:

WWW.LIVINROOOM.COM


O Livinrooom volta ao ar no dia 15 DE AGOSTO, depois de seis meses de seca.

Novos autores, novas colunas, novos ares, novas idéias.

Não percam!

terça-feira, julho 24, 2007

Uma história de amor


Roberta diz:
vou namorar uma mulher!

Lívia diz:
já escolheu qual?
se não, eu tô na fita

Roberta diz:
ainda não
ótimo, você é bonita e inteligente

Lívia diz:
e doida que nem você
credo
nós duas juntas é um negócio complicado
ahahahahah

Roberta diz:
é seria bem complicado...
mas ok, seria interessante
a gente namora, vc pega o primeiro vôo para cá e o avião cai quando chegar em congonhas. e eu penso: "mas que porra, até na única vez que dou sorte.. dou azar!"
hahahahahahahahahahahahahaha

Lívia diz:
kkkkkkkkkkkkk...e aí eu viro fantasma e vou assombrar o seu apartamento...uma linda história de amor mal resolvida.

segunda-feira, julho 23, 2007

A Rosa de Guardanapo

Há uns dez anos eu ganhei uma rosa de guardanapo. Uma coisa boba, prosaica, aparentemente sem valor. Mas que me foi dada por uma das pessoas mais especiais que eu já conheci. Hoje eu tô meio decepcionada com ele, mas não posso deixar de reconhecer o grande ser humano que sempre foi, o homem maravilhoso que costumava ser.

Era um homem que costumava fazer de tudo pra conseguir um sorriso ou um olhar de enlevo. Era expontâneo e nada do que fazia era estudado ou artificial. Um homem capaz de falar durante horas com paixão e entreter de maneira única. Uma grande companhia, um grande amigo, um grande amor.

Eu achei que esse homem era único, que as características que ele reunia eram intrínsecas apenas da sua personalidade, que o faziam um homem extremamente raro e distinto, de quem ninguém era sequer parecido.

No entanto, nesse final de semana, eu conheci outro. Totalmente diferente, mas exatamente assim, e me dei conta de que se trata de uma categoria, afinal. Um tipo de homem profundo, encantador e doce. Que usa camiseta larga com calça jeans, não se liga muito em fazer a barba e usa boné quando o cabelo tá precisando de corte. Um tipo de homem que oscila entre o menino e o adulto, que ri sem reservas, que é tão boa companhia que é capaz de fazer o dia voar sem que se veja.

Um homem que é inteligente, mas não arrogante. Que é crítico, mas não enjoado. Que é irreverente, mas não inconveniente. Que faz rir sem fazer força e ri de si mesmo com maestria, que não perde nenhum raciocínio e sempre dá um jeito de extrapolar com brilhantismo. Muito mais que completar: colorir.

Um cara que ficou comigo o dia todo no sábado e com quem poderia ficar horas mais. Que é um amigo fantástico e com quem eu pretendo contar daqui em diante. Que foi tirar o último dente do ciso hoje e diz que vai aproveitar pra perder o resto do juízo que ainda tem. Um cara que faz rosas de guardanapo. Essa da foto.

Menino, você é show. Valeu demais.

sábado, julho 21, 2007

Heavy Metal do Senhor na Via Láctea


Definitavamente eu não sou a pessoa mais indicada pra tentarem vender mapas astrais, sinastrias amorosas e notícias solares revolucionárias. Aliás, eu sou muito reservada sobre o que e em quem eu acredito. Mas um dia desses, sei lá por que eu me inscrevi no Personare. Achava uma graça as notícias de períodos astrais que eles me mandavam sempre. Claro, sempre tinham uma margem de acerto absurda e eu ficava admirada. Mas quando começam a repetir a mesma mensagem depois de um tempo, a gente cansa de brincar. E parei de ler os emails deles, até hoje, quando resolvi abrir e ler. Foi tão interessante o trânsito astral, que quis ler mais coisas...aí li um pedaço do meu mapa (porque o completo é pago), tirei uma "carta do dia" no tarot e só não fiz a sinastria amorosa porque não tem com quem fazer...rs

Saca só:

Inteligência emocional
21/07 (ontem) às 10h10 a 29/07 às 18h
Mercúrio em trigono com Lua natal


Nos próximos dias que vão de 21/07 (ontem) às 10h10 até 29/07 às 18h, o planeta Mercúrio estará se aspectando harmoniosamente com a Lua do seu mapa de nascimento, Lívia. Esta tende a ser uma fase bastante propícia para tomar decisões que se pautam tanto em processos racionais quanto em sua intuição. A sua percepção das coisas estará mais completa, e este aspecto favorece o entendimento, os estudos, os escritos e as trocas intelectuais.

Você perceberá que está mais eloqüente do que o usual, e neste momento podem ocorrer muitas conversas e notícias de pessoas que há muito tempo você não via. O estímulo positivo de Mercúrio lhe permitirá compreender coisas que você antes não entendia muito bem, sobretudo no que diz respeito a acontecimentos passados que você não processou legal. Esta é uma fase de insights e de esclarecimentos, Lívia.

Fala sério, né não? Horrorizei com o senso de oportunidade...rs
O PEDAÇO DO MAPA ASTRAL diz isso:


SOL EM GÊMEOS, ASCENDENTE EM CAPRICÓRNIO – A AUTORIDADE INTELECTUAL

Você, Lívia, nasceu no momento exato em que Capricórnio se levantava no horizonte, sendo portanto o seu signo ascendente que, combinado a Gêmeos, seu signo solar, cria uma personalidade rica, fascinante, ambivalente e misteriosa: à primeira vista, transmite a solidez e a força de alguém que tem muita idade, de alguém que já viu e viver muito, independentemente de sua idade física.

Sei lá se eu transmito solidez, mas as olheiras com certeza são de alguém que já viveu mais e dormiu menos!

Capricórnio é o ascendente das pessoas que se viram forçadas a um amadurecimento precoce, que perceberam que não tinham alternativa a não ser assumir a responsabilidade o mais rápido possível. Por outro lado, quem lhe conhece mais ao fundo percebe o quanto você tem um lado infantil e um tanto inseguro, que aprende a disfarçar como uma forma elaborada de sobrevivência.

hohoho...e tem gente que acha que não tem mais nada entre o céu e a terra do que poluição.

Mas uma coisa é certa, por detrás desta aparente contradição: as pessoas notam que você é uma pessoa que está perfeitamente atenta a tudo o que acontece em torno de si e que tem o poder de colocar na prática (ascendente Capricórnio) suas idéias brilhantes (ascendente em Gêmeos).

Espero que sim!...rs

E isso muitas vezes incomoda, pois nem sempre é confortável estar ao lado de alguém que aparentemente tem total consciência do que os outros estão pensando. As regras do jogo, quando expostas por você, deixam as pessoas nuas.

Você tende a acreditar que conhecimento é poder. De certa forma isso é verdade, pois de fato as pessoas que têm mais conhecimento são aquelas dotadas de maiores recursos para vencer na vida, e por isso mesmo você provavelmente será do tipo de pessoa que acumula saber e o guarda, querendo a todo custo desenvolver o máximo de know how possível dentro de sua área, e se tornando uma figura de alta competência em seu saber.

Oh, yes...

Por outro lado, Lívia, você corre o risco de supervalorizar o lado prático da vida, e pode terminar abdicando de muitos ideais por não lhe parecerem muito "racionais". Muitas vezes é preciso ouvir a voz do coração, ouvir a intuição, acreditar na loucura interior e atirar-se no vazio do desconhecido, sem tanta prudência em relação à vida.

