terça-feira, abril 08, 2008

Teoria

Ele costumava dizer que ela era um amontoado de mulheres numa só e que sempre se surpreendia, porque a interlocutora nunca era quem ele achava que seria. Ela se divertia com essa teoria, mas também nunca achava graça do mesmo jeito. Até o riso variava de tom, o que só corroborava a idéia dele.

E empregava muito tempo em observações, metódico que era. Chegou mesmo a apelidar as diversas facetas dela. "A diaba". "A chorona". "A palhaça". "Aquela que almoçou comigo ontem". Ela protestava, fazendo troça. Mas não havia quem pudesse com ele quando o assunto era a argumentação apaixonada e até ela mesma acabou se convencendo.

Ele se divertia provocando as oscilações dela e surpreendeu-se ao constatar que também se transformava. Mudava os olhos, a voz, o cheiro, o toque. Mudava o humor, o sorriso, o ritmo. Mais que isso, descobriu-se menos pragmático e mais impulsivo, como nunca havia sido.

E em meio a tantas descobertas, perceberam que, por mais que variassem, havia, no entanto, uma constante: encaixavam direitinho um nas esquisitices do outro.

2 comentários:

Telma K. disse...

Adorei!
Somos todos em um e o mesmo em todos!!
Minhas esquisitices e as deles...
Beijokas

Camila disse...

Eu quero alguém pra ser esquisito comigo tb!