Vou imprimir isso em letras garrafais e colar nas paredes pra ver se eu me convenço!

SAIBA O QUE OS ASTROS DIZEM SOBRE O SEU JEITO DE AMAR:

Quando você nasceu, Lívia, o planeta Vênus estava no signo de Câncer, um signo de Elemento Água, que sente grande necessidade de aprofundamento emocional nas relações. O afeto de Vênus em Câncer passa pela identificação emocional, que nem sempre é racional, e não se liga ao corpo, nem necessariamente ao que é "conveniente". Câncer não está preocupado se a relação é "lógica" ou não. Este é um signo regido pela Lua, que aprecia dar vazão aos instintos e à voz que fala em seu coração.

Ah, sim, claro. Agora me falta achar um outro do mesmo signo regido pelas mesmas coisas, pra ver se relacionamento e frustração param de ser sinônimos!...rs

Você, Lívia, com Vênus em Câncer, é provavelmente uma pessoa muitíssimo carinhosa e que aprecia pessoas de natureza afetiva, onde um possa cuidar do outro.

Viu, nem é tão difícil perceber isso. Até o Personare percebeu! ahahahahah

O processo de sedução parte do indireto, do sutil, como um caranguejo que anda de lado para conseguir a isca: quando o outro percebe, já está completamente envolvido. Mas, em geral, Vênus em Câncer seduz o outro a seduzi-lo. Isso também porque há uma insegurança natural nesta posição venusiana, em que a pessoa corre o risco d...

Aí eles interrompem pra eu ficar babando de vontade de saber o resto e colocar o número do meu cartão de crédito lá. Na na ni na não. Eu sei como eu sou, obrigada...rs

A CARTA DO DIA DO TAROT diz isso:

3 de Copas
Abra-se ao prazer!

Que tal se permitir ter mais prazer neste momento, Lívia? Há quanto tempo você não faz coisas de que gosta? Que tal relaxar e curtir mais a vida? O 3 de Copas surge aqui como arcano conselheiro, pedindo-lhe que permita abrir-se ao prazer, para que ele flua na direção do mundo e este lhe atenda, possibilitando situações felizes, festas, namoros (ainda que não necessariamente sérios), em suma, coisas que lhe distraiam e lhe permitam ter dias agradáveis, ao redor de quem você ama. Saia com os amigos, conheça novas pessoas, permita-se rir, conversar, conhecer os outros... estar no mundo! Você sentirá sua alma mais leve e perceberá as coisas a partir de uma perspectiva mais ampla.

Conselho: Deixe o prazer fluir!

Show de bola, né não? Pois é. E o mais engraçado disso tudo é que todas essas previsões vieram num momento em que de fato eu decidi me abrir pro mundo de novo, pra gente nova, pra gente que eu gosto. Foi o que eu fiz hoje, sábado. Ok, já é domingo, mas eu ainda não dormi, então...mas a programação do dia vai ficar pro próximo post, porque merece essa ênfase.

Então eu encerro com as seguintes conclusões:

1. Não é difícil me entender, até um site que só sabe o dia e a hora que eu nasci consegue.

2. A partir de agora quando conhecer alguém vou perguntar de cara: vc é geminiano com ascendente em capricórnio e uma estreita relação com câncer e vênus? Se não for, nem adianta, porque não vai conseguir me dar o tanto de carinho que eu preciso, pode ir embora...rs

3. Vou me tornar mais amiga do prazer. Um filme, um livro, uma música, um papo legal, um jogo, sol, lua e sereno, gente que me ama, gente que me faz rir. E orgasmos, só com quem valha a pena no resto do tempo.

4. Vou procurar colocar em prática as minhas idéias brilhantes pra ver se elas iluminam tudo ao meu redor, ando precisando...rs

5. E, por fim: vou anotar todos os insights de agora em diante, por via das dúvidas. Vai que eu vou parar no Jô mais cedo, né?

quinta-feira, julho 19, 2007

Primeiro Encontro

Aconteceu uma que só rindo mesmo.

No terceiro ano de faculdade (nos idos de 2003) eu tinha uma confessa queda por um professor meu. Mas ele era comprometido e não me dava bola. Logo em seguida, fiquei eu comprometida e o moço solteiro. Depois, invertemos de novo. E de novo.

A essas alturas a queda não era mais segredo, era um fato tácito sobre o qual não falávamos. Um dia ele quase me matou de susto quando eu fui chegando numa roda em que estavam ele e uma amiga. Lascou essa:

- Lívia, você quer namorar comigo?

Eu, nem preciso dizer, quase engoli o nariz de tanto susto. Balbuciei um "hein???" e começamos todos a rir. Ele explicou que tinha terminado com mais uma namorada e que estava descrente.

- Ninguém me ama, ninguém me quer. Vou é ficar sozinho mesmo. Tá vendo, Letícia - a amiga - ela também não quer me namorar!

Eu engasguei. Claro, era brincadeira, mas como eu sei bem, toda brincadeira com esse tipo de mote tem seu fundo de verdade. Um homem lindo daqueles me dizendo que ninguém o queria. Era demais pra minha pobre cabecinha.

Mas, como eu disse, estava comprometida, e se tem uma coisa que eu aprendi foi a ser fidelíssima. Nem cogitei, dei sorriso amarelo e falei algo do tipo "ah, não me leva a mal, se fosse em outro momento, etc".

Ficamos nisso, sem novidades até um churrasco de "cem dias" da formatura da turma. Só quem já viu churrasco de quase formatura é que sabe como funciona o clima da coisa. Eu, solteiríssima, tinha parado de beber e mesmo sóbria fiquei contaminada pelo espírito de "vamo quebrá tudo" que impregnava todo mundo. Lá pelas tantas, conversando com o dito cujo, olhei bem na cara dele e ataquei:


- Essa nossa enrolação vai até quando, hein?

Aí quem engasgou foi ele. Vi que ia vir uma desculpinha amarela que nem a minha há tempos atrás, e não esperei. Tasquei um beijo de leve na boca do moço, que só conseguiu balbuciar, por sua vez:

- Pelo amor de Deus, todo mundo aqui ou é meu aluno ou meu colega, não faz isso comigo!

Eu dei risada, daquele jeito inconsequente que só damos quando ainda somos "ninfetas perigosas". (gargalhada) Debochei um pouquinho do pudor dele e me despedi - o que causou grande inconformação da outra parte. Mas eu tinha feito a minha jogada, agora era esperar o oponente mexer alguma peça.

Recentemente, estou eu Lìvia formada, apaixonada, jurando que tinha achado o homem da minha vida, toca o telefone e é o cara, me convidando pra sair num contexto nada aluna-professor. Dispensei, claro, não tinha nada a ver. O que é uma paixão-verdadeira-pra-toda-vida perto de um flerte de faculdade, não é? (bah, como a gente se engana!)

Então, isso tudo eu contei pra chegar no seguinte: ontem eu tava no msn e o moço veio bater um papo. Patati patata (como diria o Júlio), estamos solteiros, acabamos combinando de sair hoje.

Minha melhor-amiga-próxima-de-mim-geograficamente me disse, entre risos:

- Amiga, eu falei pra você dar a volta por cima, mas não precisava ser tanto assim, né?

Em todo o caso, acabamos não saindo porque eu to tossindo que nem motor de carro enguiçado. Liguei pra adiar o passeio e ouvi o seguinte:

- E aí, pensou em algo inusitado?

- Ué, tinha que ser inusitado?

- Bom, de uma pessoa como você, capaz de imaginar as coisas que imagina, de escrever como escreve, esperar menos que isso é te subestimar.

- (gargalhando) Bom, então me lasquei, porque sem querer acabei elevando o nível demais e agora qualquer coisa aquém de inusitado é decepcionante!

- Ah, é mesmo.


Agora eu to com o seguinte problema: o que é uma idéia inusitada prum casto primeiro encontro???? Socorro!!!

terça-feira, julho 17, 2007

FOTO EXCLUSIVA!!!



Senhoras e senhores, aí vocês vêem uma foto do ERIC quando criança, cedida a mim por sua pobre mãe que foi refém desse monstrinho por anos e anos.

É o Bunda Furada entrando no jornalismo verdade!!!
Se cuida, Márcia Golshmith (sei lá como escreve isso!).

segunda-feira, julho 16, 2007

Estamos de Volta!


Depois da "Hora da Depressão", que na minha opinião se estendeu DEMAIS, voltamos agora com a programação normal, prezadíssimos leitores!!

Eu tava com uma idéia fodástica (palavreado do Outsider) pra postar aqui, mas eu escrevi a primeira frase e quinhentas pessoas me chamaram no msn. Agora foi-se...rs

Bom, o importante é: acabou o jejum de risadas por aqui. Volto mais tarde com a pena afiada.

Preparem-se!

terça-feira, julho 10, 2007

Dever de Casa II

A Lívia me deu o dever de casa mais ingrato de todos: ler um livrinho de argh...auto-ajuda. Tem um mês que ela me deu o livro. Tem 94 páginas. E eu não consigo passar da página 25 nem na base da porrada.

Aí, ontem ela me pediu o livro de volta e eu fiquei sem graça pra caramba de dizer que não tinha terminado ainda de ler. Falei um "estou terminando" descarado e prometi devolver na segunda. Ou seja: toca a pegar a bomba e tentar pelo menos passar os olhos no restante pra poder falar do assunto sem passar mais vergonha.

O título: Faça Diferente, Faça a Diferença. Que fique registrado que eu amaldiçôo do âmago do meu ser o senhor Rodrigo Cardoso, um desses gurus proferidores de palestras milagrosas que teve a maldita idéia de começar a escrever livros - esse é o segundo!

Constatei que o livro, contando a singela e subestimadora de intelectos história de Pedro, um engraxate que vira fazendeiro, pai de família e avô de uma porrada de netos e morre pilotando um avião daqueles do Barão Vermelho, tem a pretensão de ensinar 16 coisas: três lições iniciais, dez princípios de vida e três mensagens finais, o santo graal da vida.

(pára e vomita)

Vou transcrever aqui as 16 coisas pra todo mundo poder sofrer comigo. E tecerei meus comentários respectivos:

Lições:

1. Não espere que a vida lhe dê "fogo" se não dá "lenha" a ela. Trace metas claras e as escreva num papel: estará um passo mais perto de realizá-las.


Ah, é. Escrever o que se quer tem tanta força que todos os blogueiros do mundo estão fadados a se transformarem em Guimarães Rosa, Bill Gates, Michael Jordan ou Al Pacino.

2. A felicidade não está nos sonhos realizados, mas no processo de realização dos sonhos. Quando alcançar suas primeiras metas, trace novas e maiores.

Ou seja: você nunca terá sossego na sua vida e trate de se conformar e ficar contente com isso. E não se acanhe em escrever no papel que quer se mudar pra Lua, namorar a Angelina Jolie, ser herdeiro do Sílvio Santos. Quanto mais improvável, melhor. Aí você fica a vida inteira sem se sentir insatisfeito, porque nunca vai alcançar nada disso mesmo, logo sempre estará feliz.

3. O elefante do circo tentou muito fugir da corrente e da estaca que o prendiam quando era filhotinho. Como nunca conseguiu, cresceu convencido de que não pode fugir, mesmo que agora seja imenso e forte. Não acredite que não pode sem tentar de novo.

Nesse aqui eu fiquei tentada a meramente mandar tomar no cu. Mas me parece pouco elaborado, então: ah, eu devo estar mesmo quase do tamanho de um elefante. ¬¬


Princípios:

1. Constitua uma família.


Ah, sim, é a coisa mais fácil do mundo encontrar alguém que seja honesto, constante, confiável e não seja filho da puta no final das contas pra se ter um filho. Nossa, fácil demais!

2. Ajude seu semelhante.

E ainda copia Jesus Cristo descaradamente. Até eu escrevo livro assim!

3. Trabalhe em equipe.

QUE EQUIPE, cara pálida????

4. Aprenda a ser forte na adversidade.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco - já que é pra partir pra frase feita.

5. Dê o melhor de si em tudo que faz.

Inclusive cortar os pulsos?

6. Não seja preguiçoso.

Agora sim: vai tomar no cu.

7. Tenha coragem e arrisque-se.

Tá bom, vou me "converter" ao lesbianismo, então.

8. Tenha fé.

¬¬

9. Não se preocupe.

Não posso, sou Drama Queen, né?

10. Aprenda a perdoar.

Eu até sei perdoar. Mas agora não tô conseguindo. E mesmo que conseguisse, não sei se estou querendo. Sabe vontade de quebrar o carro alheio com um taco de baseball?


O Santo Graal - as três mensagens finais.

1. Associe-se a pessoas positivas.


Pessoas positivas são as culpadas por eu ter sido obrigada a ler esse livro. Prefiro gente solidária do que gente poliana.

2. Aprenda a usar o poder da palavra.

Será que se eu aprender e disser um MORRA bem caprichado, vai funcionar?

3. Seja um eterno aprendiz.

Preciso mesmo aprender um monte de coisas. Como a deixar de confiar em gente.

segunda-feira, julho 09, 2007

Mudança de time

Nos últimos cinco anos minha vida amorosa foi um caos. Pulei da brasa pro espeto um monte de vezes. E o engraçado é que eu sempre acreditei, sempre mantive a esperança de que uma hora eu ia conhecer alguém que fosse realmente um companheiro, que tivesse prazer em estar comigo, que me visse como amiga e não como adversária. Acho que finalmente eu cansei de acreditar nisso. Cansei de me sentir sozinha o tempo todo, principalmente quando acompanhada.

Ontem à noite eu assisti pela enésima vez a Tomates Verdes Fritos. Mas dizem que cada vez que vemos um filme, enxergamos coisas diferentes, né? Pois então. Ontem eu percebi que talvez eu deva desistir dos homens, não do amor. Pensando a respeito, percebi que realmente amor de mulher é uma coisa diferente e que geralmente homem nenhum sabe valorizar e entender. Mas outra mulher talvez saiba.

Eu não estou falando de sexo, mas de vínculo. De carinho, cumplicidade, respeito. Coisa que geralmente homem não sabe dar.

A Andréa me disse outro dia que pra "deixar de gostar de homem" precisa um trauma muito forte. Talvez ela tenha razão. Mas qual a medida do trauma?

sábado, julho 07, 2007

Tea for Two

Esta tarde bateram à minha porta devagarinho. Um. Dois. Três. Era Tristeza, uma velha amiga. Talvez amiga seja a palavra errada, já que nem gosto muito dela. Mas quando alguém o conhece há tanto tempo e tão bem quanto ela, é difícil chamá-lo por outro nome que não amigo, ainda que impróprio. Acostumei-me à presença dela, é a verdade. Fica sendo amiga, pois. Bateu à porta e convidei-a a tomar chá. Sentamo-nos e houve um silêncio prolongado. Sem constrangimento, sem desconforto. Apenas intimidade, entendimento. Ela sabia que eu não queria falar. Somente fez-me companhia. A noite foi caindo e ela acendeu os abajoures. Sentia-se em casa, tão assídua era naquela sala. Escolheu um disco de blues azul e ofereceu-me o colo, sem dizer palavra. Deixei-a acariciar-me os cabelos por longas horas, até que bateram novamente à porta. Tristeza beijou-me em despedida e abriu a porta, dando passagem a Solidão, meu fiel companheiro noturno, com quem divido a minha insônia.


Lívia Santana.
julho/2005


Acho que a minha vida é cíclica.
Os meus acompanhantes de dois anos atrás estão novamente aqui.
Até que eu consiga sorrir de novo sem nenhum traço de amargura.
Aí estarei curada.

sexta-feira, julho 06, 2007

Não Pise nos Mumerats

A quem porventura tenha essa dúvida ou essa esperança: não, eu não vou deletar o blog. E nem vou fazer censura nenhuma ao que está escrito aqui, porque eu que adoro criar personagen e contar suas histórias, não estou disposta a vestir um deles e escrever coisas pensadas cuidadosamente para entreter leitores. Aqui não. Esse aqui é MEU blog, pode ser uma bunda furada - como aliás, é - mas é meu. E fala de mim. E eu não sei não ser eu, não supitar de sentimentos, não rir com o corpo todo, não uivar de dor. Eu sou assim.

E eu to saindo da merda, aos poucos. Chega uma hora que a gente cansa de quem não gosta da gente, né? Cansa de remoer o que deu errado, cansa de sentir saudade dos momentos de êxtase que contribuem ainda mais pra gente se sentir ridículo, cansa de ter esperança. Cansa.

Mas também percebe que há muitas coisas que poderiam significar alívio, alegria e até salvação, e na verdade não são nada disso. Ontem, por exemplo, eu fui prum coquetel de formatura de um amigo muito querido, onde reencontrei minha turma de faculdade. Todas aquelas lembranças, piadas internas, intimidades foram fantásticas durante duas horas e meia. Depois disso eu voltei a me sentir deslocada, desconfortável, melancólica e louca pra ir pra casa. E fui.

A saída não está lá. Assim como não está nos pretensos amigos que se oferecem pra ajudar a superar, esquecer. Não está naquele confidente de todas as horas que acaba por falhar num determinado momento. Não está nesta internet - que foi em grande parte a causadora dos meus tormentos. Não está em lugar nenhum. E este é o ponto do raciocínio em que eu deveria dizer que a resposta esta dentro de mim mesma, que eu preciso encontrá-la. Mas não tenho essa ilusão. Já vasculhei aqui e não achei nada, só teias de aranha e coisas quebradas.

Diane Lane diz isso em Sob o Sol da Toscana:

- Sabe o que é mais surpreendente no divórcio? Ele não mata como uma bala no coração ou um acidente de carro. Deveria. Quando alguém que lhe jura ser fiel até que a morte os separe diz: "eu nunca te amei", isso devia matar na hora. Você não devia acordar dia após dia depois disso tentando entender como você não percebeu. A ficha não caiu, entende? Eu devia ter visto. É claro, mas eu tinha medo de dizer a verdade. E o medo nos torna idiotas.


Ai ai.

Quanto será que está custando uma passagem de ida pra Toscana, hein?


PS: alguém conhece a referência do título? Acho que vou fazer um concurso...rs

quarta-feira, julho 04, 2007

Tesoura do Desejo

Hoje eu to cortando tudo.

Cortei o cabelo - curto!
Cortei as cutículas mortas.
Cortei relações de dependência.
Cortei gente que se diz amiga e me sabota.
Cortei a preocupação com a opinião alheia.
Cortei a lamentação por gente que não me ama e não me quer.
Cortei a preguiça de ir ao médico.
Cortei a depressão.
Cortei a inércia.
Cortei o choro, as olheiras, a insônia, o mau humor, TUDO!

E engraçado é que comecei a cortar na sexta: O baralho! :-D

segunda-feira, julho 02, 2007

O que eu preciso

Hoje me disseram pra deletar este blog, porque é muita exposição e eu não preciso disso.

Engraçado é que todo mundo sempre entra numas de saber o que é bom pra mim, do que eu preciso, do que eu não preciso. Um monte de gente tenta me convencer que é melhor assim ou assado, que eu tenho que esquecer, que eu tenho que "dar a volta por cima" - como eu odeio clichês, puta que pariu - que me reinventar, que tocar a vida. Todo mundo é capaz de dizer pelo menos uma coisa de que eu preciso.

E o que eu acho que eu preciso?

Primeiro os razoáveis: Fazer de conta que estou bem, que estou me recuperando, que não penso nisso a cada cinco minutos. Fazer de conta que tenho motivo pra levantar da cama de manhã. Fazer esforço pra não me lamentar fora do consultório da psicóloga. Fazer esforço pra ir pro consultório da psicóloga, porque eu sei que ela vai me dizer que eu tenho um potencial enorme, que eu to melhor assim, que é pra esquecer, deixar pra trás, reconhecer que acabou há muito tempo e que eu tava me recusando a ver, etc. Fazer de conta que raciocínios lógicos fazem doer menos, fazer de conta que não sinto uma saudade dilacerante, que não abafo o choro no travesseiro.

E agora os fantasiosos: de uma máquina do tempo. De um tratamento de "apagamento" como o de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. De fugir pro Tibet que nem o Bruce Wayne no Batman Begins pra tomar porrada de um cara de barbicha e usar substâncias alucinógenas. De sossego. De outra chance.

Caramba, eu só queria outra chance.

quarta-feira, junho 27, 2007

Errata

Eu estava muito bem hoje. Mas nada que a minha terapeuta não consiga resolver. Sabe o que é uma mulher te destruir com a voz pausada e doce a ponto de você sair de dentro do consultório e sentar num meio fio no caminho pra casa pra evitar ser atropelada porque estava chorando demais? E chegar a pedir ajuda pra última pessoa que devia pedir, por uma mesagem no celular devidamente ignorada?

Ah, cara. Nessas horas é que Zeus devia existir. E me fulminar com raio pra acabar logo com isso.

Hoje

eu estou melhor. Acordei de bom humor. Passou a sensação de ultraje, de vergonha, de mágoa profunda. Hoje eu consigo sentir carinho de novo. E saudade.

segunda-feira, junho 25, 2007

Fantasia

Essa é uma história que poderia começar de diversas maneiras. Poderia mesmo ter diversos finais e até mesmo vários enredos diferentes. Mas, ao contrário dos contos de fadas, essa é uma história contemporânea e as boas hitórias contemporâneas têm finais tenebrosos, porque os finais felizes são exclusividade de comédias românticas.

VERSÃO I

Era uma vez uma menina que foi amaldiçoada quando nasceu. Uma bruxa, despeitada por não ter sido convidada a conhecer o bebê apareceu de surpresa e jogou-lhe um feitiço, asseverando que a menina nunca teria um relacionamento duradouro porque nunca seria capaz de se entregar inteiramente. Os pais, aflitos, chamaram a madrinha da menina, que pouco pôde fazer. Apenas lançou um outro encantamento pra que ela pudesse sim, amar intensamente, o que não adiantava muito. Os pais procuraram afastar da menina todo e qualquer moço dotado de qualidades que pudessem interessá-la. Trataram também de enchê-la de afazeres pra que não tivesse tempo de pensar em rapazes. Inglês, informática, natação, guitarra e teatro. Mas nem todos os esforços do mundo poderiam manter um coração fértil e ardente isolado das paixões, e a menina se encantou por um rapaz. Mas não deu certo, e conheceu outro. E outro, outro e mais outro. E nada dava certo. Os pais, então, fecharam-na dentro de casa e deram-lhe a internet pra se entreter. E foi quando o que era ruim ficou pior, a menina ficou tanto tempo sozinha que se esqueceu de como conversar e interagir com outras pessoas e virou uma samambaia. FIM.


VERSÃO II

Era uma vez uma menina que não gostava de ser menina. Ela queria ser adulta, queria ser dona do próprio nariz. Era caprichosa, intensa e segura de si e deixava-a mortificada ter que ser menina. Então, numa noite fria, uma fada atendeu-lhe o pedido repetido mudamente: a transformou numa mulher, com corpo e mente de adulta e alma de menina. A menina exultou e se lançou à vida com a sofreguidão que lhe era peculiar. Tudo era brinquedo novo, a excitação não tinha fim. Mas ela não conhecia o medo e a cautela, e acabou se ferindo gravemente num dos brinquedos, que a atirou de uma grande altura, matando-a antes que a fada pudesse salvá-la. FIM.


VERSÃO III

Era uma vez uma garota que pulava de cabeça em cada paixão, mas saía do encantamento muito antes do outro e sempre deixava corações partidos e amantes inconformados pra trás. A não ser por duas vezes, em que encontrou pela frente adversários mais duros que ela. Um que não se deixou envolver a despeito da paixão da garota e outro que se desencantava ainda mais rápido que ela mesma. Da primeira vez ela chorou muito. Da segunda, de um tanto que nem sabia que era possível. Aliás, chorou tanto que morreu derretida. FIM.


VERSÃO IV

Era uma vez uma mulher dramática que levou um fora e fez um boneco de vodu. (crise de riso) Não, essa história não dá pra terminar.


VERSÃO V

Era uma vez uma menina inteligente, que se tornou escritora, conheceu alguém capaz de enxergá-la de verdade que quis dividir a vida com ela, ganhou um gato e nunca mais se sentiu sozinha. FIM.

Ok, essa última pode ser uma comédia romântica. ¬¬

sexta-feira, junho 22, 2007

Esperança

É tão difícil desistir de planos e sonhos muito acalentados! Tão difícil reconhecer que as coisas não são como gostaríamos, reconhecer que deu tudo errado, perder a esperança de que as coisas se ajeitem! Eu não estou conseguindo fazer isso.

Engraçado, de repente me sinto capaz de novo. Capaz de trabalhar, de escrever, de fazer o que eu quiser profissionalmente falando. Mas devo reconhecer que a minha auto estima pessoal está se arrastando. Porque não importa o que eu faça, não parece ser interessante o suficiente.

A Lívia (minha terapeuta) me disse que a gente aprende que os planos muitas vezes precisam ser refeitos, porque mesmo que a casa idealizada seja linda, pode não ser possível construí-la num determinado terreno. Que o projeto precisa ser guardado, pois amanhã eu posso encontrar um outro terreno com solo mais sólido que me permita desarquivar o projeto.

O duro é que a esperança se recusa a morrer, é pior que o Jason. O meu medo é que eu morra antes dela...rs


Facho de Esperança - Mestre Marçal

terça-feira, junho 19, 2007

Projeto Novo

Vão me perguntar (como já perguntaram): você não cansa? E eu digo: o que me cansa, me mata na verdade, é não inventar coisas novas, é deixar as mil vozes que se agitam na minha cabeça se calarem, é deixar de lado as invencionices que me ocorrem. Portanto, sim, projeto novo. O que não significa que abandonarei nenhum outro.

Também poderão me perguntar: você não acabou de tirar carteira da OAB, criatura? Não tá ocupada, não tem nada melhor pra fazer? Bom, sim, eu acabei de passar na OAB. E, por incrível que pareça, isso me fez sentir muito bem. Porque daqui pra frente não tem nada NECESSÁRIO pra eu fazer. Só faço se eu quiser, se eu escolher. E eu já resolvi. Pô, é um alívio. Quanto a não ter nada MELHOR pra fazer, a resposta é: SIM. Embora advogar não seja nada melhor, tem OUTRO projeto rolando, mas desse não vou falar por enquanto. E ainda tem o Liviruim (ahahahahhahah) que está em reformulação pra voltar ao ar. Ou seja: ocupação pra minha cabeça não falta. E quem quiser ver o Livinrooom de volta, mande um email indignado pro zander porque é este cidadão que está me enrolando e atrasando o relançamento.

Bom, mas indo ao que interessa. Inaugurei hoje




Trata-se de um projeto conjunto com o amigo e parceiro de trabalho Conrad Rose. Partindo da seguinte preposição: Relacionamentos são coisa de gente louca. Só louco pra dividir a vida com um outro esquisito e querer que saia coisa boa. E insistir. E achar alguma graça em brigar. Em estar sozinho acompanhado. Em viver atormentado.

No Ringue a idéia é começar nas luvas de pelica e acabar nas de boxe - quiçá nos pedaços de pau, mordidas e delegacia (risos). Mas nunca na indiferença, porque isso sim é o fim.

É pra ser divertido. E talvez até terapêutico!

Espero que gostem.

Ah, eu quero manda um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

sexta-feira, junho 15, 2007

Música de hoje

DIGITAIS - Isabella Taviani



Imagem: Dri Polacco.


Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso
Mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido
E te liguei

Me encontro tão ferida
Mas te vejo aí também em carne viva
Será que não tem jeito
Esse amor ainda nem nasceu direito
Pra morrer assim

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo
Mas não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos seus dedos
Minhas digitais
Não vou voltar atrás
Apague da cabeça o meu nome
Telefone e endereço
Eu não vou
Não vou voltar atrás
Arranque do seu peito o meu amor
Cheio de defeitos

Me mata essa vontade
De querer tomar você num gole só
Me dói essa lembrança
Das suas mãos em minhas costas
Sob o sol da manhã
Você já me dizia:
Conheço bem as suas expressões
Você já me sorria ao final de todas as minhas canções

Então por quê?

quinta-feira, junho 14, 2007

Ídolos - versão bunda furada.

Há algum tempo eu costumava arrancar risadas das pessoas declarando que o meu sonho era ser a Sandy. Eu dizia isso não pra arrancar risadas (afinal não sou palhaça assumida assim), mas porque era muito ilustrativo e muito verdadeiro. Eu queria ser a Sandy. Ser magrinha, anã, virgem, delicada, ter a pele perfeita, uma sapatilha de plástico pontuda com o meu nome, todo mundo achar que eu canto bem, passar meus dias ensaiando coreografias, escolhendo roupas, posando pra fotos, dando entrevistas, fazendo aula de voz, shows no país inteiro, viajando de férias pra Nova York, aturando aquele irmão ambíguo e ganhando rios de dinheiro vendendo cds, produtos variados e fazendo campanhas do óleo de amêndoas Paixão.

Diz aí, você também não quereria ser a Sandy?

E olha que eu nem to questionando talento nem gosto de nada nem de ninguém. Deixa a Sandy quieta lá no canto dela, não discutamos o mérito da questão. Aliás, particularmente, se eu fosse escolher alguém que eu acho foda pra dizer "queria ser essa pessoa", provavelmente escolheria alguém fodido e não foda. Alguém doente, ranzinza, dono da verdade, mal humorado, cínico, depressivo, fumante, falido, que sofresse abuso, preconceito, angústia, crise existencial e etc. A Tina Turner, por exemplo. A mulher tem, ao mesmo tempo, a voz e o par de pernas mais fodas do mundo. E no entanto, ela tomou tanto na cara daquele Ike, que apesar de admirar pra caraleo, não dá pra dizer que eu quereria ser ela. Ou, mais perto de mim, eu admirava e gostava muito do pai de um amigo meu. Cheguei mesmo a dizer algumas vezes "O Jorge é foda". Extremamente inteligente, caramba. Mas tudo isso que eu listei ali em cima, ele é, e não dá pra dizer que haja alguém que deseje ser deprimido, frustrado, ranzinza. Na verdade, as pessoas que eu mais amo e mais admiro são nojentamente inteligentes. De dar raiva mesmo. E todas tomam no cu de um jeito ou de outro por causa disso.

Então eu queria ser a Sandy.

Vai dizer que você não? Vai dizer que nunca acordou sentindo que seria mais feliz se tivesse metade da sua capacidade cerebral? Se não tivesse que ter opinião política, não tivesse que provar nada pra ninguém, não tivesse que ter observações inteligentes, que entender trocadilhos, que arranjar soluções pra problemas seus e até pros alheios, se pudesse ser piegas sem perder a sua fama de mau, se fosse o intérprete responsável pela música do gambá na floresta e não precisasse se sentir acanhado por causa disso, se pudesse gravar uma música dizendo "esse turu-turu-turu aqui dentro/que faz turu-turu-turu não tem jeito" e ainda assim ter um monte de gente cantando e achando você o máximo.

Por que é que a maldita da qualidade ou o desgraçado do senso crítico têm que estragar tudo, tornar as coisas tão difíceis? Já é tão árduo fazer alguma coisa da vida, quanto mais fazer alguma coisa que preste! Isso é o que deixa uma pessoa saudável, de boa aparência, com pai e mãe vivos e presentes, que tem casa, comida, roupas quentes, ensino superior e alguns amigos, infeliz. Afinal, a sensação de que não está fazendo NADA da vida é estranguladora. E quem garante que esta criatura não vai passar o resto dos dias nesta Terra sem fazer nadinha? Sem construir nada que fique pra posteridade, sem ter um companheiro, filhos, sem fazer realmente a diferença pra ninguém? O que vai impedir que ela se torne uma velha criadora de gatos e regadora de samambaias, tão estéreis quanto ela própria foi em vida?

Entende? Eu queria ser a Sandy!!!!

Mas isso foi até outro dia, quando eu encontrei um ídolo novo. Uma meta nova. Alguém que expressa muito mais minha ambição de vida do que a Sandy. Ok, é feia, velha, inglesa, discriminada e sei lá como é que passa os dias dela. Mas uma coisa eu sei: ela é a segunda mulher mais rica do mundo, só perde pra Oprah. E mais: ela é escritora. E mais ainda: ela só precisou de UMA idéia genial pra se tornar uma bilionária em alguns anos. Esta é, nada mais, nada menos, meus amigos, que J. K. Rowling, a criadora do maior fenômeno da literatura infanto juvenil contemporâna - Harry Potter. Ainda que falem mal dela, que pichem a obra (as sete!!!) de subliteratura, que reneguem o valor do Universo criado por ela, não importa.

Por acaso algum desses críticos pseudo gênios, cheios de senso crítico e gosto refinado tem algum dos milhões que ela tem? Por acaso algum deles é conhecido por um décimo das pessoas que a conhecem? Por acaso as idéias deles já foram adaptadas para o cinema e foram assistidas por milhares de expectadores e fãs? A resposta a estas e outras questões é um retumbante NÃO. Eu me pergunto quanto de dor de cotovelo não terá nas críticas tecidas à autora e à obra.

Em todo o caso, não quero entrar também no mérito desta questão. Se é bom ou ruim, foda-se. A minha colocação é outra: basta UMA idéia genial, uma dose de talento e muita transpiração.

Porra, eu quero ser a J. K. Rowling!

quarta-feira, junho 13, 2007

Here Without You Babe



Adoro essa música. Sei lá por quê. Talvez porque seja emblemática, não só a respeito de sentir falta de alguém, mas também de mim mesma. Oh, Lívia, eu estou aqui sem você, mas você ainda está nos meus sonhos...Ah, Lívia, como eu sinto sua falta!

terça-feira, junho 12, 2007

sexta-feira, junho 01, 2007

Corrente. Bando de fdp...

O féla do Zander (sem links, seu puto, essa corrente é quilométrica!) me passou uma corrente que é carma pra mais de duas encarnações. Só vou responder porque estou no msn com o Outsider e a Dehynha e não to com sono agora. Lá vai:

07 coisas que tenho que fazer antes de morrer:
1. montar uma biblioteca gigantesca na minha casa
2. assistir a um musical na Broadway
3. aprender a fazer strip tease
4. voltar a jogar RPG
5. escrever e produzir uma novela radiofônica
6. ter um gato
7. adotar uma criança.

07 coisas que mais gosto:
1. rir
2. namorar
3. ler
4. assistir filmes
5. comer sonhos
6. cozinhar
7. beber vinho espumante

07 prazeres fúteis:
1. assistir seriados antigos
2. comer a cutícula dos dedos das mãos
3. fazer listas
4. jogar The Sims
5. cantar no chuveiro
6. ler o que a Blogagi escreve
7. bater papo nonsense no msn

07 coisas que mais digo:
1. "vai pro diabo!"
2. "morra"
3. "devo ter organizado uma caravana de putas pra Santa Ceia, só pode"
4. "seje não existe: é SEJA!"
5. "você só não é mais (feio/chato/infame, etc) porque não é (dois, mais gordo, mais alto)
6. "você não vai estar fazendo nada, porra!"
7. "eu te amo".

07 coisas que faço bem:
1. falar bobagem
2. drama
3. escrever (segundo as más línguas)
4. ter idéias (o que não significa que eu as execute)
5. descobrir pessoas ímpares
6. fazer piadas com a minha própria cara
7. pudim de leite condensado

07 coisas que não faço:
1. dirigir (ainda)
2. me matar
3. tolerar gente chata
4. ser deliberadamente mal educada
5. assistir filmes como Velozes e Furiosos
6. ler livros de auto-ajuda
7. dormir cedo

07 coisas que me encantam:
1. gente inteligente
2. fazer rir gente que não ri
3. música (boa)
4. histórias bem contadas
5. gente culta
6. as gatas enteadas brincando e se esticando no tapete
7. o senso de humor dos meus amigos

07 coisas que odeio
1. falta de atenção
2. erros de português
3. gente que manda toneladas de emails sem significado
4. gente grossa
5. operador de telemarketing
6. donos da verdade
7. preconceito

UFA!!! Bom, eu acorrento nessa maldição a DEHYNHA, o OUTSIDER, o CARNÁ, o JORGE, a DRI, a ANJA e a LUNA ROSA. Virem-se!...rs

TIC TAC

Lívia diz: Contagem regressiva!
Junior diz: Pra ficar velha? :-P
Lívia diz: Não, pra te ver! *dança*
Junior diz: \o\

Aniversário, feriado, dia dos namorados. Vou comemorar tudo duma vez só! :-D

terça-feira, maio 29, 2007

Dever de casa I

Acho que eu vou deletar esse blog. Ou pelo menos abandoná-lo. Talvez pra sempre. Talvez até haver alguma mudança significativa na minha vida. Eu tô com o saco tão cheio que nem dá pra descrever, nem dá pra mensurar. Saco cheio de gente estéril, seca, sarcástica, amarga, rude.

Na última sessão da terapia eu levei dever de casa: montar uma balança de prioridades, pra ver se eu descubro um rumo. A próxima sessão é amanhã e eu acho que a Lívia não vai ficar muito satisfeita com o resultado. Eu não estou. Não tem nada aí que eu não saiba, mas nem por isso faz diferença.

O QUE EU QUERO

1. emagrecer
2. ser independente
3. ter alguém que queira realmente dividir a vida comigo
4. escrever
5. estudar literatura

O QUE EU PRECISO

1. fazer dieta/exercícios/massagem
2. arrumar uma fonte de renda suficiente
3. não sei.
4. transformar minhas dores de novo em passado
5. conseguir estabilidade

O QUE EU NÃO QUERO

1. me conformar com o meu peso.
2. ficar em Uberlândia para sempre.
3. passar o tempo sem construir nada.
4. desistir dos meus personagens.
5. ser advogada.

O QUE EU NÃO PRECISO

1. descontar a ansiedade com comida.
2. ter medo de tentar o que quer que seja.
3. perder tempo com ilusões.
4. assistir televisão e jogar no computador.
5. entrar em pânico.

Sorte do Zander que eu não sou inventora de correntes. :-/

domingo, maio 20, 2007

Antes que Termine o Dia

Eu já escrevi sobre este filme AQUI.

Estou assistindo de novo neste momento e alguns diálogos estão acabando comigo:

Diálogo I

taxista: Você está com problemas na vida amorosa.
o cara: E como é que o senhor sabe disso?
taxista: Assim como os barmen, os taxistas sabem dos problemas das pessoas. Qual é o seu?
o cara: Ah, eu não tô a fim de falar disso.
taxista: É uma boa idéia. Talvez assim o problema se resolva sozinho.
Eles se entreolham e o cara muda de idéia.
o cara: Não consigo fazê-la feliz. Como é possível amar tanto alguém sem saber como...como se deve amar?
taxista: Então a ama?
o cara: Sim! Amo muito.
taxista: Esse é o problema?
o cara: Ela vai viajar amanhã. Por duas semanas. E quer me levar também.
taxista: E se ela não voltar?
o cara: O que você quer dizer com isso?
taxista: Vamos lá, imagine. Vocês se despedem, ela entra no avião e nunca mais a vê. Poderia viver assim?
o cara: Não... Não. Não mesmo.
taxista: Já sabe o que fazer. Aprecie o que tem. Apenas ame-a.


Diálogo II

o cara sabe que ela só tem mais aquele dia. e pergunta:

o cara: Se soubesse que não te resta muito tempo de vida, se só te restasse um dia, o que faria?
ela: Que pergunta estranha!
o cara: Eu só quero saber.
ela: Bom, deixa eu ver...meu último dia na Terra...Eu compraria sapatos! Tomaria dez sorvetes com calda quente e talvez conheceria o modelo das cuecas Calvin Klein pruma tórrida aventura...(risos)
Ele continua olhando em silêncio.
ela: É uma resposta fácil. E ridícula. Eu passaria com você.
o cara: Sério?
ela: Sério. Nós ficaríamos juntos, como agora, sem fazer nada.
o cara: Só isso? Quer dizer...mais nada?
ela: Proximidade. Uma proximidade intensa. A gente compartilhando coisas e bobagens...dificuldades...É o que eu sempre quis pra gente.
o cara: Eu te amo.

terça-feira, maio 08, 2007

Pautas da Terapia I

De acordo com a minha terapeuta, eu preciso tomar cuidado com as minhas relações. Porque existe em mim uma tendência a justificar erros e comportamentos alheios e a me contentar com muito pouco. Segundo ela, eu teria tendência a achar que a culpa é minha, que quem está fazendo errado sou eu e que isso influencia o outro de maneira negativa. E que isso não é verdade. Que eu preciso começar a pesar as coisas e perceber que algumas situações não valem a pena serem mantidas.

É estranho pensar nisso. Afinal, como decidir o que é aceitável e o que não é? E como saber se estou pedindo de alguém o que essa pessoa não pode dar? Até que ponto "fulano é assim mesmo e eu tenho que aprender a lidar com isso"?

Saí de lá ontem pensando nisso tudo e cheguei à conclusão que é assim que se comporta alguém que sofre abuso. É assim que pensa a esposa que toma uma bofetada do marido e justifica o ato, dizendo que provocou. É o pensamento que justifica um estupro com o fato da vítima estar usando minissaia. Impensável!

Preciso definir pra mim mesma o que é imprescindível e ter a firmeza de limar da minha vida qualquer um que não esteja de acordo. E eu sei que existem coisas que pra mim são importantíssimas. Como respeito, carinho, atenção, companheirismo e gentileza manifesta. Sim, disso eu não posso abrir mão. E nem sei porque aturo gente que não é assim.

Disse pra Lívia outro dia - a terapeuta - que embora eu ainda não saiba o que eu quero das pessoas, sei o que eu não quero e o que não aceito. Mas, que esta lista muda todos os dias, porque talvez seja meu primeiro contato com determinada característica ou talvez o que ontem não tenha me feito sofrer, hoje faça. Talvez por eliminação eu chegue a algum lugar definido, algum dia.

Por hora, eu to tentando descobrir do que são feitas as pessoas que me cercam e decidir quem é de verdade e quem não é. Ô, tarefinha árdua! Mas gratificante. :-)

quinta-feira, maio 03, 2007

Na onda de Minibolo e Gabiroba

Hoje: quinta, com preguiça digna de sexta feira à tarde.
Nos ouvidos: When the Heartache is Over - Tina Turner.
Na cabeça: um plano maquiavélico pra matar cursinho pra segunda fase da OAB.
Nos pés: nada, o chão frio.
No corpo: sutiã, calcinha e calça preta de ginástica.
Na boca: o dedão da mão direita, mordendo a pele.
Nas mãos: suor, vou lavar com sabonete - meu TOC novo.
Na manga: nada, não tô de blusa.
Na pauta: resgate de amigos afastados, quase perdidos.
Na ponta da língua: mudanças.
Na frente: meu monitor.
No icq: nunca tive.
No msn: 18 pessoas on line, uma delas bloqueada e umas duas que não adianta chamar.
Na hora: de assumir que não vou mesmo na aula.
Na noite: vamos ver no que dá.
No fundo, no fundo: estou em paz, mas querendo uma definição definitiva. :-)

segunda-feira, abril 30, 2007

Música, maestro!

Até hoje eu não tinha postado letra de música aqui. Mas hoje a letra está pedindo:

Vim, gastando meus sapatos,
Me livrando de alguns pesos
Perdoando meus enganos,
Desfazendo minhas malas
Talvez assim, chegar mais perto

Vim, achei que eu me acompanhava
E ficava confiante
Outra hora era o nada
A vida presa num barbante
E eu quem dava o nó

Eu lembrava de nós dois
Mas já cansava de esperar
E tão só eu me sentia
E seguia a procurar
Esse algo, alguma coisa, alguém
Que fosse me acompanhar

Se há alguém no ar
Responda se eu chamar
Alguém gritou meu nome?
Ou eu quis escutar?

Vem, eu sei que tá tão perto
E por que não me responde?
Se também suas esperas
Te levaram pra bem longe
É longe esse lugar

Vem nunca é tarde ou distante
Pra te contar os meus segredos
A vida solta num instante
Tenho coragem, tenho medo sim
Que se danem os nós!



*Lívia que nem uma boba. Feliz, leve, livre, solta. Incrível que depois de um tapa na cara se possa se sentir tão bem! Incrível que a gente tenha que passar por traumas pra se dar conta das coisas. Pra perceber que o nosso julgamento e o nosso bom senso estavam sendo toldados. Ah, agora eu poderia voar! E estou quase rindo sozinha, porque de repente, depois de muito tempo, eu me sinto viva de novo. Eu queria que ninguém estivesse na merda, mas se eu pude bater a cara no chão pra voltar a emergir, qualquer um pode. E agora eu percebi que só podemos fazer isso sozinhos, quem tenta ajudar acaba respingado com a lama. E não tem jeito de ninguém gostar de quem se esquece de si mesmo pra só pensar no outro. Ah, eu finalmente entendi! E me livrei daquela casca pesada e sem sentido!!! Cara, que alívio! Que euforia!

quinta-feira, abril 26, 2007

Trâmites Legais

Hoje, senhoras e senhores, eu acordei feliz. Não cantando, mas bem. NORMAL, como há muito não me sentia. E me deu vontade de trabalhar. Fui pro escritório, atendi clientes, aceitei casos novos, empilhei códigos abertos sobre a mesa para pesquisar e declarei imposto de renda. Parecendo gente grande, né não?

Mas o motivo do post é contar um acontecimento inusitado. Estava eu aqui me deliciando com a preliminar de inépcia que eu ia tacar num advogado burro que escreve AUTOS com L, quando bateram na porta. Fui atender e encontrei uma menina baixinha, com vários furos nas orelhas e uma carinha infantil. Devia estar vendendo bombons ou algo assim.

- Oi - fiz eu.
- Oi - fez ela. E emendou - Eu quero casar.

Hein??? Eu quase perguntei horrorizada: COMIGO? Mas me contive e pedi que ela entrasse e se sentasse. Outra coisa que parecia insólita: casar? Pra mim ela tinha cara de quinta série e vinha me falar em casar? O mundo tava perdido mesmo.

A despeito das intensas considerações íntimas, sorri e pedi que ela me explicasse melhor, afinal de contas, ela tinha batido na porta de um escritório de advocacia e não de um cartório pra se casar. Ou seja, tinha caroço nesse angu.

Aí ela explicou:

- Eu tenho quinze anos e meu noivo tem dezessete. A gente quer casar.
Eu: Sua mãe sabe?
Ela: Sabe.
Eu: Ela concorda?
Ela: Concorda.
Eu: Quanto tempo de relacionamento? - confesso que isso foi apenas curiosidade, nada interessava no processo.

Ela: Sete meses. - com cara de quem acha sete meses uma eternidade.

Ai, Deus. Mas ok, é a vontade do freguês, né?

Nesse ponto eu quase abri a minha bocona pra dizer que era fácil, era só fazer uma autorização judicial. E felizmente eu lembrei a tempo de que o Direito de Família estabelece como idade mínima pra casar os dezesseis anos, mesmo com autorização dos pais. Droga.

- Falta muito pra você fazer dezesseis? - eu tive esperança.
- Falta. Um ano, eu faço quinze agora dia 30 de abril.

Qua diabo!!! Com certeza aquela tampinha com sorriso de menina não fazia idéia do que era casar. A maluquinha tinha CATORZE anos! E tinha achado um outro louquinho com DEZESSETE pra casar com ela! Ah, ainda existe romantismo no mundo! E impulsividade! E pais permissivos!! E tá cheio de mulher por aí que passa a vida in-tei-ri-nha sem achar uma alma que queira dormir junto e acordar junto todo dia! Minha santa periquita do bigode loiro!

Mas como era meu retorno à labuta causídica, não podia perder a cliente sem insistir mais um pouco. Catei o Código Civil comentado e fui à caça de alguma exceção. E achei: o casamento com menos de dezesseis anos é permitido em caso de gravidez e em caso de SALVAGUARDA DA HONRA, quando o casamento era melhor que cumprir pena.

Eu não aguentei e desatei a rir. A menina arregalou os olhos. Acho que ela nunca pensou em achar uma advogada que usasse vestidão tomara-que-caia com sandália rasteira e desse gargalhada na frente dela. Expliquei:

- Você tem três opções. Ou você espera um ano pra casar, ou você providencia uma gravidez hoje ainda ou...

E dei mais risada. A expressão da menina já era de curiosidade mórbida. Segurei o riso e terminei:

- Ou então a sua mãe vai no Ministério Público e faz uma denúncia pro promotor, dizendo que o seu namorado abusou de você e manchou a sua honra. Aí abre um processo criminal contra ele por sedução de menor e, pra não ser condenado e cumprir pena, ele se propõe a casar com você pra "salvar a sua honra".

Aí ela entendeu o motivo da risada e me acompanhou dessa vez.

- Então eu tenho que falar que ele... - interrompe a gargalhada.

- É. - risada - E melhor que seja verdade, já que corre o risco de fazerem um teste... (aqui novamente a curiosidade. Será que aquela menininha já tinha vida sexual? Bom, devia ter, e das boas, ou do contrário não estaria tão empenhada em botar aliança no dedo do namorado).

- É verdade? - pelo menos eu tive a decência de fazer uma cara bem encabulada. Ela riu e confirmou, sim, o namorado tinha "manchado a honra dela", sim.

Misericórdia. Peguei os dados do casalzinho e me dei uma semana de prazo pra bater um papo com um promotor amigo e ver se o caso era viável. Ela foi embora alegre e saltitante, pelo jeito já imaginando como contaria pro namorado que ele seria processado criminalmente para poderem casar. Um sedutor de menores. Ui, que medo. Capaz de virar até brincadeira de alcova na lua de mel.

E viva a lei, que faz todo o sentido do mundo e não submete ninguém a situações escabrosas!!!!

quarta-feira, abril 25, 2007

T....E...........M...............P...O

tempo
do Lat. tempus

s. m.,
duração limitada, por oposição à ideia de eternidade; período; época; sucessão de anos, dias, horas, momentos, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro; meio indefinido onde se desenrolam, irreversivelmente, as existências na sua mutação, os acontecimentos e os fenómenos na sua sucessão; certo período determinado em que decorre um facto ou vive uma personagem; oportunidade; ensejo; estação ou ocasião própria; prazo; duração; estado atmosférico;

O que mais se ouve dizer sobre tempo, é que cura todas as feridas. Isso porque ele provoca o ESQUECIMENTO. Mas e quando este não é o objetivo e sim o efeito colateral?

domingo, abril 22, 2007

As Relações Perigosas


Quando entrei em casa, ela estava caída no chão, gritando. Uivando seria o verbo mais adequado, acho. Ela se contorcia, como se dor lancinante lhe percorresse o corpo frágil sacudido pelos soluços desesperados. As lágrimas eram tão abundantes que lhe ensopavam o rosto, a blusa branca e começavam a pingar no chão, formando pequenas poças. Não sei por que entendi de pronto que fosse lá o que a estivesse machucando, não era físico. Era moral. Talvez fossem os olhos, que não estariam mais mortos se estivessem ali no chão aos pedaços. A agonia que emanava dela era profunda e comovente, como se a alma estivesse tentando fugir do corpo, como se tentasse apagar algo horrendo que ela parecia repassar repetidamente na mente enlouquecida de dor. Quis perguntar o que tinha havido, mas senti medo. Será que eu queria mesmo saber o que tinha sido tão terrível para transtorná-la daquela forma? Toquei-lhe a testa, tentando acalmá-la e ela se sacudiu com força, fazendo-me recuar. Ela dizia sem palavras que eu não a podia ajudar e, incapaz de sair dali e deixá-la daquele jeito, sentei-me contra a parede, abracei as pernas e esperei. Ela chorou e gemeu durante muito tempo, até que pareceu serenar e, com a expressão desolada, fitou o vazio por longos minutos. Achei que podia tentar me aproximar novamente e tomei-lhe a mão. Ela desviou os olhos alquebrados para mim, balbuciou: “Não posso mais” e antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, fechou as pálpebras e morreu.